{"id":9073,"date":"2011-11-11T15:17:28","date_gmt":"2011-11-11T15:17:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9073"},"modified":"2011-11-11T15:17:28","modified_gmt":"2011-11-11T15:17:28","slug":"coluna-refugiados-temem-voltar-a-ruanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/africa\/coluna-refugiados-temem-voltar-a-ruanda\/","title":{"rendered":"COLUNA: Refugiados temem voltar a Ruanda"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, \u00c1frica do Sul, 11\/11\/2011 &ndash; Dois amigos ruandeses conversam em um popular restaurante desta cidade sul-africana. Sua amizade n\u00e3o gera suspeitas neste pa\u00eds, mas para eles demorou anos superar a m\u00fatua desconfian\u00e7a, pois um \u00e9 tutsi e o outro \u00e9 hutu.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9073\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/46.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9073\" class=\"size-medium wp-image-9073\" title=\"Os problemas de Ruanda n\u00e3o s\u00e3o as quest\u00f5es econ\u00f4micas nem de acesso a terra, mas sim a falta de paz, dizem refugiados. - Wendy Stone\/IRIN\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/46.jpg\" alt=\"Os problemas de Ruanda n\u00e3o s\u00e3o as quest\u00f5es econ\u00f4micas nem de acesso a terra, mas sim a falta de paz, dizem refugiados. - Wendy Stone\/IRIN\" width=\"200\" height=\"131\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9073\" class=\"wp-caption-text\">Os problemas de Ruanda n\u00e3o s\u00e3o as quest\u00f5es econ\u00f4micas nem de acesso a terra, mas sim a falta de paz, dizem refugiados. - Wendy Stone\/IRIN<\/p><\/div>  Agora sofrem a ang\u00fastia de perder a condi\u00e7\u00e3o de refugiados. Claude Kayitare e Theogene Nshimyimana se instalaram na \u00c1frica do Sul sob amparo do escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur).<\/p>\n<p>Ruanda foi palco, em 1994, do maior genoc\u00eddio registrado na \u00c1frica. Cerca de 800 mil membros das etnias tutsi e hutu moderados morreram nas m\u00e3os das mil\u00edcias e cidad\u00e3os comuns, dedicados durante cem dias a uma orgia de sangue incentivados pelo regime hutu de linha dura.<\/p>\n<p>Nshimyimana e Kayitare conversam sobre a possibilidade de o Acnur recomendar em dezembro que se aplique aos ruandeses exilados as cl\u00e1usulas de fim do status de refugiados que figuram na Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 1951. Trata-se de uma via legal que reconhece a mudan\u00e7a de circunst\u00e2ncias no pa\u00eds que os expulsou ou dos expatriados no territ\u00f3rio que os acolheu.<\/p>\n<p>Se as cl\u00e1usulas forem aplicadas, o pa\u00eds que os acolheu j\u00e1 n\u00e3o ter\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de oferecer-lhes prote\u00e7\u00e3o. Para isso, deve-se demonstrar que as novas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o est\u00e1veis e favor\u00e1veis para o regresso. O Acnur pode recomendar o fim do status, mas cada pa\u00eds de forma individual a aceita e instrumenta. Est\u00e1 em estudo a reda\u00e7\u00e3o das exce\u00e7\u00f5es \u00e0 norma.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Nshimyimana n\u00e3o acredita nas exce\u00e7\u00f5es. \u201cPode ser que existam no papel, mas na pr\u00e1tica a implanta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 assim: a cl\u00e1usula habilita os pa\u00edses a expulsarem estrangeiros e nos obrigar\u00e3o a voltar\u201d para Ruanda, afirmou. Desde que o Acnur anunciou, em 2009, que estudava recomendar o fim da condi\u00e7\u00e3o de refugiados para os ruandeses, o pa\u00eds esta sob r\u00edgida vigil\u00e2ncia de organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Muitas institui\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es de refugiados questionam a aplicabilidade da medida a Ruanda. \u201cPertenci ao Ex\u00e9rcito Patri\u00f3tico de Ruanda e trabalhei no Departamento de Intelig\u00eancia Militar\u201d, contou Kayitare, que fugiu de seu pa\u00eds por essa raz\u00e3o. O governo utiliza os soldados para eliminar a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, os cr\u00edticos dos meios de comunica\u00e7\u00f5es e os cidad\u00e3os que n\u00e3o acatam a disciplina, garantiu.<\/p>\n<p>\u201cO presidente de Ruanda, Paul Kagame, obteve 95% dos votos nas elei\u00e7\u00f5es de 2010. \u00c9 poss\u00edvel esse tipo de maioria?