{"id":9200,"date":"2011-12-06T14:25:32","date_gmt":"2011-12-06T14:25:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9200"},"modified":"2011-12-06T14:25:32","modified_gmt":"2011-12-06T14:25:32","slug":"ghana-mudanca-climatica-mata-sustento-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/africa\/ghana-mudanca-climatica-mata-sustento-de-mulheres\/","title":{"rendered":"GHANA: Mudan\u00e7a clim\u00e1tica mata sustento de mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Durban, \u00c1frica do Sul, 06\/12\/2011 &ndash; Talata Nsor, origin\u00e1ria da comunidade de Bolgatanga, norte de Gana, passou boa parte de seus 54 anos tecendo cestas t\u00edpicas da regi\u00e3o. Contudo, ultimamente est\u00e1 muito dif\u00edcil conseguir mat\u00e9ria-prima.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9200\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/43.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9200\" class=\"size-medium wp-image-9200\" title=\"Nalifu Yussif segura cestas bolga na COP 17, que acontece em Durban, \u00c1frica do Sul, de 29 de novembro a 9 de dezembro. - Isaiah Esipisu\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/43.jpg\" alt=\"Nalifu Yussif segura cestas bolga na COP 17, que acontece em Durban, \u00c1frica do Sul, de 29 de novembro a 9 de dezembro. - Isaiah Esipisu\/IPS\" width=\"200\" height=\"149\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9200\" class=\"wp-caption-text\">Nalifu Yussif segura cestas bolga na COP 17, que acontece em Durban, \u00c1frica do Sul, de 29 de novembro a 9 de dezembro. - Isaiah Esipisu\/IPS<\/p><\/div>  Esta atividade foi rent\u00e1vel para Nsor no passado, pois lhe permitiu inclusive pagar a escola dos filhos. Agora, se produz cada vez menos cestas do tipo bolga, famosas na \u00c1frica ocidental e vendidas em mercados da Europa e Am\u00e9rica, porque o material utilizado, conhecido como erva de elefante, se extingue devido \u00e0 mudan\u00e7a nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 dez anos caminhava at\u00e9 o p\u00e2ntano mais pr\u00f3ximo e cortava a fibra sem custo algum. Agora, preciso ir muito longe ou mesmo chegar at\u00e9 Kumasi, a cerca de 400 quil\u00f4metros, para compr\u00e1-la\u201d, contou Nsor. A erva de elefante s\u00f3 cresce em p\u00e2ntanos, que agora a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o utiliza para cultivar e paliar a inseguran\u00e7a alimentar diante da falta de chuvas.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas preferem transformar os p\u00e2ntanos em hortas diante do fracasso da agricultura dependente da chuva\u201d, disse Nafisatu Yussif, oficial de programa da Abantu, organiza\u00e7\u00e3o que promove pol\u00edticas com perspectiva de g\u00eanero na \u00c1frica. \u201cAs chuvas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis e as pessoas precisam cultivar em \u00e1reas onde a irriga\u00e7\u00e3o seja garantida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nafisatu Yussif \u00e9 uma das muitas representantes de comunidades rurais de todo o mundo que conseguiram chegar at\u00e9 esta cidade sul-africana para fazer ouvir sua voz na 17\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 17) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que come\u00e7ou dia 29 de novembro e terminar\u00e1 no dia 9. \u201cRecebemos diferentes mulheres de diferentes \u00e1reas\u201d, disse Samantha Hargreaves, da ActionAid Internacional, uma das organizadoras da Assembleia de Mulheres Rurais, que acontece de forma paralela \u00e0 COP 17.<\/p>\n<p>\u201cMais de 500 mulheres neste f\u00f3rum compartilham experi\u00eancias de diferentes pa\u00edses sobre como seguir em frente e mostrar as melhores pr\u00e1ticas. O resultado da assembleia ser\u00e1 apresentado ao Grupo Africano de Negociadores como posi\u00e7\u00e3o comum das representantes dos pa\u00edses mais pobres\u201d, explicou Hargreaves.