{"id":9206,"date":"2011-12-07T14:18:16","date_gmt":"2011-12-07T14:18:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9206"},"modified":"2011-12-07T14:18:16","modified_gmt":"2011-12-07T14:18:16","slug":"investir-no-combate-a-fome-deixa-um-extraordinario-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/america-latina\/investir-no-combate-a-fome-deixa-um-extraordinario-retorno\/","title":{"rendered":"\u201cInvestir no combate \u00e0 fome deixa um extraordin\u00e1rio retorno\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Salvador, Brasil, 07\/12\/2011 &ndash; O homem que desempenhou um papel fundamental no desenho das exitosas pol\u00edticas alimentares do Brasil acredita que \u00e9 poss\u00edvel erradicar a fome no mundo e se prop\u00f5e a tentar fazer isso com uma \u201cideia simples\u201d.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9206\" style=\"width: 142px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/65-199x300.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9206\" class=\"size-medium wp-image-9206\" title=\"Jos\u00e9 Graziano da Silva assumir\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o-geral da FAO em janeiro de 2012 - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/65-199x300.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Graziano da Silva assumir\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o-geral da FAO em janeiro de 2012 - \" width=\"132\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9206\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Graziano da Silva assumir\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o-geral da FAO em janeiro de 2012 - <\/p><\/div>  Trata-se de elevar o compromisso pol\u00edtico, mobilizar recursos inclusive modestos e adotar objetivos absolutos, disse em entrevista \u00e0 IPS Jos\u00e9 Graziano da Silva, ex-ministro de Seguran\u00e7a Alimentar, que em janeiro assumir\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>Os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, que prop\u00f5em reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o com fome at\u00e9 2015, dificultam muito a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 preciso estabelecer metas absolutas, afirmou Graziano. Baseado na experi\u00eancia brasileira do programa Fome Zero, Graziano afirmou que tudo o que se investe nessa luta \u00e9 bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Este agr\u00f4nomo e economista tamb\u00e9m qualificou de \u201cparalisante\u201d o combate ao grande neg\u00f3cio agr\u00edcola que encabe\u00e7am movimentos sociais como a Via Camponesa. N\u00e3o existe essa oposi\u00e7\u00e3o entre pequena agricultura e agroneg\u00f3cio, segundo Graziano. \u201cBoa parte da agricultura familiar hoje em dia est\u00e1 envolvida na cadeia agroalimentar do agroneg\u00f3cio\u201d, afirmou. A seguir uma s\u00edntese do di\u00e1logo frente a frente com a IPS.<\/p>\n<p>IPS: J\u00e1 quase se supera a barreira de um bilh\u00e3o de pessoas sem o suficiente para comer. Qual ser\u00e1 sua proposta central na dire\u00e7\u00e3o da FAO para erradicar a fome?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 GRAZIANO DA SILVA: Minha ideia \u00e9 bastante simples. \u00c9 preciso combinar tr\u00eas elementos. Primeiro, o compromisso pol\u00edtico dos pa\u00edses mais pobres para erradicar a fome. Pretendo iniciar uma consulta com os pa\u00edses com crises prolongadas, pobres e importadores de alimentos \u2013 sobretudo na \u00c1frica e alguns na \u00c1sia \u2013, para que aportem esse compromisso pol\u00edtico e tamb\u00e9m seus recursos. Porque esses pa\u00edses t\u00eam recursos. A experi\u00eancia do Brasil mostra que esses recursos s\u00e3o rapidamente recuperados. O investimento no combate \u00e0 fome tem um retorno extraordin\u00e1rio. No caso brasileiro, imediatamente o circuito do consumo (de quase 25%) regressou como impostos e gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. Na FAO, vamos ajudar esses pa\u00edses a preparar planos vi\u00e1veis e a encontrar recursos. Em segundo lugar, ent\u00e3o, mobilizar os recursos nacionais e envolver n\u00e3o apenas a FAO, mas o Programa Mundial de Alimentos e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr\u00edcola (Fida). E, em terceiro, \u00e9 preciso ir al\u00e9m das metas do mil\u00eanio. Porque \u00e9 muito dif\u00edcil a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ap\u00f3s o objetivo de reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio estabelecer metas absolutas. Creio que essas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o vi\u00e1veis para que a FAO possa se voltar efetivamente para esse eixo de erradicar a fome.