{"id":9174,"date":"2011-12-01T15:36:44","date_gmt":"2011-12-01T15:36:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9174"},"modified":"2011-12-01T15:36:44","modified_gmt":"2011-12-01T15:36:44","slug":"brasil-vazamento-ativa-alarmes-em-exploracao-submarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/america-latina\/brasil-vazamento-ativa-alarmes-em-exploracao-submarina\/","title":{"rendered":"BRASIL: Vazamento ativa alarmes em explora\u00e7\u00e3o submarina"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/12\/2011 &ndash; Quase um m\u00eas depois de come\u00e7ar o vazamento de petr\u00f3leo, as autoridades brasileiras ainda n\u00e3o puderam determinar as causas, o volume, a extens\u00e3o da mancha nem os danos ao ecossistema provocados pela falha em uma das plataformas da empresa norte-americana Chevron, no Oceano Atl\u00e2ntico.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9174\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/99701-20111130.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9174\" class=\"size-medium wp-image-9174\" title=\" - Ag\u00eancia Brasil 3.0 Brasil (CC BY 3.0)\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/99701-20111130.jpg\" alt=\" - Ag\u00eancia Brasil 3.0 Brasil (CC BY 3.0)\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9174\" class=\"wp-caption-text\"> - Ag\u00eancia Brasil 3.0 Brasil (CC BY 3.0)<\/p><\/div>  Entre contradi\u00e7\u00f5es e falta de informa\u00e7\u00e3o, generalizou-se o temor sobre os riscos ambientais que representa explorar as milion\u00e1rias jazidas de petr\u00f3leo encontradas na camada pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>O maior alerta saiu sem querer da mesma boca que est\u00e1 mais interessada em se defender, a pr\u00f3pria Chevron, que opera o po\u00e7o com problemas, localizado a 1.200 metros de profundidade no Campo do Frade, na Bacia de Campos, 370 quil\u00f4metros mar adentro, diante da costa do Rio de Janeiro. \u201cEstamos lidando com a M\u00e3e Natureza e ela \u00e9 complicada\u201d, disse \u00e0 imprensa o presidente da Chevron para \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, Ali Moshiri, para justificar o acidente, segundo a Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>No entanto, Leandra Gon\u00e7alves, da Campanha Clima e Energia da organiza\u00e7\u00e3o Greenpeace, disse que \u201cos fatos s\u00e3o contradit\u00f3rios e as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o confusas desde que se soube do acidente. A empresa e o governo brasileiro lidaram com a situa\u00e7\u00e3o com muita falta de transpar\u00eancia\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel afirmar que o vazamento j\u00e1 foi contido, como afirma a Chevron\u201d, acrescentou Leandra. \u201cAl\u00e9m disso, a quantidade de petr\u00f3leo que vazou, apesar de ter sido contido, ainda continua espalhando toxicidade pelo mar. O petr\u00f3leo do Campo do Frade \u00e9 do tipo pesado, o que propicia a dispers\u00e3o\u201d, explicou a ativista.<\/p>\n<p>Segundo o governo federal, a \u201ccomplexidade geol\u00f3gica\u201d da jazida submarina pode ter contribu\u00eddo para o acidente, embora a empresa opere no Brasil com \u201cum dos melhores \u00edndices de seguran\u00e7a\u201d, em compara\u00e7\u00e3o com todas as suas atividades no mundo, segundo funcion\u00e1rios. A pergunta inevit\u00e1vel \u00e9 o que ocorreria em situa\u00e7\u00f5es menos seguras. E, sobretudo, quanto mais \u201ccomplicada\u201d ser\u00e1 a M\u00e3e Natureza quando se tratar de extrair o petr\u00f3leo que fica a sete quil\u00f4metros de profundidade, debaixo das camadas de sal do leito marinho.<\/p>\n<p>Essas jazidas s\u00e3o consideradas uma \u201cnova fronteira\u201d de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, portanto, com maiores desafios e riscos tecnol\u00f3gicos. Trata-se de um reservat\u00f3rio de petr\u00f3leo e g\u00e1s situado em l\u00e2minas de \u00e1gua de mil a dois mil metros e de quatro mil a seis mil metros debaixo do leito marinho, inclu\u00edda uma camada de sal que varia de 200 a dois mil metros, em uma extensa \u00e1rea diante da costa brasileira entre os Estados de Santa Catarina e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a descoberta e posterior pesquisa sobre estas jazidas, as reservas brasileiras comprovadas saltaram de 14 bilh\u00f5es de barris para 33 bilh\u00f5es de barris, aos quais se deve somar entre 50 bilh\u00f5es e 100 bilh\u00f5es barris poss\u00edveis e prov\u00e1veis. O acidente na plataforma da Chevron \u201cfoi um alerta vermelho\u201d sobre os trabalhos futuros nas jazidas pr\u00e9-sal, disse \u00e0 imprensa internacional o secret\u00e1rio de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc. \u201cTemos que prevenir mais, estudar mais, sermos mais rigorosos e combater a impunidade ambiental\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O vazamento de petr\u00f3leo come\u00e7ou no dia 7 de novembro por raz\u00f5es ainda n\u00e3o bem explicadas. A empresa disse que enquanto perfurava um po\u00e7o houve uma press\u00e3o inesperada de petr\u00f3leo que provocou o vazamento e sua infiltra\u00e7\u00e3o em fissuras da rocha marinha. Mas a Pol\u00edcia Federal suspeita que a Chevron poderia estar retirando petr\u00f3leo al\u00e9m da profundidade permitida. Tampouco h\u00e1 clareza sobre o volume que vazou. A companhia assegurou, no come\u00e7o, que foram perdidos entre 400 e 650 barris, mas, posteriormente, a proje\u00e7\u00e3o subiu para at\u00e9 2.400 barris.