{"id":8866,"date":"2011-09-29T15:52:06","date_gmt":"2011-09-29T15:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8866"},"modified":"2011-09-29T15:52:06","modified_gmt":"2011-09-29T15:52:06","slug":"brasil-megaprojeto-hidrico-para-o-agreste-pernambucano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-megaprojeto-hidrico-para-o-agreste-pernambucano\/","title":{"rendered":"BRASIL: Megaprojeto h\u00eddrico para o agreste pernambucano"},"content":{"rendered":"<p>Porto de Galinhas, Brasil, 29\/09\/2011 &ndash; O desenvolvimento de uma das regi\u00f5es semi\u00e1ridas do Brasil, o agreste do Estado de Pernambuco, pode ter uma arrancada com a constru\u00e7\u00e3o de canais para conduzir \u00e1guas desviadas do Rio S\u00e3o Francisco.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8866\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/223.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8866\" class=\"size-medium wp-image-8866\" title=\"Vista da cidade de Gravat\u00e1 no agreste de Pernambuco - Licen\u00e7a Creative Commons\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/223.jpg\" alt=\"Vista da cidade de Gravat\u00e1 no agreste de Pernambuco - Licen\u00e7a Creative Commons\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8866\" class=\"wp-caption-text\">Vista da cidade de Gravat\u00e1 no agreste de Pernambuco - Licen\u00e7a Creative Commons<\/p><\/div>  Embora esta pol\u00eamica obra seja uma ideia que vem desde o S\u00e9culo 19, para garantir \u00e1gua ao seco Nordeste e que s\u00f3 recentemente foi aprovada, um de seus projetos associados, a Adutora do Agreste, j\u00e1 est\u00e1 em andamento, e o final das obras est\u00e1 previsto para 2015.<\/p>\n<p>\u201cPernambuco \u00e9 um Estado de extremos: vivemos entre secas e transbordamentos. Temos uma \u00e1rea de floresta onde chove muito, \u00e0s vezes dois mil mil\u00edmetros (ml) por ano, e temos o agreste e o sert\u00e3o, caracter\u00edsticos do semi\u00e1rido\u201d, disse \u00e0 IPS o engenheiro Jos\u00e9 Almir Cirilo, secret\u00e1rio estadual de Recursos H\u00eddricos. O agreste, que ocupa extensa faixa de v\u00e1rios Estados do Nordeste, \u00e9 um ecossistema de transi\u00e7\u00e3o entre a Mata Atl\u00e2ntica e o sert\u00e3o, e registra entre 400 ml e 600 ml de chuva ao ano. A realidade do abastecimento de \u00e1gua ali \u00e9 \u201cmuito sofrida\u201d contou Cirilo. Quase 80% de Pernambuco apresenta condi\u00e7\u00f5es de aridez.<\/p>\n<p>A Adutora do Agreste, da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), \u00e9 promovida no contexto do XIV Congresso Mundial da \u00c1gua, que come\u00e7ou no dia 25 e termina hoje, em Porto de Galinhas, uma bela praia de Pernambuco. O encontro \u00e9 organizado pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Recursos H\u00eddricos (IWRA) \u2013 uma rede sem fins lucrativos que se dedica a promover o debate sobre a administra\u00e7\u00e3o e o manejo da \u00e1gua \u2013, e o governo do Estado.<\/p>\n<p>O agreste n\u00e3o possui \u00e1gua subterr\u00e2nea, os solos de rocha cristalina impedem a passagem da \u00e1gua e a deixam muito carregada de sais. S\u00f3 na parte pernambucana vivem tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas. O problema do fornecimento em suas 71 cidades e centros povoados n\u00e3o \u00e9 apenas a escassez, mas a grande concentra\u00e7\u00e3o de sais nos reservat\u00f3rios. \u201cO agreste \u00e9 uma das regi\u00f5es semi\u00e1ridas mais populosas do mundo, e muita gente vive em um local com condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de solo adversas\u201d, disse Cirilo. Contudo, a regi\u00e3o se destaca por seu potencial de desenvolvimento em servi\u00e7os comerciais e por seu polo de confec\u00e7\u00e3o de roupas.<\/p>\n<p>O arranque esperado h\u00e1 d\u00e9cadas depende do fornecimento suficiente de \u00e1gua para atender esta popula\u00e7\u00e3o. Embora criticada, a transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco \u00e9 apontada como a solu\u00e7\u00e3o para o agreste de Pernambuco, por seus defensores. A obra completa, com custo estimado em US$ 4,08 bilh\u00f5es, consiste em duas canaliza\u00e7\u00f5es principais, o eixo norte e o eixo leste, que abastecer\u00e3o pequenos rios e a\u00e7udes que costumam secar nos Estados do Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Para\u00edba e Pernambuco.