\u201d, questionou Kayitare com ironia. \u201cImagina que vai votar, est\u00e1 no local secreto com um soldado armado guardando o lugar. Ent\u00e3o vem o medo de que possa ter visto que n\u00e3o colocou o X no nome de Kagame ou que refa\u00e7a sua c\u00e9dula depois que voc\u00ea for embora. De noite n\u00e3o te sentir\u00e1s seguro\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os dois ruandeses citam numerosos exemplos de como o autoritarismo de Kagame criou um Estado militarizado que recorre ao terror e \u00e0 intimida\u00e7\u00e3o para controlar a popula\u00e7\u00e3o. O Departamento de Intelig\u00eancia tem vastas redes de informantes civis para esse fim. O pr\u00f3prio Nshimyimana foi v\u00edtima do sistema. Ap\u00f3s fugir de Ruanda pela segunda vez em 1994 teve de regressar por causa de um foco de c\u00f3lera que surgiu no acampamento de refugiados da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo onde vivia.<\/p>\n<p>\u201cCheguei em casa s\u00e3o e salvo, mas minha fam\u00edlia pensou que devia me declarar como retornado se quisesse ficar. O governo est\u00e1 a par de todas as pessoas que o criticam. Meu pai ficou com medo de que o matassem se descobrissem que eu estava ali\u201d, disse Nshimyimana. Kayitare concorda com seu amigo. \u201c\u00c9 um ambiente selvagem. \u00c9 matar ou morrer. Mandaram que eu eliminasse os ossos de pessoas assassinadas\u201d, contou.<\/p>\n<p>Anistia Internacional, Human Rights Watch e organiza\u00e7\u00f5es religiosas divulgaram informes com detalhes de desaparecimentos for\u00e7ados, deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias entraves \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o pudesse registrar seus partidos junto \u00e0s autoridades competentes. A organiza\u00e7\u00e3o representada por Kayitare, Plataforma Ruandesa para o Di\u00e1logo, a Verdade e a Justi\u00e7a, afirma que Kagame se concentrou em sua imagem internacional e na do pa\u00eds para mostrar que funciona bem.<\/p>\n<p>Tanto ele como Nshimyimana disseram que as figuras internacionais de destaque que visitam o pa\u00eds s\u00e3o manipuladas. \u201cNunca as deixam sozinhas para que possam ver o que quiserem. Sempre est\u00e3o acompanhadas\u201d, afirmou Kayitare. Os rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do presidente ruand\u00eas levam a que se proponha a volta dos refugiados que ainda est\u00e3o em pa\u00edses como \u00c1frica do Sul, Tanz\u00e2nia e Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>\u201cKagame quer que voltemos para resolver o problema das cr\u00edticas dos refugiados. Constr\u00f3i uma boa imagem sua e depois diz que somos c\u00e3es, moscas e sapos no parlamento\u201d, disse Kayitare. O presidente declarou que os refugiados ruandeses s\u00e3o como desperd\u00edcios humanos que devem ser excretados. \u201cA repatria\u00e7\u00e3o nos deixa nas m\u00e3os de Kagame. Ter\u00e1 acesso a pessoas que pretende silenciar\u201d alertou Kayitare. \u201cAcredita que preciso fazer consultas para voltar para casa? Se pudesse, n\u00e3o estaria aqui conversando com voc\u00ea. H\u00e1 tempos teria retornado\u201d, afirmou Nshimyimana.<\/p>\n<p>Os problemas de Ruanda n\u00e3o se originam em quest\u00f5es econ\u00f4micas ou por dificuldades no acesso \u00e0 terra, mas se devem \u00e0 falta de paz, segundo Kayitare. \u201cO medo infundido nos cidad\u00e3os cala t\u00e3o fundo que Kagame seguir\u00e1 no poder. Desta forma, se trata de uma ditadura, tal \u00e9 o medo das pessoas que n\u00e3o podem imaginar outra coisa\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Robin Leslie \u00e9 respons\u00e1vel por comunica\u00e7\u00f5es e assessoramento legal do Servi\u00e7o Jesu\u00edta para Refugiados para a \u00c1frica Austral, uma organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que acompanha, ajuda e defende os direitos dos refugiados e exilados for\u00e7ados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, \u00c1frica do Sul, 11\/11\/2011 &ndash; Dois amigos ruandeses conversam em um popular restaurante desta cidade sul-africana. Sua amizade n\u00e3o gera suspeitas neste pa\u00eds, mas para eles demorou anos superar a m\u00fatua desconfian\u00e7a, pois um \u00e9 tutsi e o outro \u00e9 hutu. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/africa\/coluna-refugiados-temem-voltar-a-ruanda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,13,6,11],"tags":[],"class_list":["post-9073","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-colunistas","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9073\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}