{"id":8852,"date":"2011-09-27T14:23:32","date_gmt":"2011-09-27T14:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8852"},"modified":"2011-09-27T14:23:32","modified_gmt":"2011-09-27T14:23:32","slug":"reportagem-degelo-do-artico-atica-ambicoes-economicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/reportagem-degelo-do-artico-atica-ambicoes-economicas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Degelo do \u00c1rtico ati\u00e7a ambi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas"},"content":{"rendered":"<p>BERLIM, Alemanha, 27\/09\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- As rotas de navega\u00e7\u00e3o est\u00e3o se abrindo no derretido Oceano \u00c1rtico, primeiro passo para explorar os recursos da regi\u00e3o boreal.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8852\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/545_deshielo_en_el_rtico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8852\" class=\"size-medium wp-image-8852\" title=\"Gelo flutuando no \u00c1rtico. - Christof Luepkes, cortesia do Instituto Alfred Wegener\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/545_deshielo_en_el_rtico.jpg\" alt=\"Gelo flutuando no \u00c1rtico. - Christof Luepkes, cortesia do Instituto Alfred Wegener\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8852\" class=\"wp-caption-text\">Gelo flutuando no \u00c1rtico. - Christof Luepkes, cortesia do Instituto Alfred Wegener<\/p><\/div>  A possibilidade de explorar os outrora inacess\u00edveis recursos naturais do Oceano \u00c1rtico fica mais tang\u00edvel com o degelo do Polo Norte, para esc\u00e2ndalo dos cientistas europeus. Recentes observa\u00e7\u00f5es do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha (AWI) e da Universidade de Bremen confirmam que o degelo do \u00c1rtico medido h\u00e1 cinco anos foi especialmente grave neste ver\u00e3o boreal.<\/p>\n<p>O aquecimento do Polo Norte foi t\u00e3o pronunciado que tanto a passagem do Noroeste, no territ\u00f3rio canadense de Nunavut, como a rota do Mar do Norte, ao longo da Sib\u00e9ria, est\u00e3o livres de gelo. \u201cA particularidade do ver\u00e3o de 2011 \u00e9 que at\u00e9 mesmo o Canal de Parry (em Nunavut) est\u00e1 aberto e quase sem gelo\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o cientista Georg Heygster, do Instituto de F\u00edsica Ambiental da Universidade de Bremen, na Alemanha, que gerou mapas das camadas de gelo utilizando dados obtidos pelo sat\u00e9lite Aqua, da ag\u00eancia espacial norte-americana.<\/p>\n<p>\u201cA camada de gelo derrete a tal velocidade nas margens, que permite que os raios solares esquentem a \u00e1gua que est\u00e1 por baixo, o que acelera o degelo\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica o f\u00edsico e ocean\u00f3grafo R\u00fcdiger Gerdes, do AWI, com sede na cidade costeira de Bremerhaven. \u201cEsta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos surpreende, pois corresponde \u00e0 tend\u00eancia observada desde 2007\u201d, acrescentou Gerdes. \u201cContudo \u2013 prosseguiu \u2013, \u00e9 grave, porque n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 diminuindo a extens\u00e3o das camadas de gelo como tamb\u00e9m sua espessura\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstas circunst\u00e2ncias criam novas oportunidades de uso econ\u00f4mico do \u00c1rtico\u201d, como a pesca, o transporte e a ind\u00fastria extrativa, sobretudo de g\u00e1s e petr\u00f3leo, afirmou o cientista. E esses interesses econ\u00f4micos j\u00e1 se fazem sentir. Entre julho e setembro, passaram pelo \u00c1rtico tr\u00eas enormes cargueiros.<\/p>\n<p>O Sanko Odyssey, maior navio que fez essa rota, transportava 68 mil toneladas de min\u00e9rio de ferro. O navio-tanque Wladimir Tichonow precisou de apenas sete dias e meio para atravessar o Estreito de Bering desde a ilha Nova Zembla, e com essa velocidade superou o recorde de outro navio semelhante, o STI Heritage, que em julho havia percorrido quase o mesmo trecho em oito dias.