{"id":8807,"date":"2011-09-16T15:05:42","date_gmt":"2011-09-16T15:05:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8807"},"modified":"2011-09-16T15:05:42","modified_gmt":"2011-09-16T15:05:42","slug":"infancia-cone-sul-progresso-desigual-em-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/infancia-cone-sul-progresso-desigual-em-saude\/","title":{"rendered":"INF\u00c2NCIA-CONE SUL: Progresso desigual em sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 16\/09\/2011 &ndash; Argentina, Brasil, Bol\u00edvia, Chile, Paraguai e Uruguai registram melhorias em mat\u00e9ria de sa\u00fade infantil. Contudo, enquanto uns j\u00e1 comemoram o \u00eaxito, em alguns casos not\u00e1veis, outros avan\u00e7am a passo lento para a meta assumida em 2000 na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). <!--more--> Esse quadro d\u00edspar surgiu de informes dos representantes das sociedades de pediatria dos seis pa\u00edses do Cone Sul da Am\u00e9rica reunidos em Buenos Aires para o Congresso do Centen\u00e1rio, organizado pela Sociedade Argentina de Pediatria (SAP).<\/p>\n<p>Neste encontro \u2013 que come\u00e7ou no dia 13 e termina hoje, e celebra o centen\u00e1rio da SAP \u2013, foram apresentados indicadores e buscadas maneiras de melhor\u00e1-los para ajudar a cumprir o quarto dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio fixados pelos governos na ONU, que se refere \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil. Ainda que subsistam desafios, os pa\u00edses que mostraram maiores progressos no combate a desnutri\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil e cobertura de vacinas s\u00e3o Argentina, Brasil, Chile e Uruguai.<\/p>\n<p>No entanto, Bol\u00edvia e Paraguai, onde a pobreza e a indig\u00eancia est\u00e3o em leve baixa, mas continuam sendo elevadas, os indicadores mencionados acima ainda apresentam enormes fal\u00eancias que pesam sobre a popula\u00e7\u00e3o infantil. \u201cA Bol\u00edvia tem a mais alta taxa de mortalidade infantil da Am\u00e9rica Latina\u201d, afirmou o m\u00e9dico Darwin Mart\u00ednez, da sociedade pedi\u00e1trica de seu pa\u00eds. \u201cTemos um atraso de 50 anos em rela\u00e7\u00e3o ao Uruguai\u201d, por exemplo, lamentou ao falar ao plen\u00e1rio da reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>A pobreza ainda afeta 64,3% dos 10,5 milh\u00f5es de bolivianos, e a porcentagem sobe para 75% entre crian\u00e7as de at\u00e9 13 anos, enquanto a desnutri\u00e7\u00e3o chega a 37% entre os menores de cinco anos e 60% deles sofrem algum grau de anemia, afirmou o especialista. Mart\u00ednez acrescentou que a mortalidade infantil \u00e9 de 50 para cada mil nascidos vivos, a vacina\u00e7\u00e3o chega a apenas 50% das crian\u00e7as (5% dos menores de dois anos n\u00e3o recebem nenhuma vacina\u00e7\u00e3o) e uma em cada tr\u00eas mulheres com menos de 20 anos j\u00e1 tem pelo menos um filho.<\/p>\n<p>Mart\u00ednez disse \u00e0 IPS que nos \u00faltimos dez anos houve progressos, com uma queda da desnutri\u00e7\u00e3o e maior imuniza\u00e7\u00e3o. Incentiva-se a amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 os seis meses e foi crido um seguro universal materno-infantil. Entretanto, ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>O Paraguai \u00e9 outro pa\u00eds que progride lentamente. O m\u00e9dico Luis Moreno Jim\u00e9nez recordou que 35% de seus 6,5 milh\u00f5es de seus habitantes s\u00e3o pobres e 19% s\u00e3o indigentes, a mortalidade infantil chega a 24 para cada mil nascidos vivos e a desnutri\u00e7\u00e3o afeta 14% das crian\u00e7as. No pa\u00eds, com popula\u00e7\u00e3o jovem igual \u00e0 da Bol\u00edvia, que ainda n\u00e3o produziu a transi\u00e7\u00e3o para uma sociedade que reduz o n\u00famero de nascimentos, a fecundidade \u00e9 de 3,5 filhos por mulher, uma das mais altas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, os demais pa\u00edses est\u00e3o fazendo r\u00e1pidos progressos. O Brasil, que tinha mortalidade infantil pr\u00f3xima de 80 para cada mil nascidos vivos em 1983, baixou para 19 para mil atualmente, afirmou o pediatra Eduardo da Silva Vaz. \u201cA preval\u00eancia de d\u00e9ficit de peso e de altura em