{"id":9081,"date":"2011-11-15T11:44:36","date_gmt":"2011-11-15T11:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9081"},"modified":"2011-11-15T11:44:36","modified_gmt":"2011-11-15T11:44:36","slug":"analise-sociedade-civil-deve-assumir-as-redeas-da-rio20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/mundo\/analise-sociedade-civil-deve-assumir-as-redeas-da-rio20\/","title":{"rendered":"AN\u00c1LISE: Sociedade civil deve assumir as r\u00e9deas da Rio+20"},"content":{"rendered":"<p>NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS, 15\/11\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Se os ativistas criarem seu pr\u00f3prio plano de a\u00e7\u00e3o para salvar a Terra, os governos n\u00e3o v\u00e3o precisar negociar regras comuns para na\u00e7\u00f5es e comunidades desiguais em riqueza e capacidade t\u00e9cnica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9081\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/552_ilustracion_columna_Bhaskar_Menon_Fabricio_Vanden_BroeckIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9081\" class=\"size-medium wp-image-9081\" title=\" - Fabricio Vanden Broeck\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/552_ilustracion_columna_Bhaskar_Menon_Fabricio_Vanden_BroeckIPS.jpg\" alt=\" - Fabricio Vanden Broeck\" width=\"196\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9081\" class=\"wp-caption-text\"> - Fabricio Vanden Broeck<\/p><\/div>  A menos que a sociedade civil organizada lance seu pr\u00f3prio plano de a\u00e7\u00e3o na C\u00fapula da Terra, a Rio+20, que acontecer\u00e1 em 2012 no Rio de Janeiro, a confer\u00eancia ser\u00e1 pouco mais que um luxuoso debate. Isto porque os delegados governamentais n\u00e3o abordar\u00e3o o problema de reorientar a economia mundial, tarefa que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) considera essencial para enfrentar a crescente crise de sustentabilidade ambiental.<\/p>\n<p>O informe, que no come\u00e7o deste ano foi apresentado pelo secret\u00e1rio-geral, Ban Ki-moon, ao comit\u00ea organizador da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20), diz que, para tornar sustent\u00e1veis os modelos de consumo e produ\u00e7\u00e3o, as pol\u00edticas p\u00fablicas devem ir \u201cmuito al\u00e9m\u201d de corrigir os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Entretanto, Ban n\u00e3o disse quais medidas espec\u00edficas s\u00e3o necess\u00e1rias. De fato, em nenhuma parte da enorme quantidade de documentos que a ONU produziu desde que convocou a primeira Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente Humano, em junho de 1972, em Estocolmo, \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma \u00fanica an\u00e1lise sobre esse tema.<\/p>\n<p>A Agenda 21, o volumoso plano de a\u00e7\u00e3o adotado na C\u00fapula da Terra de 1992 no Rio de Janeiro, tampouco aborda o assunto, e a Comiss\u00e3o sobre o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, que vigiou sua implanta\u00e7\u00e3o por duas d\u00e9cadas, n\u00e3o o considerou. O Estudo Econ\u00f4mico e Social Mundial que a ONU publicou este ano estima em US$ 72 trilh\u00f5es o custo de fazer verde a economia mundial, sem detalhar como.<\/p>\n<p>Estas lacunas refletem uma inquestion\u00e1vel realidade pol\u00edtica contempor\u00e2nea: o poder das corpora\u00e7\u00f5es, que dominam a economia verde e que estabeleceram os atuais modelos de produ\u00e7\u00e3o e consumo com o objetivo de maximizar seus ganhos e opor-se aos acordos que tentarem restringir seus efeitos sociais e ambientais negativos.<\/p>\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980, a ONU tentou sem sucesso negociar um c\u00f3digo de conduta para as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais. Na d\u00e9cada posterior, tentou um enfoque mais brando, convidando-as a se integrarem ao Pacto Mundial para o cumprimento volunt\u00e1rio de uma s\u00e9rie de padr\u00f5es ambientais e de direitos humanos. Menos de cinco mil das 60 mil corpora\u00e7\u00f5es com lucros anuais superiores a US$ 1 bilh\u00e3o uniram-se ao Pacto Mundial. E mesmo este min\u00fasculo n\u00famero mascara seu verdadeiro impacto, j\u00e1 que inclui empresas pequenas e m\u00e9dias, muitas de pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Durante este prolongado ponto morto, os problemas ambientais adquiriram propor\u00e7\u00f5es de cat\u00e1strofe. A contamina\u00e7\u00e3o e a perda de habitat levam esp\u00e9cies \u00e0 extin\u00e7\u00e3o a um ritmo que n\u00e3o se via desde o desaparecimento dos dinossauros. Na \u00faltima d\u00e9cada, condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas, que os cientistas associam com o aquecimento global, causaram desastres naturais sem precedentes em todo o mundo.<\/p>\n<p>A menos que se freie o aquecimento global, os cientistas projetam mudan\u00e7as significativas em chuvas e secas, com importantes consequ\u00eancias para a produtividade agr\u00edcola. Se nada for feito para evitar o aquecimento do planeta, o mundo poder\u00e1 ter uma era de guerras pela terra que destruiriam todo sinal de legalidade e ordem internacional.<\/p>\n<p>Apesar destas perspectivas aterradoras, poucos governos est\u00e3o dispostos a enfrentar os interesses corporativos. Neste cen\u00e1rio, a sociedade civil organizada \u00e9 a que pode elaborar uma estrat\u00e9gia de sa\u00edda segura. Conhece a natureza e o alcance dos problemas ambientais, e a internet lhe deu uma capacidade sem precedentes para criar redes mundiais.