{"id":9233,"date":"2011-12-12T15:58:34","date_gmt":"2011-12-12T15:58:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9233"},"modified":"2011-12-12T15:58:34","modified_gmt":"2011-12-12T15:58:34","slug":"conhecimento-indigena-para-salvar-florestas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/africa\/conhecimento-indigena-para-salvar-florestas\/","title":{"rendered":"Conhecimento ind\u00edgena para salvar florestas"},"content":{"rendered":"<p>Durban, \u00c1frica do Sul, 12\/12\/2011 &ndash; Para a comunidade laibon, uma tribo da etnia maasai do Qu\u00eania, a floresta Loita, de 33 mil hectares, \u00e9 um santu\u00e1rio.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9233\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/198.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9233\" class=\"size-medium wp-image-9233\" title=\"A comunidade de Olonana Ole Pulei \u00e9 uma tribo da etnia maasai do Qu\u00eania. - Isaiah Esipisu\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/198.jpg\" alt=\"A comunidade de Olonana Ole Pulei \u00e9 uma tribo da etnia maasai do Qu\u00eania. - Isaiah Esipisu\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9233\" class=\"wp-caption-text\">A comunidade de Olonana Ole Pulei \u00e9 uma tribo da etnia maasai do Qu\u00eania. - Isaiah Esipisu\/IPS<\/p><\/div>  \u201cNossos deuses vivem aqui. Colhemos ervas deste lugar. O usamos para criar abelhas. Portanto, faz parte de nosso meio de vida\u201d, disse Olonana Ole Pulei sobre essa floresta localizada na prov\u00edncia queniana do Vale do Rift. Pulei esteve em Durban representando sua comunidade na 17\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 17) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Segundo Nigel Crawhall, do Comit\u00ea Coordenador dos Povos Ind\u00edgenas da \u00c1frica, (Ipacc), diferentes comunidades africanas possuem incr\u00edveis conhecimentos ind\u00edgenas que usam na conserva\u00e7\u00e3o das florestas e da biodiversidade em geral, e isto deveria ser reconhecido nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Crawhall deu com exemplo as comunidades de pigmeus bambuti e batwa, no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, que conservam as florestas utilizando m\u00e9todos tradicionais. Os dois grupos dependem da biodiversidade animal das florestas equatoriais para sobrevier.<\/p>\n<p>\u201cEm geral sabem identificar \u00e1rvores que podem ser cortadas para criar uma abertura \u00fanica na ab\u00f3boda florestal, o que permite entrar a luz nos fechados bosques do Congo. A luz atrai p\u00e1ssaros e insetos que eles podem ca\u00e7ar\u201d, disse Crawahll \u00e0 IPS. Isto ajuda a conservar a biodiversidade, em particular as florestas, porque este m\u00e9todo s\u00f3 pode funcionar se a ab\u00f3boda florestal estiver intacta.<\/p>\n<p>No Qu\u00eania, a cultura maasai pro\u00edbe os membros da comunidade de cortar \u00e1rvores, seja para obter lenha ou para outro fim. Tamb\u00e9m \u00e9 proibido interferir com as ra\u00edzes principais ou eliminar toda casca de uma \u00e1rvore para extrair subst\u00e2ncias herb\u00e1ceas. Suas cren\u00e7as indicam que s\u00f3 podem usar os galhos como lenha, e as ra\u00edzes fibrosas como ervas. Se a casca de uma \u00e1rvore tem valor medicinal, somente se pode aproveitar pequenos peda\u00e7os, cortando em forma de V. Depois, este corte \u00e9 selado com terra \u00famida. Esta pr\u00e1tica \u00e9 transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o na comunidade maasai.<\/p>\n<p>Entre os laibons, s\u00e3o os conhecimentos ind\u00edgenas que ajudam a conservar a floresta Loita. Os membros dessa comunidade consideram que cortar uma \u00e1rvore \u00e9 atentar contra os deuses e contra sua cultura. Embora todos os africanos sejam nativos de seu continente, Crawahll diz que os grupos que conservam a defini\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas s\u00e3o aqueles que vivem da ca\u00e7a e da coleta, enquanto outros praticam a pecu\u00e1ria pastoril ou a agricultura em terra seca.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver uma defini\u00e7\u00e3o padr\u00e3o sobre estas popula\u00e7\u00f5es, a Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas (2007) reconhece que comunidades particulares, devido a circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e ambientais, est\u00e3o fora do sistema estatal e ficam pouco representadas em mat\u00e9ria de governan\u00e7a. \u201cOs bosqu\u00edmanos da \u00c1frica austral, ou a comunidade ogiek do Qu\u00eania, que vivem nas florestas, s\u00e3o exemplos t\u00edpicos de grupos categorizados como ind\u00edgenas\u201d, afirmou Crawhall.<\/p>\n<p>A \u00c1frica tem mais de 40 povos que sobrevivem totalmente da ca\u00e7a e da coleta, acrescentou Crawhall. O Ipacc trabalha estreitamente com 155 comunidades de 22 pa\u00edses africanos que se reconhecem como origin\u00e1rias devido \u00e0s suas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e ambientais. Desta forma, representantes destas comunidades uniram-se ao resto do mundo em Durban para fazer ouvir suas vozes, a fim de que sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o florestal seja reconhecida como parte dos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que os conhecimentos ecol\u00f3gicos tradicionais africanos s\u00e3o a base de pol\u00edticas nacionais de adapta\u00e7\u00e3o adequadas e efetivas\u201d, disse Crawhall. Por interm\u00e9dio da secretaria da Ipacc, as 155 organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias existentes na \u00c1frica redigiram um rascunho com sua posi\u00e7\u00e3o para a plataforma de negocia\u00e7\u00e3o. Cobraram que os negociadores representem todas as partes africanas: organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, autoridades e sistemas de valores tradicionais.<\/p>\n<p>Exigem a forma\u00e7\u00e3o de uma entidade regional legalmente vinculante no contexto da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para manejar assuntos de conserva\u00e7\u00e3o que s\u00e3o dif\u00edceis de tratar no \u00e2mbito nacional. \u201cUma das brechas dominantes na maioria dos pa\u00edses membros do IPACC \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 direitos reconhecidos sobre a posse da terra para as comunidades que vivem nas florestas ou delas dependem\u201d, explicou Crawhall.<\/p>\n<p>Entretanto, v\u00e1rios pa\u00edses liderados pelo Qu\u00eania come\u00e7aram a responder \u00e0s necessidades de suas comunidades locais incluindo-as em suas estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O Qu\u00eania est\u00e1 em processo de redigir um projeto de lei de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. E as comunidades ind\u00edgenas colocar\u00e3o sua perspectiva nesse texto porque, segundo a Constitui\u00e7\u00e3o, devem ser consultadas na elabora\u00e7\u00e3o de iniciativas legislativas.<\/p>\n<p>\u201cAtravessamos todo o pa\u00eds em busca de opini\u00f5es sobre este projeto. Nossa vis\u00e3o \u00e9 participar e liderar no desenvolvimento e na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, bem como de projetos e atividades dentro e fora de nossas fronteiras\u201d, disse John Kioli, presidente do Grupo de Trabalho do Qu\u00eania sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, presente em Durban. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie apoiada pela Alian\u00e7a Clima e Desenvolvimento (CDKN).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durban, \u00c1frica do Sul, 12\/12\/2011 &ndash; Para a comunidade laibon, uma tribo da etnia maasai do Qu\u00eania, a floresta Loita, de 33 mil hectares, \u00e9 um santu\u00e1rio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/africa\/conhecimento-indigena-para-salvar-florestas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":94,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-9233","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9233\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}