{"id":8792,"date":"2011-09-13T17:17:32","date_gmt":"2011-09-13T17:17:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8792"},"modified":"2011-09-13T17:17:32","modified_gmt":"2011-09-13T17:17:32","slug":"america-latina-software-livre-sim-mas-nao-exclusivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/america-latina-software-livre-sim-mas-nao-exclusivo\/","title":{"rendered":"AM\u00c9RICA LATINA: Software livre sim, mas n\u00e3o exclusivo"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/09\/2011 &ndash; Em diferentes velocidades, os pa\u00edses latino-americanos v\u00e3o emigrando para a inorpora\u00e7\u00e3o do software livre, que lhes permite maior independ\u00eancia sem custos de licen\u00e7a. Contudo, o caminho apresenta desafios. <!--more--> Na Confer\u00eancia Internacional de Software Livre (CISL 2011), realizada na semana passada em Buenos Aires, uma forte pol\u00eamica colocou frente a frente defensores do uso exclusivo de software livre no setor p\u00fablico e os que ainda apoiam o sistema privado.<\/p>\n<p>A disputa foi em torno do programa Conectar Igualdade, implantado pelo governo da presidente argentina Cristina Fern\u00e1ndez no ano passado, que j\u00e1 entregou 1,1 milh\u00e3o de computadores port\u00e1teis a alunos de escolas secund\u00e1rias p\u00fablicas. A meta \u00e9 chegar a tr\u00eas milh\u00f5es, incluindo os 200 mil professores, aos quais foi oferecido curso de capacita\u00e7\u00e3o para lidar com a ferramenta na sala de aula. A entrega \u00e9 em comodato at\u00e9 que o aluno finalize seus estudos. Esses computadores est\u00e3o dotados com dois sistemas operacionais \u2013 o Linux, desenvolvido dentro do movimento de software livre, e o Windows, da Microsoft, seu rival no \u00e2mbito privado \u2013 e o usu\u00e1rio deve optar.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, o norte-americano Richard Stallman, fundador do Movimento Software Livre, em 1984, e um dos programadores que participaram do desenvolvimento do sistema Linux, criticou duramente a decis\u00e3o do governo de dar a op\u00e7\u00e3o. \u201cO programa incorpora software livre, mas isso n\u00e3o muda muito porque depois, nas aulas, exige-se o uso do Windows, e ent\u00e3o, na pr\u00e1tica, o que fazem \u00e9 aumentar o n\u00famero de pessoas que depois ficar\u00e3o dependentes da Microsoft\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Stallman, que foi t\u00e9cnico do Instituto de Tecnologia de Massachussets em seu pa\u00eds, em meados da d\u00e9cada de 1980, liderou uma comunidade que trabalhou no desenvolvimento de um sistema aberto, o GNU, que foi a base para a cria\u00e7\u00e3o do Linux. Em 1991, sobre os conhecimentos desenvolvidos para o GNU, que estavam dispon\u00edveis, o finland\u00eas Linus colocou a pe\u00e7a que falava e assim surgiu o Linux, que Stallman considera que deveria se chamar GNU-Linux.<\/p>\n<p>Para este especialista e ativista, n\u00e3o se trata de um problema de cr\u00e9dito, mas de filosofia. Linus prefere falar de \u201cfonte aberta\u201d e ele \u00e9 um militante da liberdade absoluta em todo o processo de cria\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e uso dos programas. Stallman e seus seguidores dizem que uma pessoa deve ter a liberdade n\u00e3o s\u00f3 de usar o programa sem pagar licen\u00e7a, como tamb\u00e9m de conhecer os c\u00f3digos com os quais foi feito, modific\u00e1-los para melhorar, e usar o programa transformado.<\/p>\n<p>Tudo isso n\u00e3o pode ser feito com os sistemas da Microsoft, que mant\u00e9m suas f\u00f3rmulas em segredo e vende as licen\u00e7as para que cada computador, de uso privado ou do Estado, pague pela utiliza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o. No caso da Conectar Igualdade, Stallman n\u00e3o acredita que seja apenas uma quest\u00e3o econ\u00f4mica que o Estado deve considerar, mas tamb\u00e9m a filosofia que se transmite a um estudante que \u00e9 impedido de conhecer como \u00e9 feito o sistema que vai usar.