{"id":88,"date":"2005-01-21T00:00:00","date_gmt":"2005-01-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=88"},"modified":"2005-01-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-21T00:00:00","slug":"desenvolvimento-armadilhas-debaixo-das-metrpoles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desenvolvimento-armadilhas-debaixo-das-metrpoles\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Armadilhas debaixo das metr&oacute;poles"},"content":{"rendered":"<p>Brooklin, 21\/01\/2005 &ndash; O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana determina a expans&atilde;o subterr&acirc;nea das metr&oacute;poles e acrescenta uma nova dimens&atilde;o &agrave; sua vulnerabilidade diante de desastres naturais como inunda&ccedil;&otilde;es, terremotos e tsunamis. Atualmente, cerca da metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial &eacute; urbana, e h&aacute; previs&otilde;es de que a propor&ccedil;&atilde;o chegar&aacute; a 65% em 2030. Uma das vulnerabilidades ocultas das cidades quanto a desastres naturais &eacute; a relacionada com a rede subterr&acirc;nea de transportes, centros comerciais, estacionamentos e instala&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, disse ao Terram&eacute;rica Srikantha Herath, da Universidade das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com sede em T&oacute;quio. Quase todas as grandes cidades do mundo, incluindo muitas de pa&iacute;ses em desenvolvimento, t&ecirc;m amplas redes desse tipo, j&aacute; que &quot;em &aacute;reas urbanas densamente povoadas n&atilde;o h&aacute; outro espa&ccedil;o dispon&iacute;vel&quot;, ressaltou.<br \/> <!--more--> Esse problema foi um dos examinados pela Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Redu&ccedil;&atilde;o dos Desastres Naturais, que aconteceu na semana passada na cidade japonesa de Kobe, 10 anos depois de um terremoto que a devastou e causou preju&iacute;zos de US$ 100 bilh&otilde;es, e apenas tr&ecirc;s semanas depois do maremoto no oceano &Iacute;ndico do dia 26 de dezembro, que provocou a morte de mais de 220 mil pessoas. &quot;As cidades s&atilde;o as mais vulner&aacute;veis e a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica aumenta os riscos&quot;, afirmou Gordon McBean, do Instituto de Redu&ccedil;&atilde;o de Perdas Catastr&oacute;ficas da canadense Universidade de Ont&aacute;rio Ocidental. O aquecimento do planeta determina a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e aumenta a for&ccedil;a e a freq&uuml;&ecirc;ncia de furac&otilde;es, tornados e tempestades, bem como a intensidade das chuvas em algumas regi&otilde;es, acrescentou em uma entrevista.<br \/> Nem mesmo as cidades mais ricas dos Estados Unidos e da Europa consideraram seriamente o perigo de inunda&ccedil;&otilde;es dessas &aacute;reas, destacou Herath. A extensa rede de espa&ccedil;os subterr&acirc;neos de T&oacute;quio sofreu 17 inunda&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo de dois anos, devido a tempestades e intensas chuvas, com perda de algumas vidas, ressaltou. Algumas infra-estruturas subterr&acirc;neas contam sistemas de alarme e contens&atilde;o de inc&ecirc;ndio muito bons, mas n&atilde;o para inunda&ccedil;&otilde;es, ressaltou.&quot;&Eacute; muito comum que as entradas para &aacute;reas subterr&acirc;neas sejam as zonas mais perigosas durante uma inunda&ccedil;&atilde;o&quot;, e &quot;outro problema habitual &eacute; que faltam mapas das &aacute;reas abaixo do solo, com indica&ccedil;&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es pelas quais a &aacute;gua pode chegar de uma a outra&quot;, lamentou.<br \/> Como muitas das maiores cidades do mundo, a capital japonesa est&aacute; abaixo do n&iacute;vel do mar. Outras foram constru&iacute;das sobre plan&iacute;cies alagadi&ccedil;as e s&atilde;o especialmente vulner&aacute;veis a tempestades, chuvas intensas e tsunamis. Muitos dos urbanistas dos &uacute;ltimos 50 anos ignoraram ou esqueceram a possibilidade de acontecimentos extremos que ocorrem de forma t&atilde;o freq&uuml;ente como uma vez por s&eacute;culo, assinalou Herath. Um exemplo foi a s&eacute;rie de enxurradas de lama perto de Caracas que causou a morte de 30 mil pessoas em 1999, destacou McBean. &quot;Lembro que percorri assentamentos nas encostas da montanha, uma semana antes das intensas chuvas que causaram a trag&eacute;dia e pensei que um desastre estava para ocorrer&quot;, contou.