{"id":9229,"date":"2011-12-12T15:44:54","date_gmt":"2011-12-12T15:44:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9229"},"modified":"2011-12-12T15:44:54","modified_gmt":"2011-12-12T15:44:54","slug":"a-ue-nao-reconhece-suas-pegadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/mundo\/a-ue-nao-reconhece-suas-pegadas\/","title":{"rendered":"A UE n\u00e3o reconhece suas pegadas"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 12\/12\/2011 &ndash; A Uni\u00e3o Europeia (UE) reduziu suas emiss\u00f5es de gases-estufa, especialmente o di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2), em mais de 15% desde 1990, superando seus compromissos no Protocolo de Kyoto, segundo dados oficiais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9229\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/37-300x208.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9229\" class=\"size-medium wp-image-9229\" title=\"Confer\u00eancia de Kyoto, Jap\u00e3o, dezembro de 1997 - Frank Leather\/UN Photo\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/37-300x208.jpg\" alt=\"Confer\u00eancia de Kyoto, Jap\u00e3o, dezembro de 1997 - Frank Leather\/UN Photo\" width=\"200\" height=\"138\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9229\" class=\"wp-caption-text\">Confer\u00eancia de Kyoto, Jap\u00e3o, dezembro de 1997 - Frank Leather\/UN Photo<\/p><\/div>  Contudo, neste quadro ficam de fora outros aspectos, como a incid\u00eancia de suas importa\u00e7\u00f5es. Os c\u00e1lculos favor\u00e1veis s\u00f3 levam em conta as emiss\u00f5es da ind\u00fastria e de outras atividades econ\u00f4micas, ignorando considera\u00e7\u00f5es como o consumo pela UE de importa\u00e7\u00f5es procedentes de economias emergentes e contaminantes como as de Brasil, China, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Se forem contabilizados o com\u00e9rcio internacional e o consumo local de bens importados, as emiss\u00f5es de CO\u00b2 na Alemanha e Fran\u00e7a, por exemplo, teriam aumentado mais de 20% nos \u00faltimos 20 anos, segundo dois novos estudos. Estimativas semelhantes se aplicam a todos os grandes pa\u00edses industrializados.<\/p>\n<p>Cientistas sugerem o uso da \u201cpegada de carbono\u201d como o indicador mais confi\u00e1vel para as negocia\u00e7\u00f5es da 17\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 17) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que terminaria no dia 9, mas foi prorrogada at\u00e9 ontem em Durban, na \u00c1frica do Sul. \u201cA pegada de carbono inclui todas as emiss\u00f5es pelas quais os consumidores de um determinado pa\u00eds s\u00e3o respons\u00e1veis\u201d, explicou \u00e0 IPS o economista Gabriel Felbermayr, da Universidade de Munique.<\/p>\n<p>\u201cSe um pa\u00eds participa do com\u00e9rcio internacional, ent\u00e3o sua pegada de carbono deve incluir o conte\u00fado de CO\u00b2 de seu com\u00e9rcio\u201d, disse o especialista, autor de um estudo a respeito no Instituto Leibniz para a Pesquisa Econ\u00f4mica. O conte\u00fado de CO\u00b2 de um bem se refere a todas as emiss\u00f5es resultantes de sua produ\u00e7\u00e3o. Leva em conta n\u00e3o apenas as libera\u00e7\u00f5es de gases em cada etapa de produ\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m as geradas em seguida, para a sua comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Protocolo de Kyoto estabelece que os pa\u00edses industrializados devem reduzir suas emiss\u00f5es de gases-estufa, causadores do aquecimento global, em 5% at\u00e9 2012, em rela\u00e7\u00e3o aos seus n\u00edveis de 1990. Oficialmente, a Alemanha cumpriu sua parte, reduzindo suas libera\u00e7\u00f5es de gases em 21%. A Fran\u00e7a tamb\u00e9m assegura ter conseguido redu\u00e7\u00e3o de 11% nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>No entanto, Felbermayr e outros cientistas que avaliam o impacto do consumo de bens importados nos dois pa\u00edses garantem que essas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cenganosas\u201d. Os \u201cpa\u00edses industrializados documentam as redu\u00e7\u00f5es de CO\u00b2, mas, na realidade, as emiss\u00f5es simplesmente se mudaram para o exterior, deixando inalterado o n\u00edvel de libera\u00e7\u00f5es mundiais\u201d, explicou o economista, cujo estudo analisou as emiss\u00f5es de CO\u00b2 e as pegadas de carbono de 40 pa\u00edses entre 2005 e 2007. Isto se conhece como \u201cfuga de carbono\u201d, o aumento de gases-estufa em um pa\u00eds como consequ\u00eancia direta da redu\u00e7\u00e3o em outro.