<\/p>\n<p>Sua posi\u00e7\u00e3o foi rebatida no encontro em Buenos Aires por representantes do programa governamental argentino, que defenderam a liberdade de deixar que cada professor ou aluno decida qual suporte prefere, e negaram repres\u00e1lias sobre os que apagarem o Windows de seus computadores.<\/p>\n<p>O argentino Javier Castrillo era professor em uma escola estatal onde se usava Linux e agora \u00e9 coordenador da Equipe de Acompanhamento e Avalia\u00e7\u00e3o do Programa Conectar Igualdade. J\u00e1 visitou 470 centros de ensino desde 2010. \u201cOs professores s\u00e3o capacitados nos dois sistemas, mas naturalmente h\u00e1 maior uso da plataforma privativa, como ocorre no mercado, \u00e9 como uma in\u00e9rcia que os leva a continuar com o que j\u00e1 conhecem\u201d, disse Castrillo \u00e0 IPS<\/p>\n<p>Castrillo, que tamb\u00e9m treina professores no contexto da CISL 2011, se definiu como \u201cmilitante do software livre\u201d que usa apenas os programas de c\u00f3digo aberto, mas defendeu que cada colega fa\u00e7a sua op\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0s vezes, depende de qual roda melhor em uma escola, outras vezes preferem o Linux por n\u00e3o ter v\u00edrus, e h\u00e1 os que, como eu, acreditam que se deve usar o software livre, mas isso \u00e9 algo que se decide no processo de aprendizagem\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Stallman, a incorpora\u00e7\u00e3o do Windows foi uma oportunidade perdida para a difus\u00e3o do software livre. Esses estudantes agora t\u00eam acesso gratuito mas depois ter\u00e3o de pagar por um uso ao qual j\u00e1 est\u00e3o acostumados, afirmou. Da confer\u00eancia participaram tamb\u00e9m outros especialistas regionais e internacionais que destacaram as aplica\u00e7\u00f5es de diferentes programas desenvolvidos com a mesma filosofia libert\u00e1ria, utilizados em n\u00edveis p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p>Entre eles, o tamb\u00e9m norte-americano Chris Hofmann, da Funda\u00e7\u00e3o Mozilla, desenvolvedor do navegador Mozilla Firefox que compete com for\u00e7a com o Explorer da Microsoft e tem mais de 400 milh\u00f5es de usu\u00e1rios no mundo. Hofmann disse \u00e0 IPS que h\u00e1 alguns anos o Explorer dominava 99% dos computadores, e atualmente a propor\u00e7\u00e3o caiu para 49%, e continua diminuindo, enquanto os demais usu\u00e1rios se dividem entre Mozilla e outros navegadores livres.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m esteve presente o brasileiro Marcelo Branco, defensor destas tecnologias que liderou a campanha nas redes sociais para a chegada de Dilma Rousseff ao governo, baseada em plataformas livres. \u201cNo Brasil, o governo avan\u00e7ou muito no governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, e agora a presidente enviou ao Congresso um projeto sobre uso de internet que \u00e9 quase perfeito, mas os avan\u00e7os s\u00e3o contradit\u00f3rios\u201d, disse \u00e0 IPS. Em algumas pastas se avan\u00e7a mais e em outras \u00e9 mais lento, explicou.<\/p>\n<p>Algo parecido ocorre em toda a regi\u00e3o. Stallman destacou que no Equador e na Venezuela houve uma decis\u00e3o em n\u00edvel presidencial para se passar exclusivamente a este tipo de software e disse que h\u00e1 interessados tamb\u00e9m nos demais pa\u00edses. A Argentina est\u00e1 incorporando o software livre em sua estrutura estatal, embora o chefe de gabinete, An\u00edbal Fern\u00e1ndez, que participou da abertura da confer\u00eancia, admita que nas prov\u00edncias a incorpora\u00e7\u00e3o esteja pendente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da incorpora\u00e7\u00e3o do Linux e de outras aplica\u00e7\u00f5es nos computadores do ensino secund\u00e1rio, o Estado argentino baseou em tecnologias livres o desenvolvimento de programas para a elabora\u00e7\u00e3o de documentos de identidades nacionais e passaportes. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/09\/2011 &ndash; Em diferentes velocidades, os pa\u00edses latino-americanos v\u00e3o emigrando para a inorpora\u00e7\u00e3o do software livre, que lhes permite maior independ\u00eancia sem custos de licen\u00e7a. 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