{"id":8757,"date":"2011-09-06T13:18:21","date_gmt":"2011-09-06T13:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8757"},"modified":"2011-09-06T13:18:21","modified_gmt":"2011-09-06T13:18:21","slug":"dialogues-maias-de-el-peten-se-renderam-a-crise-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/dialogues-maias-de-el-peten-se-renderam-a-crise-ambiental\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: Maias de El Pet\u00e9n se renderam \u00e0 crise ambiental"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, Fran\u00e7a, 06\/09\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O exemplo dos maias de El Pet\u00e9n, que esgotaram o solo pela press\u00e3o agr\u00edcola e pelo amor \u00e0 opul\u00eancia, deveria nos levar a considerar as consequ\u00eancias do consumo exagerado, afirma nesta entrevista o arque\u00f3logo Richard Hansen.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8757\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/542_figura_maya_dios_muerte_JulioGodoyIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8757\" class=\"size-medium wp-image-8757\" title=\"Figura do deus da morte, Ah Puch. Mosaico de alm\u00eaijoas e incrusta\u00e7\u00f5es de jade e pirita, encontrado em Topoxt\u00e9, El Pet\u00e9n, 500-800 d. C - Julio Godoy\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/542_figura_maya_dios_muerte_JulioGodoyIPS.jpg\" alt=\"Figura do deus da morte, Ah Puch. Mosaico de alm\u00eaijoas e incrusta\u00e7\u00f5es de jade e pirita, encontrado em Topoxt\u00e9, El Pet\u00e9n, 500-800 d. C - Julio Godoy\/IPS\" width=\"200\" height=\"177\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8757\" class=\"wp-caption-text\">Figura do deus da morte, Ah Puch. Mosaico de alm\u00eaijoas e incrusta\u00e7\u00f5es de jade e pirita, encontrado em Topoxt\u00e9, El Pet\u00e9n, 500-800 d. C - Julio Godoy\/IPS<\/p><\/div>  As \u00faltimas descobertas arqueol\u00f3gicas na bacia guatemalteca de El Mirador refor\u00e7am a teoria de que os maias, antiga civiliza\u00e7\u00e3o construtora de cidades formid\u00e1veis, desapareceram por causas ambientais como o desmatamento. A exposi\u00e7\u00e3o \u201cMaias: do Alvorecer ao Crep\u00fasculo\u201d, que vai at\u00e9 2 de outubro no Mus\u00e9e du Quai Branly, em Paris, apresenta 150 pe\u00e7as de arte e cer\u00e2mica procedentes de El Mirador, norte da Guatemala, e ilustra a complexidade cient\u00edfica e art\u00edstica da civiliza\u00e7\u00e3o mesoamericana.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as \u2013 vasos, esculturas, peda\u00e7os de mon\u00f3litos (pedras talhadas) e de relevos \u2013 foram encontradas no s\u00edtio arqueol\u00f3gico do departamento de El Pet\u00e9n, no norte do pa\u00eds, perto da fronteira com o M\u00e9xico. As obras pertencem aos per\u00edodos pr\u00e9-cl\u00e1ssico e cl\u00e1ssico da civiliza\u00e7\u00e3o maia, aproximadamente entre o ano 1000 a. C e 900 d. C. A civiliza\u00e7\u00e3o maia se desenvolveu ao longo de aproximadamente tr\u00eas mil anos desde o estabelecimento das primeiras aldeias em uma extensa \u00e1rea: o extremo sudeste do M\u00e9xico (Estados de Yucat\u00e1n, Campeche, Quintana Roo, e partes de Tabasco e Chiapas), os territ\u00f3rios da Guatemala e Belize, e o ocidente de Honduras e El Salvador.<\/p>\n<p>E, de fato, ainda existem, pois mais de quatro milh\u00f5es de pessoas continuam falando as muitas l\u00ednguas maias em toda a Mesoam\u00e9rica. A bacia de El Mirador foi um sofisticado complexo urbano, com numerosas cidades de grande extens\u00e3o, entre elas El Mirador, Nakb\u00e9, El Tintal, Wakn\u00e1 e a rec\u00e9m-descoberta Xulnal, unidas por estradas de at\u00e9 50 metros de largura e v\u00e1rias centenas de quil\u00f4metros de comprimento. O s\u00edtio inclui edif\u00edcios de at\u00e9 70 metros de altura e volumes superiores a dois milh\u00f5es de metros c\u00fabicos, maiores do que as pir\u00e2mides do Egito.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que ilustram sobre o alto grau de desenvolvimento cient\u00edfico e art\u00edstico dos maias, a cer\u00e2mica, e sobretudo a arquitetura, sugerem que o colapso foi causado pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental da regi\u00e3o, afirma o arque\u00f3logo norte-americano Richard Hansen, diretor do projeto de pesquisa da bacia de El Mirador e assessor cient\u00edfico da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Quais foram as causas do colapso da civiliza\u00e7\u00e3o maia?