{"id":8793,"date":"2011-09-13T17:19:58","date_gmt":"2011-09-13T17:19:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8793"},"modified":"2011-09-13T17:19:58","modified_gmt":"2011-09-13T17:19:58","slug":"estados-unidos-uma-decada-depois-do-11-de-setembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/politica\/estados-unidos-uma-decada-depois-do-11-de-setembro\/","title":{"rendered":"ESTADOS UNIDOS: Uma d\u00e9cada depois do 11 de Setembro"},"content":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 13\/09\/2011 &ndash; Os analistas n\u00e3o chegam a um acordo: uns reclamam que nada \u00e9 igual desde o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, e outros dizem que tudo, em ess\u00eancia, continua igual. <!--more--> Paradoxalmente, os dois lados e as duas tend\u00eancias de opini\u00e3o t\u00eam raz\u00e3o. Os Estados Unidos continuam sendo basicamente fi\u00e9is ao seu DNA origin\u00e1rio, mas para certas a\u00e7\u00f5es percept\u00edveis em seu tecido socioecon\u00f4mico mudaram sua personalidade, ou, pelo menos, sua conduta. Al\u00e9m disso, n\u00e3o est\u00e1 claro se as mudan\u00e7as se devem aos efeitos do 11 de Setembro (11-S) ou se s\u00e3o resultado do impacto da crise global.<\/p>\n<p>Algumas das dimens\u00f5es do credo nacional sofrem o efeito da eros\u00e3o durante o meio s\u00e9culo anterior (desde a Segunda Guerra Mundial) e, de certa maneira, as mudan\u00e7as podem ser mais \u00f3bvias desde o 11-S. Durante as d\u00e9cadas duras da Guerra Fria, os Estados Unidos pressionaram sobre uma miss\u00e3o primordial: a conten\u00e7\u00e3o do comunismo, que havia sido detectado como o inimigo principal. A luta contra a Alemanha e o Jap\u00e3o foi considerada jogo de crian\u00e7a, resultado de certa rapidez (menos de cinco anos entre Pearl Harbor e Hiroshima, passando pela Normandia).<\/p>\n<p>O dif\u00edcil foi a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es globais de Moscou e seus aliados. \u00c9 quando no script norte-americano se insere uma miss\u00e3o que justifica todos os meios. As alian\u00e7as com regimes autocratas s\u00e3o aceitas para salvaguardar da guerra contra a amea\u00e7a marxista. As mostras de imperialismo local na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1sia s\u00e3o parte do mesmo roteiro. Por\u00e9m, o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica deixou os Estados Unidos sem inimigo e sua estrat\u00e9gia mundial sem uma justificativa clara.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, o debate surgiu nos centros de poder sobre o que fazer com a curiosa \u201chegemonia\u201d (por falta de outra palavra) em um mundo que havia esgotado a hist\u00f3ria e se dispunha a abra\u00e7ar todo o dec\u00e1logo nacional. Os \u201cfalc\u00f5es\u201d exortavam o rec\u00e9m-eleito George W. Bush para aproveitar a oportunidade e ganhar por goleada. Os mais prudentes aconselhavam paci\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o aos temas sociais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Ambos tinham raz\u00e3o para sua estrat\u00e9gia. Os Estados Unidos vivam em paz em um mundo onde o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo era de US$ 28. Hoje custa US$ 115. Na \u00e9poca, o pa\u00eds apresentava super\u00e1vit; hoje sofre com d\u00edvida superior a US$ 15 bilh\u00f5es. O final da Guerra Fria oferecia um respiro na corrida armamentista; hoje a resposta ao 11-S tem custo de US$ 20 bilh\u00f5es, o dobro do que custou o desastre no Vietn\u00e3. A poucas semanas de receber o apoio praticamente de todo o planeta, Bush dilapidou esse capital ao apostar no unilateralismo, baseado na tese de que \u201ca miss\u00e3o justifica a coaliz\u00e3o\u201d. A Otan foi desprezada inicialmente, s\u00f3 resgatada tardiamente no Afeganist\u00e3o. Washington trocou alguns dos aliados tradicionais (Fran\u00e7a, Alemanha) pela \u201crela\u00e7\u00e3o especial\u201d com o Reino Unido.<\/p>\n<p>Embora se considere que as medidas de seguran\u00e7a conseguiram o pr\u00eamio desejado (aus\u00eancia de novo ataque terrorista), o certo \u00e9 que a \u201cguerra contra o terror\u201d converteu medidas excepcionais em rotineiras. Nada parece estar fora dos limites do escrut\u00ednio governamental, uma vez que as dezenas de ag\u00eancias de seguran\u00e7a se compactaram em uma s\u00f3. Significativamente, o povo norte-americano aceitou sem protestos o novo regime pelo qual, de um escrit\u00f3rio localizado sabe-se l\u00e1 onde, a compra de um sorvete se equipara a uma transfer\u00eancia banc\u00e1ria com o Ir\u00e3, em nome da seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O mais preocupante \u00e9 que a seguran\u00e7a externa e parte da interna foram delegadas a umas for\u00e7as armadas que, lamentavelmente, v\u00e3o se isolando do restante da sociedade e do governo (as cr\u00edticas de seus altos comandos s\u00e3o comuns). Os soldados s\u00e3o aplaudidos nos aeroportos e mercados, e elogiados em programas de televis\u00e3o, os ex\u00e9rcitos formados por volunt\u00e1rios, refletindo desproporcionalmente os estratos socioecon\u00f4micos. Contudo, passam despercebidos os cad\u00e1veres dos ca\u00eddos, ao serem repatriados. N\u00e3o h\u00e1 cerim\u00f4nias solenes, apenas um punhado de familiares. Se em Nova York ca\u00edram tr\u00eas mil inocentes, esse n\u00famero foi superado no Afeganist\u00e3o. Mas isso \u00e9 pagamento, como em qualquer trabalho mal remunerado. Tudo, no fundo, normal e nada mudou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Joaqu\u00edn Roy \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 13\/09\/2011 &ndash; Os analistas n\u00e3o chegam a um acordo: uns reclamam que nada \u00e9 igual desde o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, e outros dizem que tudo, em ess\u00eancia, continua igual. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/politica\/estados-unidos-uma-decada-depois-do-11-de-setembro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":368,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,11],"tags":[14],"class_list":["post-8793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/368"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}