{"id":880,"date":"2005-08-09T00:00:00","date_gmt":"2005-08-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=880"},"modified":"2005-08-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-09T00:00:00","slug":"direitos-humanos-civis-encurralados-no-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/direitos-humanos-civis-encurralados-no-nepal\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Civis encurralados no Nepal"},"content":{"rendered":"<p>Katmandu, 09\/08\/2005 &ndash; Para a vasta maioria dos nepaleses, que vivem fora do vale de Katmandu, nem a palavra do rei, nem a dos rebeldes mao&iacute;stas, nem a das ag&ecirc;ncias internacionais de assist&ecirc;ncia serviu para melhorar suas vidas. Um exemplo &eacute; a localidade de Ilam. Muito pr&oacute;xima do famoso distrito indiano de Darjeeling, grande produtor de ch&aacute;, possui clima temperado e um c&eacute;u nublado que nutre a vegeta&ccedil;&atilde;o. Hoje, as planta&ccedil;&otilde;es de Ilam est&atilde;o desertas. As folhas de ch&aacute; s&atilde;o jogadas no lixo na temporada de colheita e cerca de 45 mil pessoas est&atilde;o sem trabalho, depois que os mao&iacute;stas ordenaram o fechamento da unidade de processamento, no final de julho. Os guerrilheiros tomaram essa medida em repres&aacute;lia &agrave; negativa dos empregados em atender as demandas dos sindicatos ligados aos rebeldes.<br \/> <!--more--> <br \/> V&aacute;rios negociantes de ch&aacute; foram obrigados a fechar seus escrit&oacute;rios depois que os mao&iacute;stas bloquearam todos os acessos &agrave; localidade. Somente as ambul&acirc;ncias podem passar. O com&eacute;rcio de Ilam tamb&eacute;m fechou, porque n&atilde;o recebe mercadorias para vender. &quot;N&atilde;o tem arroz no mercado. Nem &oacute;leo. Todos est&atilde;o muito nervosos. Os moradores t&ecirc;m dinheiro, v&ecirc;m em busca de comida, e n&atilde;o temos nada para lhes oferecer&quot;, disse &agrave; IPS um comerciante local entrevistado por telefone. No come&ccedil;o do ano, os mao&iacute;stas ordenaram o fechamento de todas as escolas particulares de Ilam, alegando que a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ter fins lucrativos. Centenas de estudantes foram obrigados a procurar as escolas p&uacute;blicas, que n&atilde;o puderam atender a demanda. Alguns pais enviaram seus filhos para col&eacute;gios na &Iacute;ndia.<\/p>\n<p> A organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Anistia Internacional disse que o conflito entre o governo e os rebeldes do Nepal &quot;est&aacute; deixando em cacos a vida de cada vez mais civis&quot;. A guerra civil no Nepal j&aacute; dura nove anos e deixou mais de 11 mil mortos. Estima-se que os mao&iacute;stas controlam mais de tr&ecirc;s quartos dos arredores de Katmandu, al&eacute;m de outras cidades importantes do pa&iacute;s. Os rebeldes lan&ccedil;aram sua &quot;guerra popular&quot; em 1996 para acabar com um sistema econ&ocirc;mico que deixava os principais recursos do pa&iacute;s nas m&atilde;os de uma pequena elite e que marginalizava as classes mais baixas e as pequenas comunidades de 60 minorias &eacute;tnicas.<\/p>\n<p> O rei Gianendra Bir Bikram Shah destituiu, em 1&ordm; de fevereiro, o governo constitucional do Nepal, acusando-o de corrupto e incapaz de controlar os rebeldes mao&iacute;stas. O monarca prometeu resolver os problemas do pa&iacute;s e restaurar a democracia no prazo de tr&ecirc;s anos. Tamb&eacute;m declarou estado de emerg&ecirc;ncia e suspendeu a maioria dos direitos constitucionais, uma medida revertida no dia 29 de abril, apesar de a repress&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o continuar. Desde o golpe de Estado, mais de tr&ecirc;s mil l&iacute;deres pol&iacute;ticos, jornalistas, ativistas pelos direitos humanos e estudantes foram detidos, segundo a Coaliz&atilde;o Nepalesa de Defensores dos Direitos Humanos. A renda anual por habitante no Nepal &eacute; de US$ 200, e &eacute; ainda menor nas &aacute;reas rurais.