<br \/> Esses assentamentos estavam sobre sedimentos depositados muitos anos antes por outras enxurradas de lama. Os mais pobres s&atilde;o sempre os mais vulner&aacute;veis a desastres e os pa&iacute;ses em maior risco s&atilde;o Honduras, Guatemala e Filipinas, propensos a terremotos, fortes tempestades e carentes de recursos para enfrentar seu impacto, segundo uma pesquisa do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos. M&eacute;xico, Bogot&aacute;, Managua, Santiago, Lima, Quito, San Jos&eacute; e Guatemala s&atilde;o as cidades da Am&eacute;rica Latina mais vulner&aacute;veis, segundo o especialista em terremotos e redu&ccedil;&atilde;o de risco, Omar D. Cardona, da colombiana Universidade de Manizales, ganhador em 2004 do pr&ecirc;mio Sasakawa de Redu&ccedil;&atilde;o de Desastres Naturais concedidos pela ONU. Segundo McBean, &eacute; importante desenvolver sistemas de alerta, mas somente se existem meios eficientes para que seus avisos alcancem a popula&ccedil;&atilde;o e esta saiba o que fazer.<br \/> A redu&ccedil;&atilde;o de riscos em grandes cidades requer esfor&ccedil;os econ&ocirc;micos, sociais e educativos, entre outros, disse Cardona ao Terram&eacute;rica de Kobe, em entrevista por e-mail. O maior auge da constru&ccedil;&atilde;o na hist&oacute;ria se desenvolve atualmente debaixo do solo, para incluir nas cidades mais dois bilh&otilde;es de pessoas nos pr&oacute;ximos 25 anos, e &quot;temos uma grande oportunidade de construir moradias adequadas para essa gente&quot;, afirmou Brian Tucker, presidente do GeoHazards International, uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos dedicada a minimizar o impacto de terremotos, sobretudo na &Aacute;sia. Os edif&iacute;cios de concreto com muitos andares se tornam &quot;armadilhas mortais&quot; durante um terremoto, enquanto as casas rurais de madeira, palha e barro s&atilde;o muito menos perigosas, explicou.<br \/> A maioria dos pa&iacute;ses possui normas de constru&ccedil;&atilde;o adequadas para reduzir riscos, mas n&atilde;o agem no sentido de serem cumpridas, &quot;por corrup&ccedil;&atilde;o, porque os funcion&aacute;rios n&atilde;o est&atilde;o capacitados ou porque os baixos sal&aacute;rios n&atilde;o permitem manter os mais aptos&quot;, afirmou Tucker. &Eacute; necess&aacute;rio algum tipo de padr&atilde;o internacional para que as multinacionais n&atilde;o invistam em pa&iacute;ses que n&atilde;o seguem boas normas de constru&ccedil;&atilde;o, assim &quot;os governos seriam recompensados por fazerem o que &eacute; certo&quot;, argumentou.<\/p>\n<p> * Colaborador do Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brooklin, 21\/01\/2005 &ndash; O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana determina a expans&atilde;o subterr&acirc;nea das metr&oacute;poles e acrescenta uma nova dimens&atilde;o &agrave; sua vulnerabilidade diante de desastres naturais como inunda&ccedil;&otilde;es, terremotos e tsunamis. Atualmente, cerca da metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial &eacute; urbana, e h&aacute; previs&otilde;es de que a propor&ccedil;&atilde;o chegar&aacute; a 65% em 2030. Uma das vulnerabilidades ocultas das cidades quanto a desastres naturais &eacute; a relacionada com a rede subterr&acirc;nea de transportes, centros comerciais, estacionamentos e instala&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, disse ao Terram&eacute;rica Srikantha Herath, da Universidade das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com sede em T&oacute;quio. Quase todas as grandes cidades do mundo, incluindo muitas de pa&iacute;ses em desenvolvimento, t&ecirc;m amplas redes desse tipo, j&aacute; que &quot;em &aacute;reas urbanas densamente povoadas n&atilde;o h&aacute; outro espa&ccedil;o dispon&iacute;vel&quot;, ressaltou.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desenvolvimento-armadilhas-debaixo-das-metrpoles\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-88","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}