{"id":8834,"date":"2011-09-22T16:00:25","date_gmt":"2011-09-22T16:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8834"},"modified":"2011-09-22T16:00:25","modified_gmt":"2011-09-22T16:00:25","slug":"brasil-africa-diplomatas-estrangeiros-procuram-formacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-africa-diplomatas-estrangeiros-procuram-formacao-no-brasil\/","title":{"rendered":"BRASIL-\u00c1FRICA: Diplomatas estrangeiros procuram forma\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 22\/09\/2011 &ndash; A coopera\u00e7\u00e3o do Brasil no campo diplom\u00e1tico eleva a demanda por parte de autoridades africanas que veem no pa\u00eds um s\u00f3cio para estruturar seus pr\u00f3prios institutos de forma\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o externo. <!--more--> Cada pedido \u00e9 analisado em particular para avaliar a viabilidade de oferecer apoio ao pa\u00eds interessado em desenvolver uma coopera\u00e7\u00e3o neste campo, disse \u00e0 IPS o diretor-geral do Instituto Rio Branco, Georges Lamazi\u00e8re, encarregado de selecionar e treinar os diplomatas brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cTodos os anos oferecemos um sistema de bolsas para 15 alunos estrangeiros que v\u00e3o a Bras\u00edlia, a maioria de pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa da \u00c1frica\u201d, afirmou o embaixador Lamazi\u00e9re.<\/p>\n<p>Outra modalidade recente \u00e9 o Curso para Diplomatas Africanos, da Funda\u00e7\u00e3o Alexandre de Gusm\u00e3o, criada por lei e tamb\u00e9m vinculada ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. O curso, em sua segunda edi\u00e7\u00e3o, acontece entre 12 e 23 deste m\u00eas, no Rio de Janeiro, e desta vez re\u00fane delegados de 11 pa\u00edses de l\u00edngua inglesa, al\u00e9m de \u00c1frica do Sul, Angola, Botsuana, Gana, Qu\u00eania, Nam\u00edbia, Nig\u00e9ria, Sud\u00e3o, Sud\u00e3o do Sul, Tanz\u00e2nia, Z\u00e2mbia e Zimb\u00e1bue. Segundo o Itamaraty, o objetivo \u00e9 consolidar a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul e o interc\u00e2mbio de experi\u00eancias, a cargo de palestrantes brasileiros e africanos.<\/p>\n<p>Nisso acredita a angolana Isabel Patr\u00edcia Ribeiro, terceira secret\u00e1ria de coopera\u00e7\u00e3o bilateral no departamento \u00c1frica da chancelaria de seu pa\u00eds. \u201cSempre \u00e9 bom buscar experi\u00eancia diplom\u00e1tica em nosso pa\u00eds. Hoje, Brasil e Angola cooperam em v\u00e1rias \u00e1reas, como educa\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o civil e infraestrutura para a p\u00f3s-guerra\u201d, disse \u00e0 IPS. A jovem diplomata, \u00fanica representante de Angola no curso, viveu oito anos no Brasil, onde se formou em estudos superiores de rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Para ela, n\u00e3o h\u00e1 barreiras para a coopera\u00e7\u00e3o bilateral nem uma a\u00e7\u00e3o imperialista do Brasil. \u201cUm pa\u00eds que passou por guerras necessita de s\u00f3cios, n\u00e3o vejo como uma invas\u00e3o. Deve haver abertura para que Angola se desenvolva\u201d, acrescentou, referindo-se \u00e0s guerras que seu pa\u00eds sofreu desde 1975, ap\u00f3s a luta pela independ\u00eancia, e que se estenderam at\u00e9 2002.<\/p>\n<p>Para Bernard Kaporo Legoti, integrante do departamento do Brasil no Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da \u00c1frica do Sul, o curso brasileiro foi, paradoxalmente, um caminho para aproximar-se de outros diplomatas africanos e conhecer suas realidades, muito diferentes, apesar de todos viverem no mesmo continente. \u201c\u00c9 uma oportunidade para estar mais pr\u00f3ximo e conversar sobre outros temas para melhorar e compartilhar ideias na diplomacia\u201d, acrescentou Legoti.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Brasil e \u00c1frica do Sul, como membros do f\u00f3rum Ibas, junto com a \u00cdndia, poder\u00e3o aprofundar a compreens\u00e3o m\u00fatua dos desafios que enfrentam os sul-africanos em setores como economia, sa\u00fade e agricultura, destacou Legoti. \u201cTemos problemas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aids. Talvez o Brasil possa compartilhar mais informa\u00e7\u00f5es sobre a distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos. A pobreza tamb\u00e9m \u00e9 um ponto, pois o Brasil possui muitas medidas para reduzir a mis\u00e9ria. Queremos saber como fazer isso tamb\u00e9m\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre as na\u00e7\u00f5es do Ibas n\u00e3o apresentam desequil\u00edbrios, disse Legoti. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma via de m\u00e3o \u00fanica. N\u00e3o h\u00e1 hegemonia de um pa\u00eds entre os emergentes\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 a segunda na\u00e7\u00e3o em quantidade de negros depois da Nig\u00e9ria, pois metade dos 192 milh\u00f5es de brasileiros se reconhece como tal. O pa\u00eds mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es com todos os Estados da \u00c1frica, onde mant\u00e9m 37 embaixadas. Dezenove delas instaladas nos \u00faltimos oito anos, coincidindo com os mandatos do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que acelerou o ritmo e a din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es com essa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNunca um presidente brasileiro viajara tanto \u00e0 \u00c1frica como Lula: visitou mais de 25 pa\u00edses. Estas visitas de alto n\u00edvel abriram portas\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor do departamento para a \u00c1frica do Itamaraty, Nedilson Ricardo Jorge. No mesmo per\u00edodo, 28 governantes africanos estiveram no Brasil. Nesses v\u00ednculos, foi colocada em jogo uma coopera\u00e7\u00e3o marcada pela reciprocidade, \u201cde acordo com as demandas e necessidades do pa\u00eds que a est\u00e1 recebendo, em lugar da undirecionalidade caracter\u00edstica da coopera\u00e7\u00e3o Norte-Sul, acrescentou Jorge.<\/p>\n<p>\u201cA coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul traz frutos tamb\u00e9m para o Brasil e est\u00e1 baseada na solidariedade e no interesse m\u00fatuo. As \u00e1reas t\u00e9cnicas brasileiras que mais progridem s\u00e3o as que prestam coopera\u00e7\u00e3o estrangeira\u201d, afirmou Jorge. \u201cTemos vis\u00f5es muito diferentes das de certos pa\u00edses sobre como ajudar a se desenvolver. N\u00e3o cremos que seja por meio de opera\u00e7\u00f5es militares, san\u00e7\u00f5es, bloqueios ou outro tipo de press\u00e3o. \u00c9 por meio da integra\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o do isolamento\u201d, disse Jorge.<\/p>\n<p>O Brasil acaba de superar ou enfrenta problemas muito semelhantes aos das na\u00e7\u00f5es africanas. \u201cExiste um di\u00e1logo mais natural, isto \u00e9 um diferencial importante. Apesar do fato de que n\u00e3o usamos a for\u00e7a militar\u201d, ressaltou Jorge. A \u00c1frica apresenta-se como uma regi\u00e3o muito promissora. De acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, dos dez pa\u00edses com maior crescimento anual do produto interno bruto at\u00e9 2015, sete s\u00e3o africanos: Eti\u00f3pia (8,1%), Mo\u00e7ambique (7,7%), Tanz\u00e2nia (7,2%), Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (7%), Gana (7%), Z\u00e2mbia (6,9%) e Nig\u00e9ria (6,8%).<\/p>\n<p>Entretanto, o Brasil ainda enfrenta obst\u00e1culos para inserir-se no continente africano, lembrou Jorge. E o principal \u00e9 a falta de conex\u00e3o. \u201cS\u00e3o as conex\u00f5es a\u00e9reas e mar\u00edtimas. Sem mais rotas a\u00e9reas e mar\u00edtimas, realmente estamos chegando a um limite de expans\u00e3o\u201d do interc\u00e2mbio, afirmou. Mais de 70% dos voos internacionais que saem da \u00c1frica seguem para a Europa e apenas 0,4% se dirigem ao Brasil. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 22\/09\/2011 &ndash; A coopera\u00e7\u00e3o do Brasil no campo diplom\u00e1tico eleva a demanda por parte de autoridades africanas que veem no pa\u00eds um s\u00f3cio para estruturar seus pr\u00f3prios institutos de forma\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o externo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-africa-diplomatas-estrangeiros-procuram-formacao-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2,11],"tags":[19,27,25],"class_list":["post-8834","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-america-latina","category-politica","tag-arte-y-cultura","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}