{"id":919,"date":"2005-08-22T00:00:00","date_gmt":"2005-08-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=919"},"modified":"2005-08-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-22T00:00:00","slug":"ndia-sem-cura-para-mares-enfermos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/ndia-sem-cura-para-mares-enfermos\/","title":{"rendered":"&Iacute;ndia: Sem cura para mares enfermos"},"content":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 22\/08\/2005 &ndash; Entre 80% e 90% dos esgotos s&atilde;o despejados sem tratamento nos mares da Am&eacute;rica Latina. H&aacute; poucos esfor&ccedil;os para evitar essa situa&ccedil;&atilde;o, afirmam especialistas.<br \/> <!--more--> A Am&eacute;rica Latina e o Caribe mal d&atilde;o aten&ccedil;&atilde;o &agrave; gigantesca enxurrada de descargas municipais, lixo, hidrocarbonos e pesticidas em suas &aacute;guas mar&iacute;timas. Assim, milh&otilde;es de d&oacute;lares s&atilde;o perdidos com a deteriora&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas, redu&ccedil;&atilde;o dos volumes de pesca e danos &agrave; sa&uacute;de humana. Estudos indicam que entre 80% e 90% do esgoto proveniente de fontes terrestres chegam aos mares da regi&atilde;o sem nenhum tratamento. Ali afetam milh&otilde;es de peixes e crust&aacute;ceos, os de maior import&acirc;ncia comercial, e ecossistemas fr&aacute;geis que come&ccedil;am apresentar as conseq&uuml;&ecirc;ncias.<\/p>\n<p> Embora as informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis sejam escassas, tudo indica que existe &quot;um grande problema&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Chris Corbin, a principal autoridade do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em mat&eacute;ria de contamina&ccedil;&atilde;o marinha no Caribe. O especialista e delegados da regi&atilde;o se re&uacute;nem, entre 22 e 26 de agosto, na capital do M&eacute;xico, para analisar a situa&ccedil;&atilde;o, avan&ccedil;ar em programas nacionais e conjuntos, e tra&ccedil;ar estrat&eacute;gias. Corbin lamentou que para a maioria dos governos a contamina&ccedil;&atilde;o de mares e rios n&atilde;o seja assunto priorit&aacute;rio. Entretanto, em 1996, os ministros da regi&atilde;o a declararam como o principal problema ambiental.<\/p>\n<p> &quot;Muitos acordos e compromissos s&atilde;o feitos, mas tudo fica nas palavras&quot;, afirmou Felipe V&aacute;zquez, pesquisador do Instituto de Ci&ecirc;ncias do Mar e Limnologia da Universidade Nacional Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico (Unam). A Am&eacute;rica Latina e o Caribe t&ecirc;m 64 mil quil&ocirc;metros de litoral e 16 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados de territ&oacute;rios marinhos, diariamente afetados por milhares de toneladas de esgoto, procedente de zonas urbanas, industriais e agr&iacute;colas. Sessenta das 77 maiores cidades da regi&atilde;o s&atilde;o costeiras, e 60% da popula&ccedil;&atilde;o vive a menos de cem quil&ocirc;metros do litoral.<\/p>\n<p> Esses centros urbanos e suas ind&uacute;strias, incluindo a petroleira, despejam esgoto no mar e pressionam seus h&aacute;bitat de forma direta, e tamb&eacute;m o fazem aqueles que vivem terra adentro, com o traslado de esgoto para os rios. Apenas 2% do esgoto recebe tratamento antes de chegar a rios e mares. A plataforma mar&iacute;tima regional &eacute; pouco profunda e relativamente estreita, quase sempre inferior a 20 quil&ocirc;metros, e cai em abrupto declive at&eacute; mais de seis mil metros. Esta topografia permite que as correntes profundas renovem com relativa velocidade a &aacute;gua contaminada.