{"id":8937,"date":"2011-10-17T16:19:48","date_gmt":"2011-10-17T16:19:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8937"},"modified":"2011-10-17T16:19:48","modified_gmt":"2011-10-17T16:19:48","slug":"alimentacao-america-latina-entre-desafios-e-oportunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/america-latina\/alimentacao-america-latina-entre-desafios-e-oportunidades\/","title":{"rendered":"ALIMENTA\u00c7\u00c3O-AM\u00c9RICA LATINA: Entre desafios e oportunidades"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 17\/10\/2011 &ndash; Embora ameace agravar a fome e a pobreza, a presente crise alimentar, que \u2013 se estima \u2013 chegou para ficar v\u00e1rios anos, implica diversificar a agricultura, adapt\u00e1-la \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e aumentar a produtividade, afirma a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8937\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/38.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8937\" class=\"size-medium wp-image-8937\" title=\"A inova\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no M\u00e9xico. - Mauricio Ramos\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/38.jpg\" alt=\"A inova\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no M\u00e9xico. - Mauricio Ramos\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8937\" class=\"wp-caption-text\">A inova\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no M\u00e9xico. - Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>  O informe \u201cPanorama da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Altos Pre\u00e7os dos Alimentos: Oportunidades e Riscos\u201d, apresentado no dia 14 pela FAO, alerta que os valores de mercado dos alimentos j\u00e1 atingiram seu mais alto n\u00edvel hist\u00f3rico e mostram grande volatilidade.<\/p>\n<p>Esses dois fatores \u201ccolocam em risco os avan\u00e7os\u201d na luta contra a fome e a desnutri\u00e7\u00e3o infantil na regi\u00e3o, diz o documento, divulgado por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o, ontem, do Dia Internacional da Alimenta\u00e7\u00e3o, e, hoje, do Dia Internacional para a Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza. Para os pa\u00edses fortes produtores de alimentos, como Argentina, Brasil, M\u00e9xico e Uruguai, a conjuntura pode ampliar o valor de suas exporta\u00e7\u00f5es, enquanto os fornecedores de mat\u00e9ria-prima, como Bol\u00edvia, Chile e Peru, podem compensar as compras caras com os pre\u00e7os elevados de petr\u00f3leo, cobre ou ouro. Por\u00e9m, na\u00e7\u00f5es como as centro-americanas sofrem a carestia.<\/p>\n<p>Na Guatemala, onde metade de seus 14 milh\u00f5es de habitantes vive em condi\u00e7\u00f5es de pobreza e 17% na indig\u00eancia, segundo ag\u00eancias da ONU, a situa\u00e7\u00e3o alimentar ainda \u00e9 muito prec\u00e1ria. Rony Palacios, da n\u00e3o governamental Rede Nacional pela Defesa da Seguran\u00e7a e Soberania Alimentar na Guatemala, disse \u00e0 IPS que as medidas do governo para enfrentar a inseguran\u00e7a alimentar s\u00e3o \u201cineficazes e n\u00e3o respondem a problemas estruturais\u201d. Explicou que \u201cs\u00e3o assinados tratados comerciais que permitem a compra subvencionada de arroz, milho, trigo e outros produtos, de cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9ramos autossuficientes, enquanto agora dependemos de sua importa\u00e7\u00e3o, o que provoca uma perda de nossa soberania alimentar\u201d.<\/p>\n<p>A primeira onda de subida de pre\u00e7os ocorreu em 2008, com um forte impacto sobre os segmentos mais pobres da regi\u00e3o. A partir de junho de 2010, os pre\u00e7os voltaram a subir e, em agosto deste ano, o novo \u00edndice foi \u201c130% maior do que o registrado, na m\u00e9dia, entre 2000 e 2005\u201d, segundo a FAO. Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, a fome afetou no ano passado 52,5 milh\u00f5es de pessoas, equivalente a 9% de sua popula\u00e7\u00e3o total, 600 mil a menos do que em 2009. A redu\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0s pol\u00edticas implantadas pelos governos para abater o flagelo, que, no entanto, apresenta resultados d\u00edspares na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 reconhecido como vanguardista em seguran\u00e7a alimentar, gra\u00e7as ao programa Fome Zero, implantado pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e que tem continuidade com sua sucessora, Dilma Rousseff, com o nome de \u201cBrasil sem Mis\u00e9ria\u201d, voltado para a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel. \u201cOs progressos se devem a importantes estrat\u00e9gias p\u00fablicas que converteram esfor\u00e7os da sociedade em pol\u00edticas de Estado, n\u00e3o apenas de governos\u201d, afirmou \u00e0 IPS o diretor do n\u00e3o governamental Instituto Brasileiro de An\u00e1lises Sociais e Econ\u00f4micas (Ibase), Francisco Menezes. \u201cO Brasil partiu de um n\u00edvel muito preocupante, no qual prevalecia a fome\u201d h\u00e1 duas d\u00e9cadas, observou Menezes, que presidiu o Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar.<\/p>\n<p>Por sua vez, Dolores Rojas, coordenadora de Campanhas da Oxfam M\u00e9xico, afirmou que na regi\u00e3o \u201cse come\u00e7a a falar da necessidade de haver mudan\u00e7as nos produtos semeados. \u201cContudo, n\u00e3o existe um planejamento e, menos ainda, uma coordena\u00e7\u00e3o com os produtores\u201d, lamentou. Em 2010, o Congresso brasileiro mudou a Constitui\u00e7\u00e3o para declarar a alimenta\u00e7\u00e3o e a nutri\u00e7\u00e3o adequada um direito humano. O parlamento mexicano fez o mesmo em maio deste ano para garantir o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, mas essa mudan\u00e7a s\u00f3 entrou em vigor no dia 13 deste m\u00eas, ao ser publicado no Di\u00e1rio Oficial da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Guatemala, desde 2005, existe a lei de Sistema Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, que criou um conselho nacional e a respectiva secretaria, embora sem reforma constitucional e sem resultados percept\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o. \u201cTemos ferramentas legais de grande conte\u00fado, mas, lamentavelmente, permanecem como letra morta\u201d, disse Luis Monterroso, da unidade de direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o da Procuradoria de Direitos Humanos da Guatemala.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, a regi\u00e3o n\u00e3o apresenta problemas de disponibilidade de alimentos, cujas previs\u00f5es para este ano s\u00e3o, \u201cem geral, favor\u00e1veis, com exce\u00e7\u00e3o dos cereais que podem sofrer uma leve queda\u201d. O problema s\u00e3o os pre\u00e7os. As cota\u00e7\u00f5es dos alimentos ficaram 36% mais altas em agosto passado, comparadas com agosto de 2010. Em particular os pre\u00e7os do trigo e do milho aumentaram, respectivamente, 62% e 104%, s\u00f3 no \u00faltimo ano. Os altos valores dos alimentos, no entanto, representam uma oportunidade de melhor renda para a agricultura familiar, destacou a FAO.<\/p>\n<p>\u201cPara isso, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas que aumentem sua produtividade e melhorem suas condi\u00e7\u00f5es de inser\u00e7\u00e3o nos mercados, insumos e financiamento\u201d, prop\u00f4s esta ag\u00eancia da ONU. A agricultura familiar \u00e9 fonte da maior parte da ocupa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rurais brasileiros. No censo agropecu\u00e1rio de 2006, foi registrada a exist\u00eancia de 16,6 milh\u00f5es de trabalhadores rurais, que representam 18,9% da popula\u00e7\u00e3o ocupada no Brasil. Desse total, 84,4% trabalhava em pequenas propriedades de menos de 200 hectares.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, cerca de cinco milh\u00f5es de pessoas dependem dessa modalidade agr\u00edcola, com \u00e1rea m\u00e9dia de seis hectares e com equival\u00eancias a 39% da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria total e 70% dos postos de trabalho no setor, de acordo com a FAO. O governo do presidente Felipe Calder\u00f3n administra tr\u00eas programas de apoio agr\u00edcola, sem benef\u00edcios claros para os pequenos produtores. A agricultura familiar ganha muito import\u00e2ncia, segundo Monterroso, porque \u201cserve para o autoconsumo, principalmente de gr\u00e3os b\u00e1sicos como milho e feij\u00e3o, embora suas reservas durem apenas entre cinco e sete meses. Se o Estado desse apoio a estes camponeses, poderiam aumentar sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o, mas continua sendo apoiado o modelo de exporta\u00e7\u00e3o\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>A FAO sugeriu medidas como a gera\u00e7\u00e3o de mecanismos de governan\u00e7a mundial e regional da seguran\u00e7a alimentar e nutricional, a transforma\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e consumo, maior transpar\u00eancia nos mercados internacionais, dinamiza\u00e7\u00e3o dos mercados locais e adapta\u00e7\u00e3o do setor agropecu\u00e1rio \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cN\u00e3o \u00e9 prioridade a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica nem o apoio \u00e0 agricultura familiar. A aten\u00e7\u00e3o do governo est\u00e1 voltada para a agricultura em grande escala e para as importa\u00e7\u00f5es como pol\u00edtica, o que, com a crise, nos deixa em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade\u201d, disse Dolores Rojas.<\/p>\n<p>No Brasil, est\u00e3o pendentes \u201cnovas quest\u00f5es a serem trabalhadas, sendo as mais vis\u00edveis a contamina\u00e7\u00e3o de alimentos (o pa\u00eds \u00e9 o maior consumidor mundial de agrot\u00f3xicos) e a volatilidade dos pre\u00e7os, pelo fato de serem tratados como mercadorias, sujeitas \u00e0 especula\u00e7\u00e3o em bolsas de mercado futuro que t\u00eam grande impacto nos pre\u00e7os\u201d, segundo Menezes. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Colabora\u00e7\u00f5es de Danilo Valladares (Guatemala) e Mario Osava (Rio de Janeiro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 17\/10\/2011 &ndash; Embora ameace agravar a fome e a pobreza, a presente crise alimentar, que \u2013 se estima \u2013 chegou para ficar v\u00e1rios anos, implica diversificar a agricultura, adapt\u00e1-la \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e aumentar a produtividade, afirma a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/america-latina\/alimentacao-america-latina-entre-desafios-e-oportunidades\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-8937","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}