<\/p>\n<p>IPS: A agricultura est\u00e1 diante de v\u00e1rias encruzilhadas, entre elas o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a degrada\u00e7\u00e3o dos solos. Como pensa intervir nestes aspectos?<\/p>\n<p>JGS: Um dos cinco pilares de minha campanha foi promover um desenvolvimento mais sustent\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o e do consumo. Uma revolu\u00e7\u00e3o duplamente verde. Um exemplo \u00e9 a Argentina, que hoje tem entre 90% e 95% de sua produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os com semeadura direta, sem remover o solo. Isto reduz ao m\u00ednimo a eros\u00e3o. Uma das grandes perdas da agricultura tropical \u00e9 a de solos e o avan\u00e7o da desertifica\u00e7\u00e3o, pelo uso intensivo de m\u00e1quinas. Pela restri\u00e7\u00e3o atual dos fertilizantes qu\u00edmicos \u2013 sobretudo por pre\u00e7o e disponibilidade \u2013 encontramos maneiras de substitu\u00ed-los por outros adubos naturais. E, assim, h\u00e1 um conjunto de tecnologias nos pa\u00edses em desenvolvimento que praticam agricultura tropical. Outro pilar de minha campanha \u00e9 o aumento da coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul.<\/p>\n<p>IPS: O grande agroneg\u00f3cio exportador e a expans\u00e3o de cultivos que ocupam \u00e1reas cada vez mais extensas (soja, palma, reflorestamento industrial) competem com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos como a pecu\u00e1ria e as hortas. Como v\u00ea esses desafios?<\/p>\n<p>JGS: Infelizmente, alguns setores do movimento social t\u00eam uma vis\u00e3o muito prejudicial para eles mesmos e, em certo sentido, paralisante: opor o desenvolvimento da agricultura familiar ao agroneg\u00f3cio como se competissem. O agroneg\u00f3cio \u00e9 mais um marketing. O conceito emergiu nos Estados Unidos nos anos 1950 para fazer lobby no Congresso por mais subs\u00eddios para a agricultura, e envolvia as ind\u00fastrias fornecedoras de insumos, as processadoras e toda a cadeia agroalimentar. Nesse sentido, \u00e9 um conceito unificador, e creio que boa parte da agricultura familiar hoje em dia est\u00e1 envolvida na cadeia alimentar do agroneg\u00f3cio. N\u00e3o h\u00e1 como fugir dessa trajet\u00f3ria. Por isso, me parece paralisante a proposta de combater esse modelo. \u00c9 muito mais sensato para os agricultores familiares lutar pelo desenvolvimento de mercados locais, que valorizem alimentos frescos, nutritivos e que n\u00e3o t\u00eam mercado internacional. Na Am\u00e9rica Latina temos o feij\u00e3o em toda a Am\u00e9rica Central, e no Brasil a mandioca, que s\u00e3o alimentos da cesta b\u00e1sica, e os pa\u00edses andinos t\u00eam a quinoa e o amaranto. Nem todos comem carne. H\u00e1 outras formas de prote\u00ednas animais e vegetais que se perderam com o desenvolvimento dos produtos alimentares. Essa redu\u00e7\u00e3o (80% da popula\u00e7\u00e3o mundial come com base em quatro produtos: trigo, milho, arroz e soja) \u00e9 uma grande amea\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o mundial, sobretudo porque aponta para um tipo de dieta cada vez mais energ\u00e9tica. S\u00e3o cereais e gorduras, oleaginosas. E a obesidade \u00e9 um problema grave em quantidade de pessoas afetadas. Temos mais de um bilh\u00e3o de obesos. Ampliar a base alimentar com a diversifica\u00e7\u00e3o produtiva da agricultura familiar para abastecer mercados locais me parece um caminho positivo que n\u00e3o confronta o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>IPS: A expans\u00e3o de cultivos alimentares para produzir combust\u00edveis contribuiu para o aumento de pre\u00e7os. Vozes cr\u00edticas asseguram tamb\u00e9m que, por serem grandes monoculturas, contribuem para o desequil\u00edbrio do meio ambiente, como no caso da cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil, a palma em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos e asi\u00e1ticos, o milho nos Estados Unidos. Qual sua posi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>JGS: Vou utilizar a ret\u00f3rica do Lula (o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva) de seu discurso de 2008 na FAO. Ele disse que \u201cos biocombust\u00edveis s\u00e3o algo muito gen\u00e9rico, h\u00e1 de tudo debaixo desse guarda-chuva. E assim como o colesterol, \u00e9 preciso separar o bom do ruim\u201d. H\u00e1 um biocombust\u00edvel que afeta o pre\u00e7o dos alimentos, o milho, porque \u00e9 o insumo b\u00e1sico de muitas cadeias alimentares. Estudos da FAO demonstram que tem impacto porque afeta pre\u00e7os de outros produtos, inclusive da soja, pois t\u00eam mercados interligados. Tamb\u00e9m existe algum impacto em oleaginosas, como a colza na Alemanha, pela competi\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua, com os recursos naturais. Na Mal\u00e1sia existe temor de que a expans\u00e3o da palma acabe com a biodiversidade das florestas naturais. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 um impacto dos biocombust\u00edveis em geral sobre os pre\u00e7os. No caso da cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil, isto est\u00e1 demonstrado. Primeiro, porque \u00e9 m\u00ednimo. Apenas 3% do solo \u00e9 utilizado para o etanol de cana. Segundo, porque o circuito da cana no Brasil n\u00e3o compete com o sistema agroalimentar. Tem seus canais pr\u00f3prios. Nem todos t\u00eam a mesma disponibilidade de terra e \u00e1gua para produzir biocombust\u00edveis. Na FAO, fizemos um estudo pa\u00eds por pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, como deve ser feito, e comprovamos que quatro podem expandir a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis sem afetar a seguran\u00e7a alimentar: Brasil, Argentina, Paraguai e Col\u00f4mbia. Estes pa\u00edses t\u00eam uma vari\u00e1vel de ajuste que \u00e9 o grande segredo moderno, por assim dizer. Existe ali uma transi\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria extensiva para a intensiva, e isto libera uma enorme quantidade de recursos de terra e \u00e1gua e limita tremendamente a press\u00e3o da expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola sobre selvas e florestas. \u00c9 uma radical mudan\u00e7a de modelo. S\u00e3o pa\u00edses que integram as produ\u00e7\u00f5es pecu\u00e1ria e agr\u00edcola com Europa, Estados Unidos e setores do Pampa \u00famido.<\/p>\n<p>IPS: Outro tema novo s\u00e3o as aquisi\u00e7\u00f5es de terras agr\u00edcolas por empresas e inclusive governos de terceiros pa\u00edses na \u00c1frica e em outras regi\u00f5es do mundo em desenvolvimento. Qual a sua vis\u00e3o sobre este fen\u00f4meno?<\/p>\n<p>JGS: Acabamos de finalizar um estudo em 17 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, segundo o qual, em termos de volume, o impacto \u00e9 importante no Brasil e na Argentina. Outros sentem o problema em \u00e1reas de fronteira, mas como consequ\u00eancia de movimentos de popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muito mais tempo. A\u00ed est\u00e3o Paraguai e Uruguai afetados pela expans\u00e3o brasileira no agroneg\u00f3cio da soja. Entretanto, n\u00e3o encontramos evid\u00eancias em outros pa\u00edses. Encontramos uma grande preocupa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses e governos para recuperar uma legisla\u00e7\u00e3o que lhes permita ordenar seu territ\u00f3rio. Por exemplo, no sul do Chile, h\u00e1 empresas que compram grandes extens\u00f5es de terra para preservar florestas, ou impedir a constru\u00e7\u00e3o de represas hidrel\u00e9tricas ou de estradas. Os pa\u00edses t\u00eam de atualizar as legisla\u00e7\u00f5es de terras, muitas copiadas dos Estados Unidos do S\u00e9culo 18, quando toda concep\u00e7\u00e3o era para evitar que um pa\u00eds pudesse povoar a fronteira de outro. Contudo, esta concep\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o corresponde \u00e0 mobilidade de capitais de hoje. Os pa\u00edses pedem ajuda \u00e0 FAO para designar outros mecanismos que assegurem o controle de seus territ\u00f3rios. Por exemplo, uma base informativa. A grande maioria das na\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o nem mesmo tem informa\u00e7\u00e3o sobre os que compram as terras.<\/p>\n<p>IPS: Qual foi a inten\u00e7\u00e3o ao ampliar e reformar o Comit\u00ea de Seguran\u00e7a Alimentar Mundial?<\/p>\n<p>JGS: A inten\u00e7\u00e3o foi atrair setores que at\u00e9 agora eram observadores da sociedade civil para que falem nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que os pa\u00edses na luta contra a fome, e o mesmo vale para o setor privado, os dois componentes que ingressam no Comit\u00ea com a reforma. \u00c9 preciso incluir todos nesta luta, que deve ser global. Isto rec\u00e9m-come\u00e7ou, mas agora existe um plano para se conhecer e encontrar o caminho. A reforma acontece tarde, e h\u00e1 uma forte press\u00e3o para que responda imediatamente com a\u00e7\u00f5es mais concretas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador, Brasil, 07\/12\/2011 &ndash; O homem que desempenhou um papel fundamental no desenho das exitosas pol\u00edticas alimentares do Brasil acredita que \u00e9 poss\u00edvel erradicar a fome no mundo e se prop\u00f5e a tentar fazer isso com uma \u201cideia simples\u201d. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/america-latina\/investir-no-combate-a-fome-deixa-um-extraordinario-retorno\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,4,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-9206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}