{"id":908,"date":"2005-08-17T00:00:00","date_gmt":"2005-08-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=908"},"modified":"2005-08-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-17T00:00:00","slug":"indgenas-declarao-de-direitos-ainda-est-muito-longe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/indgenas-declarao-de-direitos-ainda-est-muito-longe\/","title":{"rendered":"Ind&iacute;genas: Declara&ccedil;&atilde;o de direitos ainda est&aacute; muito longe"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 17\/08\/2005 &ndash; Os processos para aprovar, na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e na Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, declara&ccedil;&otilde;es sobre direitos dos povos ind&iacute;genas derrapam nas profundas diferen&ccedil;as entre os negociadores, que se mant&ecirc;m assim h&aacute; mais de uma d&eacute;cada, segundo especialistas reunidos na capital mexicana. Os governos e l&iacute;deres ind&iacute;genas parecem que falam linguagens diferentes quando negociam as declara&ccedil;&otilde;es, mas &eacute; preciso continuar com o esfor&ccedil;o, disse &agrave; IPS o chileno Jaime Andrade Guenchocoy, presidente do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Ind&iacute;genas da Am&eacute;rica Latina e do Caribe. No caso de serem resolvidos, estes instrumentos seriam &quot;um marco &eacute;tico&quot; fundamental para garantir os direitos dos povos nativos, afirmou.<br \/> <!--more--> <br \/> O Fundo, organismo multilateral criado em 1992 no qual est&atilde;o representados igualmente governos e ind&iacute;genas, finalizou, nesta ter&ccedil;a-feira, sua reuni&atilde;o de dois dias no M&eacute;xico, programada com a finalidade de buscar caminhos para destravar as negocia&ccedil;&otilde;es que acontecem no contexto da ONU e da OEA. Segundo Guenchocoy, os dois processos n&atilde;o avan&ccedil;am por que entre os atores &quot;h&aacute; compreens&otilde;es diferentes de diversos assuntos. Por exemplo, quando alguns falam de terras, outros entendem territ&oacute;rios; quando se fala de recursos naturais, outros entendem meio ambiente; ou quando se fala de autonomia, outros v&ecirc;m como exclus&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Por sua vez, Juan Alvarado, delegado da OEA no encontro no M&eacute;xico, admitiu que &eacute; dif&iacute;cil pedir maior flexibilidade nas negocia&ccedil;&otilde;es aos ind&iacute;genas, &quot;depois de tantos s&eacute;culos de injusti&ccedil;as&quot;. Entretanto, chamou seus l&iacute;deres e os governos a realizarem &quot;um esfor&ccedil;o adicional para que se consiga declara&ccedil;&otilde;es equilibradas e vi&aacute;veis&quot;. Territ&oacute;rios, direitos coletivos e livre determina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o conceitos sobre os quais h&aacute; discord&acirc;ncia, bem como sobre pol&iacute;ticas de repara&ccedil;&atilde;o de danos aos nativos e o uso da palavra &quot;povos&quot; para se referir aos ind&iacute;genas. Alguns governos temem que, com as declara&ccedil;&otilde;es sobre direitos ind&iacute;genas se fomente cis&otilde;es territoriais e de car&aacute;ter aut&ocirc;nomo dos nativos.<\/p>\n<p> &quot;Cada pa&iacute;s tem realidades diferentes e isso impediu um avan&ccedil;o nas declara&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m, mais al&eacute;m disso, o lament&aacute;vel &eacute; que, apesar destas discuss&otilde;es e &agrave; maior presen&ccedil;a p&uacute;blica e pol&iacute;tica que os ind&iacute;genas t&ecirc;m hoje, sua situa&ccedil;&atilde;o de pobreza e exclus&atilde;o na Am&eacute;rica se mant&eacute;m em n&iacute;vel elevado&quot;, afirmou Guenchocoy. Na Am&eacute;rica Latina e no Caribe se concentra a maior popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena do mundo, com cerca de 40 milh&otilde;es divididos em aproximadamente 400 grupos &eacute;tnicos. O estudo &quot;Povos Ind&iacute;genas, Pobreza e Desenvolvimento Humano na Am&eacute;rica Latina: 1994-2004&quot;, divulgado em maio pelo Banco Mundial, indica que nos &uacute;ltimos 15 anos cresceu &quot;de maneira surpreendente&quot; a influ&ecirc;ncia e o poder pol&iacute;tico dos nativos, bem como as leis em favor de sua sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> De 1994 at&eacute; hoje, os movimentos que congregam as etnias origin&aacute;rias da Am&eacute;rica derrubaram governos na Bol&iacute;via e no Equador, e promoveram novas rotas nos processos pol&iacute;ticos, como no caso do M&eacute;xico, onde fez sua