{"id":9217,"date":"2011-12-08T15:36:51","date_gmt":"2011-12-08T15:36:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9217"},"modified":"2011-12-08T15:36:51","modified_gmt":"2011-12-08T15:36:51","slug":"quando-os-ricos-ficam-mais-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/mundo\/quando-os-ricos-ficam-mais-ricos\/","title":{"rendered":"Quando os ricos ficam mais ricos"},"content":{"rendered":"<p>Paris, Fran\u00e7a, 08\/12\/2011 &ndash; Mans\u00f5es de um lado do caminho e favelas do outro. Pessoas fazendo fila por um prato de comida enquanto privilegiados se locomovem em autom\u00f3veis luxuosos com vidro espelhado. <!--more--> S\u00e3o alguns dos paradoxos da crise econ\u00f4mica e financeira global.<\/p>\n<p>Estas imagens s\u00e3o apenas algumas das contradi\u00e7\u00f5es observadas por Danielle Nierenberg durante a viagem que fez por 30 pa\u00edses para supervisionar o estudo \u201cEstado do Mundo 2011: Inova\u00e7\u00f5es que Nutrem o Planeta\u201d, do Worldwatch Institute. \u201cPode-se ver as acentuadas diferen\u00e7as muito facilmente em um s\u00f3 pa\u00eds, e todos os dias. Na \u00c1frica n\u00e3o parece que a recess\u00e3o tenha afetado os mais ricos. Prejudicou mais os que j\u00e1 eram mais pobres\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Nierenberg est\u00e1 em Paris esta semana para apresentar a edi\u00e7\u00e3o francesa de \u201cComo Alimentar Sete Milh\u00f5es de Pessoas\u201d, estudo da Worldwatch, cuja sede fica em Washington. O informe se concentra principalmente na agricultura da \u00c1frica, mas sua apresenta\u00e7\u00e3o coincide com a de um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos (OCDE) que detalha a crescente brecha entre ricos e pobres nos seus 34 pa\u00edses-membros, entre os quais est\u00e3o todos os industrializados.<\/p>\n<p>Os dois estudos exortam os governos a adotarem medidas para aliviar a pobreza e a desigualdade e investirem mais nos setores necessitados, seja nos pa\u00edses em desenvolvimento ou nos ricos. O informe da OCDE expressa com n\u00fameros e gr\u00e1ficos o que \u00e9 uma realidade para muitas pessoas que trabalham no terreno em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo. O estudo da OCDE \u201cDivididos Estamos: Porque Aumenta a Desigualdade\u201d indica que \u201ca renda m\u00e9dia de 10% das pessoas mais ricas representa nove vezes a renda dos 10% mais pobres\u201d, nos pa\u00edses que integram esta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo em \u201cpa\u00edses tradicionalmente equitativos\u201d, como Dinamarca, Su\u00e9cia e Alemanha, a brecha em mat\u00e9ria de renda passou de cinco para um, na d\u00e9cada de 1980, para seis para um, atualmente. Por\u00e9m, a dist\u00e2ncia aumenta para dez para um na Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia e Coreia do Sul, e para quatorze para um em Israel, Estados Unidos e Turquia, diz o informe.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos dados sobre os Estados Unidos mostram que \u201ca parte da renda por fam\u00edlia, ap\u00f3s o pagamento de impostos, do 1% da popula\u00e7\u00e3o mais rica mais do que dobrou entre 1979 e 2007, enquanto a dos 20% mais pobres caiu de 7% para 5% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma de nossas avalia\u00e7\u00f5es mais importantes\u201d, disse o secret\u00e1rio-geral da OCDE, \u00c1ngel Gurria, na apresenta\u00e7\u00e3o do estudo feita na sede parisiense da organiza\u00e7\u00e3o. \u201cDizemos \u2018divididos estamos\u2019 porque crescemos na desigualdade\u201d, explicou. \u201cUns poucos pa\u00edses que conseguiram nadar contra a corrente\u201d, acrescentou. Nos \u00faltimos tempos a desigualdade diminuiu no Chile e no M\u00e9xico, mas a renda das pessoas mais ricas continua sendo 25 vezes maior do que a das mais pobres, destacou Gurria.