{"id":8839,"date":"2011-09-23T15:57:20","date_gmt":"2011-09-23T15:57:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8839"},"modified":"2011-09-23T15:57:20","modified_gmt":"2011-09-23T15:57:20","slug":"china-america-latina-apenas-uma-relacao-casual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/china-america-latina-apenas-uma-relacao-casual\/","title":{"rendered":"CHINA-AM\u00c9RICA LATINA: Apenas uma rela\u00e7\u00e3o casual"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 23\/09\/2011 &ndash; A China rompeu com d\u00e9cadas de crescimento econ\u00f4mico solit\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, ao aumentar seu com\u00e9rcio com a regi\u00e3o. <!--more--> Contudo, estes estranhos companheiros de cama n\u00e3o necessariamente ter\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o duradoura. Segundo o informe do Escrit\u00f3rio do Economista-Chefe para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe do Banco Mundial, a regi\u00e3o fez enormes avan\u00e7os nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com a \u201cd\u00e9cada perdida\u201d de 1980 e o leve e est\u00e1vel crescimento em grande parte dos anos 1990, a primeira d\u00e9cada do S\u00e9culo 21 experimentou taxas de expans\u00e3o muito mais altas, bem como aumentos nos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, crescentes fluxos de capital e quedas nos \u00edndices de pobreza. Mais de 50 milh\u00f5es de latino-americanos superaram a linha de pobreza entre 2002 e 2008, e espera-se que outros cinco milh\u00f5es o fa\u00e7am at\u00e9 o final deste ano.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s conseguir uma expans\u00e3o de 6% ao recuperar-se no ano passado da crise financeira mundial de 2008, prev\u00ea-se que a regi\u00e3o crescer\u00e1 entre 3,5% e 4,5% em 2011. O estudo, apresentado no dia 20, tamb\u00e9m indica que, \u201cem um momento sem precedentes na hist\u00f3ria, os mercados agora percebem que o risco de suspens\u00e3o de pagamentos da d\u00edvida soberana em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (como Chile, Col\u00f4mbia e Peru) \u00e9 menor do que o da Fran\u00e7a\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o deve grande parte de sua estabilidade ao crescimento da China, que mostra um insaci\u00e1vel apetite por produtos latino-americanos. Segundo o informe, Pequim rompeu com \u201ccentenas de anos de crescimento solit\u00e1rio\u201d da Am\u00e9rica Latina. A aproxima\u00e7\u00e3o com a China foi extremamente r\u00e1pida. Na d\u00e9cada de 1990, praticamente n\u00e3o havia interc\u00e2mbio entre a regi\u00e3o e esse pa\u00eds.<\/p>\n<p>No ano passado, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) previu que o gigante asi\u00e1tico se converteria no maior s\u00f3cio comercial da regi\u00e3o at\u00e9 2015. E j\u00e1 o \u00e9 do Brasil, Chile e Peru, respondendo com entre 10% e 20% do com\u00e9rcio total. As vendas chilenas para a China saltaram de 5% para quase 25% de todas as exporta\u00e7\u00f5es desde 2000.<\/p>\n<p>Embora os economistas do Banco Mundial estejam convencidos de que \u201co robusto crescimento observado na Am\u00e9rica Latina na \u00faltima d\u00e9cada seja em grande parte devido \u00e0s conex\u00f5es com a China\u201d, alguns especialistas alertam que este v\u00ednculo deveria ser vigiado de perto, porque, apesar de nutrir uma r\u00e1pida expans\u00e3o, tamb\u00e9m cont\u00e9m as sementes do colapso. O trabalho do Banco Mundial, intitulado \u201cO crescimento de longo prazo da Am\u00e9rica Latina e do Caribe: feito na China?\u201d, conclui que a regi\u00e3o dever\u00e1 passar por v\u00e1rias mudan\u00e7as estruturais para conseguir um \u00eaxito duradouro.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pouca evid\u00eancia de que a China possa ter um papel no fortalecimento do crescimento produtivo da Am\u00e9rica Latina\u201d, disse o economista-chefe do Banco Mundial para a regi\u00e3o, Augusto de la Torre, em entrevista coletiva no dia 20, em Washington. \u201cNo contexto do med\u00edocre desempenho econ\u00f4mico de Estados Unidos e Europa, a quest\u00e3o crucial \u00e9 se a Am\u00e9rica Latina pode tomar como plataforma suas conex\u00f5es com a China e convert\u00ea-las em uma fonte de crescimento de longo prazo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO grau deste crescimento em inclus\u00e3o e sustentabilidade depender\u00e1 das formas como os governos latino-americanos formularem suas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas e usarem suas crescentes reservas\u201d, disse, por sua vez, \u00e0 