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es sobre a extens\u00e3o da mancha. A Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) fala sobre 163 quil\u00f4metros quadrados, mas esse n\u00famero deve aumentar dez vezes se forem consideradas as proje\u00e7\u00f5es feitas com base em imagens via sat\u00e9lites do ge\u00f3grafo John Amos, diretor do portal Sky Truth. A ANP decidiu suspender as atividades de perfura\u00e7\u00e3o da Chevron no Campo do Frade at\u00e9 que sejam identificadas as causas e os respons\u00e1veis pelo vazamento, al\u00e9m de qualificar de \u201cnegligente\u201d o comportamento da companhia no Brasil.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as autoridades rejeitaram um pedido de perfura\u00e7\u00e3o em uma jazida pr\u00e9-sal, tamb\u00e9m no Campo do Frade. O Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Pol\u00edcia Federal estudam o acidente, tanto em suas causas como nos impactos ambientais que acarreta. Os respons\u00e1veis pelo desastre podem ser punidos at\u00e9 com pena de pris\u00e3o, al\u00e9m de aumentar a multa inicial de US$ 28 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEste acidente \u00e9 um alerta, n\u00e3o apenas para a extra\u00e7\u00e3o atual como tamb\u00e9m das que ser\u00e3o feitas no pr\u00e9-sal\u201d, disse \u00e0 IPS o bi\u00f3logo Mario Moscatelli. \u201cSe as empresas n\u00e3o est\u00e3o preparadas para a explora\u00e7\u00e3o, especialmente do pr\u00e9-sal, o poder p\u00fablico tampouco est\u00e1 preparado para fiscaliz\u00e1-las e exigir a competitividade que a lei estabelece. Estamos em um voo cego e este acidente pode ser seguido por outros\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Cerca de 90% das extra\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo no Brasil acontecem mar adentro, e a Petrobras, que compartilha com a Chevron 30% da explora\u00e7\u00e3o do Campo do Frade, se converteu em uma refer\u00eancia no desenvolvimento de tecnologia em \u00e1guas profundas. \u201c\u00c9 fundamental que as empresas sejam obrigadas a se capacitar tecnicamente, como o poder p\u00fablico, e n\u00e3o chegar \u00e0 \u00e1rea do desastre depois de ocorrido. \u00c9 preciso evit\u00e1-lo\u201d, alertou Mario.<\/p>\n<p>Por sua vez, Minc defendeu a postura governamental. \u201cN\u00e3o vejo que este acidente signifique que o Brasil n\u00e3o deva explorar petr\u00f3leo\u201d, disse. \u201cO que acredito \u00e9 que este acidente, da maneira como se deu e em \u00e1guas profundas, deve ser um sinal de alerta para tomar medidas mais duras, prevenir mais e penalizar exemplarmente quem contamina ou esconde informa\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Depois do acidente do Golfo do M\u00e9xico, que em 2010 causou o vazamento de quatro milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, o governo brasileiro e a ANP anunciaram medidas para refor\u00e7ar a seguran\u00e7a da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em alto mar, especialmente nas perfura\u00e7\u00f5es. Contudo, agora, a pr\u00f3pria ANP \u00e9 alvo do processo de pesquisa por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico, para determinar as falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00e1rea do desastre \u00e9 rica em peixes e mam\u00edferos marinhos, e os verdadeiros impactos poder\u00e3o ser percebidos ao longo dos pr\u00f3ximos meses, segundo Leandra, do Greenpeace. \u201cAl\u00e9m disso, o fito e o zoo pl\u00e2ncton contaminados que servem de alimento para presas maiores podem fazer com que a toxicidade aumente nas diversas regi\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O acidente acontece quando o Congresso discute uma nova distribui\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios do petr\u00f3leo, que diminui o lucro dos Estados produtores, como o Rio de Janeiro. \u201c\u00c9 a demonstra\u00e7\u00e3o clara do que significa um dano ambiental em um Estado produtor\u201d, disse o governador Sergio Cabral. Apesar dos riscos, as autoridades federais e estaduais defendem a continua\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o nas camadas pr\u00e9-sal, com as quais o Brasil espera se converter em uma pot\u00eancia petrol\u00edfera mundial. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/12\/2011 &ndash; Quase um m\u00eas depois de come\u00e7ar o vazamento de petr\u00f3leo, as autoridades brasileiras ainda n\u00e3o puderam determinar as causas, o volume, a extens\u00e3o da mancha nem os danos ao ecossistema provocados pela falha em uma das plataformas da empresa norte-americana Chevron, no Oceano Atl\u00e2ntico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/america-latina\/brasil-vazamento-ativa-alarmes-em-exploracao-submarina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,10,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-9174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-energia","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}