{"id":9256,"date":"2011-12-14T15:42:25","date_gmt":"2011-12-14T15:42:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9256"},"modified":"2011-12-14T15:42:25","modified_gmt":"2011-12-14T15:42:25","slug":"africa-e-mais-perigoso-ser-mulher-do-que-soldado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/africa\/africa-e-mais-perigoso-ser-mulher-do-que-soldado\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA: \u00c9 mais perigoso ser mulher do que soldado"},"content":{"rendered":"<p>MIDRAND, \u00c1frica do Sul, 14\/12\/2011 &ndash; As mulheres africanas que t\u00eam de suportar o maior fardo dos conflitos no continente est\u00e3o agora a exigir a possibilidade de desempenharem um papel importante nas miss\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz. <!--more--> Uma resolu\u00e7\u00e3o para promover a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres nas miss\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz e na gest\u00e3o de conflitos foi aceite na sexta feira durante a Plataforma de Ac\u00e7\u00e3o das Mulheres em \u00c1frica (WPAA) de 2011. <\/p>\n<p>Sob os ausp\u00edcios do Parlamento Pan-Africano (PAP), a reuni\u00e3o da WPAA salientou a necessidade urgente de uma melhor representa\u00e7\u00e3o feminina a n\u00edvel nacional, onde as mulheres podem desempenhar um papel activo nas decis\u00f5es com vista a impedir guerras e promover a media\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia de dois dias em Midrand de 29 de Setembro a 30 de Setembro teve lugar antes da segunda sess\u00e3o do Parlamento Pan-Africano em Outubro.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia sexual baseada no g\u00e9nero, que se tornou uma caracter\u00edstica dos conflitos armados, est\u00e1 estreitamente ligada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de g\u00e9nero dentro dessa cultura, afirmou Fran\u00e7oise Labelle das Maur\u00edcias, segunda vice-presidente do PAP.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 se as mulheres puderem desempenhar um papel pleno e em p\u00e9 de igualdade nos processos de media\u00e7\u00e3o \u00e9 que conseguiremos construir alicerces para a paz,\u201d afirmou Labelle.<\/p>\n<p>Este ano assinala o d\u00e9cimo primeiro ano da resolu\u00e7\u00e3o 1325 das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que trata dos direitos das mulheres em situa\u00e7\u00f5es de conflito, negocia\u00e7\u00f5es de paz e processos de reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m apela a uma maior representa\u00e7\u00e3o das mulheres em todos os n\u00edveis da tomada de decis\u00f5es, especialmente na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e processos de paz.<\/p>\n<p>No entanto, nunca houve uma mulher que trabalhasse como negociadora principal de paz e processos similares das Na\u00e7\u00f5es Unidas, enquanto que menos de tr\u00eas por cento s\u00e3o signat\u00e1rias de acordos de paz. <\/p>\n<p>As mulheres e jovens continuam ser afectadas desproporcionadamente durante e depois dos conflitos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mais perigoso ser mulher do que soldado durante um conflito,\u201d asseverou a Presidente do Grupo das Mulheres do PAP, Mavis Matladi, da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cProvavelmente n\u00e3o existe uma \u00fanica mulher africana que n\u00e3o tenha testemunhado viol\u00eancia contra outra mulher. \u00c9 verdade que os homens fazem a guerra e as mulheres s\u00e3o as v\u00edtimas, seja devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das infraestruturas, ao facto de serem obrigadas a virarem-se para a explora\u00e7\u00e3o sexual para sobreviverem, ou aos efeitos subsequentes da estigmatiza\u00e7\u00e3o, da gravidez for\u00e7ada e das DST (doen\u00e7as sexualmente transmitidas),\u201d afirmou.<\/p>\n<p>Matladi disse ainda que, apesar dos governos no continente terem demonstado o seu empenho nas resolu\u00e7\u00f5es, menos \u00eanfase era colocado nos pap\u00e9is que as mulheres podiam desempenhar antes, durante e depois dos conflitos.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres normalmente desempenham estes pap\u00e9is informalmente, mas formalmente eles s\u00e3o pouco reconhecidos. Essa exclus\u00e3o leva \u00e0 impossibilidade de se lidar com os assuntos das mulheres,\u201d declarou. <\/p>\n<p>Marie Louise Baricako, Presidente da Solidariedade das Mulheres em \u00c1frica (Femmes Africa Solidarit\u00e9 &#8211; FAS), organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que trabalha com quest\u00f5es ligadas ao g\u00e9nero, paz e desenvolvimento, afirma que os problemas da viola\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia sexual \u2013 usadas como arma \u2013 continuavam a ser ignorados. