{"id":8915,"date":"2011-10-11T12:58:25","date_gmt":"2011-10-11T12:58:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8915"},"modified":"2011-10-11T12:58:25","modified_gmt":"2011-10-11T12:58:25","slug":"reportagem-tubaroes-atestam-pecados-ambientais-de-suape","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/america-latina\/reportagem-tubaroes-atestam-pecados-ambientais-de-suape\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Tubar\u00f5es atestam pecados ambientais de Suape"},"content":{"rendered":"<p>RECIFE, Brasil, 11\/10\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Se o projeto do Porto de Suape, no Nordeste do Brasil, n\u00e3o tivesse come\u00e7ado na d\u00e9cada de 1970, mas agora, enfrentaria restri\u00e7\u00f5es ambientais muito mais rigorosas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8915\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/547_Lado_externo_del_puerto_de_Suape_Cortesia_Asesoria_de_Comuncaciones_de_Suape.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8915\" class=\"size-medium wp-image-8915\" title=\"As \u00e1reas verdes de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o vistas atr\u00e1s do Porto de Suape, fotografadas a partir do Oceano Atl\u00e2ntico - Cortesia Assessoria de Comunica\u00e7\u00f5es de Suape\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/547_Lado_externo_del_puerto_de_Suape_Cortesia_Asesoria_de_Comuncaciones_de_Suape.jpg\" alt=\"As \u00e1reas verdes de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o vistas atr\u00e1s do Porto de Suape, fotografadas a partir do Oceano Atl\u00e2ntico - Cortesia Assessoria de Comunica\u00e7\u00f5es de Suape\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8915\" class=\"wp-caption-text\">As \u00e1reas verdes de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o vistas atr\u00e1s do Porto de Suape, fotografadas a partir do Oceano Atl\u00e2ntico - Cortesia Assessoria de Comunica\u00e7\u00f5es de Suape<\/p><\/div>  O Porto de Suape pode ser eternamente absolvido de seus delitos ecol\u00f3gicos, por abrir portas para uma prosperidade sem precedentes no pobre Estado de Pernambuco, Nordeste do pa\u00eds, e por ter nascido antes de as exig\u00eancias ambientais ficarem mais rigorosas. Testemunhos apaixonados dramatizaram seus pecados capitais, entre eles a interrup\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 terraplenagem, do fluxo de dois dos quatro rios que desembocam na ba\u00eda de Suape, 40 quil\u00f4metros ao sul do Recife, capital pernambucana.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do Porto come\u00e7ou em 1977, mas foi lenta devido \u00e0 dificuldade em atrair empresas para o complexo industrial que faz parte de seu projeto. Os tubar\u00f5es come\u00e7aram a atacar os banhistas, especialmente os surfistas das praias do Recife, a partir de 1992, depois que o Porto come\u00e7ou a receber navios com maior frequ\u00eancia, entre 1989 e 1991.<\/p>\n<p>Entre junho de 1992 e setembro de 2006, foram registrados 47 ataques com 17 mortos, segundo um estudo que Fabio Hazin, diretor do Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco, elaborou com dois colegas pesquisadores e que aponta poss\u00edveis causas do fen\u00f4meno. A quantidade de ataques \u00e9 alta para um trecho costeiro de apenas 20 quil\u00f4metros, considerando que a m\u00e9dia mundial n\u00e3o chega a uma centena por ano, a maioria na Austr\u00e1lia, \u00c1frica do Sul e nos Estados Unidos. Tamb\u00e9m surpreende o foco repentino.<\/p>\n<p>No Recife n\u00e3o se conhecia estes fatos antes, o que descarta explica\u00e7\u00f5es como maior concorr\u00eancia de surfistas, presentes desde a d\u00e9cada de 1960, ou a topografia submarina favor\u00e1vel \u00e0 chegada de peixes grandes, que \u00e9 permanente, argumentou Hazin, presidente do Comit\u00ea Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubar\u00f5es. As evid\u00eancias apontam o Porto de Suape como fator desse fen\u00f4meno, j\u00e1 que os tubar\u00f5es costumam seguir os navios, aumentando o risco de ataques pr\u00f3ximos a zonas portu\u00e1rias.<\/p>\n<p>Os casos na capital de Pernambuco se multiplicaram nos meses em que o terminal recebeu mais de 30 navios, disse Hazin. Outro poss\u00edvel fator foi o fechamento da desembocadura dos rios Ipojuca e Merepe, na ba\u00eda de Suape para preparar instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias e de numerosas ind\u00fastrias. Dessa forma foi bloqueado o acesso aos tubar\u00f5es-cabe\u00e7a-chata (Carcharhinus leucas), cujas f\u00eameas buscam \u00e1gua de menor salinidade para a desova.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, a esp\u00e9cie se deslocou para o estu\u00e1rio do Rio Jaboat\u00e3o, mais perto do Recife e cujas \u00e1guas influem nas praias mais afetadas pelos ataques. Essa migra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi estimulada pela redu\u00e7\u00e3o de pl\u00e2ncton em Suape, outro impacto ambiental do Porto, que reduziu a aflu\u00eancia de peixes e crust\u00e1ceos em busca de alimentos, explicou Hazin. A isso soma-se um canal submarino profundo que se aproxima das praias de Boa Viagem e Piedade, que concentraram \u201cquase 80%\u201d dos incidentes estudados, destacou o especialista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a contamina\u00e7\u00e3o do Jaboat\u00e3o, cujas \u00e1guas carregam sangue e entranhas de outros animais, pode ter contribu\u00eddo para atrair especialmente o tubar\u00e3o-cabe\u00e7a-chata, uma esp\u00e9cie mais agressiva e a maior protagonista dos ataques. Estes dois \u00faltimos fatores, distantes do Porto, s\u00e3o naturalmente enfatizados pelos defensores de Suape, que tem a segunda melhor gest\u00e3o ambiental dos terminais portu\u00e1rios brasileiros, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aqu\u00e1ticos, \u00f3rg\u00e3o regulador estatal.