{"id":905,"date":"2005-08-17T00:00:00","date_gmt":"2005-08-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=905"},"modified":"2005-08-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-17T00:00:00","slug":"imprensa-ameaa-presidencial-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/imprensa-ameaa-presidencial-em-uganda\/","title":{"rendered":"Imprensa: Amea&ccedil;a presidencial em Uganda"},"content":{"rendered":"<p>Kampala, 17\/08\/2005 &ndash; Cresce a preocupa&ccedil;&atilde;o com o futuro da liberdade de imprensa em Uganda, depois que o presidente Yoweri Museveni amea&ccedil;ou fechar v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os de imprensa que, afirmou, comprometem a seguran&ccedil;a do pa&iacute;s. Ao participar, no dia 10, do funeral do vice-presidente sudan&ecirc;s John Garang, morto junto com sete ugandenses em um acidente a&eacute;reo no dia 31 de julho, Museveni expressou descontentamento pela forma como a imprensa de seu pa&iacute;s informou sobre a trag&eacute;dia. O jornal The Red Pepper, de Kampala, publicou um artigo dizendo que Garang, l&iacute;der do Movimento Popular para Libera&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o (SPLM), foi v&iacute;tima de dois disparos na cabe&ccedil;a antes de acontecer o acidente, uma vers&atilde;o recha&ccedil;ada pelo governo sudan&ecirc;s.<br \/> <!--more--> <br \/> A informa&ccedil;&atilde;o do jornal desatou especula&ccedil;&otilde;es em Cartum, sobre a participa&ccedil;&atilde;o do regime isl&acirc;mico na morte de Garang, um ex-guerrilheiro que chegou &agrave; vice-presid&ecirc;ncia gra&ccedil;as a um acordo de paz que p&ocirc;s fim, em janeiro, a mais de 20 anos de guerra civil. O Ex&eacute;rcito Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o, bra&ccedil;o armado do SPLM, luta pela autonomia do sul sudan&ecirc;s, onde a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; majoritariamente negra e crist&atilde; ou animista. A popula&ccedil;&atilde;o do norte, em sua maioria &aacute;rabe e mu&ccedil;ulmana, controla o governo central e tentou, em 1983, aplicar no pa&iacute;s a lei isl&acirc;mica, o que desencadeou o conflito. Desde ent&atilde;o, essa guerra &#8211; a mais antiga da &Aacute;frica &#8211; causou a morte de mais de dois milh&otilde;es de pessoas, a maioria civis e, em grande parte, pela fome provocada pela guerra, bem como outros quatro milh&otilde;es de refugiados internos. <\/p>\n<p> O governo do Sud&atilde;o recha&ccedil;ou as acusa&ccedil;&otilde;es pela morte de Garang, e garantiu que nem mesmo estava sabendo da viagem do vice-presidente, que estava em um helic&oacute;ptero de Uganda. Entretanto, a vers&atilde;o de que havia sido assassinado contribuiu para desatar uma onda de viol&ecirc;ncia nas ruas de Cartum. Musevini anunciou que ordenaria o fechamento do The Rede Pepper, bem como do The Weekly Observer e do Daily Monitor. &quot;Sou o l&iacute;der eleito de Uganda, portanto tenho a &uacute;ltima palavra para dirigir seus assuntos&quot;, afirmou o chefe de Estado, dutante o funeral de Garang, realizado em Kampala. <\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o vou mais tolerar um jornal que &eacute; como um abutre, que se alegra com a mis&eacute;ria de muitos. Simplesmente, o fecharei. Ponto final. Estes jornais ter&atilde;o de se enquadrar ou nos os enquadraremos&quot;, afirmou. Pouco depois, a emissora de r&aacute;dio K-FM, subsidi&aacute;ria do Daily Monitor, foi fechada pelo Conselho de Radiodifus&atilde;o, depois de ter levado ao ar um programa em que foram consideradas as poss&iacute;veis causas do acidente a&eacute;reo. Seu apresentador, Andrew Mwenda, foi detido e acusado de sedi&ccedil;&atilde;o, sendo libertado sob fian&ccedil;a.<\/p>\n<p> No programa, Mwenda, tamb&eacute;m editor de pol&iacute;tica do Daily Monitor, responsabilizou o governo de Uganda pela morte de Garang, por ter lhe oferecido um &quot;helic&oacute;ptero de lata&quot; para seu retorno ao Sud&atilde;o. O jornalista tamb&eacute;m criticou as amea&ccedil;as de Museveni contra a imprensa. O Conselho de Radiodifus&atilde;o, que regulamenta as concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o em Uganda, disse que a emissora violou v&aacute;rios artigos da Lei de Meios Eletr&ocirc;nicos com o programa de Mwenda. Defensores dos direitos humanos, &oacute;rg&atilde;os de imprensa e l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o condenaram a atitude do governo.