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, a descarga de esgoto chegou a tal ponto que essa vantagem est&aacute; por se perder. Estudos da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal) indicam que alguns manguezais e arrecifes de coral foram danificados al&eacute;m de sua capacidade de recupera&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, em toda a regi&atilde;o se reporta uma clara redu&ccedil;&atilde;o da pesca e h&aacute; uma evidente agress&atilde;o &agrave; qualidade dos alimentos de origem marinha. N&atilde;o h&aacute; dados concludentes sobre o impacto na sa&uacute;de humana destes problemas, mas investiga&ccedil;&otilde;es feitas pelo Pnuma indicam que o consumo de alimentos de zonas costeiras e de &aacute;gua doce proveniente de &aacute;reas contaminadas produzem cerca de 2,5 milh&otilde;es de casos de hepatite e 25 mil mortes.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, doen&ccedil;as como c&oacute;lera e diarr&eacute;ia e muitas afec&ccedil;&otilde;es da pele est&atilde;o diretamente vinculadas &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o dos mares. V&aacute;zquez afirma que os governos &quot;est&atilde;o paralisados&quot; diante do avan&ccedil;o da contamina&ccedil;&atilde;o do mar e que as medidas aplicadas s&atilde;o dispersas e escassas. &quot;Esta &eacute;, por exemplo, a situa&ccedil;&atilde;o em que se colocou os mangues, um ecossistema em decad&ecirc;ncia&quot;, disse em entrevista ao Terram&eacute;rica. A superf&iacute;cie mundial de mangues &#8211; florestas pantanosas de mangue em zonas costeiras como estu&aacute;rios, ba&iacute;as e enseadas &#8211; diminuiu 35% nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, chegando a cerca de 17 milh&otilde;es de hectares.<\/p>\n<p> A destrui&ccedil;&atilde;o desse ecossistema, decorrente da contamina&ccedil;&atilde;o, do avan&ccedil;o urbano e das ind&uacute;strias ou do agroneg&oacute;cio, segue ao ritmo de 2,1% ao ano, enquanto as florestas tropicais diminuem 0,8% anualmente, segundo estudos feitos pela organiza&ccedil;&atilde;o ecologista Greenpeace. O Pnuma advertiu, em junho, que na Am&eacute;rica Latina a destrui&ccedil;&atilde;o dos mangues continua desenfreada e em pa&iacute;ses como Honduras e Equador a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; especialmente grave, pois ali foram arrasadas para que fossem constru&iacute;dos tanques para cultivo de camar&atilde;o. Setenta por cento dos peixes capturados no mar nasceram, dependeram de alguma forma ou se reproduziram em mangues, barreiras naturais de faixas costeiras muito fr&aacute;geis.<\/p>\n<p> Segundo o documento da Cepal, intitulado &quot;A contamina&ccedil;&atilde;o dos rios e seus efeitos nas &aacute;reas costeiras e no mar&quot;, na Am&eacute;rica Latina e no Caribe h&aacute; poucos recursos e dispers&atilde;o de esfor&ccedil;os para enfrentar estes fen&ocirc;menos. &quot;Existem problemas importantes de integra&ccedil;&atilde;o e enfoque na gest&atilde;o da &aacute;gua, bem como de estrat&eacute;gias para controlar o efeito negativo que tem a contamina&ccedil;&atilde;o dos rios nas bacias baixas e nas &aacute;reas costeiras, inclusive pelo des&aacute;g&uuml;e de esgoto s&oacute;lido no mar e nas praias, por causa da transforma&ccedil;&atilde;o dos rios em verdadeiros lix&otilde;es&quot;, diz o estudo. Se n&atilde;o forem tomadas medidas, os pa&iacute;ses litor&acirc;neos sofrer&atilde;o agravamento de suas perdas econ&ocirc;micas, com a redu&ccedil;&atilde;o do turismo e da pesca, alertou o pesquisador da Unam.<\/p>\n<p> O problema da contamina&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima de origem terrestre &eacute; centro de debates e iniciativas de car&aacute;ter global desde os anos 70. Para enfrent&aacute;-los foram assinados numerosos acordos regionais e mundiais, patrocinados por ag&ecirc;ncias da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. A reuni&atilde;o do M&eacute;xico &eacute; parte desse processo, e um passo a mais para a reuni&atilde;o intergovernamental do Programa de A&ccedil;&atilde;o Mundial para a Prote&ccedil;&atilde;o do Meio Marinho frente &agrave;s Atividades Realizadas em Terra, programada para outubro de 2006, na China.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 22\/08\/2005 &ndash; Entre 80% e 90% dos esgotos s&atilde;o despejados sem tratamento nos mares da Am&eacute;rica Latina. 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