{"id":913,"date":"2005-08-19T00:00:00","date_gmt":"2005-08-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=913"},"modified":"2005-08-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-19T00:00:00","slug":"direitos-humanos-o-orfanato-que-venceu-o-genocdio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/direitos-humanos-o-orfanato-que-venceu-o-genocdio\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: O orfanato que venceu o genoc&iacute;dio"},"content":{"rendered":"<p>Kigali, 19\/08\/2005 &ndash; Aos 93 anos, a norte-americana Rosamond Carr continua respons&aacute;vel pelo orfanato Imbabazi, que significa &quot;um lar onde se pode receber o amor de uma m&atilde;e&quot;, criado em conseq&uuml;&ecirc;ncia do genoc&iacute;dio ocorrido em 1994. O Imbabazi funciona na cidade de Gisenyi, oeste de Ruanda, e abriga 122 meninos e meninas. H&aacute; 11 anos, quando fundou o abrigo, Rosamond tinha apenas US$ 6 mil, e metade deles usou para transformar uma velha constru&ccedil;&atilde;o onde se realizava o processamento de piretro, um inseticida natural, em um lar para crian&ccedil;as. Na &eacute;poca havia poucos lugares seguros para &oacute;rf&atilde;os.<br \/> <!--more--> <br \/> Pequena e calma ao falar, &agrave; primeira vista Rosamond pode n&atilde;o parecer uma candidata adequada para liderar um orfanato em uma regi&atilde;o especialmente pobre e conflitiva da &Aacute;frica. &quot;A maioria de nossas crian&ccedil;as viu os pais morrerem&quot;, contou. Mais de 800 mil tutsis e alguns hutus moderados foram assassinados em 1994, em um dos mais graves genoc&iacute;dios da hist&oacute;ria, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. O abrigo recebeu seus primeiros h&oacute;spedes no final daquele ano. Desde ent&atilde;o, muitos menores se reencontraram com tias, tios e av&oacute;s, mas o Imbabazi continua funcionando.<\/p>\n<p> Amiel Ngabo, secret&aacute;rio-executivo da prov&iacute;ncia de Gisenyi, considera Rosamond &quot;insubstitu&iacute;vel&quot;. Entretanto, ela sente que chegou o momento de deixar a dire&ccedil;&atilde;o do orfanato. &quot;Estou muito velha e sempre cansada&quot;, disse durante entrevista em sua casa, pr&oacute;xima do Lago Kivum, um lar repleto de fotografias de crian&ccedil;as. O governo planeja encontrar algu&eacute;m para dirigir o Imbabazi, mas Ngabo afirma que, a longo prazo, preferiria que as crian&ccedil;as vivessem com suas pr&oacute;prias fam&iacute;lias ou em lares adotivos. <\/p>\n<p> Antes de se mudar para a &Aacute;frica, Rosamond vivia em Nova York e trabalhava como ilustradora de moda para cat&aacute;logos de lojas. Nos anos 30, se casou com Kenneth Carr, cidad&atilde;o brit&acirc;nico 24 anos mais velho que ela, que a descrevia como &quot;uma ca&ccedil;adora maior e &oacute;tima fot&oacute;grafa&quot;. Kenneth havia viajado muito e possu&iacute;a planta&ccedil;&otilde;es de caf&eacute; em Uganda. Em 1949, o casal foi para o Congo (depois batizado de Zaire e, atualmente, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo &#8211; RDC). Quatro anos depois, Rosamond se divorciou e mudou para Ruanda, onde realizou diversos trabalhos para se manter, desde dirigir uma planta&ccedil;&atilde;o de flores de piretro at&eacute; administrar o hotel Palm Beach, em Gisenyi. Kenneth n&atilde;o queria ter filhos, enquanto sua mulher os desejava. <\/p>\n<p> Ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o, ela queria voltar para os Estados Unidos, se casar novamente e come&ccedil;ar uma fam&iacute;lia, mas, aos 40 anos, decidiu que era tarde para isso. Rejeitou a proposta de um pretendente tamb&eacute;m brit&acirc;nico porque ele queria deixar a &Aacute;frica. &quot;Na realidade, eu estava apaixonada pela vida, n&atilde;o por ningu&eacute;m em especial&quot;, contou Rosamond. &quot;Poderia ter tido tantos amantes quantos quisesse, mas todos os homens mais agrad&aacute;veis estavam casados&quot;. Por fim, conseguiu uma fam&iacute;lia. &quot;Passei toda minha vida querendo filhos, e tive os primeiros aos 82 anos&quot;, contou.