<\/p>\n<p>Segundo dados das autoridades russas de transporte mar\u00edtimo, cerca de 20 navios utilizaram a mesma rota este ano. Para avaliar as consequ\u00eancias ambientais dessas atividades, Gerdes, Heygster e cerca de 30 pesquisadores de nove pa\u00edses europeus criaram um grupo de trabalho que se reuniu pela primeira vez no dia 5, em Bremen.<\/p>\n<p>No Access, sigla de Arctic Climate Change, Economy and Society (Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, Economia e Sociedade do \u00c1rtico), Gerdes e seus colegas buscam respostas para tr\u00eas perguntas: como se desenvolver\u00e3o o transporte, o turismo, a pesca e a explora\u00e7\u00e3o mineral no Oceano \u00c1rtico no futuro imediato? Quais riscos para a natureza e a humanidade que esse desenvolvimento pode apresentar? Quais s\u00e3o as regras necess\u00e1rias para reduzir esses riscos?<\/p>\n<p>Al\u00e9m do AWI, est\u00e3o associados ao Access o Instituto Kiel para a Economia Mundial (Alemanha), o Centro Aeroespacial Alem\u00e3o e a Universidade Pierre e Marie Curie, da Fran\u00e7a. Tamb\u00e9m existem v\u00ednculos de trabalho com o intergovernamental Conselho \u00c1rtico e com o Centro do \u00c1rtico, da Universidade de Lapland, da Finl\u00e2ndia. \u201cNossa principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 regulamentar as atividades econ\u00f4micas poss\u00edveis no \u00c1rtico e oferecer op\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica na regi\u00e3o aos governos europeus\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a porta-voz da Universidade Pierre e Marie Curie, Claire de Thoisy-M\u00e9chin.<\/p>\n<p>\u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica no \u00c1rtico causar\u00e1 graves impactos nos ecossistemas marinhos e nas atividades humanas. Em nosso trabalho daremos especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade ambiental dessas atividades, em estreita coopera\u00e7\u00e3o com os povos ind\u00edgenas locais\u201d, acrescentou Claire. Por\u00e9m, armadores e outros atores do transporte mar\u00edtimo indicam que, para a passagem do Noroeste e a rota do Mar do Norte serem efetivamente utiliz\u00e1veis, ser\u00e1 preciso um forte investimento em infraestrutura, como portos e esta\u00e7\u00f5es de combust\u00edvel e de provis\u00f5es, ao longo de quase seis mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apesar do cont\u00ednuo degelo, as circunst\u00e2ncias atuais ainda s\u00e3o imprevis\u00edveis. Por exemplo, em sua recente passagem pelo \u00c1rtico, o Sanko Odissey esteve acompanhado por um quebra-gelo at\u00f4mico russo. \u201cO problema principal para o transporte mar\u00edtimo nessa regi\u00e3o boreal s\u00e3o os peda\u00e7os de gelo \u00e0 deriva, que podem provocar enorme concentra\u00e7\u00e3o que mesmo um navio t\u00e3o grande com o Sanko Odissey n\u00e3o consegue remover\u201d, explicou Gerdes.<\/p>\n<p>No entanto, a tend\u00eancia do derretimento \u00e9 clara. \u00c9 quase certo que n\u00e3o haver\u00e1 gelo no ver\u00e3o \u00e1rtico em 2029, estimam os cientistas. Para Gerdes, o atual degelo tamb\u00e9m est\u00e1 influenciado pela chamada \u201coscila\u00e7\u00e3o multidecadal atl\u00e2ntica\u201d, fen\u00f4meno cuja exist\u00eancia \u00e9 motivo de controv\u00e9rsia cient\u00edfica e que, segundo seus defensores, se caracteriza por uma mudan\u00e7a peri\u00f3dica das temperaturas das \u00e1guas superficiais do Atl\u00e2ntico Norte. \u201cEstamos passando por uma fase quente dessa oscila\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BERLIM, Alemanha, 27\/09\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- As rotas de navega\u00e7\u00e3o est\u00e3o se abrindo no derretido Oceano \u00c1rtico, primeiro passo para explorar os recursos da regi\u00e3o boreal. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/reportagem-degelo-do-artico-atica-ambicoes-economicas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,4],"tags":[18,21],"class_list":["post-8852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}