<\/p>\n<p>O Complexo Industrial Portu\u00e1rio de Suape Governador Eraldo Gueiros ocupa 13.500 hectares ao redor da ba\u00eda, mas 59% dessa superf\u00edcie s\u00e3o destinados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental, uma propor\u00e7\u00e3o que causou \u201cadmira\u00e7\u00e3o entre europeus\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o respons\u00e1vel de gest\u00e3o da Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico (SDEC) de Pernambuco, Roberto de Abreu e Lima. Inicialmente, previa-se 45%, \u201cmas ampliamos a \u00e1rea ambiental, al\u00e9m de criar corredores ecol\u00f3gicos para conservar melhor a biodiversidade\u201d, explicou o funcion\u00e1rio da entidade gestora do Porto. H\u00e1 outros desafios, como recompor mangues e florestas nas margens dos rios, reconheceu.<\/p>\n<p>Suape \u00e9 uma palavra da l\u00edngua dos ind\u00edgenas caet\u00e9s, dizimados no litoral de Pernambuco e obrigados a migrar para o interior, no S\u00e9culo 16. Significa \u201ccaminhos sinuosos\u201d, e serviu para dar nome ao estu\u00e1rio de \u201crios e mangues de muitas curvas\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica Daniel Cabral, assessor da dire\u00e7\u00e3o da SDEC. O Centro de Tecnologia Ambiental, criado em associa\u00e7\u00e3o com a Petrobras, monitorar\u00e1 \u00e1gua, ar e solo de todo o Complexo, acrescentou Abreu e Lima.<\/p>\n<p>Suape \u00e9 \u201cum porto natural\u201d, de \u00e1guas profundas na costa e na ba\u00eda, que por isso exigiu pouca interven\u00e7\u00e3o, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de uma brecha de 300 metros nos arrecifes que protegem os embarcadouros, disse ao Terram\u00e9rica o gerente de segmentos econ\u00f4micos da SDEC, Felipe Chaves. Contudo, as interfer\u00eancias humanas \u2013 como a constru\u00e7\u00e3o de um porto somada ao polo industrial \u2013 afetam os ecossistemas marinhos de uma maneira dif\u00edcil de avaliar, e os ataques de tubar\u00f5es representam \u201ca pequena parte vis\u00edvel\u201d desses impactos, alertou Hazin.<\/p>\n<p>Se Suape tivesse sido constru\u00eddo em anos mais recentes, teria enfrentado fortes obje\u00e7\u00f5es, como acontece agora com projetos em desenvolvimento. O privado Porto Sul, na Bah\u00eda, mudou de localiza\u00e7\u00e3o este ano por protestos de ambientalistas porque amea\u00e7ava florestas protegidas e mangues. O Superporto de A\u00e7u, tamb\u00e9m privado e concebido como gigantesco complexo industrial, situado em S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra, litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, a 320 quil\u00f4metros da sua capital, sofre constantes protestos de agricultores desalojados, ambientalistas e moradores.<\/p>\n<p>Em 1975, Suape sofreu duras cr\u00edticas de intelectuais pernambucanos que, em um manifesto de grande repercuss\u00e3o, acusaram o projeto de nascer de uma decis\u00e3o \u201cautorit\u00e1ria\u201d e amea\u00e7ar o florescente turismo de um \u201cpatrim\u00f4nio art\u00edstico\u201d criado pela natureza. As quest\u00f5es ambientais ainda n\u00e3o vigoravam. Hoje, a multid\u00e3o de trabalhadores chegados \u00e0 regi\u00e3o afeta o turismo, ao transformar hot\u00e9is e casas familiares em alojamentos, inclusive em praias pr\u00f3ximas, como as de Porto de Galinhas, um centro tur\u00edstico internacional, situado 20 quil\u00f4metros ao sul de Suape.<\/p>\n<p>O congestionamento dos acessos desanima os turistas. Entretanto, a maioria dos propriet\u00e1rios n\u00e3o se queixa, ganham mais com seus hot\u00e9is lotados sem baixar pre\u00e7os, disse ao Terram\u00e9rica a coordenadora de recursos naturais do vizinho munic\u00edpio Cabo de Santo Agostinho, Rubia Melo. Por\u00e9m, as cidades da \u00e1rea sofrem a contamina\u00e7\u00e3o do ar pelo p\u00f3, pelos milhares de \u00f4nibus e caminh\u00f5es que ocupam estradas e ruas e pelo excesso repentino de demanda por transporte, saneamento, sa\u00fade e moradia, acrescentou. Rubia prev\u00ea que \u201cse os impactos forem mitigados rapidamente, o futuro ser\u00e1 melhor para a popula\u00e7\u00e3o local\u201d.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RECIFE, Brasil, 11\/10\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Se o projeto do Porto de Suape, no Nordeste do Brasil, n\u00e3o tivesse come\u00e7ado na d\u00e9cada de 1970, mas agora, enfrentaria restri\u00e7\u00f5es ambientais muito mais rigorosas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/america-latina\/reportagem-tubaroes-atestam-pecados-ambientais-de-suape\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27,21],"class_list":["post-8915","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8915\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}