{"id":8950,"date":"2011-10-19T15:23:42","date_gmt":"2011-10-19T15:23:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8950"},"modified":"2011-10-19T15:23:42","modified_gmt":"2011-10-19T15:23:42","slug":"em-busca-de-cidades-humanizadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/economia\/em-busca-de-cidades-humanizadas\/","title":{"rendered":"Em busca de cidades humanizadas"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 19\/10\/2011 &ndash; Em maio deste ano, a jornalista brasileira Nat\u00e1lia Garcia decidiu passar um ano viajando por diferentes cidades do mundo em busca de ideias para humanizar o meio urbano.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8950\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/310.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8950\" class=\"size-medium wp-image-8950\" title=\"Jornalista brasileira Nat\u00e1lia Garcia, fundadora do Cidades para Pessoas. - Cortesia de Nat\u00e1lia Garcia\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/310.jpg\" alt=\"Jornalista brasileira Nat\u00e1lia Garcia, fundadora do Cidades para Pessoas. - Cortesia de Nat\u00e1lia Garcia\" width=\"200\" height=\"138\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8950\" class=\"wp-caption-text\">Jornalista brasileira Nat\u00e1lia Garcia, fundadora do Cidades para Pessoas. - Cortesia de Nat\u00e1lia Garcia<\/p><\/div>  Seu projeto, chamado Cidades para Pessoas, inclui 12 cidades que foram escolhidas pelo arquiteto Jan Gehl, respons\u00e1vel pela nova estrutura de Copenhague, tamb\u00e9m conhecida como a \u201ccidade das bicicletas\u201d.<\/p>\n<p>Nat\u00e1lia j\u00e1 esteve em Copenhague, Amsterd\u00e3, Londres, Paris e Lyon. Outras cidades inclu\u00eddas em seu projeto s\u00e3o Barcelona, Sidney, Melbourne, S\u00e3o Francisco, Nova York, Portland e M\u00e9xico. Da popula\u00e7\u00e3o mundial, 50% vivia em cidades em 2010, segundo o Banco Mundial. Por\u00e9m, em algumas regi\u00f5es essa propor\u00e7\u00e3o era muito maior, como na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, onde chega a 79%, e na Europa, a 74%. A crescente urbaniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada a maior tr\u00e2nsito e criminalidade.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para melhorar a qualidade de vida nas cidades \u00e9 \u201ccolocar as pessoas no centro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d, disse Nat\u00e1lia \u00e0 IPS na cidade francesa de Lyon. O pr\u00f3prio financiamento do programa foi um trabalho conjunto de um site da internet, um blog e um canal da rede social para compartilhar v\u00eddeos no Youtube. Nat\u00e1lia trabalhou com a Catarse, uma iniciativa de financiamento em massa que permite \u00e0s pessoas apresentarem um projeto e pedir recursos para realiz\u00e1-lo. Nat\u00e1lia conversou com a IPS sobre sua concep\u00e7\u00e3o de urbanismo e as possibilidades de humanizar as cidades da Am\u00e9rica Latina, muitas delas marcadas pela criminalidade e a falta de planejamento.<\/p>\n<p>IPS: Por que voc\u00ea criou o projeto Cidades para Pessoas?<\/p>\n<p>NAT\u00c1LIA GARCIA: Meu interesse come\u00e7ou por minha vida pessoal. Sou de S\u00e3o Paulo, onde comecei a dirigir aos 18 anos, mas, aos 24, cansada de ficar quatro horas por dia ao volante, comprei uma bicicleta. Minha rela\u00e7\u00e3o com a cidade mudou totalmente. Em 2008, comecei a pesquisar de forma informal sobre as cidades, o planejamento urbano e a mobilidade. Escrevi a respeito e participei de alguns projetos jornal\u00edsticos nos quais aprendi muito e conheci o trabalho do urbanista dinamarqu\u00eas Jan Gehl. Foi um dos primeiros a criar o conceito de \u201ccidades para pessoas\u201d. Entrei em contato com ele quando decidi viajar um ano inteiro pelo mundo, visitar 12 cidades e viver um m\u00eas em cada uma para buscar ideias de como melhor\u00e1-las para as pessoas. A viagem come\u00e7ou no dia 5 de maio em Copenhague. J\u00e1 estive em Amsterd\u00e3, Londres, Paris, Estrasburgo, Freiburgo e Lyon.<\/p>\n<p>IPS: Acredita que \u00e9 poss\u00edvel melhorar a qualidade de vida nas cidades da Am\u00e9rica Latina?