apari&ccedil;&atilde;o o guerrilheiro Ex&eacute;rcito Zapatista de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional. Entretanto, seus n&iacute;veis de renda, como seus indicadores de desenvolvimento humano em educa&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, &quot;ficam sistematicamente relegados em rela&ccedil;&atilde;o aos do restante da popula&ccedil;&atilde;o&quot;, diz o documento do Banco Mundial. Na regi&atilde;o, onde os povos abor&iacute;genes se concentram majoritariamente na Bol&iacute;via, Guatemala, Equador, M&eacute;xico e Peru, o fato de nascer ind&iacute;gena &eacute; quase uma condena&ccedil;&atilde;o a ser pobre, acrescenta o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> As organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas lutam para mudar essas condi&ccedil;&otilde;es de vida, enquanto brigam para que sejam reconhecidas suas particularidades sociais e culturais e seu direito a mant&ecirc;-las e recri&aacute;-las. A possibilidade de emitir uma declara&ccedil;&atilde;o sobre esses direitos come&ccedil;ou a ser discutida na ONU na d&eacute;cada de 70. Nos anos 80, foi criada uma comiss&atilde;o especial encarregada de redigir um rascunho sobre o tema. Esse documento, denominado &quot;Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos dos Povos Ind&iacute;genas&quot;, foi preparado com base em consultas a organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e ficou pronto em 1993. Dois anos mais tarde, passou para a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU.<\/p>\n<p> Essa inst&acirc;ncia encomendou a um grupo de trabalho, integrado por governos, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e ind&iacute;genas, a revis&atilde;o do texto, antes de apresent&aacute;-lo para aprova&ccedil;&atilde;o na Assembl&eacute;ia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Ali ficou atolado, e muitos governos, como Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha, Jap&atilde;o e alguns latino-americanos, pedem modifica&ccedil;&otilde;es profundas no projeto por n&atilde;o compartilharem conceitos como direitos coletivos, autonomia territorial, usufruto de recursos naturais e outros. As diferen&ccedil;as s&atilde;o tamanhas que, at&eacute; o ano passado, houve acordo somente em dois dos 45 artigos que tem o projeto de declara&ccedil;&atilde;o. Eles se referem aos direitos de cidadania dos ind&iacute;genas e &agrave; igualdade entre homens e mulheres nativos, segundo um informe da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos do Fundo Ind&iacute;gena.<\/p>\n<p> Na OEA, a hist&oacute;ria n&atilde;o tem sido muito diferente. Essa inst&acirc;ncia, que re&uacute;ne 34 pa&iacute;ses, todos os da Am&eacute;rica, menos Cuba, suspensa desde 1962, ordenou, em 1989, a reda&ccedil;&atilde;o de um instrumento interamericano sobre os direitos dos povos ind&iacute;genas. Em 1995, e depois de numerosas consultas a governos e grupos ind&iacute;genas, ficou pronto um projeto preliminar. Por&eacute;m, o documento foi rejeitado pela maioria das organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, que o consideram pouco consistente e de escasso alcance em compara&ccedil;&atilde;o ao que se debate nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Al&eacute;m disso, os ind&iacute;genas denunciam que n&atilde;o foram consultados de maneira adequada no momento de sua prepara&ccedil;&atilde;o. &quot;Nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; dar nova oportunidade aos instrumentos da OEA e da ONU e, por isso, estamos buscando alternativas e esperamos levantar as negocia&ccedil;&otilde;es&quot;, disse Guenchocoy. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 17\/08\/2005 &ndash; Os processos para aprovar, na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e na Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, declara&ccedil;&otilde;es sobre direitos dos povos ind&iacute;genas derrapam nas profundas diferen&ccedil;as entre os negociadores, que se mant&ecirc;m assim h&aacute; mais de uma d&eacute;cada, segundo especialistas reunidos na capital mexicana. Os governos e l&iacute;deres ind&iacute;genas parecem que falam linguagens diferentes quando negociam as declara&ccedil;&otilde;es, mas &eacute; preciso continuar com o esfor&ccedil;o, disse &agrave; IPS o chileno Jaime Andrade Guenchocoy, presidente do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Ind&iacute;genas da Am&eacute;rica Latina e do Caribe. 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