<\/p>\n<p>Fora da OCDE a desigualdade \u00e9 muito maior em algumas economias emergentes. Por exemplo, o governo do Brasil tomou medidas para redistribuir a riqueza e conseguiu baixar a desigualdade na d\u00e9cada passada, mas a brecha continua sendo de 50 para um, ou cinco vezes a m\u00e9dia dessa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o membros da OCDE um per\u00edodo de crescimento sustentado permitiu tirar milh\u00f5es de pessoas da extrema pobreza\u201d, disse Gurria. \u201cMas os benef\u00edcios do forte crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o foram distribu\u00eddos de forma equitativa. A ampla brecha em mat\u00e9ria de renda aumentou mais. Entre as economias emergentes din\u00e2micas, apenas o Brasil conseguiu reduzir a desigualdade de forma significativa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A principal raz\u00e3o da crescente desigualdade na renda se deve \u00e0 ampla brecha em mat\u00e9ria de sal\u00e1rios, redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios e cortes de impostos para pessoas mais ricas, diz a ODCE. Gurria e Nierenberg concordaram, cada um por seu lado, que a crise econ\u00f4mica e financeira global aumentou a urg\u00eancia com que os governos devem adotar medidas sobre estes temas.<\/p>\n<p>\u201cO contrato social come\u00e7a a se desfazer em muitos pa\u00edses\u201d, disse Gurria. A sensa\u00e7\u00e3o de \u201cinseguran\u00e7a e medo da deteriora\u00e7\u00e3o social alcan\u00e7aram a classe m\u00e9dia em muitas na\u00e7\u00f5es. As pessoas sentem que carregam o peso de uma crise que n\u00e3o causaram, enquanto as pessoas de maior renda parece que se salvaram\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es da OCDE incluem aumentar a taxa de impostos marginal para os ricos, acrescentou Gurria. \u201cQuando se fala dos mais ricos entre os ricos estamos dizendo que h\u00e1 espa\u00e7o para aumentar os impostos\u201d, afirmou. \u201cRecomendamos elevar os impostos sobre consumo, propriedade e carv\u00e3o\u201d, acrescentou. Contudo, Gurria evitou se referir \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da OCDE quanto ao imposto sobre transa\u00e7\u00f5es financeiras (ITF), proposto por numerosas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, bem como por alguns conhecidos economistas.<\/p>\n<p>Guillaume Grosso, diretor da organiza\u00e7\u00e3o ONE na Fran\u00e7a, disse que aumentar os impostos para os mais ricos \u00e9 apenas uma parte da solu\u00e7\u00e3o para a desigualdade. \u201cAlgumas empresas pagam impostos, o que permite redistribuir o dinheiro aos mais pobres, mas est\u00e1 claro que o setor financeiro n\u00e3o paga sua parte, e muita gente afirma que ele \u00e9 respons\u00e1vel pelos problemas atuais\u201d, afirmou Grosso \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cA ideia do ITF para o desenvolvimento \u00e9 muito simples, pois introduz um imposto muito pequeno sobre as transa\u00e7\u00f5es financeiras. \u00c9 quase impercept\u00edvel, mas justo. E \u00e9 a primeira vez que pedimos um esfor\u00e7o a este setor e o dinheiro poderia ser usado na luta contra a pobreza nos pa\u00edses mais necessitados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O estudo da OCDE tampouco se concentrou na quest\u00e3o da transpar\u00eancia, avaliou Grosso. \u201cBasicamente, precisamos saber como o Estado usa o dinheiro que tem. Uma das quest\u00f5es mais importantes \u00e9 que, frequentemente, e em especial nos pa\u00edses mais pobres, \u00e9 muito dif\u00edcil saber\u201d, acrescentou. Um dos exemplos mais chamativos \u00e9 a Guin\u00e9 Equatorial, na \u00c1frica, onde o produto interno bruto por habitante \u00e9 similar ao da Gr\u00e9cia ou Portugal, mas dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o vivem com menos de US$ 1 por dia, afirmou.<\/p>\n<p>A ONE prop\u00f5e criar um contexto legal que seja adotado pelos pa\u00edses ricos para que \u201csaibamos onde as empresas de g\u00e1s e petr\u00f3leo colocam o dinheiro. Queremos transpar\u00eancia na forma como publicam o que pagam aos governos. Estas s\u00e3o as coisas que a OCDE n\u00e3o pode dizer\u201d, advertiu Grosso.<\/p>\n<p>Nierenberg, por sua vez, tamb\u00e9m pediu maior transpar\u00eancia, especialmente na forma como as economias ricas e emergentes compram terra para dedic\u00e1-las \u00e0 agricultura (concentra\u00e7\u00e3o da propriedade) na \u00c1frica, o que aumenta a pobreza e a desigualdade em alguns pa\u00edses. \u201cQuando o pre\u00e7o dos alimentos sobe tanto, mas n\u00e3o aumenta a renda das pessoas, se v\u00ea as consequ\u00eancias disto, crian\u00e7as com barriga inchada, sinais t\u00edpicos de desnutri\u00e7\u00e3o e fome iminente, que n\u00e3o se via h\u00e1 cinco ou seis anos\u201d, ressaltou \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, Fran\u00e7a, 08\/12\/2011 &ndash; Mans\u00f5es de um lado do caminho e favelas do outro. 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