{"id":8837,"date":"2011-09-22T16:10:09","date_gmt":"2011-09-22T16:10:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8837"},"modified":"2011-09-22T16:10:09","modified_gmt":"2011-09-22T16:10:09","slug":"coluna-palestina-e-a-onu-uma-historia-de-duplo-discurso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/economia\/coluna-palestina-e-a-onu-uma-historia-de-duplo-discurso\/","title":{"rendered":"COLUNA: Palestina e a ONU, uma hist\u00f3ria de duplo discurso"},"content":{"rendered":"<p>Doaha, Catar, 22\/09\/2011 &ndash; A falta de uma solu\u00e7\u00e3o para o conflito palestino-israelense, ap\u00f3s 40 anos de ocupa\u00e7\u00e3o, \u201ccontinuar\u00e1 afetando a reputa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e despertando d\u00favidas sobre sua imparcialidade\u201d, segundo palavras do ex-secret\u00e1rio-geral Kofi Annan. Nenhuma outra causa consumiu mais papelada na ONU quanto a dos palestinos. <!--more--> Contudo, centenas de resolu\u00e7\u00f5es sobre o assunto n\u00e3o foram respeitadas, muito menos aplicadas. Em nenhum lugar os ideais e mecanismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas foram t\u00e3o obstru\u00eddos como na Palestina. Os esfor\u00e7os para neutralizar a interven\u00e7\u00e3o da ONU no conflito sempre foram liderados pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Entretanto, os da administra\u00e7\u00e3o Barack Obama, esta semana, atuando em nome de Israel, alcan\u00e7aram um novo n\u00edvel. Washington vetou mais de 40 resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU cr\u00edticas \u00e0s suas pol\u00edticas, algumas das quais redigidas por seus pr\u00f3prios aliados europeus. Uma r\u00e1pida olhada no Oriente M\u00e9dio hoje deixa claro que essas obstru\u00e7\u00f5es conspiraram contra os interesses de todas as partes, e n\u00e3o trouxeram nem paz e nem seguran\u00e7a \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As rivalidades da Guerra Fria tamb\u00e9m contribu\u00edram para a paralisia da ONU no conflito palestino-israelense: mais da metade das 690 resolu\u00e7\u00f5es adotadas pela Assembleia Geral entre 1947 e 1990 foram ignoradas. Ent\u00e3o, por que a ONU se mant\u00e9m afastada durante duas d\u00e9cadas do processo de paz? A simples resposta \u00e9 que existe um duplo discurso. A ONU interveio diretamente para resolver todos os conflitos posteriores \u00e0 Guerra Fria: B\u00f3snia, Kosovo, Som\u00e1lia, Kuwait, Iraque, Afeganist\u00e3o, Ir\u00e3, S\u00edria e agora L\u00edbano e Sud\u00e3o do Sul.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o o faz no problema palestino. Este conflito derivou em um processo diplom\u00e1tico patrocinado por Washington, ainda que suas estreitas rela\u00e7\u00f5es com Israel n\u00e3o o convertam em mediador imparcial. N\u00e3o s\u00f3 o conflito palestino-israelense est\u00e1 afastado da ONU, como as resolu\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas a Israel foram desconhecidas. S\u00f3 depois de uma d\u00e9cada de fracassos no processo de paz foi que o governo de George W. Bush (2001-2009) permitiu que a ONU participasse, como s\u00f3cio menor, no chamado Quarteto, inst\u00e2ncia de media\u00e7\u00e3o internacional que tamb\u00e9m inclu\u00eda R\u00fassia e Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Israel ignora as dezenas de resolu\u00e7\u00f5es \u201cexortando\u201d, \u201cinstando\u201d ou \u201crecomendando\u201d mudan\u00e7as em suas pol\u00edticas, ou diretamente \u201ccondenando\u201d ou \u201ccensurando\u201d seus ataques e a constru\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias judias em territ\u00f3rios palestinos, bem como as deporta\u00e7\u00f5es e a ocupa\u00e7\u00e3o militar. Do mesmo modo, todos os chamados e demandas de interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e humanit\u00e1rias ca\u00edram em ouvidos surdos. A \u00fanica vez que a ONU p\u00f4de atuar foi em 1997, quando enviou uns poucos observadores desarmados \u00e0 cidade de Hebr\u00f3n, os quais, lamentavelmente, foram proibidos de falar publicamente sobre as viola\u00e7\u00f5es cometidas.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, Israel violou todas as resolu\u00e7\u00f5es relevantes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, como a 465 e a 1980, que deploram todas as medidas desse pa\u00eds para mudar o car\u00e1ter f\u00edsico, a composi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e a estrutura institucional da Palestina e de outros territ\u00f3rios \u00e1rabes ocupados desde 1967, incluindo Jerusal\u00e9m. Tamb\u00e9m recha\u00e7ou a 476, que reafirmava a necessidade de acabar com a ocupa\u00e7\u00e3o israelense dos territ\u00f3rios \u00e1rabes.<\/p>\n<p>A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o que foi aceita por Estados Unidos e Israel e que fez parte do processo diplom\u00e1tico, a 242, de 1967, tamb\u00e9m foi sistematicamente violada. Israel expandiu suas col\u00f4nias, quando a resolu\u00e7\u00e3o aponta a \u201cinstabilidade da aquisi\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio pela for\u00e7a\u201d. Paradoxalmente, o Estado de Israel foi criado por uma recomenda\u00e7\u00e3o da ONU para a Participa\u00e7\u00e3o da Palestina em 1947, e foi aceito como novo membro das Na\u00e7\u00f5es Unidas com base em seu compromisso de respeitar a resolu\u00e7\u00e3o, e especificamente a 194 da Assembleia Geral sobre o regresso dos refugiados palestinos.<\/p>\n<p>Agora que todos os meios foram provados e fracassaram, incluindo 18 anos de negocia\u00e7\u00f5es bilaterais, o Conselho de Seguran\u00e7a deve assumir sua responsabilidade, exigindo que Israel cumpra suas obriga\u00e7\u00f5es de acordo com a Carta da ONU e reconhe\u00e7a o direito palestino \u00e0 sua autodetermina\u00e7\u00e3o como Estado. Ponto.<\/p>\n<p>* Marwan Bishara \u00e9 analista pol\u00edtico da rede de TV Al Jazeera, foi professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais na Universidade Norte-Americana de Paris, e \u00e9 considerando uma autoridade em assuntos do Oriente M\u00e9dio. Publicado sob acordo com Al Jazeera (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doaha, Catar, 22\/09\/2011 &ndash; A falta de uma solu\u00e7\u00e3o para o conflito palestino-israelense, ap\u00f3s 40 anos de ocupa\u00e7\u00e3o, \u201ccontinuar\u00e1 afetando a reputa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e despertando d\u00favidas sobre sua imparcialidade\u201d, segundo palavras do ex-secret\u00e1rio-geral Kofi Annan. 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