{"id":8968,"date":"2011-10-24T13:34:55","date_gmt":"2011-10-24T13:34:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8968"},"modified":"2011-10-24T13:34:55","modified_gmt":"2011-10-24T13:34:55","slug":"libia-havera-paz-depois-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/africa\/libia-havera-paz-depois-da-guerra\/","title":{"rendered":"L\u00cdBIA: Haver\u00e1 paz depois da guerra?"},"content":{"rendered":"<p>Lund, Su\u00e9cia, 24\/10\/2011 &ndash; \u00c9 v\u00e1lido supor que as pessoas, em geral, n\u00e3o gostam nem querem a guerra, preferindo a paz. <!--more--> H\u00e1 destacados pr\u00eamios da paz e pacifistas como Mahatma Gandhi, Luther King, Dalai Lama e Nelson Mandela, venerados por todo o mundo. N\u00e3o ocorre o mesmo com os que bombardeiam, matam e violam. Portanto, aqueles que querem legitimar as guerras apresentam motivos nobres, como o desejo de manter ou criar a paz.<\/p>\n<p>No caso da L\u00edbia surpreende que t\u00e3o poucos tenham protestado em compara\u00e7\u00e3o, por exemplo, com os que reprovaram a guerra no Iraque. Desde a direita at\u00e9 a esquerda, desde os movimentos pelos direitos humanos a muit\u00edssimos intelectuais, aprovou-se \u2013 em alguns casos com certo vacilo \u2013 a interven\u00e7\u00e3o armada da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), principalmente com o argumento de que havia pouco tempo para impedir um genoc\u00eddio de dezenas de milhares de pessoas. Custa crer que todos eles amem a guerra. N\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Assim \u00e9. Portanto, presume-se que eles aceitem a guerra mais ou menos enfadados porque n\u00e3o veem alternativas. Contudo, se todos n\u00f3s pens\u00e1ssemos em alternativas, provavelmente haveria menos guerras. O verdadeiro desafio consiste em responder a estas perguntas: se a guerra \u00e9 inaceit\u00e1vel, o que podemos fazer para manejar os conflitos? Que tipo de ferramenta pode-se usar em lugar da viol\u00eancia?<\/p>\n<p>\u00c9 importante ter ao menos alguns conhecimentos b\u00e1sicos sobre as partes envolvidas e n\u00f3s mesmos como participantes nos conflitos. Esclare\u00e7amos, por exemplo, que o Ocidente n\u00e3o \u00e9 um generoso mediador, mas um hist\u00f3rico participante em virtualmente todos os confrontos militares. No caso da L\u00edbia precisamos saber muito mais sobre a hist\u00f3ria, a estrutura social, a cultura pol\u00edtica, o desenvolvimento moderno, o pensamento dos bedu\u00ednos e as tradi\u00e7\u00f5es locais em mat\u00e9ria de paz, conflitos e economia, simplesmente para saber qual seria a prov\u00e1vel rea\u00e7\u00e3o do povo e de seu l\u00edder diante do que n\u00f3s fazemos.<\/p>\n<p>Concentrar-se apenas em Gadafi (como fazem os meios de comunica\u00e7\u00e3o) e apontar uma s\u00f3 pessoa como a causa b\u00e1sica de todo o problema (como fazem os pol\u00edticos) \u00e9 uma mostra de perigosa ignor\u00e2ncia sobre as complexidades de qualquer conflito em qualquer parte do mundo. Assim como de modo algum est\u00e1 tudo bem no Iraque porque Saddam Hussein est\u00e1 morto, tampouco ser\u00e3o resolvidos todos os problemas na L\u00edbia com o desaparecimento de Gadafi. Acreditar que em um pa\u00eds em conflito tudo se resolver\u00e1 com a entrada ou sa\u00edda de um homem \u00e9 simplesmente uma receita para pol\u00edticas desatinadas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio ampliar o espa\u00e7o do conflito. N\u00e3o pensemos que este caso diz respeito apenas \u00e0 L\u00edbia. Tem a ver com todo o mundo, com os futuros trope\u00e7os do Ocidente com os pa\u00edses Bric (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China). Tamb\u00e9m est\u00e1 vinculado ao futuro controle do petr\u00f3leo, em particular na \u00c1frica. Trata-se, ent\u00e3o, de Europa, \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>E n\u00e3o vamos acreditar que o problema l\u00edbio \u00e9 de fevereiro deste ano. Come\u00e7ou muito antes. Por exemplo, em 1911 foi ocupada pela It\u00e1lia, que a dividiu em Cirenaica oriental e Tripolitana ocidental, algo semelhante ao que est\u00e1 ocorrendo agora. Deve-se estudar a luta dos l\u00edbios pela independ\u00eancia e a morte de dezenas de milhares deles em m\u00e3os dos italianos, em combates ou em campos de concentra\u00e7\u00e3o. E deve-se recordar a ocupa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica entre 1943 e 1951, a independ\u00eancia sob o rei Idris entre 1951 e 1969, e a revolu\u00e7\u00e3o de Gadafi (1969-2011), que criou um pa\u00eds diferente de todos os demais. Todos s\u00e3o antecedentes que n\u00e3o podemos ignorar.<\/p>\n<p>O sistema global investe bilh\u00f5es e bilh\u00f5es em ferramentas militares mas carece do mais b\u00e1sico quando se trata de manejar conflitos civis: inculcar educa\u00e7\u00e3o para a paz, criar academias para o estudo da resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica dos conflitos e centros de pesquisa sobre as dimens\u00f5es humanas dos conflitos internacionais.<\/p>\n<p>Francamente, esta total desigualdade entre nossos investimentos militares e nossos investimentos humanit\u00e1rios \u00e9 decepcionante quanto ao alcance da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atitude atual da \u201ccomunidade\u201d internacional \u00e9, lamentavelmente, inadequada em quest\u00f5es de normas, de mecanismos de tomada de decis\u00f5es, de formas de governo, de organiza\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o e de manejo dos conflitos civis.<\/p>\n<p>E est\u00e1 totalmente desequilibrado. Quando ocorre um conflito, temos muito do que menos precisamos e pouco, ou nada, do que faz falta para podermos considerar que somos civilizados.<\/p>\n<p>A onipot\u00eancia \u00e9 um mal navegante e a guerra \u00e9 uma maneira que j\u00e1 saiu de moda para lidar com os problemas da humanidade. O profissionalismo no manejo dos conflitos e na cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da paz \u00e9 o modelo emergente. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Jan Oberg, diretor e cofundador da Transnational Foundation (FTT), com sede em Lund, na Su\u00ed\u00e7a, \u00e9 pesquisador em conflitos e temas da paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lund, Su\u00e9cia, 24\/10\/2011 &ndash; \u00c9 v\u00e1lido supor que as pessoas, em geral, n\u00e3o gostam nem querem a guerra, preferindo a paz. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/10\/africa\/libia-havera-paz-depois-da-guerra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":344,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,13,11],"tags":[16],"class_list":["post-8968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-colunistas","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/344"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8968\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}