{"id":9195,"date":"2011-12-06T13:38:21","date_gmt":"2011-12-06T13:38:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9195"},"modified":"2011-12-06T13:38:21","modified_gmt":"2011-12-06T13:38:21","slug":"reportagem-febre-do-gas-de-xisto-esquenta-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/economia\/reportagem-febre-do-gas-de-xisto-esquenta-o-planeta\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Febre do g\u00e1s de xisto esquenta o planeta"},"content":{"rendered":"<p>DURBAN, \u00c1frica do Sul, 06\/12\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Enquanto a promo\u00e7\u00e3o de fontes limpas de energia continua marginalizada dos debates clim\u00e1ticos em Durban, nada det\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o de \u201cg\u00e1s n\u00e3o convencional\u201d nos Estados Unidos e o Canad\u00e1.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9195\" style=\"width: 152px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/555_cartel_stop_fracking.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9195\" class=\"size-medium wp-image-9195\" title=\"Cartaz contra a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s pelo m\u00e9todo \u201cfracking\u201d - Blog da campanha Fratura Hidr\u00e1ulica N\u00e3o, de Cantabria, Espanha\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/555_cartel_stop_fracking.jpg\" alt=\"Cartaz contra a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s pelo m\u00e9todo \u201cfracking\u201d - Blog da campanha Fratura Hidr\u00e1ulica N\u00e3o, de Cantabria, Espanha\" width=\"142\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9195\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz contra a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s pelo m\u00e9todo \u201cfracking\u201d - Blog da campanha Fratura Hidr\u00e1ulica N\u00e3o, de Cantabria, Espanha<\/p><\/div>  A tecnologia do \u201cfracking\u201d (fratura hidr\u00e1ulica) busca os \u00faltimos dep\u00f3sitos de g\u00e1s natural alojados em leitos rochosos de extensas \u00e1reas dos Estados Unidos e do oeste do Canad\u00e1, incentivando uma nova febre de hidrocarbonos que afasta o horizonte de energias limpas para esfriar o planeta. O g\u00e1s em rochas de xisto ou argilas compactas representa uma nova e enorme fonte de combust\u00edvel f\u00f3ssil. \u201cO fracking lidera a explora\u00e7\u00e3o e a perfura\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos\u201d disse Gwen Lachelt, do grupo n\u00e3o governamental Earthworks\u2019Oil &#038; Gas Accountability Project. \u201cA ind\u00fastria do petr\u00f3leo e do g\u00e1s est\u00e1 atravessando todo o pa\u00eds\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nas forma\u00e7\u00f5es norte-americanas de xisto, com espessura de um a tr\u00eas quil\u00f4metros sob a superf\u00edcie, pode haver at\u00e9 23,4 trilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s recuper\u00e1vel, segundo o informe Annual Energy Outlook 2011, divulgado em abril pela Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o de Energia (EIA) dos Estados Unidos. Esse pa\u00eds ter\u00e1 consumido este ano 650 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s, segundo a EIA. E as reservas mundiais \u201cde g\u00e1s n\u00e3o convencional\u201d (termo usado na ind\u00fastria para se referir ao g\u00e1s de xisto e ao metano das camadas carbon\u00edferas) s\u00e3o de 915 trilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, e cem trilh\u00f5es deles est\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Entretanto, esta estimativa j\u00e1 est\u00e1 desatualizada pela velocidade com que avan\u00e7a a t\u00e9cnica e a explora\u00e7\u00e3o. As estimativas da EIA para 2009 sobre o g\u00e1s de argilas compactadas nos Estados Unidos eram inferiores \u00e0 metade do calculado para 2011. A t\u00e9cnica consiste em perfurar a rocha e fratur\u00e1-la injetando \u00e1gua e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sob grande press\u00e3o para que libere o g\u00e1s que cont\u00e9m. Pratica-se uma perfura\u00e7\u00e3o vertical at\u00e9 uma profundidade que varia entre cem metros e tr\u00eas quil\u00f4metros, e depois s\u00e3o feitos buracos horizontais de aproximadamente um quil\u00f4metro ao longo da forma\u00e7\u00e3o rochosa, onde \u00e9 injetado grande volume de \u00e1gua e outras subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>A nova febre se baseia no apetite importador da \u00c1sia e na ideia de que o g\u00e1s \u00e9 \u201co combust\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o\u201d entre uma economia suja, baseada no carv\u00e3o, para uma baixa em di\u00f3xido de carbono CO\u00b2, o principal g\u00e1s-estufa. O g\u00e1s \u00e9 mais limpo, pois libera entre 40% e 45% menos CO\u00b2 do que o carv\u00e3o para gerar a mesma quantidade de energia. Contudo, o g\u00e1s obtido por fratura hidr\u00e1ulica tem uma \u201cpegada de carbono\u201d (a propor\u00e7\u00e3o de CO\u00b2) maior, devido \u00e0 energia que utilizada nessa t\u00e9cnica e pelo vazamento do metano na atmosfera, que tem um efeito estufa 25 vezes mais potente do que o CO\u00b2.