{"id":927,"date":"2005-08-23T00:00:00","date_gmt":"2005-08-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=927"},"modified":"2005-08-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-genocdio-do-khmer-vermelho-ainda-no-tem-tribunal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/direitos-humanos-genocdio-do-khmer-vermelho-ainda-no-tem-tribunal\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Genoc&iacute;dio do Khmer Vermelho ainda n&atilde;o tem tribunal"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 23\/08\/2005 &ndash; A chegada de um grupo de avalia&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ao Camboja, prevista para o pr&oacute;ximo m&ecirc;s, criou esperan&ccedil;as de uma acelera&ccedil;&atilde;o no processo para julgar os l&iacute;deres sobreviventes do regime genocida do Khmer Vermelho (1975-1979). O trabalho que a equipe da ONU deve realizar para criar o tribunal especial que julgar&aacute; o Khmer Vermelho, acusado de assassinar 1,7 milh&atilde;o de cambojanos, ser&aacute; t&atilde;o importante quanto o conseguido em maio, quando as Na&ccedil;&otilde;es Unidas anunciaram que as condi&ccedil;&otilde;es legais e financeiras necess&aacute;rias para o processo finalmente haviam sido obtidas. <br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Haver&aacute; muitos marcos a serem atingidos de agora at&eacute; o come&ccedil;o do julgamento&quot;, disse Helen Jarvis, assessora do Conselho de Ministros do Camboja. &quot;A escolha e nomea&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zes e promotores, bem como seu juramento, ser&atilde;o importantes. Jarvis tamb&eacute;m confirmou, em entrevista &agrave; IPS, que pode demorar meses at&eacute; o primeiro acusado de genoc&iacute;dio sentar no banco dos r&eacute;us. &quot;Depois do juramento dos ju&iacute;zes at&eacute; o primeiro acusado enfrentar o tribunal pode demorar at&eacute; 12 meses&quot;. Estes sinais de lentid&atilde;o servem para recordar a dif&iacute;cil viagem dos planos para criar um tribunal especial patrocinado pela ONU. Na semana passada, o primeiro-ministro cambojano, Samdech Hun Sen, disse que o processo pode n&atilde;o transcorrer como estava previsto, por causa de um d&eacute;ficit financeiro que a comunidade internacional deve assumir, disse. &quot;Se eles n&atilde;o derem o dinheiro, ent&atilde;o n&atilde;o se pode estabelecer o tribunal. E n&atilde;o tenho dinheiro&quot;, disse aos jornalistas.<\/p>\n<p> A disputa financeira trouxe &aacute; tona uma preocupa&ccedil;&atilde;o sobre o compromisso de Hun Sen com o processo contra os l&iacute;deres do Khmer Vermelho. Qualquer retrocesso de Phnom Penh ser&aacute; visto com descumprimento do acordo entre o governo e a ONU em mat&eacute;ria de finan&ccedil;as, afirmaram ativistas pelos direitos humanos. &quot;O governo tem a obriga&ccedil;&atilde;o de conseguir os fundos&quot;, disse Youk Chhang, diretor do Centro de Documenta&ccedil;&atilde;o do Camboja, organismo com sede em Phnom Penh que recolhe provas e testemunhos das atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho para enviar ao tribunal especial.<\/p>\n<p> &quot;Negar-se a financiar o tribunal ser&aacute; uma viola&ccedil;&atilde;o desse acordo&quot;, afirmou Chhang. Duas fontes ofereceram fundos ao Camboja, o governo japon&ecirc;s, atrav&eacute;s de ajuda ao desenvolvimento, e a comunidade empresarial cambojana, acrescentou. &quot;O dinheiro est&aacute; a&iacute;. Tudo o que o governo tem de fazer &eacute; us&aacute;-lo&quot;, afirmou. Depois do acordo deste ano, a ONU anunciou que os doadores internacionais haviam se comprometido com US$ 43 milh&otilde;es para o tribunal &#8211; que funcionar&aacute; durante tr&ecirc;s anos &#8211; e que se esperava que o Camboja arrecadasse os restantes US$ 13,3 milh&otilde;es. At&eacute; o momento, o pa&iacute;s s&oacute; entrou com US$ 1,3 milh&atilde;o dos US$ 53,6 necess&aacute;rios para implementar o tribunal.