{"id":9160,"date":"2011-11-29T15:12:16","date_gmt":"2011-11-29T15:12:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9160"},"modified":"2011-11-29T15:12:16","modified_gmt":"2011-11-29T15:12:16","slug":"crise-financeira-derruba-governos-sem-mudar-politicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/economia\/crise-financeira-derruba-governos-sem-mudar-politicas\/","title":{"rendered":"Crise financeira derruba governos sem mudar pol\u00edticas"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 29\/11\/2011 &ndash; As causas que levaram \u00e0 grave crise de d\u00edvida soberana na Uni\u00e3o Europeia (UE), cujos primeiros sinais de debilidade remontam a 2007, n\u00e3o foram eliminadas com a sucess\u00e3o de mudan\u00e7as de governo em v\u00e1rios pa\u00edses do bloco. <!--more--> Na Espanha, as elei\u00e7\u00f5es gerais do dia 20 terminaram com vit\u00f3ria do centrista Partido Popular (PP). O resultado foi uma clara condena\u00e7\u00e3o ao governante Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol (PSOE) por n\u00e3o conter a profunda crise econ\u00f4mica que causou um desemprego sem precedentes e maior pobreza, seguidos de um grande mal-estar social.<\/p>\n<p>O PP venceu apesar de sua \u00f3bvia responsabilidade na bolha imobili\u00e1ria que precipitou a crise e que nasceu durante seu governo, entre 1996 e 2004. Tampouco explicou durante a campanha como far\u00e1 para promover o crescimento econ\u00f4mico, nem como responder\u00e1 ao movimento dos \u201cindignados\u201d. A mudan\u00e7a de governo na Espanha \u00e9 a quinta que acontece este ano na Uni\u00e3o Europeia e na zona do euro, diretamente vinculada \u00e0 crise econ\u00f4mica que se abate sobre o Norte industrializado, derivada do colapso dos mercados financeiros de 2008 nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Isl\u00e2ndia e Hungria, que n\u00e3o pertencem \u00e0 zona do euro, tamb\u00e9m mudaram de governo em 2009 devido \u00e0 crise financeira e de d\u00edvida soberana. O processo se deu por via democr\u00e1tica na Isl\u00e2ndia, Irlanda, Hungria, Espanha e em Portugal. N\u00e3o se distingue um padr\u00e3o nas prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas expressas pelos respectivos eleitorados nas urnas. As pessoas simplesmente votaram na oposi\u00e7\u00e3o, fosse de direita ou de esquerda, e para expulsar o partido governante, sem importar seu programa nem seu desempenho anterior.<\/p>\n<p>Os governos de Giorgos Papandreou, na Gr\u00e9cia, e de Silvio Berlusconi, na It\u00e1lia, tiveram que dar um passo atr\u00e1s este ano por sua incapacidade para enfrentar uma elevada d\u00edvida e foram substitu\u00eddos por coaliz\u00f5es de tecnocratas, n\u00e3o eleitos pelo voto popular. Contudo, as mudan\u00e7as n\u00e3o desembocaram em resultados substanciais no que diz respeito a eliminar as causas da crise, como s\u00e3o a desregulamenta\u00e7\u00e3o e supremacia dos mercados financeiros internacionais e a decis\u00e3o dos governos de recorrer ao cr\u00e9dito para financiar as atividades estatais, em lugar de gravar a renda e a riqueza.<\/p>\n<p>Os novos l\u00edderes que assumem fun\u00e7\u00f5es reduzem o gasto p\u00fablico e os planos de bem-estar social, aumentam os impostos sobre o consumo e, provavelmente, prolonguem os programas de austeridade j\u00e1 implantados por seus antecessores, sem levar em conta que as medidas possam agravar a recess\u00e3o e diminuir a capacidade do Estado para melhorar sua arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro lado da realidade \u00e9 que os pa\u00edses mais afetados da zona do euro, que s\u00e3o Irlanda, Portugal, Espanha, Gr\u00e9cia e It\u00e1lia, conservar\u00e3o o euro como moeda pr\u00f3pria, apesar de as diferen\u00e7as na competitividade econ\u00f4mica sugerirem que a atual organiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o monet\u00e1ria n\u00e3o parecer fact\u00edvel. O que dificulta a operacionalidade na zona do euro \u00e9 a falta de coer\u00eancia no sistema de impostos dos pa\u00edses que a integram e de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica comum.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, independente de sua cor pol\u00edtica, alguns governos parecem reticentes em atacar o que numerosos economistas e analistas consideram o n\u00facleo do problema: regulamentar os mercados financeiros, proibir as transa\u00e7\u00f5es sem valor econ\u00f4mico objetivo e restaurar o dom\u00ednio das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas p\u00fablicas sobre os interesses privados. Um exemplo da falta de vontade para realizar mudan\u00e7as no sistema financeiro \u00e9 o fracasso da proposta de implantar a chamada taxa Tobin sobre transa\u00e7\u00f5es financeiras. Lan\u00e7ada h\u00e1 quase 40 anos, pelo hoje falecido Pr\u00eamio Nobel James Tobin, a iniciativa \u00e9 discutida na Europa desde que surgiu a crise financeira e se generalizou no Norte em 2009.