<\/p>\n<p>RICHARD HANSEN: Quando falamos de colapso de uma civiliza\u00e7\u00e3o devemos entender desaparecimento, o abandono completo de uma regi\u00e3o. No final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos lan\u00e7aram bombas at\u00f4micas sobre Hiroshima e Nagasaki. Por\u00e9m, em menos de tr\u00eas anos as duas cidades estavam repovoadas. No caso dos maias, n\u00e3o foi assim. Por que abandonaram cidades t\u00e3o vibrantes, aparentemente t\u00e3o saud\u00e1veis e exitosas como as de El Mirador? Em geral, quando falamos de colapsos de civiliza\u00e7\u00f5es, a causa \u00e9 sempre ambiental. Esse foi o caso da Babil\u00f4nia. Para regar seus campos, os povos da Mesopot\u00e2mia usavam \u00e1gua dos rios Tigre e Eufrates. Contudo, a agricultura intensiva esterilizou a terra. At\u00e9 hoje, a Babil\u00f4nia continua abandonada. N\u00e3o \u00e9 que ningu\u00e9m queira viver ali, mas \u00e9 que n\u00e3o se pode viver ali. Algo semelhante aconteceu em El Pet\u00e9n. Os maias recobriram de estuque praticamente todos os muros e solos de seus edif\u00edcios e as superf\u00edcies de seus mon\u00f3litos. As an\u00e1lises dos muros que fizemos em El Mirador indicam que, inicialmente, as camadas de estuque n\u00e3o eram muito espessas, de dois cent\u00edmetros. E, com o passar do tempo, os maias aumentaram a espessura at\u00e9 chegar a 20 ou 30 cent\u00edmetros. Para preparar tais quantidades de estuque precisavam queimar muita lenha. Para cobrir com estuque apenas uma pir\u00e2mide era necess\u00e1rio cortar todas as \u00e1rvores de uma \u00e1rea com aproximadamente 6,5 quil\u00f4metros quadrados. Esse processo de desmatamento, tamb\u00e9m causado pelas necessidades de agricultura para alimentar uma popula\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de pessoas, provocou a esteriliza\u00e7\u00e3o do solo e, em dado momento, obrigou os maias a abandonar suas cidades e emigrar.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Por que esse uso excessivo de estuque?<\/p>\n<p>RH: A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel \u00e9 porque sim. \u00c9 a mesma explica\u00e7\u00e3o para o comportamento das pessoas ricas de hoje, que pensam ser necess\u00e1rio uma privada de ouro em seu banheiro. Por que dirigem alguns ve\u00edculos pesados pelo centro de Los Angeles? Porque sim. Mas o exemplo dos maias deveria nos levar a considerar as consequ\u00eancias desse consumo exagerado.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: As pe\u00e7as em exposi\u00e7\u00e3o mostram o grau de desenvolvimento da arte maia. De quando datam as pe\u00e7as expostas e as cidades onde estavam?<\/p>\n<p>RH: El Mirador foi abandonado por volta de 150 d. C. e repovoado cerca de 500 anos mais tarde. A arquitetura desse segundo per\u00edodo consiste em grandes edif\u00edcios de pedra com ab\u00f3bodas, esculturas e relevos, cer\u00e2mica e olaria enfeitada com pintura policroma, semelhante \u00e0s ilustra\u00e7\u00f5es dos quatro c\u00f3digos maias. A cer\u00e2mica mostra vasos e pratos de uso di\u00e1rio, e tamb\u00e9m utens\u00edlios empregados em rituais. Cremos que todo esse material de olaria foi produzido na cidade de Nakb\u00e9, na bacia de El Mirador.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Quais os fundamentos matem\u00e1ticos da arquitetura de El Mirador?<\/p>\n<p>RH: Descobrimos que os maias conheciam e fizeram uso sistem\u00e1tico de propor\u00e7\u00f5es e correla\u00e7\u00f5es para constru\u00edrem seus edif\u00edcios. Em El Mirador, escavamos os complexos urbanos mais vastos do continente americano da \u00e9poca. Ao final do per\u00edodo pr\u00e9-cl\u00e1ssico, isto \u00e9, entre 350 a. C. e 250 d. C., os maias constru\u00edram edif\u00edcios com mais de 70 metros de altura e ergueram cidades para centenas de milhares de pessoas, conectadas por ruas de muitos quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O que El Mirador representa para a interpreta\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o maia?<\/p>\n<p>RH: At\u00e9 h\u00e1 pouco, os maias eram vistos como um povo ca\u00e7ador e coletor. Mas El Mirador mostra uma civiliza\u00e7\u00e3o muito complexa, que desenvolveu a linguagem escrita, um sistema de numera\u00e7\u00e3o e uma arte e uma arquitetura extremamente sofisticadas.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, Fran\u00e7a, 06\/09\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O exemplo dos maias de El Pet\u00e9n, que esgotaram o solo pela press\u00e3o agr\u00edcola e pelo amor \u00e0 opul\u00eancia, deveria nos levar a considerar as consequ\u00eancias do consumo exagerado, afirma nesta entrevista o arque\u00f3logo Richard Hansen. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/dialogues-maias-de-el-peten-se-renderam-a-crise-ambiental\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[],"class_list":["post-8757","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8757\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}