<\/p>\n<p> &quot;As amea&ccedil;as do presidente e de outros l&iacute;deres pol&iacute;ticos contra a imprensa s&atilde;o preocupantes e parecem anunciar momentos problem&aacute;ticos para a democracia&quot;, afirmou a presidente do Instituto Nacional de Jornalistas de Uganda, Linda Nabusayi Wamboka. &quot;Esta atitude, no momento em que o pa&iacute;s atravessa uma transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para a democracia, provoca mal-estar e pode piorar a situa&ccedil;&atilde;o nacional. N&atilde;o se melhora a seguran&ccedil;a fechando canais de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou. Wamboka exortou o Conselho de Radiodifus&atilde;o a reabrir a K-FM e esclareceu que o Instituto que preside n&atilde;o coopta com o jornalismo irrespons&aacute;vel.<\/p>\n<p> O vice-presidente do Instituto de M&iacute;dia da &Aacute;frica Oriental (Eami), Michael Wakabi, qualificou de &quot;a&ccedil;&atilde;o lament&aacute;vel&quot; o fechamento da emissora. &quot;O Eami recha&ccedil;a firmemente esse ato de deliberada intimida&ccedil;&atilde;o, claramente destinada a reprimir a imprensa e a liberdade de express&atilde;o em Uganda&quot;, afirmou. Palavras semelhantes foram ditas pelo diretor-executivo da Funda&ccedil;&atilde;o para as Iniciativas de Direitos Humanos, Livingstone Sewanyan. &quot;As a&ccedil;&otilde;es que tentam intimidar o pensamento independente e a liberdade de express&atilde;o devem encontrar resist&ecirc;ncias&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Entretanto, o ministro da Informa&ccedil;&atilde;o, Nsaba Buturo, defendeu a decis&atilde;o do governo e disse que as afirma&ccedil;&otilde;es de Mwenda poderiam ter causado uma nova onda de viol&ecirc;ncia no Sud&atilde;o. &quot;Os fortes coment&aacute;rios de Andrew Mwenda foram feitos em um momento de grande tens&atilde;o no Sud&atilde;o, onde j&aacute; morreram centenas de pessoas. Todos recordam o que aconteceu em Ruanda em 1994&quot;, disse em um comunicado divulgado no domingo. Mais de 800 mil tutsis e hutus moderados foram assassinados no genoc&iacute;dio ruandense. A rela&ccedil;&atilde;o entre o governo e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o em Uganda foi problem&aacute;tica em v&aacute;rias ocasi&otilde;es.<\/p>\n<p> No ano passado, o ex&eacute;rcito impediu que jornalistas informassem sobre a guerra civil no norte do pa&iacute;s, onde desde 1986 o governo combate os rebeldes do Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor (LRA). As autoridades militares disseram que a informa&ccedil;&atilde;o divulgada no passado pela imprensa comprometeu seus planos de guerra, e, inclusive, acusaram alguns jornalistas de colabora&ccedil;&atilde;o com os rebeldes. O LRA, liderado pelo ex-catequista e autoproclamado profeta crist&atilde;o, Joseph Kony, combate, h&aacute; 18 anos, o governo de Musevini para instaurar um Estado teocr&aacute;tico baseado nos Dez Mandamentos. Em outubro de 2002, o Daily Monitor foi fechado por uma semana, depois de informar que um helic&oacute;ptero militar tinha sido derrubado pelo LRA. Pouco depois, foi aprovada a Lei Antiterrorista que estabelece a pena de morte para o jornalista que divulgar material que possa apoiar o terrorismo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kampala, 17\/08\/2005 &ndash; Cresce a preocupa&ccedil;&atilde;o com o futuro da liberdade de imprensa em Uganda, depois que o presidente Yoweri Museveni amea&ccedil;ou fechar v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os de imprensa que, afirmou, comprometem a seguran&ccedil;a do pa&iacute;s. Ao participar, no dia 10, do funeral do vice-presidente sudan&ecirc;s John Garang, morto junto com sete ugandenses em um acidente a&eacute;reo no dia 31 de julho, Museveni expressou descontentamento pela forma como a imprensa de seu pa&iacute;s informou sobre a trag&eacute;dia. O jornal The Red Pepper, de Kampala, publicou um artigo dizendo que Garang, l&iacute;der do Movimento Popular para Libera&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o (SPLM), foi v&iacute;tima de dois disparos na cabe&ccedil;a antes de acontecer o acidente, uma vers&atilde;o recha&ccedil;ada pelo governo sudan&ecirc;s.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/imprensa-ameaa-presidencial-em-uganda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-905","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}