{"id":916,"date":"2005-08-19T00:00:00","date_gmt":"2005-08-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=916"},"modified":"2005-08-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-19T00:00:00","slug":"ndia-auto-ajuda-em-verso-rural-e-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/ndia-auto-ajuda-em-verso-rural-e-feminina\/","title":{"rendered":"&Iacute;ndia: Auto-ajuda em vers&atilde;o rural e feminina"},"content":{"rendered":"<p>Naitri,  &Iacute;ndia, 19\/08\/2005 &ndash; Desde seu in&iacute;cio, em 2000, grupos de auto-ajuda t&ecirc;m sido decisivos para que as mulheres, de v&aacute;rias remotas aldeias indianas do norte montanhoso, melhorem sua qualidade de vida e ganhem poder, incursionando pela primeira vez em governos tradicionalmente patriarcais. Enfrentar problemas como o analfabetismo feminino se tornou menos duro, uma vez que as mulheres desta aldeia do pitoresco Estado de Uttaranchal (norte) decidiram que esses assuntos estavam estreitamente vinculados &agrave; vadiagem da popula&ccedil;&atilde;o masculina e seu tradicional h&aacute;bito de tomar bebidas alco&oacute;licas.<br \/> <!--more--> <br \/> Organizando-se em pequeno mas determinado grupo de auto-ajuda, as mulheres empreenderam a dupla tarefa de conseguir que suas filhas fossem &agrave; escola, desafiando a opini&atilde;o dos homens, e lan&ccedil;ar uma agressiva campanha antialco&oacute;lica. Assim, come&ccedil;aram a entrar sem medo nas casas e destruir recipientes e equipamentos para destilar bebidas caseiras, e obrigaram seus maridos a levar a s&eacute;rio seus prop&oacute;sitos: promover a alfabetiza&ccedil;&atilde;o e proibir o &aacute;lcool. Cinco anos mais tarde, estas mulheres olham para tr&aacute;s com satisfa&ccedil;&atilde;o e est&atilde;o prontas para colher os benef&iacute;cios de livrar do &aacute;lcool a aldeia de Naitri, e ver meninos e meninas irem e voltarem alegremente da escola.<\/p>\n<p> As mulheres de Naitri juram que nada disto teria ocorrido se o grupo de auto-ajuda n&atilde;o tivesse sido formado em 2000. Esse grupo se converteu em uma for&ccedil;a t&atilde;o expressiva que hoje praticamente controla o &quot;panchayat&quot; da aldeia (principal &oacute;rg&atilde;o de governo local) e sua l&iacute;der, Rampyari, pretende disputar as elei&ccedil;&otilde;es para &quot;gram pradhann&quot; (chefe da aldeia), coisa que uma mulher n&atilde;o imaginaria poucos anos atr&aacute;s. Arrancar esse basti&atilde;o de poder e controle patriarcal exp&ocirc;s a perseveran&ccedil;a feminina diante da resist&ecirc;ncia masculina, embora tamb&eacute;m tenha colaborado uma lei nacional que reserva 33% das cadeiras nos parlamentos locais de governo &agrave;s mulheres.<\/p>\n<p> Hoje, as mulheres est&atilde;o ocupadas na constru&ccedil;&atilde;o de um edif&iacute;cio para abrigar este organismo. &quot;Enquanto nos encarregamos de v&aacute;rios trabalhos de desenvolvimento na aldeia, levamos &agrave;s autoridades nosso pedido de uma &quot;panchayat bhawan&quot; (sede do panchayat)&quot;, disse Rampyari, de 38 anos, &agrave; IPS. Os homens da aldeia foram contra a constru&ccedil;&atilde;o de um edif&iacute;cio, que, para eles, busca institucionalizar o novo poder das mulheres. &quot;N&oacute;s, as mulheres, temos muito poder. Necessit&aacute;vamos de um local para nos reunir e discutir temas importantes para nossa aldeia, tais como prote&ccedil;&atilde;o dos cultivos e melhores estradas&quot;, afirmou Rampyari.<\/p>\n<p> Quando a aquisi&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;dio para construir a sede se converteu em uma batalha entre os sexos, pois os homens das mais de cem fam&iacute;lias que formavam a aldeia opunham resist&ecirc;ncia, as mulheres levaram sua demanda ao magistrado do distrito de Uttarkashi, um burocrata poderoso que representa o governo central &quot;O magistrado do distrito decidiu a nosso favor e ordenou que um inspetor policial visitasse nossa aldeia e se assegurasse de que poder&iacute;amos erguer o edif&iacute;cio sem problemas&quot;, contou Rampyari. &quot;Controlei pessoalmente a constru&ccedil;&atilde;o, que durou uns dez meses&quot;, acrescentou. As integrantes do grupo de auto-ajuda reuniram o dinheiro necess&aacute;rio para comprar o terreno e o governo forneceu US$ 3,5 mil necess&aacute;rios para erguer uma sede apropriada.<\/p>\n<p> A hist&oacute;ria de Naitri &eacute; um exemplo inspirador de como as mulheres podem se libertar de grilh&otilde;es culturais e tradicionais quando se organizam para pressionar por seus direitos. E n&atilde;o &eacute; um caso isolado nestas regi&otilde;es. Na aldeia pr&oacute;xima de Kimi, um grupo de auto-ajuda, integrado por dez mulheres, trabalha com o panchayat para garantir que o desenvolvimento da aldeia aconte&ccedil;a de maneira r&aacute;pida e eficiente. &quot;Nosso grupo &eacute; um f&oacute;rum efetivo para discutir temas como a limpeza e abertura de caminhos, fornecimento de &aacute;gua, coleta de forragem e outros assuntos comunit&aacute;rios&quot;, explicou Lakshmi, de 55 anos, presidente do panchayat.<\/p>\n<p> O grupo imp&otilde;e multas equivalentes a US$ 0,40 aos camponeses que deixam seu gado pastar em terras cultivadas e, assim, afirma sua autoridade. &quot;O grupo nos proporciona tanto conhecimento como economia. De outro modo, quem se preocuparia conosco, mulheres analfabetas da montanha?