{"id":8873,"date":"2011-09-30T15:43:49","date_gmt":"2011-09-30T15:43:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8873"},"modified":"2011-09-30T15:43:49","modified_gmt":"2011-09-30T15:43:49","slug":"brasil-petroleo-submarino-recupera-industria-naval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-petroleo-submarino-recupera-industria-naval\/","title":{"rendered":"BRASIL: Petr\u00f3leo submarino recupera ind\u00fastria naval"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 30\/09\/2011 &ndash; A maldi\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no Brasil se manifesta agora somente no campo pol\u00edtico. <!--more--> Enquanto o parlamento se divide na discuss\u00e3o pela redistribui\u00e7\u00e3o dos lucros, cada vez maiores, as \u00faltimas jazidas descobertas no Oceano Atl\u00e2ntico reavivaram a ind\u00fastria naval. A perspectiva de duplicar a produ\u00e7\u00e3o atual de 2,1 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios no decorrer desta d\u00e9cada, quando come\u00e7arem as explora\u00e7\u00f5es das jazidas do pr\u00e9-sal no subsolo oce\u00e2nico, serviu de fundamental incentivo para o crescimento da atividade de portos e estaleiros.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, o Brasil tinha \u201ca segunda maior ind\u00fastria naval do mundo\u201d, mas sofreu uma queda importante que s\u00f3 conseguiu reverter, em parte, na \u00faltima d\u00e9cada, disse S\u00e9rgio Leal, secret\u00e1rio executivo do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Naval (Sinaval). Os 56.368 empregos diretos no setor registrados em junho superam com folga o melhor n\u00edvel do ano passado. Os dados n\u00e3o incluem cerca de 28 mil trabalhadores da ind\u00fastria n\u00e1utica de pequenas embarca\u00e7\u00f5es de recreio.<\/p>\n<p>Entretanto, os observadores afirmam que os empregos indiretos s\u00e3o muito numerosos, j\u00e1 que a cadeia produtiva \u00e9 muito extensa. Uma plataforma petrol\u00edfera para produ\u00e7\u00e3o no oceano \u00e9 composta por milhares de itens e demora mais de um ano para ser constru\u00edda. Na pasta de projetos de plataformas \u201cj\u00e1 voltamos ao segundo lugar\u201d no mundo, comemorou Leal no Congresso Internacional Pr\u00e9-Sal Brasil, que reuniu empres\u00e1rios, autoridades e t\u00e9cnicos entre os dias 24 e 26, na cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O fato de ter a maior parte de suas reservas em \u00e1guas oce\u00e2nicas profundas encarece a explora\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural no Brasil, por exigir uma ampla e cara infraestrutura, al\u00e9m de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos como os que deram a lideran\u00e7a internacional \u00e0 Petrobras. Com a descoberta de uma imensa jazida na camada pr\u00e9-sal, as reservas brasileiras de hidrocarbonos podem quintuplicar. E o pa\u00eds, que at\u00e9 agora lutava para garantir sua autossufici\u00eancia, poder\u00e1 se converter em exportador. No entanto, essa riqueza est\u00e1 a quase sete mil metros de profundidade e a mais de 300 quil\u00f4metros da costa mar adentro.<\/p>\n<p>O desafio de explor\u00e1-la, com uma pol\u00edtica que favorece a produ\u00e7\u00e3o nacional dos meios necess\u00e1rios, impulsionou a ind\u00fastria naval e sua extens\u00e3o denominada offshore. Essa pol\u00edtica j\u00e1 vem h\u00e1 algum tempo. Em 2003, o governo criou o Programa de Mobiliza\u00e7\u00e3o da Industrial Nacional de Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural, para fortalecer a cadeia produtiva do setor em territ\u00f3rio nacional. No ano seguinte a Transpetro, subsidi\u00e1ria da Petrobras para o transporte, anunciou o programa de expans\u00e3o de sua frota, com 49 novos navios petroleiros, com um m\u00ednimo de 65% de componentes nacionais, \u00edndice elevado para 70% na segunda fase, iniciada em 2008, e investimentos totais no valor de US$ 4,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O conte\u00fado nacional se imp\u00f4s como regra geral a partir de 2005, gra\u00e7as a uma resolu\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, \u00f3rg\u00e3o regulador do setor. A ind\u00fastria naval brasileira, que estava concentrada no Rio de Janeiro no passado, ganhou novos polos. O nordestino Porto de Suape hoje lidera o setor em toneladas de porte bruto (TPB), com um grande estaleiro instalado recentemente que j\u00e1 constr\u00f3i muitos navios petroleiros, embora o Rio de Janeiro ofere\u00e7a o dobro de empregos em uma produ\u00e7\u00e3o mais diversificada, explicou Leal.