<\/p>\n<p> A Anistia alertou, este m&ecirc;s, sobre a prolifera&ccedil;&atilde;o de grupos civis armados, criados como contraponto aos mao&iacute;stas e que contariam com apoio do governo. &quot;As restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de movimento, as execu&ccedil;&otilde;es extrajudiciais e os desaparecimentos, as pris&otilde;es ilegais e as torturas cometidas pelo governo, bem como os assassinatos e seq&uuml;estros das for&ccedil;as mao&iacute;stas, s&atilde;o uma realidade di&aacute;ria para a popula&ccedil;&atilde;o civil nepalesa nos distritos fora da capital&quot;, diz o informe. O jornal The Kathmandu Post informou, na sexta-feira, que os mao&iacute;stas detonaram uma bomba perto de uma casa no ocidente do pa&iacute;s, depois que o morador se negou a dar-lhes comida. A explos&atilde;o matou um menino de tr&ecirc;s anos e feriu outros dois. Segundo o governo, informes como os da Anistia s&atilde;o falsos.<\/p>\n<p> &quot;A seguran&ccedil;a melhorou. Somos capazes de controlar o terrorismo. Fornecemos servi&ccedil;os p&uacute;blicos eficientes &agrave; popula&ccedil;&atilde;o&quot;, assegurou o ministro do Interior, Dan Bahadur Shahi, &agrave; rede brit&acirc;nica de r&aacute;dio e televis&atilde;o BBC. Os mao&iacute;stas, por sua vez, continuam afirmando que n&atilde;o cometeram mais massacres de civis como o de junho, quando cerca de 36 pessoas morreram em um &ocirc;nibus que voou pelos ares ao explodir um artefato instalado pelos rebeldes em uma estrada. &quot;Embora os mao&iacute;stas tenham assegurado em um comunicado que n&atilde;o matariam mais civis desarmados, assassinaram, em seguida, 62 pessoas, entre elas 16 ativistas pol&iacute;ticos&quot;, afirmou o presidente do Centro de Servi&ccedil;os do Setor Informal, Subodh Raj Pyakurel, entrevistado pelo jornal The Himalayan Times.<\/p>\n<p> O chefe do escrit&oacute;rio em Katmandu do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos, Ian Martin, informou ter recebido um grande n&uacute;mero de den&uacute;ncias de abusos contra civis. &quot;N&atilde;o posso dizer que a situa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos esteja melhorando. Passar&aacute; um consider&aacute;vel tempo antes que se possa ver uma tend&ecirc;ncia&quot;, afirmou. Apesar desta dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o, parece distante a possibilidade de a popula&ccedil;&atilde;o civil lan&ccedil;ar outro levante popular como o da &quot;primavera democr&aacute;tica&quot; de 1990. Depois de dois meses de protestos de rua, o ent&atilde;o rei Birendra (o irm&atilde;o do atual monarca) se viu obrigado a aceitar um sistema multipartid&aacute;rio.<\/p>\n<p> Rohit Adhikari, ex-funcion&aacute;rio p&uacute;blico, recorda muito bem desses dias. &quot;N&atilde;o me agradava a id&eacute;ia de me filiar a um partido pol&iacute;tico, mas me envolvi muito ativamente no movimento porque todos podiam fazer parte&quot;, contou &agrave; IPS. &quot;Fui duramente golpeado. Em cerca ocasi&atilde;o vi pessoas assassinadas na minha frente&quot;, contou Adhikari, hoje ativista de uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental internacional. &quot;Ainda tenho energia para defender a democracia, mas n&atilde;o estou t&atilde;o cego como antes. A causa dos problemas de hoje s&atilde;o nossos pobres l&iacute;deres democr&aacute;ticos&quot;, ressaltou. &quot;A menos que apare&ccedil;am novos l&iacute;deres jovens, n&atilde;o creio que as pessoas se interessem e participem de protestos hoje em dia&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Katmandu, 09\/08\/2005 &ndash; Para a vasta maioria dos nepaleses, que vivem fora do vale de Katmandu, nem a palavra do rei, nem a dos rebeldes mao&iacute;stas, nem a das ag&ecirc;ncias internacionais de assist&ecirc;ncia serviu para melhorar suas vidas. Um exemplo &eacute; a localidade de Ilam. Muito pr&oacute;xima do famoso distrito indiano de Darjeeling, grande produtor de ch&aacute;, possui clima temperado e um c&eacute;u nublado que nutre a vegeta&ccedil;&atilde;o. Hoje, as planta&ccedil;&otilde;es de Ilam est&atilde;o desertas. As folhas de ch&aacute; s&atilde;o jogadas no lixo na temporada de colheita e cerca de 45 mil pessoas est&atilde;o sem trabalho, depois que os mao&iacute;stas ordenaram o fechamento da unidade de processamento, no final de julho. Os guerrilheiros tomaram essa medida em repres&aacute;lia &agrave; negativa dos empregados em atender as demandas dos sindicatos ligados aos rebeldes.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/direitos-humanos-civis-encurralados-no-nepal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1474,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1474"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}