{"id":9098,"date":"2011-11-17T14:14:27","date_gmt":"2011-11-17T14:14:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9098"},"modified":"2011-11-17T14:14:27","modified_gmt":"2011-11-17T14:14:27","slug":"desenvolvimento-os-brics-colocarao-a-mao-no-bolso-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/mundo\/desenvolvimento-os-brics-colocarao-a-mao-no-bolso-parte-1\/","title":{"rendered":"DESENVOLVIMENTO: Os Brics colocar\u00e3o a m\u00e3o no bolso? \u2013 parte 1"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 17\/11\/2011 &ndash; Enquanto a crise grega sacode a zona do euro e os movimentos de indignados dos Estados Unidos criticam cada vez mais o sistema neoliberal dominante, multiplicam-se as an\u00e1lises sobre a extin\u00e7\u00e3o da velha ordem econ\u00f4mica. <!--more--> As promessas feitas h\u00e1 d\u00e9cadas pelas na\u00e7\u00f5es ricas e industrializadas de ajudar o Sul em desenvolvimento continuam n\u00e3o sendo cumpridas, e cresce a d\u00favida sobre quem as assumir\u00e1.<\/p>\n<p>Cerca de dois mil delegados governamentais e especialistas preparam as malas para participar do 4\u00ba F\u00f3rum de Alto N\u00edvel sobre a Efic\u00e1cia da Ajuda, entre 29 deste m\u00eas e 1\u00ba de dezembro, na cidade sul-coreana de Busan. E em todos os continentes se levanta o chamado para que as economias emergentes, especialmente Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul (Brics), assumam o desenvolvimento global.<\/p>\n<p>Segundo o Banco Mundial, os Brics prometeram US$ 26 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos ao mundo em desenvolvimento entre 2000 e 2008, a maior parte procedente da China. Estes cinco pa\u00edses possuem US$ 4,3 trillh\u00f5es em reservas de divisas, tr\u00eas quartos dos quais est\u00e3o em bancos chineses. Em 2014, concentrar\u00e3o 60% do crescimento econ\u00f4mico mundial. Entretanto, ainda s\u00e3o deixados de lado pelas tradicionais economias ricas do Norte, especialmente no tocante \u00e0 assist\u00eancia ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cA Declara\u00e7\u00e3o de Paris, de 2005, foi adotada no contexto da divis\u00e3o Norte-Sul. A Agenda de Acra, de 2008, foi pouco ampliada para incluir algumas fr\u00e1geis declara\u00e7\u00f5es sobre a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul\u201d, segundo o Centro de Estudos Chineses, da Universidade de Stellenbosch, da \u00c1frica do Sul. A Declara\u00e7\u00e3o de Paris sobre a Efic\u00e1cia da Ajuda ao Desenvolvimento prop\u00f5e objetivos para melhorar a qualidade da ajuda e seu impacto. Tr\u00eas anos depois, para acelerar seu avan\u00e7o, foi redigida, na capital de Gana, a Agenda de A\u00e7\u00e3o de Acra, que prop\u00f5e associa\u00e7\u00f5es mais inclusivas e impactos que possam ser medidos, entre outros pontos.<\/p>\n<p>E enquanto Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia reduzem fundos de ajuda oficial ao desenvolvimento para pa\u00edses de baixa renda, provavelmente se pedir\u00e1 aos Brics que preencham esse vazio. Em Busan ser\u00e1 dada prioridade \u00e0 \u00c1frica, onde est\u00e3o 33 dos 48 pa\u00edses menos adiantados. Segundo as \u00faltimas estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), 50% da popula\u00e7\u00e3o do Sul do Saara vive com menos de US$ 1,25 por dia.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agravou porque as na\u00e7\u00f5es ricas n\u00e3o cumpriram a resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral da ONU de 1970 que pede a destina\u00e7\u00e3o de 0,7% do produto interno bruto de cada uma para a ajuda ao desenvolvimento. Dificilmente os pa\u00edses ricos cumprir\u00e3o agora esse objetivo, o que aumentaria a press\u00e3o sobre os Brics.<\/p>\n<p>\u201cA import\u00e2ncia significativamente maior da China no com\u00e9rcio e os investimentos mundiais s\u00e3o amplamente reconhecidos. A R\u00fassia interessa n\u00e3o apenas por seu tamanho, mas porque, sendo um exportador de petr\u00f3leo, tem capacidade de acumular reservas\u201d, disse \u00e0 IPS a economista indiana Jayati Ghosh, da Universidade Jawaharlal Nehru, de Nova D\u00e9lhi.