<\/p>\n<p>Passar do carv\u00e3o para o g\u00e1s pode causar mais aquecimento global, segundo o estudo \u201cCoal to Gas: The Influence of Methane Leakage\u201d (Do Carv\u00e3o para o G\u00e1s: a Influ\u00eancia dos Vazamentos de Metano), publicado em setembro pelo norte-americano Centro Nacional de Pesquisa Atmosf\u00e9rica (NCAR). Isto se deve principalmente aos vazamentos de metano, que s\u00e3o muito frequentes, mas n\u00e3o est\u00e3o contemplados em nenhuma lei. O g\u00e1s natural \u00e9, de fato, metano. E, embora os vazamentos sejam de 1% ou 2% do extra\u00eddo, queimar g\u00e1s de xisto seria pouco melhor do que continuar queimando carv\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUma depend\u00eancia maior do g\u00e1s reduziria as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, mas pouco ajudaria a solucionar o problema clim\u00e1tico\u201d, disse Tom Wigley, autor do estudo e pesquisador do NCAR, em um comunicado de imprensa. O subcomit\u00ea de g\u00e1s natural do Conselho Assessor do secret\u00e1rio de Energia, Steven Chu, reclamou em um informe, publicado em 18 de novembro, dirigido \u00e0 Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (EPA), que sejam regulamentadas as emiss\u00f5es de metano e outros contaminantes a\u00e9reos da fratura hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria come\u00e7ou este tipo de opera\u00e7\u00e3o no final da d\u00e9cada de 1990. Em 2005, cresceram exponencialmente, quando o governo de George W. Bush (2001-2009) as isentou de cumprir a Lei de \u00c1gua Limpa. Nos \u00faltimos anos, a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de argilas compactadas aumentou ao ritmo de 48% ao ano, segundo a EIA. \u201cO fracking nunca foi regulamentado. N\u00e3o h\u00e1 controle do que est\u00e3o fazendo\u201d, alertou Lachelt, natural do Estado do Colorado, centro dos Estados Unidos, um dos lugares onde esta explora\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais difundida.<\/p>\n<p>Os que vivem perto dos po\u00e7os se queixam h\u00e1 tempos de que a \u00e1gua que bebem est\u00e1 contaminada e mostram imagens do l\u00edquido inflam\u00e1vel que sai de suas torneiras. \u201cPor\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil provar essa contamina\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se exige das empresas que revelem o tipo de subst\u00e2ncia que empregam para fazer o g\u00e1s fluir para fora da rocha\u201d, explicou Lachelt ao Terram\u00e9rica. Fala-se de uma mistura de \u00e1gua, areia e uma grande variedade de produtos, como o diesel, acrescentou.<\/p>\n<p>Enquanto crescem os protestos p\u00fablicos, a ind\u00fastria argumenta que a fratura hidr\u00e1ulica jamais contaminou um aqu\u00edfero. No entanto, sabe-se que as empresas enfrentam ao longo dos anos lit\u00edgios com propriet\u00e1rios de terras nas quais operam, que terminaram com acordos econ\u00f4micos privados nas costas das autoridades.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de 20 anos de fratura hidr\u00e1ulica, a EPA realiza seu primeiro estudo sobre os riscos que pode ter para a \u00e1gua pot\u00e1vel. Os resultados definitivos ser\u00e3o conhecidos no final do pr\u00f3ximo ano. Avan\u00e7os preliminares indicam que em algumas comunidades, pr\u00f3ximas de locais de explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto, a \u00e1gua est\u00e1 contaminada com benzeno, uma subst\u00e2ncia cancer\u00edgena, advertiu Lachelt.<\/p>\n<p>No Canad\u00e1, algumas das paisagens mais antigas da prov\u00edncia de Columbia Britanica s\u00e3o cen\u00e1rio da ind\u00fastria do g\u00e1s de xisto, que \u00e9 transportado atrav\u00e9s das montanhas Rochosas at\u00e9 Alberta, onde \u00e9 queimado pela ind\u00fastria de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo das areias de alcatr\u00e3o. Quase todo o g\u00e1s da Columbia Britanica \u00e9 vendido a Alberta ou aos Estados Unidos. E prepara-se uma enorme expans\u00e3o, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o de uma usina de g\u00e1s natural liquefeito que ser\u00e1 constru\u00edda na costa oeste, destinada ao fornecimento a mercados asi\u00e1ticos, disse Tria Donaldson, do Wilderness Committee, uma organiza\u00e7\u00e3o ambientalista com sede na cidade de Vancouver.<\/p>\n<p>\u201cA fratura hidr\u00e1ulica usa enormes quantidades de \u00e1gua doce em uma regi\u00e3o que sofre escassez h\u00eddrica\u201d, afirmou Donaldson ao Terram\u00e9rica. Cada perfura\u00e7\u00e3o exige milh\u00f5es de litros, e a ind\u00fastria obteve direitos para extrair 275 milh\u00f5es de litros di\u00e1rios de rios, lagos e riachos locais. Em outubro, 16 empresas foram multadas por n\u00e3o informarem a quantidade de \u00e1gua que extra\u00edam. De acordo com a imprensa, as multas n\u00e3o chegaram a US$ 1 mil.<\/p>\n<p>\u201cA regi\u00e3o nordeste da Columbia Britanica \u00e9 um habitat essencial dos ursos pardos, caribus e outros animais. As opera\u00e7\u00f5es com g\u00e1s est\u00e3o se ampliando para \u00e1reas virgens, abrindo estradas, construindo plataformas de perfura\u00e7\u00e3o e tanques de \u00e1guas usadas\u201d, afirmou Donaldson. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada limpo nem verde neste tipo de g\u00e1s\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DURBAN, \u00c1frica do Sul, 06\/12\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Enquanto a promo\u00e7\u00e3o de fontes limpas de energia continua marginalizada dos debates clim\u00e1ticos em Durban, nada det\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o de \u201cg\u00e1s n\u00e3o convencional\u201d nos Estados Unidos e o Canad\u00e1. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/economia\/reportagem-febre-do-gas-de-xisto-esquenta-o-planeta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10],"tags":[14,21],"class_list":["post-9195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}