&quot;, pergunta Lakshmi. O bloco de Naugaon (unidade administrativa b&aacute;sica) do distrito de Uttarkashi, onde ficam as aldeias de Naitri e Kimi, tem &iacute;ndice de alfabetiza&ccedil;&atilde;o de 41% de seus 56 mil habitantes, mas as mulheres alfabetizadas s&atilde;o apenas 6,5% do total da popula&ccedil;&atilde;o feminina.<\/p>\n<p> &quot;Em nossa &eacute;poca, as meninas eram proibidas de freq&uuml;entar a escola. Nos diziam que n&atilde;o era importante porque de todo modo nos casar&iacute;amos e ser&iacute;amos enviadas a outra aldeia. Hoje, todas as meninas da aldeia v&atilde;o &aacute; escola&quot;, disse Surjidevi, ex-secret&aacute;ria do grupo de auto-ajuda de Kimi. O conceito deeses grupos tamb&eacute;m foi decisivo para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica das mulheres em &aacute;reas rurais, disse Chhaya Kunwar, coordenadora do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o A&ccedil;&atilde;o Himalaia, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental com sede em Dehradun, capital do Estado de Uttaranchal.<\/p>\n<p> O Centro trabalhou durante anos em favor do progresso social, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico das mulheres da montanha, e em 2000, iniciou o processo de cria&ccedil;&atilde;o de grupos de auto-ajuda em Naugaon, Purola, Barkot, Bagasu e Rajgarhi, no distrito de Uttarkashi. Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, o Centro colaborou com o funcionamento de 182 grupos deste tipo em Uttarkashi, e Chhaya acredita que se percorreu um longo caminho para o cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, especialmente as relativas ao alcance de educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria universal, promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&ecirc;nero e o al&iacute;vio da pobreza.<\/p>\n<p> A ONU adotou, em setembro de 2000, as oito Metas do Mil&ecirc;nio como uma plataforma de desenvolvimento para chegar a 2015 com redu&ccedil;&otilde;es substanciais da pobreza extrema, da fome e da desigualdade no mundo. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil o trabalho nessas regi&otilde;es remotas do vasto subcontinente indiano. &quot;Acreditamos que qualquer sucesso &eacute; resultado de um processo lento e gradual de constru&ccedil;&atilde;o institucional&quot;, disse Chhaya. O Centro possui uma estrat&eacute;gia paulatina de criar e fortalecer grupos de auto-ajuda, para depois passar &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o. &quot;S&atilde;o organizadas sess&otilde;es de treinamento, exposi&ccedil;&otilde;es, intera&ccedil;&atilde;o frente a frente com especialistas profissionais e funcion&aacute;rios do governo para gerar confian&ccedil;a nas mulheres, desenvolver suas qualidades de lideran&ccedil;a e potencializar suas habilidades para administrar os grupos&quot;, contou Chhaya.<\/p>\n<p> Algumas pessoas foram treinadas como motivadoras para auxiliar em quest&otilde;es que, se n&atilde;o fossem tratadas delicadamente, poderiam resultar na desintegra&ccedil;&atilde;o dos grupos de auto-ajuda, especialmente em suas fases iniciais, quando emergiam os choques de id&eacute;ias sobre alguns assuntos. Os motivadores tiveram um papel fundamental no fortalecimento dos grupos, ressaltou Ameeta Kala, ativista do Centro por mais de oito anos. Os obst&aacute;culos do processo s&atilde;o muitos, como a falta de compreens&atilde;o do funcionamento do grupo, n&atilde;o atualizar as atas de reuni&otilde;es mensais, n&atilde;o pagar em dia as cotas de algum empr&eacute;stimo, pouca disciplina e desinteresse, lembrou Ameeta.<\/p>\n<p> Muitos grupos se fortaleceram porque foram estimulados a realizar atividades para gerar renda, com base em recursos dispon&iacute;veis no lugar. O grupo de Naitri conta com um pequeno fundo comum de US$ 100 no banco local, al&eacute;m de um fundo rotativo de US$ 300, para os integrantes tomarem empr&eacute;stimos em ocasi&otilde;es como doen&ccedil;as, casamentos e compra de sementes para cultivar. Em Kimi, as habitantes s&atilde;o mais ambiciosas, e iniciaram press&otilde;es para que as autoridades instalem um posto m&eacute;dico na aldeia, al&eacute;m de mais aquedutos, para melhorar o bem-setar geral e aumentar a produtividade. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naitri,  &Iacute;ndia, 19\/08\/2005 &ndash; Desde seu in&iacute;cio, em 2000, grupos de auto-ajuda t&ecirc;m sido decisivos para que as mulheres, de v&aacute;rias remotas aldeias indianas do norte montanhoso, melhorem sua qualidade de vida e ganhem poder, incursionando pela primeira vez em governos tradicionalmente patriarcais. Enfrentar problemas como o analfabetismo feminino se tornou menos duro, uma vez que as mulheres desta aldeia do pitoresco Estado de Uttaranchal (norte) decidiram que esses assuntos estavam estreitamente vinculados &agrave; vadiagem da popula&ccedil;&atilde;o masculina e seu tradicional h&aacute;bito de tomar bebidas alco&oacute;licas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/ndia-auto-ajuda-em-verso-rural-e-feminina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1638,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1638"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=916"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}