<\/p>\n<p>\u201cAs possibilidades da \u00cdndia s\u00e3o maiores do que seu papel atual, e a \u00c1frica do Sul e o Brasil n\u00e3o s\u00e3o apenas as economias maiores de suas respectivas regi\u00f5es, mas pertencem a redes maiores, como Mercosul e Nepad\u201d, acrescentou Ghosh, referindo-se ao Mercado Comum do Sul e \u00e0 Nova Alian\u00e7a para o Desenvolvimento da \u00c1frica. \u201cO fato de esses pa\u00edses terem se aliado indica que reconhecem a necessidade de conectar centros fortes independentes e diferentes dos oferecidos por Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em um exemplo de a\u00e7\u00e3o coletiva dos Brics, seus dois principais membros e rivais, \u00cdndia e China, divulgaram um comunicado conjunto no dia 9 pedindo urg\u00eancia aos pa\u00edses ocidentais no sentido de \u201cadotarem pol\u00edticas macroecon\u00f4micas respons\u00e1veis para atender os problemas de d\u00edvida e estabilidade financeira de forma adequada\u201d. O documento, apresentado pelo Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as chin\u00eas, condensa o resultado conseguido no Quinto Di\u00e1logo Econ\u00f4mico \u00cdndia-China, que terminou no dia 8 em Nova D\u00e9lhi.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o critica a zona do euro pelo manejo da crise da d\u00edvida soberana e por permitir que suas consequ\u00eancias tenham impacto no Sul em desenvolvimento. \u201cNos mercados emergentes, onde o crescimento \u00e9 relativamente mais forte, h\u00e1 claros sinais de diminui\u00e7\u00e3o, pois os acontecimentos nas economias avan\u00e7adas come\u00e7am a criar preocupa\u00e7\u00e3o em nossos pa\u00edses\u201d, diz o comunicado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a unidade n\u00e3o \u00e9 totalmente s\u00f3lida, pois o Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as da \u00cdndia se apressou a afastar-se da forte admoesta\u00e7\u00e3o ao Ocidente. Foi evidente a aus\u00eancia do documento na imprensa indiana, o que levou numerosos analistas a reiterarem sua desconfian\u00e7a sobre as possibilidades de o grupo Brics exercer um papel coletivo no cen\u00e1rio internacional, particularmente porque suas prioridades e estrat\u00e9gias socioecon\u00f4micas e geopol\u00edticas s\u00e3o amplamente divergentes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vejo base para esses pa\u00edses se agruparem\u201d, afirmou Rajan Menon, presidente do departamento de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade de Lehigh. \u201cDizer que \u00e9 um grupo e uma prestidigita\u00e7\u00e3o interessante, passa a ilus\u00e3o de uma entidade capaz de atuar em conjunto. Por\u00e9m, n\u00e3o vejo na hist\u00f3ria desses pa\u00edses como podem trabalhar em um coletivo coeso\u201d, declarou \u00e0 IPS. \u201cSe tirarmos a China, qual ser\u00e1 a capacidade residual dos demais pa\u00edses do grupo para terem uma incid\u00eancia global? Dificilmente o Brics \u00e9 compar\u00e1vel com outros centros de poder\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na verdade, o com\u00e9rcio dos \u00faltimos dez anos entre os pa\u00edses desse grupo reafirma o argumento de Menon. As exporta\u00e7\u00f5es do Brasil para a China aumentaram de US$ 1,1 bilh\u00e3o para US$ 21 bilh\u00f5es entre 2000 e 2010, enquanto suas importa\u00e7\u00f5es de produtos chineses subiram de US$ 1,2 bilh\u00e3o para US$ 15,9 bilh\u00f5es em nove anos, segundo estudo da Brookings Institution. Entretanto, se a China passou a ser o principal s\u00f3cio comercial do Brasil, este nem mesmo figura entre os dez primeiros do gigante asi\u00e1tico. \u201cOs pa\u00edses Brics ainda n\u00e3o mostraram uma agenda coletiva, e, enquanto n\u00e3o o fizerem, consider\u00e1-los grupo de press\u00e3o parece um pouco exagerado\u201d, afirmou Menon. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 17\/11\/2011 &ndash; Enquanto a crise grega sacode a zona do euro e os movimentos de indignados dos Estados Unidos criticam cada vez mais o sistema neoliberal dominante, multiplicam-se as an\u00e1lises sobre a extin\u00e7\u00e3o da velha ordem econ\u00f4mica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/mundo\/desenvolvimento-os-brics-colocarao-a-mao-no-bolso-parte-1\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":110,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[30,25],"class_list":["post-9098","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-analise","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/110"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9098"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9098\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}