<\/p>\n<p>Se o ativismo combinar esses elementos com a capacidade local para a a\u00e7\u00e3o efetiva \u2013o mais simples seria aliar-se a pequenas e m\u00e9dias empresas\u2013, poderia criar um mecanismo poderoso e flex\u00edvel, capaz de tra\u00e7ar o mapa dos problemas ambientais, controlar seu desenvolvimento e fazer-lhes frente, promovendo ao mesmo tempo atividades econ\u00f4micas amig\u00e1veis com a natureza nos \u00e2mbitos regional e local. Assim, se moveria gradualmente a economia mundial dos enormes interc\u00e2mbios internacionais, que desperdi\u00e7am gigantescas quantidades de energia e recursos naturais, para modelos de atividade regional e sub-regional muito mais eficientes.<\/p>\n<p>Semelhante mudan\u00e7a teria impactos m\u00ednimos na cria\u00e7\u00e3o de riqueza e postos de trabalho. De fato, como as empresas m\u00e9dias e pequenas s\u00e3o muito mais intensivas em m\u00e3o de obra do que os monstros que hoje controlam a economia mundial, ver\u00edamos uma ascens\u00e3o do emprego, da demanda e de um crescimento socialmente justo. Os governos n\u00e3o precisariam negociar regras comuns para na\u00e7\u00f5es e comunidades terrivelmente desiguais em riqueza e capacidade t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Se as decis\u00f5es e as medidas ficassem completamente nas m\u00e3os de autoridades nacionais e locais, a rede mundial se converteria em um poderoso mecanismo de solidariedade internacional, transfer\u00eancia de tecnologia e apoio financeiro, coordenando a\u00e7\u00f5es onde fosse necess\u00e1rio e divulgando as melhores pr\u00e1ticas. Precisamos ir \u00e0 Rio+20 preparados para acordar um manifesto que recolha estes princ\u00edpios e um plano de a\u00e7\u00e3o detalhado com o rascunho a seguir.<\/p>\n<p>Plano de a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>No contexto dos objetivos e valores j\u00e1 expressos, os ativistas presentes na confer\u00eancia Rio+20 acordam:<\/p>\n<p>1. Rede \u2013 Os ativistas criar\u00e3o uma rede eletr\u00f4nica mundial organizada em uma estrutura de acesso simples (local, nacional, regional, mundial) para facilitar a informa\u00e7\u00e3o compartilhada, o debate interativo e a a\u00e7\u00e3o concertada;<\/p>\n<p>2. Organiza\u00e7\u00e3o \u2013 Os ativistas trabalhar\u00e3o com empres\u00e1rios que estiverem \u00e0 frente de empresas pequenas e m\u00e9dias para criar organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias para a a\u00e7\u00e3o cooperativa. Estas organiza\u00e7\u00f5es ser\u00e3o as unidades b\u00e1sicas da rede mundial e ter\u00e3o dois objetivos principais: proteger o meio ambiente e acelerar o crescimento econ\u00f4mico nos planos local, sub-regional e regional;<\/p>\n<p>3. Inspe\u00e7\u00e3o e controle \u2013 A rede compartilhar\u00e1 os melhores conhecimentos dispon\u00edveis nas ag\u00eancias nacionais e internacionais, e o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente desempenhar\u00e1 um papel de coordena\u00e7\u00e3o. Os ativistas iniciar\u00e3o uma pesquisa ambiental mundial alimentada com contribui\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, criando um sistema de controle permanente para dar informes de situa\u00e7\u00e3o em tempo real \u00e0s autoridades nacionais, regionais e mundiais;<\/p>\n<p>4. An\u00e1lise \u2013 Com base na informa\u00e7\u00e3o coletada, um grupo especialista governamental que trabalhar\u00e1 com a rede criar\u00e1 um plano t\u00e9cnico de medidas preventivas e corretivas para todos os problemas ambientais mundiais. O plano ser\u00e1 implantado mediante a a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, onde for poss\u00edvel, e os governos e ag\u00eancias internacionais dar\u00e3o capacidade financeira e t\u00e9cnica;<\/p>\n<p>5. Educa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o \u2013 As organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e suas redes se dedicar\u00e3o a educar e mobilizar apoio popular para a a\u00e7\u00e3o ambiental<\/p>\n<p>Estes passos deveriam criar um aparato mundial capaz de fiscalizar os danos causados pela a\u00e7\u00e3o humana e de assumir sua remedi\u00e7\u00e3o. Esse processo deveria reorientar toda a gama de atividades econ\u00f4micas para modelos amig\u00e1veis com o meio ambiente, e criar e sustentar o apoio da opini\u00e3o p\u00fablica para uma a\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>* Bhaskar Menon tem quatro d\u00e9cadas de experi\u00eancia na cobertura da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e edita www.UNdiplomatictimes.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS, 15\/11\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Se os ativistas criarem seu pr\u00f3prio plano de a\u00e7\u00e3o para salvar a Terra, os governos n\u00e3o v\u00e3o precisar negociar regras comuns para na\u00e7\u00f5es e comunidades desiguais em riqueza e capacidade t\u00e9cnica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/mundo\/analise-sociedade-civil-deve-assumir-as-redeas-da-rio20\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1028,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-9081","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1028"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9081"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9081\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}