<\/p>\n<p>NG: Estou certa, as cidades latino-americanas t\u00eam certas caracter\u00edsticas particulares. Em grande parte, se desenvolveram depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando os autom\u00f3veis eram produzidos em grande escala em todo o mundo e eram considerados um s\u00edmbolo de status. As cidades foram feitas para os autom\u00f3veis, os servi\u00e7os de transporte p\u00fablico de m\u00e1 qualidade e um crescimento desorganizado que gerou bairros onde as pessoas carecem de infraestrutura b\u00e1sica. A viol\u00eancia e a criminalidade s\u00e3o consequ\u00eancia do mau planejamento. S\u00e3o fen\u00f4menos vinculados \u00e0 falta de igualdade de oportunidades. O primeiro passo para mudar a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 colocar as pessoas no centro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O principal objetivo do governo \u00e9 fazer das cidades um lugar melhor para viver. Bogot\u00e1 \u00e9 uma prova de que \u00e9 poss\u00edvel mudar em pouco tempo. Em 15 anos, esta cidade foi dotada de um sistema de transporte p\u00fablico que chega a todos os bairros, ciclovias, pra\u00e7as revitalizadas, parques e \u00e1reas abertas. Uma cidade onde as pessoas n\u00e3o interagem e vivem juntas \u00e9 uma cidade de inimigos.<\/p>\n<p>IPS: Visitar\u00e1 apenas uma cidade da Am\u00e9rica Latina, M\u00e9xico, por que?<\/p>\n<p>NG: Nas cidades europeias, procurei compreender os conceitos cl\u00e1ssicos de urbanismo porque podem ser ferramentas importantes para a Am\u00e9rica Latina. Al\u00e9m disso, a informalidade e o papel central dos autom\u00f3veis tornam mais complexos os problemas de nosso continente. Contudo, algumas das solu\u00e7\u00f5es europeias s\u00e3o perfeitamente aplic\u00e1veis. A agricultura urbana \u00e9 uma ferramenta para regular o crescimento das cidades com \u201ccintur\u00f5es verdes\u201d, descentraliza\u00e7\u00e3o para melhorar o trabalho das autoridades locais, participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em decis\u00f5es pol\u00edticas e de movimentos civis de interven\u00e7\u00e3o. Creio que os conceitos aprendidos com o projeto podem ser aplicados em cidades brasileiras e, em geral, latino-americanas, se forem adaptados \u00e0 nossa realidade.<\/p>\n<p>IPS: Os maiores problemas das grandes cidades brasileiras s\u00e3o o tr\u00e2nsito e a polui\u00e7\u00e3o. Acredita que \u00e9 poss\u00edvel promover o uso de bicicletas como em Copenhague?<\/p>\n<p>NG: Creio que sim, mas \u00e9 preciso considerar que muitas cidades brasileiras t\u00eam uma escala diferente. S\u00e3o Paulo, por exemplo, tem mais habitantes do que a Dinamarca. A chave para promover o uso de bicicletas ali \u00e9 integr\u00e1-las ao transporte p\u00fablico. S\u00e3o necess\u00e1rios estacionamentos para elas perto das esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4, bem como \u00f4nibus.<\/p>\n<p>IPS: O Cidades para Pessoas tamb\u00e9m \u00e9 um blog e um canal do Youtube, onde se mostra o que voc\u00ea faz nas cidades visitadas. O que far\u00e1 com todo o material quando terminar a viagem?<\/p>\n<p>NG: Tenho muitos planos. Apresentar o trabalho \u00e0s autoridades brasileiras \u00e9 um deles. Publicar informes sobre como aplicar as ideias em S\u00e3o Paulo \u00e9 outro. Tamb\u00e9m tenho iniciativas que gostaria de promover entre os cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>IPS: J\u00e1 visitou Copenhague, Amsterd\u00e3, Londres e Paris, entre outras. Qual a surpreendeu mais e por que?<\/p>\n<p>NG: Creio que Copenhague, porque limpam seus canais e as pessoas podem se banhar. Esse enfoque em particular vinculado \u00e0 \u00e1gua est\u00e1 muito distante da realidade das cidades brasileiras. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 19\/10\/2011 &ndash; Em maio deste ano, a jornalista brasileira Nat\u00e1lia Garcia decidiu passar um ano viajando por diferentes cidades do mundo em busca de ideias para humanizar o meio urbano. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/economia\/em-busca-de-cidades-humanizadas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":476,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[14],"class_list":["post-8950","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/476"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8950\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}