{"id":8926,"date":"2011-10-13T15:39:02","date_gmt":"2011-10-13T15:39:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8926"},"modified":"2011-10-13T15:39:02","modified_gmt":"2011-10-13T15:39:02","slug":"estados-unidos-a-historia-se-repete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/economia\/estados-unidos-a-historia-se-repete\/","title":{"rendered":"ESTADOS UNIDOS: A hist\u00f3ria se repete"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 13\/10\/2011 &ndash; O acampamento de jovens manifestantes desencantados no distrito financeiro nova-iorquino destaca a crescente indigna\u00e7\u00e3o que brota nos Estados Unidos em torno da desigualdade e da persistente crise trabalhista, dando lugar a compara\u00e7\u00f5es com fatos hist\u00f3ricos semelhantes. <!--more--> O movimento Occupy Wall Street (Ocupar Wall Steet), cujos protestes t\u00eam por epicentro a Liberty Plaza, no centro de Manhattan, gera compara\u00e7\u00f5es com as greves da d\u00e9cada de 1930, realizadas pelos trabalhadores do setor automotivo, com a rebeli\u00e3o contracultural dos anos 1960 e com as revoltas da Primavera \u00c1rabe contra governos autorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os protestos se propagaram para mais de 30 cidades importantes, de Los Angeles, na Calif\u00f3rnia, at\u00e9 Atlanta, na Ge\u00f3rgia. \u00c9 muito cedo para julgar se o Ocupar Wall Street ser\u00e1 lembrado como a fa\u00edsca que criou um movimento social para fazer retrocederem d\u00e9cadas de pol\u00edticas neoliberais de desregulamenta\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias e nos servi\u00e7os p\u00fablicos. \u00c9 ineg\u00e1vel que o protesto tocou uma fibra muito sens\u00edvel com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas que ficaram para tr\u00e1s durante a \u00faltima era dourada do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cIsso reflete uma indigna\u00e7\u00e3o generalizada pela economia funcionar somente para muitos poucos\u201d, disse Robert Borosage, codiretor do Campaign for America\u2019s Future, um centro progressista com sede em Washington. Essa revolta se reflete em duas das palavras de ordem dos manifestantes: \u201cOs bancos foram resgatados, n\u00f3s fomos vendidos\u201d e \u201cSomos 99%\u201d.Os manifestantes se mostram indignados pelo fato de o governo dar US$ 787 bilh\u00f5es aos principais bancos do pa\u00eds como ajuda ap\u00f3s a crise financeira de 2008, enquanto destinou uma ajuda \u00ednfima \u00e0s classes pobre e m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Os diplomados universit\u00e1rios est\u00e3o presos em d\u00edvidas de dezenas de milhares de d\u00f3lares a t\u00edtulo de empr\u00e9stimos estudantis, e s\u00e3o obrigados a voltar a viver com seus pais por n\u00e3o encontrarem emprego. Nos \u00faltimos anos, a desigualdade se aprofundou tanto nos Estados Unidos que \u00e9 comparada \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o que existiu h\u00e1 quase um s\u00e9culo, antes da Grande Depress\u00e3o. O 1% superior controla 33,8% da riqueza e 50,9% das a\u00e7\u00f5es, b\u00f4nus e fundos m\u00fatuos da na\u00e7\u00e3o, segundo o Institute for Policy Studies, com sede em Washington.<\/p>\n<p>Embora os tit\u00e3s de Wall Street tenham prosperado, a classe m\u00e9dia experimentou o que o economista Richard Freeman, da Universidade de Harvard, descreve como uma \u201cd\u00e9cada perdida\u201d no come\u00e7o do S\u00e9culo 21. A renda das fam\u00edlias da classe m\u00e9dia come\u00e7ou a ficar paralisada nos anos 1970, mas, na realidade, ca\u00edram, em m\u00e9dia, de US$ 53,2 em 2000 para US$ 49,4 no ano passado, segundo o Escrit\u00f3rio do Censo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Durante a primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, a gera\u00e7\u00e3o de empregos foi zero, a pior desde que come\u00e7aram os registros. Os trabalhadores jovens n\u00e3o encontram trabalho de longo prazo, pelo qual o empregador realiza as contribui\u00e7\u00f5es tradicionais e podem ganhar um sal\u00e1rio decente. A quantidade de desempregados (14 milh\u00f5es) \u00e9 praticamente a mesma existente durante a Grande Depress\u00e3o.<\/p>\n<p>O desemprego oficial \u00e9 de 9,1%, mas a quantidade de desempregados praticamente duplica quando s\u00e3o inclu\u00eddas pessoas que n\u00e3o buscam trabalho ativamente e trabalhadores de meio per\u00edodo que querem encontrar empregos em tempo integral. O desemprego m\u00e9dio dos adultos jovens com apenas um diploma de bacharel foi de 21,6% no ano passado. Para os universit\u00e1rios diplomados menores de 25 anos, a propor\u00e7\u00e3o foi de 9,6%.