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 punido, e n\u00e3o \u00e9 reconhecido. Os culpados continuam em liberdade, introduzindo uma nova cultura de viola\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia sexual. O Parlamento Pan-africano tem de fazer algo sobre este assuntos,\u201d afirmou.<\/p>\n<p>A Plataforma de Ac\u00e7\u00e3o das Mulheres em \u00c1frica (WPAA) ouviu o testemunho de uma sobrevivente de viola\u00e7\u00e3o atacada durante a viol\u00eancia p\u00f3s-eleitoral no Qu\u00e9nia.<\/p>\n<p>O per\u00edodo p\u00f3s-eleitoral em 2007 e 2008 causou mais de 1.100 mortos e 3.500 feridos e mais de 600.000 deslocados. De acordo com o Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, durante dois meses ap\u00f3s o contestado resultado eleitoral, \u201chouve centenas de viola\u00e7\u00f5es, possivelmente mais, e mais de 100.000 casas foram destru\u00eddas em seis das oito prov\u00edncias quenianas.\u201d<\/p>\n<p>O tribunal est\u00e1 presentemente a julgar seis pessoas acusadas de instigar a viol\u00eancia p\u00f3s-eleitoral.<\/p>\n<p>A sobrevivente das viola\u00e7\u00f5es descreveu como foi violada m\u00faltiplas vezes, com instrumentos de ferro, tendo sido despejado \u00e1cido no seu corpo antes de ser deixada como morta enquanto a sua casa ardia.<\/p>\n<p>\u201cEstava muito mal, o meu corpo estva a aprodrecer. N\u00e3o podia usar roupas porque ficavam pregadas na minha pele. Mas Deus deu-me uma nova pele.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAgora tenho for\u00e7as para falar e enfrentar as mulheres que foram violadas e dizer-lhes que t\u00eam de falar e manterem-se firmes,\u201d contou. Tamb\u00e9m aplaudiu os esfor\u00e7os das mulheres parlamentares que est\u00e3o a trabalhar para acabarem com as atrocidades dirigidas contra as mulheres.<\/p>\n<p>A Directora Regional do Programa das Mulheres junto das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Nomcebo Manzini, afirmou que o trabalho da WPAA deveria ir al\u00e9m de estar sentado a ouvir o testemunho das mulheres brutalizadas pelos conflitos. \u201cDeviamos dizer n\u00e3o \u00e0 guerra,\u201d disse.<\/p>\n<p>Para este fim, e sob os ausp\u00edcios do Parlamento Pan-africano, foi acordada em princ\u00edpio a resolu\u00e7\u00e3o para se formar a Iniciativa das Mulheres Africanas para a Paz (IAWAP).<\/p>\n<p>Esta delega\u00e7\u00e3o de mulheres, que representa cada uma das cinco regi\u00f5es de \u00c1frica, ser\u00e1 incumbida de promover a democracia, paz e seguran\u00e7a, e tamb\u00e9m de exercer press\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es internacionais como as Na\u00e7\u00f5es Unidas, a Uni\u00e3o Africana e o Banco Mundial. <\/p>\n<p>A IAWP tamb\u00e9m ir\u00e1 procurar activamente o apoio de associa\u00e7\u00f5es similares, da sociedade civil e das mulheres africanas activistas. <\/p>\n<p>A Ministra da Prov\u00edncia do Noroeste da \u00c1frica do Sul, Thandi Modise, afirmou que, embora as pol\u00edticas parecessem positivas no papel, n\u00e3o eram eficazes no terreno. <\/p>\n<p>&#8220;Os governos ratificaram-nas mas a sua implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 fraca. N\u00e3o interessa quantos lugares ocupamos, se as mulheres n\u00e3o falarem em nome de outras mulheres, podemos bem n\u00e3o ter l\u00e1 ningu\u00e9m. H\u00e1 mulheres que podem governar pa\u00edses em \u00c1frica; e n\u00f3s somos a consci\u00eancia das nossas na\u00e7\u00f5es e deste continente. N\u00e3o \u00e9 a altura de falarmos colectivamente com uma s\u00f3 voz?\u201d<\/p>\n<p>A Embaixadora da Boa Vontade da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, a Dr\u00aa. Gertrude Mongella da Tanz\u00e2nia, que tamb\u00e9m \u00e9 a primeira Presidente do PAP, exortou as pessoas presentes na reuni\u00e3o a n\u00e3o aceitarem os conflitos por considera\u00e7\u00e3o da democratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MIDRAND, \u00c1frica do Sul, 14\/12\/2011 &ndash; As mulheres africanas que t\u00eam de suportar o maior fardo dos conflitos no continente est\u00e3o agora a exigir a possibilidade de desempenharem um papel importante nas miss\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/12\/africa\/africa-e-mais-perigoso-ser-mulher-do-que-soldado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":703,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-9256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/703"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}