<\/p>\n<p>Segundo as participantes, as mulheres de pa\u00edses pobres enfrentam dificuldades semelhantes. \u201cEm meu pa\u00eds as mulheres trabalham duro na horta, e na hora de colher os homens assumem a responsabilidade de receber o dinheiro. Acabo de saber que o mesmo acontece na \u00c1frica e em outros pa\u00edses asi\u00e1ticos\u201d, disse Mar\u00eda Estela Joc\u00f3n Gonz\u00e1lez, que representa as camponesas de tr\u00eas regi\u00f5es da Guatemala propensas a inunda\u00e7\u00f5es, fen\u00f4meno que se agravou nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 inunda\u00e7\u00f5es, os po\u00e7os se enchem de \u00e1gua suja. Segundo nossa cultura, \u00e9 responsabilidade da mulher garantir \u00e1gua suficiente para beber e outros usos dom\u00e9sticos\u201d, disse Gonz\u00e1lez \u00e0 IPS. Esta ativista pede \u00e0 comunidade internacional reunida em Durban que garanta a implementa\u00e7\u00e3o de sistemas para conter as crescentes inunda\u00e7\u00f5es. \u201cQuero ouvir que os pa\u00edses se comprometem em reduzir as emiss\u00f5es de gases contaminantes. \u00c9 bom pensar no desenvolvimento, mas n\u00e3o tem sentido sem um meio ambiente s\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Enquanto h\u00e1 inunda\u00e7\u00f5es na Guatemala, faltam chuvas no sul do Senegal. Faty Khody, da comunidade rural senegalesa de Kaulak, disse \u00e0 IPS que as chuvas nessa regi\u00e3o baixaram de 900 mil\u00edmetros em 2001 para 300\/400 mil\u00edmetros atualmente.<\/p>\n<p>\u201cCostum\u00e1vamos cultivar verduras para vender no mercado local. Mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a menos que tenhamos irriga\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Khody, oficial de promo\u00e7\u00f5es da Interpench, uma organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane mais de 7.700 camponesas senegalesas. \u201cO padr\u00e3o de chuvas mudou, as secas s\u00e3o mais acentuadas e quando chove h\u00e1 inunda\u00e7\u00f5es, que causam sofrimento na popula\u00e7\u00e3o rural, especialmente mulheres e crian\u00e7as\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Com apoio da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Horizon 3000, a Interpench lan\u00e7ou o projeto \u201cUma mulher, uma \u00e1rvore frut\u00edfera\u201d, como forma de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cDizemos uma \u00e1rvore porque \u00e9 o primeiro passo, entrega-se o alm\u00e1cigo gratuitamente para plantar o primeiro, que recebe o nome de quem planta, como recorda\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 motivar as mulheres a participar, n\u00e3o s\u00f3 plantando uma \u00e1rvore, mas que esta seja frut\u00edfera\u201d, explicou Khody.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que os debates na COP 17 concluam com ideias que apoiem iniciativas femininas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, insistiu Hargreaves. Entretanto, para que esses projetos tenham sucesso, devem ter por base os sistemas de conhecimento ind\u00edgenas, ressaltou. \u201cO Grupo Africano de Negociadores n\u00e3o deve sucumbir diante da press\u00e3o dos pa\u00edses ricos na COP 17\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das negocia\u00e7\u00f5es acontece em salas de reuni\u00f5es sem envolver as pessoas comuns\u201d, concordou Elizabeth Kakukuru, oficial de programa da Unidade de G\u00eanero da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica austral. \u201cNo entanto, as recomenda\u00e7\u00f5es elaboradas devem ser implementadas por camponesas. Chegou a hora de as partes afetadas participarem de forma direta destas importantes negocia\u00e7\u00f5es\u201d, prosseguiu. No tocante \u00e0 transfer\u00eancia de tecnologia para adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, Kakukuru disse que todos os projetos devem ser apropriados e desenvolvidos em consulta com as comunidades ind\u00edgenas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durban, \u00c1frica do Sul, 06\/12\/2011 &ndash; Talata Nsor, origin\u00e1ria da comunidade de Bolgatanga, norte de Gana, passou boa parte de seus 54 anos tecendo cestas t\u00edpicas da regi\u00e3o. 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