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 agora, os acordos clim\u00e1ticos, particularmente o de Kyoto, mediam a contribui\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds para o aquecimento global com base em suas emiss\u00f5es de CO\u00b2\u201d, detalhou o cientista. Entretanto, qualquer redu\u00e7\u00e3o registrada sob este sistema de c\u00e1lculo \u00e9, provavelmente, ilus\u00f3ria, afirmou. \u201cA Fran\u00e7a informou que, entre 2002 e 2007, suas emiss\u00f5es paralisaram ou diminu\u00edram levemente. Por outro lado, sua pegada de carbono por habitante cresceu continuamente no mesmo per\u00edodo\u201d, ressaltou Felbermayr.<\/p>\n<p>Segundo as avalia\u00e7\u00f5es tradicionais de emiss\u00f5es de CO\u00b2, a China \u00e9 hoje o maior contaminante do planeta, \u00e0 frente dos Estados Unidos. Empregando o indicador da pegada de carbono, Felbermayr concluiu que este pa\u00eds \u00e9 o maior respons\u00e1vel pelo aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>O Carbone 4, grupo franc\u00eas especializado em medir emiss\u00f5es de CO\u00b2, chegou a uma conclus\u00e3o semelhante utilizando o novo indicador Eco2climat, que calcula todas as emiss\u00f5es da Fran\u00e7a, incluindo as geradas pela produ\u00e7\u00e3o de artigos importados de consumo local. O Eco2climat da Fran\u00e7a revela aumento de 25% nos gases-estufa entre 1990 e 2010, e n\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o anunciada pelo governo franc\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cNosso indicador estima as reais emiss\u00f5es que correspondem aos padr\u00f5es de vida na Fran\u00e7a\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor e cofundador do Carbone 4, Jean-Marc Jancovici. \u201cOs dados oficiais sugerem que a Fran\u00e7a estaria no caminho correto para reduzir as emiss\u00f5es sem necessidade de limitar seu curso. Por\u00e9m, n\u00f3s, no Carbone 4, demonstramos que isto \u00e9 falso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Felbermayr afirmou que na Alemanha a diferen\u00e7a entre as emiss\u00f5es e a pegada de carbono cresceu de forma sustentada. \u201cEm 2002, somente 2,5% do consumo de CO\u00b2 foi importado. Em 2007, as emiss\u00f5es importadas saltaram para 9%\u201d, acrescentou. Este aumento corresponde \u00e0s emiss\u00f5es causadas por uma crescente produ\u00e7\u00e3o industrial nas economias emergentes, especialmente China e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Segundo o estudo de Felbermayr, a China exportar\u00e1 mais de 27% de suas emiss\u00f5es, seguida por \u00c1frica do Sul (20,7%) e Rep\u00fablica Checa (19,4%). J\u00e1 os maiores importadores de emiss\u00f5es s\u00e3o Su\u00ed\u00e7a (58,4%), Su\u00e9cia (36%), Noruega (33%), Holanda (32%) e Fran\u00e7a (26%).<\/p>\n<p>\u201cPara impedir a fuga de carbono, um futuro acordo clim\u00e1tico deve guiar-se pela pegada de carbono, e n\u00e3o pelas emiss\u00f5es internas\u201d, alertou Felbermayr. \u201cA pegada de carbono pode ser tratada de forma precisa pelo Estado, impondo um imposto ao consumo sobre o conte\u00fado de CO\u00b2 referente a um artigo\u201d, sugeriu. \u201cAl\u00e9m disso, \u201co uso da pegada de carbono como indicador tamb\u00e9m pode aumentar a disposi\u00e7\u00e3o da China e da \u00cdndia no sentido de participarem de acordos internacionais sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 12\/12\/2011 &ndash; A Uni\u00e3o Europeia (UE) reduziu suas emiss\u00f5es de gases-estufa, especialmente o di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2), em mais de 15% desde 1990, superando seus compromissos no Protocolo de Kyoto, segundo dados oficiais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/mundo\/a-ue-nao-reconhece-suas-pegadas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5,4],"tags":[18],"class_list":["post-9229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-economia","category-mundo","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9229\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}