{"id":8798,"date":"2011-09-14T15:45:58","date_gmt":"2011-09-14T15:45:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8798"},"modified":"2011-09-14T15:45:58","modified_gmt":"2011-09-14T15:45:58","slug":"brasil-refugiados-africanos-chegam-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-refugiados-africanos-chegam-a-amazonia\/","title":{"rendered":"BRASIL: Refugiados africanos chegam \u00e0 Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 14\/09\/2011 &ndash; O congolense Wilson Nicolas, de 56 anos, foi o primeiro refugiado africano a mudar para a Amaz\u00f4nia brasileira, e parece ter inaugurado uma tend\u00eancia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8798\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/39.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8798\" class=\"size-medium wp-image-8798\" title=\"Fam\u00edlia de refugiados congoleses no Brasil. - Acnur \/ L.F.Godinho\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/39.jpg\" alt=\"Fam\u00edlia de refugiados congoleses no Brasil. - Acnur \/ L.F.Godinho\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8798\" class=\"wp-caption-text\">Fam\u00edlia de refugiados congoleses no Brasil. - Acnur \/ L.F.Godinho<\/p><\/div>  Nicolas (nome fict\u00edcio) fugiu do territ\u00f3rio da ex-prov\u00edncia de \u00c9quateur, noroeste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), perseguido por choques entre tribos rivais em uma disputa por recursos naturais como a pesca. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, desde 2010 cerca de 30 africanos que solicitaram asilo ao governo brasileiro vivem em Estados amaz\u00f4nicos. Procedem de Costa do Marfim, Gana, Guin\u00e9 Bissau, Qu\u00eania, Nig\u00e9ria, Serra Leoa e Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Nicolas chegou a S\u00e3o Paulo no final de 2009, ap\u00f3s um contato que lhe oferecera emprego quando fugiu da RDC. Seguiu rumo a Boa Vista, capital de Roraima, no extremo norte do pa\u00eds, e ali se viu sozinho e descobriu que seguira uma falsa promessa. Com ajuda, conseguiu ir para Manaus, capital do Amazonas e maior cidade da regi\u00e3o, e com assist\u00eancia da Pastoral do Imigrante p\u00f4de apresentar seu pedido \u00e0 Pol\u00edcia Federal e ao Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare). Em fevereiro seu pedido foi aceito e transformou-se no primeiro refugiado vivendo na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos um novo perfil de ref\u00fagio na Amaz\u00f4nia. Esta regi\u00e3o, que recebe, em geral, mais pessoas da Am\u00e9rica do Sul, como colombianos e bolivianos, passa a receber tamb\u00e9m africanos\u201d, disse \u00e0 IPS o porta-voz do escrit\u00f3rio no Brasil do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), Luiz Fernando Godinho. \u201c\u00c9 uma mudan\u00e7a discreta, mas chama nossa aten\u00e7\u00e3o h\u00e1 dois anos\u201d, acrescentou. Por telefone, usando frases curtas, Nicolas contou \u00e0 IPS que deixou a RDC \u201cpor causa da guerra. Mesmo depois dos acordos de paz havia focos e conflito. No lugar onde estava havia uma disputa entre duas tribos rivais que ocupavam a mesma \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>Nicolas chegou em 2009 \u00e0 localidade de Dongo, \u00c9quateur, perto do fronteiri\u00e7o Rio Ubangui, como t\u00e9cnico especializado em geologia, enviado pelo governo para organizar a divis\u00e3o de terras e alimentos. \u201cQuando chegamos, tentamos reconciliar as tribos, mas desencadeou-se uma guerra pela divis\u00e3o de terras\u201d, contou. O conflito ganhou grandes propor\u00e7\u00f5es, com uso de armas pesadas, e Nicolas foi acusado de ser espi\u00e3o do governo e acabou perseguido, segundo explicou. A viol\u00eancia entre os cl\u00e3s boba e lobala se espalhou por todo \u00c9quateur e for\u00e7ou mais de cem mil pessoas a fugirem para pa\u00edses vizinhos, segundo o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha.<\/p>\n<p>\u201cFugimos para a selva. Caminhei dias e semanas, meus p\u00e9s ficaram inchados. Havia muita gente fugindo, crian\u00e7as e m\u00e3es com beb\u00eas\u201d, lembrou Nicolas. Esse conflito particular integra as sucessivas guerras na RDC, nas quais morreram entre quatro e cinco milh\u00f5es de pessoas desde o final da d\u00e9cada de 1990. As guerras em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o africana dos Grandes Lagos adotaram formas de choques \u00e9tnicos e genoc\u00eddios, mas t\u00eam ra\u00edzes nos m\u00faltiplos interesses internacionais para assumir o controle estrat\u00e9gico de grandes recursos minerais, abundantes na RDC.<\/p>\n<p>Enquanto esteve escondido na floresta, perto da fronteira com a Rep\u00fablica do Congo, Nicolas perdeu a no\u00e7\u00e3o do tempo, e n\u00e3o voltou a ver sua fam\u00edlia, composta por mulher, filhos e irm\u00e3os, embora receba deles uma pequena ajuda financeira para sobreviver. Nicolas fala v\u00e1rios idiomas: lingala, uma l\u00edngua local congolesa, franc\u00eas, swahili, ingl\u00eas e portugu\u00eas. Contudo, a palavra saudade ganha novo sentido para ele quando fala da falta que sente dos seus familiares.<\/p>\n<p>\u201cSofro muito com a separa\u00e7\u00e3o da minha fam\u00edlia\u201d, afirmou, mas n\u00e3o tem meios para a viagem nem nada a oferecer em Manaus. Vive de pequenos servi\u00e7os, ensina franc\u00eas e aproveita qualquer trabalho tempor\u00e1rio. Entretanto, n\u00e3o tem diplomas para revalidar seus estudos universit\u00e1rios junto \u00e0s autoridades brasileiras, que lhe permitiriam trabalhar em sua \u00e1rea, a geoinform\u00e1tica e a detec\u00e7\u00e3o remota. \u201cEspero ter um emprego e estabilizar minha vida\u201d, sonha.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia brasileira abriga cerca de 140 refugiados, na maioria bolivianos, e outros 700 solicitantes de diversas nacionalidades aguardam resposta do governo. O tr\u00e2mite demora quase seis meses. O Brasil n\u00e3o tem cotas para refugiados, embora n\u00e3o seja um grande receptor deste tipo de popula\u00e7\u00e3o. Segundo a lei de ref\u00fagio, de 1997, mesmo um estrangeiro que entre com documentos falsos tem direito a pedir essa prote\u00e7\u00e3o. A maioria dos quase 4.500 refugiados se concentra em Estados do sudeste, no eixo Rio de Janeiro-S\u00e3o Paulo, que tamb\u00e9m s\u00e3o as principais portas de entrada. Existe uma quantidade significativa no Rio Grande do Sul e no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Do total (2.841 pessoas), 64% s\u00e3o africanos. Os pa\u00edses com maior presen\u00e7a s\u00e3o Angola (1.686), Col\u00f4mbia (634), RDC (462), Lib\u00e9ria (258) e Iraque (203), segundo o Conare, formado por representantes de v\u00e1rios minist\u00e9rios, organiza\u00e7\u00f5es civis e tendo o Acnur como observador. Nicolas n\u00e3o pensa em voltar. \u201cMeu pa\u00eds tem de estar em paz e com seguran\u00e7a para que eu retorne. Hoje sou refugiado e ficarei no Brasil. A vida \u00e9 sempre uma batalha e \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o para sobreviver\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 14\/09\/2011 &ndash; O congolense Wilson Nicolas, de 56 anos, foi o primeiro refugiado africano a mudar para a Amaz\u00f4nia brasileira, e parece ter inaugurado uma tend\u00eancia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-refugiados-africanos-chegam-a-amazonia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2,6,11],"tags":[27,25],"class_list":["post-8798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}