IPS, Margaret Myers, diretora de programas do centro de estudos Di\u00e1logo Interamericano. \u201cAlguns, como o Chile, adotam pol\u00edticas macroecon\u00f4micas s\u00e3s e investem em programas sociais destinados a promover o crescimento de longo prazo. Outros n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o prudentes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina n\u00e3o pode basear um r\u00e1pido crescimento na demanda por mat\u00e9ria-prima da China para sempre\u201d, afirmou no m\u00eas passado Mauricio C\u00e1rdenas, diretor da Iniciativa para a Am\u00e9rica Latina da Brookings Institution. A regi\u00e3o \u201cdeve come\u00e7ar a pensar formas de gerar crescimento em n\u00edvel mais dom\u00e9stico\u201d, acrescentou, explicando que, por ser a demanda chinesa fundamentalmente por petr\u00f3leo para seu setor manufatureiro e para atender sua crescente popula\u00e7\u00e3o automobil\u00edstica em megacidades, a depend\u00eancia pode esgotar logo.<\/p>\n<p>\u201cSe o crescimento chin\u00eas diminuir e se um crescimento mais lento for acompanhado por uma queda na demanda por mat\u00e9rias-primas haver\u00e1 consequ\u00eancias desastrosas para certos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina\u201d, alertou Myers.<\/p>\n<p>A conex\u00e3o com a China j\u00e1 transtorna os equil\u00edbrios comerciais na regi\u00e3o. Os pa\u00edses ricos em petr\u00f3leo e minerais, como Brasil e Venezuela, gozam de um enorme super\u00e1vit comercial com Pequim, enquanto o M\u00e9xico tende a um d\u00e9ficit de US$ 11 bilh\u00f5es. Enquanto isso, cresce o desejo da China de deixar sua \u201cpegada econ\u00f4mica\u201d nos campos de petr\u00f3leo e g\u00e1s da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, a Corpora\u00e7\u00e3o Nacional de Petr\u00f3leo Offshore da China pagou US$ 3,1 bilh\u00f5es em dinheiro por 30% da Corpora\u00e7\u00e3o Bridas, uma subsidi\u00e1ria da maior exportadora de petr\u00f3leo da Argentina, a Bridas Energy. A empresa possui campos petrol\u00edferos na Argentina, China e Bol\u00edvia, cujas reservas somam 636 milh\u00f5es de barris de 159 litros, que produzem 92 mil barris por dia.<\/p>\n<p>Provavelmente, a demanda chinesa por petr\u00f3leo latino-americano continuar\u00e1 por um tempo antes de dar sinais de diminui\u00e7\u00e3o. No ano passado, a Ag\u00eancia Internacional de Energia informou que a demanda petrol\u00edfera da China cresceu \u201cassombrosos 29%\u201d. Em 2009, esse pa\u00eds produziu 3,8 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios e consumiu mais do que o dobro, 8,5 milh\u00f5es, contra 4,8 milh\u00f5es em 2000.<\/p>\n<p>Enquanto isso, existem temores sobre o poss\u00edvel impacto nas comunidades locais latino-americanas de uma maior participa\u00e7\u00e3o chinesa, considerando o hist\u00f3rico dessa na\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de abusos dos direitos humanos, ambientais e trabalhistas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 garantias de que os empr\u00e9stimos da China afetem positivamente os trabalhadores em pa\u00edses como o Equador\u201d, afirmou Myers \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cOs empr\u00e9stimos do Banco de Desenvolvimento da China tendem a carecer das estipula\u00e7\u00f5es de respeito aos direitos trabalhistas e, em pa\u00edses como Equador e Venezuela, que carecem de controles institucionais e previs\u00e3o macroecon\u00f4mica, os investimentos vinculados com o petr\u00f3leo t\u00eam poucas probabilidades de gerar crescimento de longo prazo e sustent\u00e1vel\u201d, acrescentou Myers.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201ca nascente sociedade civil chinesa e a m\u00eddia controlada pelo Estado s\u00e3o incapazes de vigiar os abusos ou controlar a corrup\u00e7\u00e3o, que, em geral, deriva na degrada\u00e7\u00e3o ambiental e em viola\u00e7\u00f5es trabalhistas\u201d, alertou a diretora do Di\u00e1logo Interamericano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 23\/09\/2011 &ndash; A China rompeu com d\u00e9cadas de crescimento econ\u00f4mico solit\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, ao aumentar seu com\u00e9rcio com a regi\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/china-america-latina-apenas-uma-relacao-casual\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":110,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[17],"class_list":["post-8839","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/110"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8839\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}