{"id":899,"date":"2005-08-15T00:00:00","date_gmt":"2005-08-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=899"},"modified":"2005-08-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-15T00:00:00","slug":"israel-ltimos-dias-em-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/politica\/israel-ltimos-dias-em-gaza\/","title":{"rendered":"Israel: &Uacute;ltimos dias em Gaza"},"content":{"rendered":"<p>Gush Katuf,  Palestina, 15\/08\/2005 &ndash; Socrate Soussan tem a pele bem bronzeada, uma pistola na cintura e toda apar&ecirc;ncia de um colono ortodoxo judeu em Gaza. Contudo, n&atilde;o fala como um deles. No jardim de sua casa, no assentamento de Rafiah Yam, no sul de Faixa de Gaza, explica porque concorda com a decis&atilde;o do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de retirar suas tropas e desalojar todos os colonos judeus da regi&atilde;o. A Faixa de Gaza &eacute; parte dos territ&oacute;rios &aacute;rabes ocupados desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Uma retirada total israelense seria um marco importante na luta palestina por um Estado pr&oacute;prio. Paradoxalmente, foi o pr&oacute;prio Sharon o principal incentivador da maioria dos assentamentos judeus em territ&oacute;rio &aacute;rabe, quando dirigia o Minist&eacute;rio da Agricultura nos anos 70, no governo de Menahem Begin, e os da Habita&ccedil;&atilde;o e Infra-Estrutura na d&eacute;cada passada, na administra&ccedil;&atilde;o do primeiro-ministro Isaac Shamir. <br \/> <!--more--> <br \/> O chamado &quot;plano de desvincula&ccedil;&atilde;o&quot;, atualmente em implementa&ccedil;&atilde;o, anunciado por Sharon no contexto de uma aproxima&ccedil;&atilde;o com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, provocou oposi&ccedil;&atilde;o dentro do pr&oacute;prio governante partido israelense, Likud, e, sobretudo, em grupos ortodoxos, para os quais os territ&oacute;rios palestinos s&atilde;o parte da Israel b&iacute;blica. Os colonos judeus realizaram uma s&eacute;rie de manifesta&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rios locais de Gaza nos &uacute;ltimos dias, em protesto &agrave; decis&atilde;o de Sharon. &Eacute; a primeira vez que um governo israelense decide desmantelar assentamentos judeus em territ&oacute;rios que os palestinos reclamam com seu futuro Estado. Segundo o plano, a retirada dos colonos deve come&ccedil;ar nesta segunda-feira e terminar na quarta-feira. <\/p>\n<p> Soussan n&atilde;o quer que Israel seja respons&aacute;vel pelo futuro dos palestinos. &quot;N&atilde;o podemos governar mais de um milh&atilde;o de palestinos&quot;, afirma este colono, que tem restri&ccedil;&otilde;es morais com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; perman&ecirc;ncia em Gaza e reconhece que as a&ccedil;&otilde;es militares israelenses contra a popula&ccedil;&atilde;o local podem derivar em um genoc&iacute;dio. Entretanto, este judeu nascido na Fran&ccedil;a h&aacute; 49 anos, que chegou a Rafiah Yam com sua esposa Brigitte em 1989, lamenta ter de abandonar seu &quot;para&iacute;so&quot;. Tem uma casa com vista para o Mediterr&acirc;neo, mas sem acesso &agrave; praia pois &eacute; uma zona militar fechada, de onde pode ver a localidade de Rafah, da qual v&ecirc;m palestinos trabalhar em suas duas estufas, e muitas vezes tamb&eacute;m chegam atacantes. <\/p>\n<p> Ele tamb&eacute;m avista a fronteira com o Egito, de onde sabe que combatentes palestinos contrabandeiam armas atrav&eacute;s de t&uacute;neis. &quot;N&atilde;o &eacute; muito seguro aqui. Consideramos nos mudar h&aacute; uns dois anos, desde a &uacute;ltima intifada&quot;, termo &aacute;rabe que significa a insurrei&ccedil;&atilde;o popular palestina contra a ocupa&ccedil;&atilde;o. Entretanto, como muitos outros colonos, afirma que a vida em Rafiah Yam pode ser melhor do que em Tel-Aviv ou Jerusal&eacute;m, j&aacute; que s&atilde;o eles mesmos que governam sua pr&oacute;pria comunidade. Soussam vive com medo. H&aacute; pouco tempo esteve a ponto de atirar contra um de seus empregados palestinos que desobedeceu sua ordem de parar. Entretanto, o trabalhador simplesmente havia entendido mal suas instru&ccedil;&otilde;es. &quot;&Eacute; que nunca se sabe se eles v&ecirc;m cravar uma faca em suas costas&quot;, se justificou o colono, lembrando que tr&ecirc;s vizinhos foram assassinados por palestinos.