<\/p>\n<p>No extremo sul do pa\u00eds floresce outro polo. Com dois estaleiros operando e outros dois em constru\u00e7\u00e3o perto de seu principal porto mar\u00edtimo, o Rio Grande do Sul tem excelentes condi\u00e7\u00f5es para aproveitar a oportunidade gerada pelo petr\u00f3leo pr\u00e9-sal, segundo Vanderlan Vasconcelos, titular da superintend\u00eancia de Portos e Hidrovias do Estado.<\/p>\n<p>O Estado oferece uma ind\u00fastria metal-mec\u00e2nica j\u00e1 desenvolvida, com 2.100 empresas, 167 do setor eletr\u00f4nico e 300 firmas geo-oce\u00e2nicas, a maioria servida por uma hidrovia de 758 quil\u00f4metros que permite estreita conex\u00e3o com o Porto de Rio Grande e os estaleiros, acrescentou Vasconcelos. Al\u00e9m disso, as lagoas e os rios locais podem constituir uma nova rede fluvial no Mercosul com 1.530 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, contribuindo para integrar as economias de Brasil, Argentina e Uruguai, que integram o bloco juntamente com o Paraguai, ressaltou.<\/p>\n<p>Outra vantagem do Porto do Rio Grande \u00e9 a relativa proximidade com \u00c1frica do Sul e \u00c1sia, disse Wilen Manteli, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Terminais Portu\u00e1rios, em contraposi\u00e7\u00e3o a Suape, que est\u00e1 mais em linha com Europa e Estados Unidos. \u201cO ciclo do pr\u00e9-sal vai durar, no m\u00ednimo, 30 anos\u201d, estima Aloisio N\u00f3brega, vice-presidente da Ag\u00eancia Ga\u00facha de Desenvolvimento e Promo\u00e7\u00e3o de Investimentos. Por isso, uma das prioridades do governo estadual \u00e9 a \u201cind\u00fastria oce\u00e2nica\u201d, como ele prefere denominar a offshore.<\/p>\n<p>Essa ind\u00fastria n\u00e3o se limita aos estaleiros, e integra uma longa cadeia que ser\u00e1 beneficiada pelo fato de o Rio Grande do Sul contar com o segundo maior parque industrial metal-mec\u00e2nico do Brasil, superado apenas por S\u00e3o Paulo, disse N\u00f3brega, acrescentando a isso a melhor qualidade de vida nesta regi\u00e3o e um mercado de 11 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>O campo dos hidrocarbonos do pr\u00e9-sal oce\u00e2nico, longe da costa sudeste do pa\u00eds e se estendendo por 800 quil\u00f4metros de comprimento e 200 quil\u00f4metros de largura, \u201cnecessita de embarca\u00e7\u00f5es novas e mais eficientes\u201d, al\u00e9m de \u201cinstala\u00e7\u00f5es espec\u00edficas\u201d para atender suas atividades, afirmou Fernando Fialho, diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional de Transporte Aquavi\u00e1rios (Antaq).<\/p>\n<p>Apesar da multiplica\u00e7\u00e3o de portos e estaleiros, no Brasil ainda \u00e9 urgente um esfor\u00e7o maior e r\u00e1pido, porque os projetos de infraestrutura exigem muito tempo devido \u00e0 necessidade de tirar licen\u00e7as ambientais e ter contratos e \u201cengenharia financeira\u201d de longo prazo, alertou Fialho, lembrando que a capacita\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de m\u00e3o de obra \u00e9 outro desafio. \u201cO cen\u00e1rio futuro exige esfor\u00e7os alternativos\u201d e as hidrovias constituem uma prioridade da Antaq, porque levam o desenvolvimento ao interior do pa\u00eds e \u201ca ind\u00fastria que serve ao pr\u00e9-sal n\u00e3o necessariamente tem de estar na costa\u201d, concluiu Fialho. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 30\/09\/2011 &ndash; A maldi\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no Brasil se manifesta agora somente no campo pol\u00edtico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/brasil-petroleo-submarino-recupera-industria-naval\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,11],"tags":[27],"class_list":["post-8873","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8873\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}