{"id":90,"date":"2005-01-21T00:00:00","date_gmt":"2005-01-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=90"},"modified":"2005-01-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-21T00:00:00","slug":"desenvolvimento-o-frum-social-mundial-um-smbolo-de-esperana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desenvolvimento-o-frum-social-mundial-um-smbolo-de-esperana\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: O F&oacute;rum Social Mundial, um s&iacute;mbolo de esperan&ccedil;a"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/01\/2005 &ndash; Considero que o F&oacute;rum Social Mundial &eacute; um celeiro de alternativas. Por&eacute;m, importa mais observar o processo no qual geramos essas alternativas, por meio da compara&ccedil;&atilde;o e da discuss&atilde;o, do que as alternativas em si mesmas. O FSM &eacute; uma pra&ccedil;a p&uacute;blica, um espa&ccedil;o aberto para o encontro de cidad&atilde;os em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade, um lugar de informa&ccedil;&atilde;o e debate, de alegria e paix&atilde;o, um contexto original de inven&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica da democracia. Basta participar do F&oacute;rum para sentir que sua energia conecta as pessoas mais diversas, carregando baterias de esperan&ccedil;a. O FSM permite a renova&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias e fortalece a vontade coletiva, com colorido e vibra&ccedil;&atilde;o leva a cada um e a cada uma a acreditar em sua pr&oacute;pria capacidade, nos faz valorizar nossas experi&ecirc;ncias e conhecimentos.<br \/> <!--more--> Pelo que digo e escrevo &eacute; evidente que considero o FSM uma experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica e intelectual renovadora, capaz de inspirar sonhos e vontades diante da grave crise produzida pelo capitalismo globalizado. &Eacute; que o FSM tem a possibilidade de inovar as pr&aacute;ticas e os modos de pensar, contribuindo na forma&ccedil;&atilde;o de uma nova cultura pol&iacute;tica de transforma&ccedil;&atilde;o social radicalmente democr&aacute;tica, com propostas efetivas para construir outros mundos. Mas, isto n&atilde;o me impede de conhecer os monumentais desafios que temos pela frente para, respons&aacute;vel e conseq&uuml;entemente, induzir o F&oacute;rum a fermentar as id&eacute;ias e os processos que cont&eacute;m.<br \/> A globaliza&ccedil;&atilde;o dominante imp&otilde;e padr&otilde;es homog&ecirc;neos de vida e cultura, destr&oacute;i, exclui, concentra. Respondemos com a afirma&ccedil;&atilde;o da igualdade na diversidade, o direito de inclus&atilde;o de todos e de todas, que todos os direitos humanos s&atilde;o para todos os seres humanos, com o respeito ao patrim&ocirc;nio comum da vida, o planeta Terra. A reuni&atilde;o do FSM no ano passado na &Iacute;ndia nos deu universalidade, mas, o universo &eacute; muito maior e mais diverso. Iremos &agrave; &Aacute;frica em 2007, isso &eacute; fundamental. Mas, como ficam as outras regi&otilde;es e culturas? O que dizer da Europa Ocidental, da &Aacute;sia profunda, do Caribe, da Am&eacute;rica Central e do Mundo &Aacute;rabe?<br \/> Reafirmo aqui o que mostram os dados sobre nosso perfil: somos leg&iacute;timos ativistas da emergente cidadania planet&aacute;ria, mas, somos sua elite. Os representantes dos setores populares s&atilde;o uma minoria em nossas reuni&otilde;es. Como encarar este desafio com a necess&aacute;ria urg&ecirc;ncia? Devemos ser capazes de mobilizar al&eacute;m das barreiras geogr&aacute;ficas, sociais e culturais. Devemos desenvolver modos de inclus&atilde;o ativa dos invis&iacute;veis no interior de nossos povos, pois eles carecem de organiza&ccedil;&atilde;o e recursos para participar. Temos de reconhecer como ainda estamos longe de expressar a diversidade da sociedade civil mundial e de seus integrantes.