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro da Gr\u00e3-Bretanha, David Cameron, deixou claro, na semana passada, que seu governo vetar\u00e1 a incorpora\u00e7\u00e3o da taxa pela UE. Como todas as decis\u00f5es fiscais dentro do bloco devem ser aprovadas por unanimidade, a medida j\u00e1 n\u00e3o tem a m\u00ednima possibilidade de ser implantada. A proibi\u00e7\u00e3o de impor instrumentos financeiros enormemente especulativos e com ares de ilegalidade, como a venda r\u00e1pida de a\u00e7\u00f5es, as compras financiadas por terceiros e as permutas de descumprimento credit\u00edcio descobertas (CDS), provavelmente tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 conseguida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 altamente prov\u00e1vel que a Gr\u00e3-Bretanha se oponha a aplicar medidas gerais, apesar de a UE ter suspendido em algumas ocasi\u00f5es nos \u00faltimos quatro anos vendas curtas escolhidas e, na metade deste m\u00eas, o Parlamento Europeu prop\u00f4s novas regras para as CDS. A oposi\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica \u00e0 taxa Tobin e ao controle de transa\u00e7\u00f5es altamente especulativas se relaciona diretamente com o peso dos mercados financeiros, como \u00e9 o caso da City de Londres, um dos centros mais importantes da economia desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>As CDS, j\u00e1 comparadas com contratos ilegais de seguros contra inc\u00eandios, foi considerada um instrumento fundamental da acelera\u00e7\u00e3o do estouro da bolha imobili\u00e1ria nos Estados Unidos, que desencadeou a queda da economia global e a crise de d\u00edvida soberana dos \u00faltimos quatro anos. As CDS permitem que os especuladores apostem na queda dos pre\u00e7os das casas e no ganho de grandes quantias de dinheiro quando efetivamente cai o mercado imobili\u00e1rio. Na crise de d\u00edvida soberana, os fundos de risco e outros especuladores com CDS sobre b\u00f4nus de Estados europeus apostavam que um determinado pa\u00eds, a Fran\u00e7a, por exemplo, n\u00e3o conseguiria pagar sua d\u00edvida.<\/p>\n<p>Os fundos de risco e outros especuladores podem pressionar as ag\u00eancias de qualifica\u00e7\u00e3o que avaliam a solv\u00eancia de pa\u00edses endividados e induzi-las a se comportarem segundo seus interesses. Especula-se que a \u00faltima baixa de qualifica\u00e7\u00e3o dos b\u00f4nus europeus obedeceu, em parte, a essa coniv\u00eancia enganosa. No come\u00e7o deste m\u00eas, uma ag\u00eancia qualificadora baixou por erro a nota da solv\u00eancia da Fran\u00e7a. Imediatamente o corrigiu e explicou que o e-mail com a informa\u00e7\u00e3o falsa fora enviado por engano. No entanto, a possibilidade de serem cometidos \u201cerros\u201d com este mostra que as empresas est\u00e3o longe de serem rigorosas.<\/p>\n<p>Os governos europeus, por sua vez, afirmam que as pessoas \u201cvivem acima de suas possibilidades\u201d, para justificar os cortes do gasto p\u00fablico e dos programas de bem-estar social. A verdade \u00e9 que a Europa \u00e9, apesar da crise, um continente extremamente rico, cuja riqueza est\u00e1 injustamente distribu\u00edda e gravada. Diversos estudos mostram que a riqueza, que aumenta de forma sustentada h\u00e1 d\u00e9cadas, tamb\u00e9m est\u00e1 cada vez mais concentrada nas classes altas. Enquanto 27% da popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 n\u00e3o tem nenhum patrim\u00f4nio, 10% da mais rica possui 60% da riqueza do pa\u00eds. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 29\/11\/2011 &ndash; As causas que levaram \u00e0 grave crise de d\u00edvida soberana na Uni\u00e3o Europeia (UE), cujos primeiros sinais de debilidade remontam a 2007, n\u00e3o foram eliminadas com a sucess\u00e3o de mudan\u00e7as de governo em v\u00e1rios pa\u00edses do bloco. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/11\/economia\/crise-financeira-derruba-governos-sem-mudar-politicas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[30,18],"class_list":["post-9160","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-analise","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}