<\/p>\n<p> Rosamond suportou o que descreve como &quot;a guerra dura&quot;, do in&iacute;cio dos anos 90, quando a rebelde Frente Patri&oacute;tica Ruandesa (FPR), formada principalmente por membros da etnia tutsi, tentou derrubar o governo dominado pelos hutus. Rosamond foi obrigada a fugir do pa&iacute;s durante as matan&ccedil;as de 1994. Depois, a FPR assumiu o poder, o que levou muitos hutus respons&aacute;veis pelo genoc&iacute;dio a se dirigirem para o ent&atilde;o Zaire, de onde procuravam desestabilizar Ruanda. &quot;O pior para mim foi que as crian&ccedil;as estavam em perigo constante. As armas nunca se calavam, inclusive em 1998&quot;, disse. Esse foi o ano em que Ruanda come&ccedil;ou a apoiar os rebeldes que queriam derrubar o presidente da RDC, Lurent Kabila (1997-2001), ap&oacute;s sua fracassada tentativa de expulsar os extremistas hutus que haviam participado do genoc&iacute;dio.<\/p>\n<p> Rosamond &quot;agradou os moradores&quot;, disse Aloys Kaberuka, coordenador de uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental em Gisenyi. &quot;Ela ama as crian&ccedil;as&quot;, acrescentou. Quando os ruadenses se aproximavam dizendo &quot;vim em busca de comida para meus filhos&quot;, ou &quot;n&atilde;o posso pagar a escola de meus filhos&quot;, ela os ajudava. Tamb&eacute;m ofereceu aos pa&iacute;s trabalho em sua fazenda. As experi&ecirc;ncias de Rosamond est&atilde;o detalhadas em sua autobriografia publicada em 1999, &quot;Land of a Thousand Hills&quot; (Terra das Mil Colinas).<\/p>\n<p> A atriz norte-americana Sigourney Weaver, que em 1988 viajou a Ruanda para filmar &quot;Gorilas no Nevoeiro&quot;, foi quem fez a primeira doa&ccedil;&atilde;o, de US$ 1 mil, ao Imbabazi. O filme &eacute; baseado na vida de Dian Fossey, uma conservacionista que foi assassinada em Ruanda, supostamente por ca&ccedil;adores, depois de mais de uma d&eacute;cada dedicada &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos gorilas das montanhas da &Aacute;frica central, em risco de extin&ccedil;&atilde;o. No m&ecirc;s passado, Weaver voltou a Ruanda para filmar um document&aacute;rio intitulado &quot;Gorilas Revisited&quot; (Gorilas Revisitados). Neste filme, que proporciona um olhar atual sobre a situa&ccedil;&atilde;o dos primatas, tamb&eacute;m aparece Rosamond. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kigali, 19\/08\/2005 &ndash; Aos 93 anos, a norte-americana Rosamond Carr continua respons&aacute;vel pelo orfanato Imbabazi, que significa &quot;um lar onde se pode receber o amor de uma m&atilde;e&quot;, criado em conseq&uuml;&ecirc;ncia do genoc&iacute;dio ocorrido em 1994. O Imbabazi funciona na cidade de Gisenyi, oeste de Ruanda, e abriga 122 meninos e meninas. H&aacute; 11 anos, quando fundou o abrigo, Rosamond tinha apenas US$ 6 mil, e metade deles usou para transformar uma velha constru&ccedil;&atilde;o onde se realizava o processamento de piretro, um inseticida natural, em um lar para crian&ccedil;as. 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