{"id":8776,"date":"2011-09-09T15:48:43","date_gmt":"2011-09-09T15:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8776"},"modified":"2011-09-09T15:48:43","modified_gmt":"2011-09-09T15:48:43","slug":"coluna-a-batalha-perdida-da-al-qaeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/politica\/coluna-a-batalha-perdida-da-al-qaeda\/","title":{"rendered":"COLUNA: A batalha perdida da Al Qaeda"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 09\/09\/2011 &ndash; A Al Qaeda perdeu sua batalha antes mesmo do 11 de setembro de 2001, data dos atentados terroristas que deixaram tr\u00eas mil mortos em Nova York e Washington. <!--more--> O saudita Osama bin Laden n\u00e3o viveu para ver o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio desses atos. E o fim de sua organiza\u00e7\u00e3o, a Al Qaeda, se aproxima, depois de sua execu\u00e7\u00e3o, em 1\u00ba de maio, por homens das for\u00e7as especiais dos Estados Unidos, afirmam muitos funcion\u00e1rios do governo norte-americano. \u201cEstamos pr\u00f3ximo de vencer estrategicamente a Al Qaeda\u201d, disse o secret\u00e1rio da Defesa, Leon Panetta. Outros discordam, dizendo que a Al Qaeda \u00e9 forte no I\u00eamen.<\/p>\n<p>Ambos se equivocam. A Al Qaeda perdeu sua batalha muito antes. Apesar de toda dor e de todo sofrimento que os ataques de 11 de Setembro causaram aos norte-americanos, a miss\u00e3o da Al Qaeda n\u00e3o se centrou nos Estados Unidos, mas em transformar o mundo mu\u00e7ulmano. Entretanto, o mundo mu\u00e7ulmano n\u00e3o estava ouvindo. Apenas dez anos depois, com a Primavera \u00c1rabe ainda em ebuli\u00e7\u00e3o e com os Estados Unidos tentando, lenta e dolorosamente, sair dos atoleiros em que se meteu, finalmente podemos come\u00e7ar a entender o significado mais amplo do 11 de Setembro.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, a Al Qaeda se dedicou a retroceder a influ\u00eancia dos Estados Unidos no mundo isl\u00e2mico, particularmente na Ar\u00e1bia Saudita. Contudo, sua audi\u00eancia principal foram os mu\u00e7ulmanos. Seu objetivo radical de recriar um califado mundial foi parte de um debate sobre como participar da modernidade que ganhou terreno entre os mu\u00e7ulmanos durante, pelo menos, 150 anos. Excetuando umas poucas organiza\u00e7\u00f5es marginais (o Talib\u00e3, no Afeganist\u00e3o, e alguns atores n\u00e3o estatais como Jamaat-e-Islami, no Paquist\u00e3o), a Al Qaeda perdeu este debate antes do 11 de Setembro.<\/p>\n<p>O mundo mu\u00e7ulmano, dos conservadores wahhab\u00edes da Ar\u00e1bia Saudita aos marxistas radicais do movimento de liberta\u00e7\u00e3o palestina, havia abra\u00e7ado definitivamente os Estados-na\u00e7\u00e3o e o sistema internacional. A fra\u00e7\u00e3o do mundo mu\u00e7ulmano que abra\u00e7ou meios violentos para reconstruir um mundo baseado na shari\u00e1 (lei isl\u00e2mica) se tornou cada vez menor. O mundo mu\u00e7ulmano n\u00e3o s\u00f3 recha\u00e7ou a Al Qaeda, como tamb\u00e9m abra\u00e7ou a ant\u00edtese da organiza\u00e7\u00e3o terrorista.<\/p>\n<p>Mesmo antes dos acontecimentos dr\u00e1sticos e n\u00e3o violentos que derrubaram l\u00edderes autorit\u00e1rios na Tun\u00edsia e no Egito, uma destacada tradi\u00e7\u00e3o gandhiana havia surgido no mundo mu\u00e7ulmano, desde a desobedi\u00eancia civil na Palestina at\u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o amplamente pac\u00edfica na Indon\u00e9sia. A Al Qaeda recorrer a um espet\u00e1culo dram\u00e1tico foi uma t\u00e1tica brilhante e um esfor\u00e7o desesperado para reviver sua pr\u00f3pria per\u00edcia. Durante um breve per\u00edodo, uma parte do mundo mu\u00e7ulmano se reuniu em torno dessa organiza\u00e7\u00e3o, mas somente para protestar contra as pol\u00edticas de ocupa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Segundo o Pew Global Attitudes Project, o apoio de Osama bin Laden no mundo mu\u00e7ulmano caiu entre 2003 e 2011. O uso de ataques suicidas para cumprir os objetivos da Al Qaeda, como kamikazes japoneses, somente destacou a marginalidade do movimento. Ironicamente, foram os Estados Unidos e sua mal concebida resposta ao 11 de Setembro que sustentaram a reputa\u00e7\u00e3o da Al Qaeda. Bin Laden queria que os Estados Unidos respondessem com uma cruzada, e Washington lhe fez este favor. A tal ponto que a cruzada continua, por exemplo, com a escalada de ataques teledirigidos contra um amplo setor do mundo mu\u00e7ulmano por parte do governo de Barack Obama.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a delimitada antiocupa\u00e7\u00e3o da Al Qaeda mant\u00e9m certa popularidade. Mas fracassou sua raz\u00e3o de ser, o desafio ao sistema internacional moderno. Dez anos depois do 11 de Setembro, o mundo continua debatendo sobre modelos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Como ocorreu na d\u00e9cada de 1930, o capitalismo mundial cambaleava. A democracia surge esclerosada, corrupta ou pouco representativa em in\u00fameros pa\u00edses. Mesmo neste contexto ca\u00f3tico, a Al Qaeda n\u00e3o conseguiu prosperar.<\/p>\n<p>Os manifestantes da Primavera \u00c1rabe no Egito, na Tun\u00edsia, na S\u00edria e em outras partes querem mais democracia e maior conex\u00e3o com o mundo moderno, nada menos que isso. Para pouqu\u00edssimos mu\u00e7ulmanos \u00e9 atraente a perspectiva de voltar no tempo at\u00e9 o S\u00e9culo 6 depois de Cristo. Ao continuar lutando contra uma quimera chamada Isl\u00e3 radical, os Estados Unidos ajudam a mant\u00ea-la. Sim, h\u00e1 im\u00e3s e guerrilheiros isl\u00e2micos que querem um califado mundial, mas, em termos gerais, o mundo mu\u00e7ulmano os ignora.<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada depois do 11 de Setembro, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 hora de acabar com as guerras no Afeganist\u00e3o e no Iraque. Tamb\u00e9m \u00e9 tempo de p\u00f4r fim \u00e0 guerra com a Al Qaeda e suas c\u00e9lulas aut\u00f4nomas, uma guerra que perderam mesmo antes de entrarem no campo de batalha. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* John Feffer \u00e9 codiretor de Foreign Policy in Focus no Instituto de Estudos Pol\u00edticos em Washington.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 09\/09\/2011 &ndash; A Al Qaeda perdeu sua batalha antes mesmo do 11 de setembro de 2001, data dos atentados terroristas que deixaram tr\u00eas mil mortos em Nova York e Washington. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/politica\/coluna-a-batalha-perdida-da-al-qaeda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":501,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,11],"tags":[14,16],"class_list":["post-8776","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-politica","tag-america-do-norte","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/501"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8776\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}