menores de cinco anos deixou de ser um problema no Brasil\u201d, destacou, alertando que agora a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o sobrepeso e a obesidade crescente entre meninos e meninas, um tema lembrado em todas as exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O programa brasileiro de vacina\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 um sucesso\u201d, pois cobre praticamente a totalidade dos menores, disse Vaz \u00e0 IPS. No entanto, os nascimentos chegam a quase dois por mulher, em m\u00e9dia, com muitas disparidades neste indicador segundo o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o e social da m\u00e3e. Contudo, o m\u00e9dico se mostrou preocupado pela falta de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar, que faz com que muitas crian\u00e7as de at\u00e9 cinco anos sejam \u201cabandonadas\u201d ou cuidadas por irm\u00e3os que n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de estimul\u00e1-los.<\/p>\n<p>Vaz tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o para o elevado n\u00famero de mortes preven\u00edveis na adolesc\u00eancia. Destacou que 72% das mortes de pessoas entre 15 e 19 anos ocorrem por causas n\u00e3o naturais, entre as quais prevalecem a viol\u00eancia, os acidentes e suic\u00eddios. A presidente da SAP, pediatra Margarita Ramonet, explicou que na Argentina a mortalidade infantil est\u00e1 em 12,1 por mil nascidos vivos, embora a m\u00e9dia baixa esconda fortes contrastes.<\/p>\n<p>Na prov\u00edncia de Formosa, lim\u00edtrofe com o Paraguai, este indicador chega a 20,5 por mil, enquanto na cidade de Buenos Aires cai para 8,5 por mil. A popula\u00e7\u00e3o imunizada est\u00e1 entre 92% e 99%, dependendo da vacina, e a ocorr\u00eancia de gravidez de adolescentes continua alta, em 14,5% das mulheres nessa faixa et\u00e1ria, apesar da difus\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o sexual e acesso a anticoncepcionais. Como o representante do Brasil, a especialista argentina se mostrou preocupada pela quantidade de mortes de adolescentes, que, no caso de 60% das pessoas entre 15 e 17 anos, foram por causas \u201cque podem ser reduzidas\u201d. Tamb\u00e9m alertou que aos 13 anos 46% dos menores ingerem bebida alco\u00f3lica.<\/p>\n<p>No Chile e no Uruguai, tamb\u00e9m houve not\u00f3rios progressos, embora com desafios ainda pendentes. No primeiro caso, o m\u00e9dico Francisco Moraga Mardones, destacou que a mortalidade infantil chega a 7,7 para cada mil nascidos vivos e a quantidade de filhos por mulher se aproxima da m\u00e9dia de dois, como no Brasil. Entretanto, estes indicadores, semelhantes aos de um pa\u00eds do Norte industrializado, escondem s\u00e9rias disparidades. \u201cO Chile \u00e9 o pa\u00eds mais desigual da Am\u00e9rica Latina\u201d, assegurou o pediatra, dizendo que entre as m\u00e3es sem instru\u00e7\u00e3o a mortalidade \u00e9 sete vezes maior.<\/p>\n<p>Mardones tamb\u00e9m revelou que, embora esse pa\u00eds esteja envelhecendo e nascendo poucas crian\u00e7as, 25% dos partos s\u00e3o de mulheres com menos de 20 anos, 16% das quais t\u00eam menos de 14 anos. A desnutri\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assunto que preocupe no Chile, mas sim o sobrepeso, que afeta 30% das crian\u00e7as at\u00e9 sete anos, enquanto a obesidade alcan\u00e7a 22% dessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Finalmente, Alicia Fern\u00e1ndez, presidente da Sociedade Uruguaia de Pediatria, disse que em seu pa\u00eds a mortalidade infantil afeta 7,7 em cada mil nascidos vivos, o menor \u00edndice da regi\u00e3o, e a imuniza\u00e7\u00e3o chega a 99% do universo infantil. Por\u00e9m, alertou que um dos principais problemas na aten\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade infantil no Uruguai \u00e9 a grande concentra\u00e7\u00e3o de pediatras em Montevid\u00e9u, que se contrap\u00f5e \u00e0 escassez registrada no interior do pa\u00eds. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 16\/09\/2011 &ndash; Argentina, Brasil, Bol\u00edvia, Chile, Paraguai e Uruguai registram melhorias em mat\u00e9ria de sa\u00fade infantil. 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