<\/p>\n<p>Trata-se de uma enorme interven\u00e7\u00e3o na natureza, com 518 quil\u00f4metros de canais, mais 42 aquedutos, cinco t\u00faneis, 30 represas e nove esta\u00e7\u00f5es para bombear \u00e1gua a centenas de metros de altura. No total, s\u00e3o 713 quil\u00f4metros de canaliza\u00e7\u00f5es nos dois eixos. \u201cQuando a transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco come\u00e7ou a ser discutida, em 1996, \u00e9ramos contra porque a concep\u00e7\u00e3o do projeto era transferir \u00e1gua para Estados vizinhos e em nada beneficiava Pernambuco, o de pior d\u00e9ficit h\u00eddrico do Brasil\u201d, explicou Cirilo, que \u00e9 engenheiro civil. \u201cNossa proposta era desenvolver o transporte de \u00e1gua em adutoras ou canais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A transposi\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 um retrocesso\u201d quanto \u00e0 \u201cconviv\u00eancia com a regi\u00e3o \u00e1rida\u201d, que hoje \u00e9 reconhecida como caminho para uma solu\u00e7\u00e3o efetiva dos problemas sociais do Nordeste, disse Alba Cavalcanti, coordenadora-adjunta de um programa de coleta de \u00e1gua de chuva para irriga\u00e7\u00e3o de hortas da Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido brasileiro, uma rede de mais de 700 organiza\u00e7\u00f5es sociais que atua principalmente em \u00e1reas rurais. O \u00edndice de seguran\u00e7a h\u00eddrica de uma regi\u00e3o \u2013 que permite um desenvolvimento adequado \u2013 \u00e9 de pelo menos 1.500 metros c\u00fabicos (m\u00b3) de \u00e1gua por habitante. Pernambuco disp\u00f5e de uma reserva de 1.300 m\u00b3 por habitante, e o agreste est\u00e1 ainda pior, com suas reservas chegando a 800 m\u00b3 por pessoa.<\/p>\n<p>Com custo de US$ 1,243 bilh\u00e3o, a Adutora do Agreste \u00e9 a mais ambiciosa obra h\u00eddrica de Pernambuco: \u00e9 apresentada como um dos maiores sistemas integrados do mundo com capacidade para universalizar o abastecimento de 68 n\u00facleos urbanos, nos quais vivem hoje 1,2 milh\u00e3o de pessoas, e beneficiar outras 80 localidades e zonas rurais. O sistema ter\u00e1 uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua com capacidade para quatro mil litros por segundo, e aumentar\u00e1 a oferta de \u00e1gua em mais de 100%.<\/p>\n<p>O canal est\u00e1 projetado para atender cerca de dois milh\u00f5es de pessoas nos pr\u00f3ximos 30 anos. Se alimentar\u00e1 da represa do Rio Ipojuca, que ser\u00e1 constru\u00edda para receber e armazenar a \u00e1gua transposta do S\u00e3o Francisco, um rio que corre de sul para norte, passa por cinco Estados, faz parte do limite sudoeste de Pernambuco e divide Sergipe e Alagoas, para ent\u00e3o desembocar no Oceano Atl\u00e2ntico. \u201cO agreste est\u00e1 crescendo, e a dificuldade de \u00e1gua pode inibi-lo e limit\u00e1-lo\u201d, disse \u00e0 IPS a engenheira Cl\u00e1udia Ribeiro, gestora de estudos e projetos de \u00e1gua da Compesa.<\/p>\n<p>A Adutora do Agreste come\u00e7ou a ser projetada em 2007 com um informe t\u00e9cnico preliminar. Depois foi contratado o projeto b\u00e1sico de engenharia que j\u00e1 est\u00e1 em fase de conclus\u00e3o. A primeira etapa terminar\u00e1 este ano e as obras devem come\u00e7ar no in\u00edcio de 2012. O prazo total \u00e9 abril de 2015, para ent\u00e3o todos os munic\u00edpios terem acesso permanente a \u00e1gua. Contudo, \u201cqueremos atender parte dos munic\u00edpios em 2013, pois o projeto ser\u00e1 feito por etapas\u201d, detalhou Cirilo.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es da Universidade Federal de Pernambuco indicam que, quando as cidades t\u00eam um abastecimento regular de \u00e1gua, as condi\u00e7\u00f5es de vida e os indicadores de sa\u00fade melhoram. Cada real investido em saneamento b\u00e1sico equivale a R$ 4 economizados em atendimento p\u00fablico com a sa\u00fade.<\/p>\n<p>A apar\u00eancia do agreste pernambucano vai mudar, ressaltou Cirilo, se referindo \u00e0 infreaestrutura hidr\u00e1ulica e \u00e0 ferrovia Transnordestina, em constru\u00e7\u00e3o, que ser\u00e3o fatores que integrar\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o. \u201cAs perspectivas de desenvolvimento v\u00e3o melhorar. A ferrovia, a \u00e1gua com projetos de irriga\u00e7\u00e3o e a interioriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, tudo isso promover\u00e1 uma mudan\u00e7a nessa paisagem. A realidade j\u00e1 est\u00e1 mudando\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto de Galinhas, Brasil, 29\/09\/2011 &ndash; O desenvolvimento de uma das regi\u00f5es semi\u00e1ridas do Brasil, o agreste do Estado de Pernambuco, pode ter uma arrancada com a constru\u00e7\u00e3o de canais para conduzir \u00e1guas desviadas do Rio S\u00e3o Francisco. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-megaprojeto-hidrico-para-o-agreste-pernambucano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27,21],"class_list":["post-8866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8866\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}