<\/p>\n<p> Esses n&uacute;meros n&atilde;o incluem outras quantias que o Camboja, um dos pa&iacute;ses mais pobres do sudeste asi&aacute;tico, concordou em fornecer ao processo, explicou Jarvis. &quot;O Camboja aceitou custear US$ 5,6 milh&otilde;es de gastos indiretos durante o funcionamento do tribunal, como pris&atilde;o e deten&ccedil;&atilde;o de suspeitos e assist&ecirc;ncia m&eacute;dica&quot;. A atitude de Hun Sem tem antecedentes. O primeiro-ministro irritou ativistas ao colocar obst&aacute;culos desde que come&ccedil;aram as negocia&ccedil;&otilde;es com a ONU para criar o tribunal, h&aacute; quase uma d&eacute;cada. Um deles foi a press&atilde;o de Phnom Penh para designar uma maioria de ju&iacute;zes cambojanos, contrariando planos iniciais de que essa corte deveria ser dominada por magistrados internacionais.<\/p>\n<p> Em julho, ativistas pelos direitos humanos alertaram sobre os movimentos de Phnom Penh para selecionar ju&iacute;zes cambojanos em segredo. O dia 17 de abril marcou o 30&ordm; anivers&aacute;rio da entrada do ultramao&iacute;sta Khmer Vermelho na capital cambojana. Cerca de 1,7 milh&otilde;es de pessoas morreram em execu&ccedil;&otilde;es, trabalhos for&ccedil;ados e de fome durante os quatro anos de terror nos quais o regime atuou, at&eacute; 1979, quando for&ccedil;as vietnamitas invadiram o pa&iacute;s. Pol Pot, l&iacute;der do Khmer Vermelho, se salvou da justi&ccedil;a ao morrer em 1998. E alguns cambojanos se perguntam se quem foi ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores durante o regime, Leng Sary, tamb&eacute;m escapar&aacute; do tribunal. O governo de Hun Sem o havia anistiado.<\/p>\n<p> Atualmente, somente dois ex-l&iacute;deres do Khmer Vermelho (Ta Mok, o chefe militar, e Kaing Khek Lev, ou Duch, que dirigiu o macabro centro de interrogat&oacute;rios de Tuol Sleng, em Phnom Penh) est&atilde;o presos esperando julgamento. Duch foi respons&aacute;vel por quase 16 mil mortes de homens, mulheres e crian&ccedil;as torturados e executados nesse centro. Hun Sen ser&aacute; acompanhado de perto pelos ativistas quando come&ccedil;arem os processos, e n&atilde;o somente por seu hist&oacute;rico de l&iacute;der autocrata que coloca obst&aacute;culos &agrave; a&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a. O primeiro-ministro tamb&eacute;m integrou o Khmer Vermelho, at&eacute; desertar para aderir ao governo pr&oacute;-vietnamita que governou o Camboja depois da expuls&atilde;o de Pol Pot do poder. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 23\/08\/2005 &ndash; A chegada de um grupo de avalia&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ao Camboja, prevista para o pr&oacute;ximo m&ecirc;s, criou esperan&ccedil;as de uma acelera&ccedil;&atilde;o no processo para julgar os l&iacute;deres sobreviventes do regime genocida do Khmer Vermelho (1975-1979). O trabalho que a equipe da ONU deve realizar para criar o tribunal especial que julgar&aacute; o Khmer Vermelho, acusado de assassinar 1,7 milh&atilde;o de cambojanos, ser&aacute; t&atilde;o importante quanto o conseguido em maio, quando as Na&ccedil;&otilde;es Unidas anunciaram que as condi&ccedil;&otilde;es legais e financeiras necess&aacute;rias para o processo finalmente haviam sido obtidas. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/direitos-humanos-genocdio-do-khmer-vermelho-ainda-no-tem-tribunal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}