<br \/> O FSM inova ao sustentar a primazia da pol&iacute;tica na vida humana e n&atilde;o a dos mercados. P&oacute; isso o F&oacute;rum &eacute; um processo e um espa&ccedil;o de inova&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que estimula os diferentes sujeitos sociais a participar e impor sua vontade sobre o poder estatal, as institui&ccedil;&otilde;es multilaterais, as corpora&ccedil;&otilde;es e os mercados. Ao mesmo tempo o FSM precisa se alimentar mais e mais da for&ccedil;a de seus participantes, tirando partido da diversidade e da pluralidade que consegue congregar. Isto significa ir al&eacute;m do radical mas passivo respeito das atividades autogestionadas, com ainda estamos fazendo no FSM 2005. implica radicalizar a democracia interna para que o diferente seja transformado em diverso, a simples justaposi&ccedil;&atilde;o, a repeti&ccedil;&atilde;o e a confus&atilde;o de m&uacute;ltiplas atividades &#8211; mais de 2.500 &#8211; em reconhecimento de todos e de todas. <br \/> Temos de agir democr&aacute;tica e ativamente, com respeito ao conjunto das pessoas, buscando construir a verdadeira diversidade, superando &quot;dom&iacute;nios&quot;, guetos e protagonismos, de maneira que as vis&otilde;es e as an&aacute;lises plurais alcancem consensos poss&iacute;veis e din&acirc;micos pr&oacute;prios da democracia, que obrigam a novas buscas conjuntas. Ao FSM n&atilde;o compete a defini&ccedil;&atilde;o de um projeto e de uma estrat&eacute;gia a ser seguida por todos. Nisto todos estamos de acordo. O f&oacute;rum s&oacute; pode ser um espa&ccedil;o aberto de pensamento estrat&eacute;gico e voltado &agrave; a&ccedil;&atilde;o transformadora, que deixa a cada pessoa a decis&atilde;o sobre o que fazer, como e com quem, segundo suas possibilidades, condi&ccedil;&otilde;es e desejos.<br \/> Por outro lado, nos falta um pouco de ousadia. Despertamos uma enorme esperan&ccedil;a no mundo. O FSM &eacute; hoje um s&iacute;mbolo de esperan&ccedil;a. N&atilde;o quebremos o encanto, a utopia. Isto tamb&eacute;m &eacute; pol&iacute;tica. Assumimos o desafio de refazer o mundo em n&iacute;vel humano, para todos os seres humanos. Devemos contribuir para a gesta&ccedil;&atilde;o de novas agendas. E n&atilde;o devemos permitir que guerreiros e terroristas, operadores de mercado e donos de corpora&ccedil;&otilde;es, com seus fundamentalismos, ditem as prioridades da humanidade.<br \/> Temos que propor alternativas. As solu&ccedil;&otilde;es que iremos encontrando ser&atilde;o, necessariamente, provis&oacute;rias, tempor&aacute;rias e localizadas. Mas, sejamos suficientemente ousados para que sejam as solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis em cada lugar. Necessitamos de uma agenda que inclua, aqui e agora, o mundo e a humanidade, no maior respeito, mas sem medo de arriscar e sem pretender impor nada. A constru&ccedil;&atilde;o corretiva sem modelos ou solu&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas implica o radical respeito pelo incompleto, diverso e plural, mas, tamb&eacute;m, uma busca constante.<\/p>\n<p> (*) C&acirc;ndido Grzybowski, soci&oacute;logo, diretor do Ibase e membro do secretariado internacional do FSM.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/01\/2005 &ndash; Considero que o F&oacute;rum Social Mundial &eacute; um celeiro de alternativas. Por&eacute;m, importa mais observar o processo no qual geramos essas alternativas, por meio da compara&ccedil;&atilde;o e da discuss&atilde;o, do que as alternativas em si mesmas. O FSM &eacute; uma pra&ccedil;a p&uacute;blica, um espa&ccedil;o aberto para o encontro de cidad&atilde;os em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade, um lugar de informa&ccedil;&atilde;o e debate, de alegria e paix&atilde;o, um contexto original de inven&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica da democracia. Basta participar do F&oacute;rum para sentir que sua energia conecta as pessoas mais diversas, carregando baterias de esperan&ccedil;a. O FSM permite a renova&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias e fortalece a vontade coletiva, com colorido e vibra&ccedil;&atilde;o leva a cada um e a cada uma a acreditar em sua pr&oacute;pria capacidade, nos faz valorizar nossas experi&ecirc;ncias e conhecimentos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desenvolvimento-o-frum-social-mundial-um-smbolo-de-esperana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-90","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}