<\/p>\n<p>Na Liberty Plaza, Gillian Cipriano, de 23 anos, queixou-se por n\u00e3o encontrar emprego depois de se formar em enfermagem, h\u00e1 menos de um ano. As pol\u00edticas de austeridade do governo levam os hospitais p\u00fablicos e privados a cortarem servi\u00e7os e reduzirem as contrata\u00e7\u00f5es, disse Gillian, que vive com seus pais em Staten Island, um dos cinco distritos da cidade. Borosage afirmou que o Ocupar Wall Street reflete um contragolpe nacional que come\u00e7ou com a oposi\u00e7\u00e3o ao ataque do governador conservador Scott Walker contra os sindicatos em Wisconsin, onde os funcion\u00e1rios p\u00fablicos n\u00e3o t\u00eam respeitados seus direitos de negocia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o lan\u00e7a ra\u00edzes ali e em outros Estados onde governadores republicanos reduziram benef\u00edcios e prote\u00e7\u00f5es sindicais devido ao d\u00e9ficit que enfrentam. O Ocupar Wall Street ganhou um impulso importante quando v\u00e1rios sindicatos poderosos decidiram apoiar esse movimento. Dezenas de milhares de sindicalistas e outros simpatizantes fizeram uma manifesta\u00e7\u00e3o no dia 5 em Foley Square, perto de um tribunal federal no centro de Manhattan, e marcharam cerca de um quilometro e meio at\u00e9 a Liberty Plaza.<\/p>\n<p>Os manifestantes est\u00e3o na Liberty Plaza desde 17 de setembro. Deles, cem ou duzentos dormem ali e outras centenas est\u00e3o presentes durante o dia. Um grupo menor, inspirado em um chamado para realizar uma revolta por parte da revista canadense Adbuster, mudou-se para o local depois que a pol\u00edcia desalojou seus integrantes quando montaram barracas em Wall Street. No come\u00e7o, os meios de comunica\u00e7\u00e3o dominantes deram pouca aten\u00e7\u00e3o aos manifestantes, e inclusive os ridicularizaram. Por\u00e9m, os ativistas saltaram para primeiro plano nacional depois que a pol\u00edcia lan\u00e7ou g\u00e1s pimenta contra algumas jovens. A pris\u00e3o de 700 manifestantes no dia 1\u00ba na ponte do Brooklyn gerou maior interesse e deu nova for\u00e7a ao grupo.<\/p>\n<p>V\u00eddeos dos dois incidentes circularam no Youtube, servindo como ferramentas de organiza\u00e7\u00e3o para os manifestantes especialistas em tecnologia, que, como os ativistas dos levantes da Tun\u00edsia e do Egito, utilizaram seus telefones inteligentes para pedir apoio. Os manifestantes dizem n\u00e3o ter inten\u00e7\u00f5es de parar com o movimento, mesmo reconhecendo que o frio ou uma retirada pela pol\u00edcia possam acabar for\u00e7ando-os a abandonar o parque.<\/p>\n<p>No momento, em sua cidade improvisada, realizam duas assembleias gerais di\u00e1rias nas quais as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas por consenso, n\u00e3o por vota\u00e7\u00e3o. Criaram um conta na internet que permite aos partid\u00e1rios de todo o mundo fazer doa\u00e7\u00f5es e pagar pizzas em restaurantes pr\u00f3ximos. Um gerador el\u00e9trico alimenta os computadores port\u00e1teis no Centro de M\u00eddia. Uma biblioteca, uma \u00e1rea para dormir e outra para cuidados com a sa\u00fade. O grupo tamb\u00e9m publicou o The Occupied Wall Street Journal. \u201cBuscamos uma democracia melhor. O mais importante \u00e9 o modelo de nosso movimento, que \u00e9 participativo e inclusivo\u201d, afirmou Mark Bray, de 29 anos, que faz doutorado em hist\u00f3ria europeia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 13\/10\/2011 &ndash; O acampamento de jovens manifestantes desencantados no distrito financeiro nova-iorquino destaca a crescente indigna\u00e7\u00e3o que brota nos Estados Unidos em torno da desigualdade e da persistente crise trabalhista, dando lugar a compara\u00e7\u00f5es com fatos hist\u00f3ricos semelhantes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/economia\/estados-unidos-a-historia-se-repete\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":417,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,5,11],"tags":[14,30],"class_list":["post-8926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-america-do-norte","tag-analise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/417"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8926\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}