{"id":914,"date":"2005-08-19T00:00:00","date_gmt":"2005-08-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=914"},"modified":"2005-08-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-19T00:00:00","slug":"iraque-constituio-no-significa-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/iraque-constituio-no-significa-paz\/","title":{"rendered":"Iraque: Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significa paz"},"content":{"rendered":"<p>Beirute, 19\/08\/2005 &ndash; Os tr&ecirc;s grupos principais, que discutem um novo projeto de Constitui&ccedil;&atilde;o para o Iraque, avan&ccedil;aram muito pouco no que se refere &agrave;s discrep&acirc;ncias que levaram o Parlamento a ampliar o prazo para apresenta&ccedil;&atilde;o do texto at&eacute; segunda-feira. Os assuntos mais importantes pendentes de resolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o federalismo e o papel do Isl&atilde;. O principal partido &aacute;rabe sunita, o Partido Isl&acirc;mico Iraquiano, criticou, na quarta-feira, a Comiss&atilde;o Constituinte, da qual faz parte, chamando-a de viciada e ca&oacute;tica. Essas obje&ccedil;&otilde;es evidenciam que os sunitas t&ecirc;m mais preven&ccedil;&otilde;es sobre a nova ordem no Iraque do que os outros dois grupos do pa&iacute;s, xiitas e curdos. Os sunitas constituem a maior parte da resist&ecirc;ncia &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o norte-americana.<br \/> <!--more--> <br \/> A maioria dos iranianos &eacute; xiita (62%) e habita o sul do Iraque, enquanto no centro predominam os sunitas (35%), o grupo isl&acirc;mico dominante no deposto regime de Saddam Hussein (1979-2003). Os curdos, com idioma pr&oacute;prio, constituem 20% da popula&ccedil;&atilde;o, de quase 25 milh&otilde;es, e est&atilde;o concentrados no norte. A posi&ccedil;&atilde;o adotada pelos sunitas agora parece crucial para o futuro do Iraque, embora outros problemas possam surgir se forem atendidas suas demandas. Os Estados Unidos consideram de m&aacute;xima import&acirc;ncia que os sunitas aprovem o projeto, na esperan&ccedil;a de que um acordo pol&iacute;tico tire for&ccedil;a da insurg&ecirc;ncia. As mesmas expectativas foram manifestadas antes e imediatamente depois das primeiras elei&ccedil;&otilde;es legislativas no Iraque, em janeiro.<\/p>\n<p> Nesse &iacute;nterim, os sunitas, em geral, permaneceram &agrave; margem do processo, por isso conseguiram escassa representa&ccedil;&atilde;o no Parlamento e, depois, na Comiss&atilde;o Constituinte. Quando os outros dois grupos aceitaram ampliar a delega&ccedil;&atilde;o sunita na Comiss&atilde;o, restava muito pouco tempo para se negociar. Representantes xiitas declararam que poderiam impulsionar um projeto, mesmo que n&atilde;o conte com a aprova&ccedil;&atilde;o dos delegados sunitas. <\/p>\n<p> Aparentemente, os negociadores sunitas s&atilde;o mais radicais do que a popula&ccedil;&atilde;o sunita em geral, ou, ent&atilde;o, n&atilde;o se sentem em condi&ccedil;&otilde;es de realizar concess&otilde;es porque foram designados e n&atilde;o eleitos. Devido &agrave; for&ccedil;a da insurg&ecirc;ncia e ao &acirc;nimo reinante na popula&ccedil;&atilde;o, parece uma esperan&ccedil;a v&atilde; que o povo sunita aceite algo que seus l&iacute;deres recha&ccedil;am.<\/p>\n<p> Cada um dos tr&ecirc;s grupos pode vetar o projeto constitucional em um referendo marcado para outubro. Fazer com que os sunitas aceitem uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o ser&aacute; uma tarefa gigantesca, porque esse grupo se sente em desvantagem pol&iacute;tica, j&aacute; que o novo presidente &eacute; curdo e o primeiro-ministro xiita. Al&eacute;m disso, temem que a nova Carta Magna enfraque&ccedil;a ainda mais sua posi&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria territorial e econ&ocirc;mica. Sua principal preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; a estrutura federal e descentralizada que est&aacute; proposta. Os curdos exercem uma autonomia de fato em seu pequeno enclave do norte desde a primeira Guerra do Golfo, em 1991. Agora, os xiitas, que formam a maioria, querem sua pr&oacute;pria &aacute;rea no sul.