<\/p>\n<p> Cerca de oito mil israelenses moram em 21 assentamentos em Gaza, cheios de espa&ccedil;os verdes e modernas casas, cercados por 1,3 milh&atilde;o de palestinos, a maioria vivendo na pobreza e com pouco acesso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos, como &aacute;gua. Estas col&ocirc;nias s&atilde;o protegidas pelo ex&eacute;rcito israelense, mas os colonos, em geral, confiam mais em seus pr&oacute;prios mecanismos de seguran&ccedil;a, pois desconfiam dos soldados, a quem chamam de &quot;idiotas&quot; e &quot;palha&ccedil;os&quot;. S&atilde;o esses mesmos soldados que agora obrigar&atilde;o a sair pela for&ccedil;a quem desobedecer a ordem de se mudar. Em geral, os moradores dos assentamentos jujdeus rejeitam toda interfer&ecirc;ncia das autoridades israelenses. Muitos criticam o plano de Sharon, sobretudo pelas alternativas de localiza&ccedil;&atilde;o e trabalho que oferece.<\/p>\n<p> Alguns, como Soussan, aceitaram uma oferta de transfer&ecirc;ncia para a reserva natural de Nitzanim, a 45 minutos de carro ao norte da Faixa de Gaza e a cerca de 30 minutos de Tel-Aviv. Por&eacute;m, outros n&atilde;o est&atilde;o nada contentes: hoje t&ecirc;m casas com mais de 200 metros quadrados em Gaza e ter&atilde;o de se conformar com outras de &aacute;rea entre 60 e 90 metros quadrados em algum lugar de Israel. Soussan j&aacute; est&aacute; embalando suas coisas e se preparando para partir. Vendeu parte de seus m&oacute;veis aos empregados palestinos. Sua mulher est&aacute; contente com a mudan&ccedil;a. Ela cresceu em meio &agrave; viol&ecirc;ncia e agora vive preocupada pela seguran&ccedil;a de seus dois filhos g&ecirc;meos, de dez anos, Dan e Ron. &quot;Nasceram aqui e ser&aacute; muito dif&iacute;cil para eles&quot;, admite Brigitte, que mesmo assim se mostra decidida a partir. <\/p>\n<p> Soussan, que chegou a Rafiah Yam com pouco mais de 16 anos, receber&aacute; das autoridades aproximadamente US$ 500 mil de indeniza&ccedil;&atilde;o por mudar-se. Al&eacute;m disso, o Banco Mundial comprar&aacute; suas estufas. O que parece lamentar mais &eacute; a perda de seu pequeno neg&oacute;cio de pesca no Mediterr&acirc;neo.<\/p>\n<p> Entretanto, muitos colonos n&atilde;o querem partir, como Samuel e Bryna Hilberg. O casal veio dos Estados Unidos para Israel no final dos anos 70 e vive na pequena cooperativa agr&iacute;cola de Netzer Hassanim, em Gush Katif. Seu filho Yochanan entrou para o ex&eacute;rcito e morreu em a&ccedil;&atilde;o no sul do L&iacute;bano, em 1997. Eles s&oacute; foram para Gaza porque a terra era mais barata e contavam com subs&iacute;dios do governo para produzir, e n&atilde;o por convic&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica ou religiosa, como a maioria dos demais colonos. &quot;No entanto, com os anos, nos tornamos mais ideol&oacute;gicos. Criamos ra&iacute;zes neste lugar. Nosso filho est&aacute; enterrado aqui&quot;, afirmou Bryna, explicando que n&atilde;o entrar&aacute; em atrito com os soldados israelenses, mas tampouco partir&aacute; voluntariamente. &quot;Ter&atilde;o de nos carregar para nos tirar de nossa casa&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gush Katuf,  Palestina, 15\/08\/2005 &ndash; Socrate Soussan tem a pele bem bronzeada, uma pistola na cintura e toda apar&ecirc;ncia de um colono ortodoxo judeu em Gaza. Contudo, n&atilde;o fala como um deles. No jardim de sua casa, no assentamento de Rafiah Yam, no sul de Faixa de Gaza, explica porque concorda com a decis&atilde;o do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de retirar suas tropas e desalojar todos os colonos judeus da regi&atilde;o. A Faixa de Gaza &eacute; parte dos territ&oacute;rios &aacute;rabes ocupados desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Uma retirada total israelense seria um marco importante na luta palestina por um Estado pr&oacute;prio. Paradoxalmente, foi o pr&oacute;prio Sharon o principal incentivador da maioria dos assentamentos judeus em territ&oacute;rio &aacute;rabe, quando dirigia o Minist&eacute;rio da Agricultura nos anos 70, no governo de Menahem Begin, e os da Habita&ccedil;&atilde;o e Infra-Estrutura na d&eacute;cada passada, na administra&ccedil;&atilde;o do primeiro-ministro Isaac Shamir. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/politica\/israel-ltimos-dias-em-gaza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1831,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1831"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}