<\/p>\n<p> O sul do Iraque &eacute; a regi&atilde;o mais rica em petr&oacute;leo e &eacute; a &uacute;nica sa&iacute;da para o mar. Os sunitas temem que, seja qual for o acordo que se fa&ccedil;a para a distribui&ccedil;&atilde;o da renda obtida com o petr&oacute;leo, uma estrutura federal os exclua dos benef&iacute;cios, como empregos e infra-estrutura, que estes recursos gerariam. Na antiga estrutura de controle central, os sunitas recebiam a maior parte desses benef&iacute;cios. Os l&iacute;deres sunitas n&atilde;o resistem tanto &agrave; autonomia curda, mas se op&otilde;em radicalmente &agrave; inclus&atilde;o em sua &aacute;rea da cidade de Kirkuk, rica em petr&oacute;leo. Os curdos pretendem adiar a discuss&atilde;o do assunto, e os sunitas querem garantias de que n&atilde;o se tentar&aacute; tamb&eacute;m lhes tirar o petr&oacute;leo do norte.<\/p>\n<p> Pode ser tentador para os Estados Unidos querer que os outros dois grupos fa&ccedil;am concess&otilde;es aos sunitas para que se sintam inclu&iacute;dos no futuro Iraque, mas isto poderia levar a uma deteriora&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com os curdos, que t&ecirc;m sido a sustenta&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es norte-americanas no Iraque, e com os xiitas, que at&eacute; agora tamb&eacute;m as ap&oacute;iam, embora de maneira reticente. Os curdos consideram que seu futuro est&aacute; em um Iraque federal, mas recha&ccedil;am qualquer poder do governo central em sua &aacute;rea. De fatos, pretendem a independ&ecirc;ncia completa. <\/p>\n<p> Outro assunto que separa os curdos dos outros dois grupos &eacute; o papel do Isl&atilde;. Tanto os partidos xiitas quanto os sunitas querem que o Isl&atilde; seja a principal fonte da futura legisla&ccedil;&atilde;o. Os curdos, tamb&eacute;m mu&ccedil;ulmanos mas com uma cultura pol&iacute;tica mais secular, dizem que o Isl&atilde; deve ser apenas uma das fontes de legisla&ccedil;&atilde;o. Grupos feministas e o governo dos Estados Unidos tamb&eacute;m temem que um papel muito forte do Isl&atilde;, que, de todo modo, seria a religi&atilde;o do Estado, menospreze os direitos das mulheres iraquianas, que em compara&ccedil;&atilde;o com o resto do mundo &aacute;rabe gozam de maiores liberdades. <\/p>\n<p> A derrota dos sunitas em uma eventual guerra civil poderia levar &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um enclave sunita no centro do Iraque, que se transformaria em ref&uacute;gio de terroristas, como ocorreu no Afeganist&atilde;o sob o governo do grupo fundamentalista Talib&atilde;. Entretanto, a aceita&ccedil;&atilde;o sunita de uma autoridade central debilitada em uma estrutura federal poderia ter o mesmo efeito. Apenas uma vit&oacute;ria total dos curdos e xiitas combinados pode p&ocirc;r fim a qualquer das duas situa&ccedil;&otilde;es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beirute, 19\/08\/2005 &ndash; Os tr&ecirc;s grupos principais, que discutem um novo projeto de Constitui&ccedil;&atilde;o para o Iraque, avan&ccedil;aram muito pouco no que se refere &agrave;s discrep&acirc;ncias que levaram o Parlamento a ampliar o prazo para apresenta&ccedil;&atilde;o do texto at&eacute; segunda-feira. Os assuntos mais importantes pendentes de resolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o federalismo e o papel do Isl&atilde;. O principal partido &aacute;rabe sunita, o Partido Isl&acirc;mico Iraquiano, criticou, na quarta-feira, a Comiss&atilde;o Constituinte, da qual faz parte, chamando-a de viciada e ca&oacute;tica. Essas obje&ccedil;&otilde;es evidenciam que os sunitas t&ecirc;m mais preven&ccedil;&otilde;es sobre a nova ordem no Iraque do que os outros dois grupos do pa&iacute;s, xiitas e curdos. 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