{"id":932,"date":"2005-08-24T00:00:00","date_gmt":"2005-08-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=932"},"modified":"2005-08-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-24T00:00:00","slug":"ambiente-a-perversa-economia-do-fogo-na-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/ambiente-a-perversa-economia-do-fogo-na-espanha\/","title":{"rendered":"Ambiente: A perversa economia do fogo na Espanha"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 24\/08\/2005 &ndash; Queimar florestas, prolongar os inc&ecirc;ndios ou n&atilde;o tomar medidas para evit&aacute;-los &eacute; uma fonte de renda na Espanha que beneficia quem tem contratos para apag&aacute;-los, segundo den&uacute;ncias de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas. Este problema, que se soma aos inc&ecirc;ndios provocados na &aacute;rea para se construir edif&iacute;cios ou comercializar a madeira de &aacute;rvores nobres protegidas por leis ambientais, leva o respons&aacute;vel da campanha de florestas do cap&iacute;tulo espanhol da organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace, Miguel Angel Soto, a afirmar que &quot;existe uma economia do fogo&quot;. Essa economia consiste em &quot;provocar inc&ecirc;ndios para assegurar os contratos de extin&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;ximo ano ou prolongar os atuais, o que &eacute; uma pr&aacute;tica antiga e longamente documentada&quot;, explica o ecologista. Os inc&ecirc;ndios costumam se propagar quando est&atilde;o sendo apagados, sem que os t&eacute;cnicos demonstrem ser imposs&iacute;vel limitar sua extens&atilde;o, afirmam especialistas.<br \/> <!--more--> <br \/> A esse respeito, Francisco Cabezos, o encarregado desse assunto na Comiss&atilde;o Confederativa de Comiss&otilde;es Oper&aacute;rias, uma das centrais sindicais majorit&aacute;rias da Espanha, recorda que em Castilla e Leon, por exemplo, as empresas contratadas para apagar inc&ecirc;ndios cobram por metro quadrado apagado. Isto &eacute;, quanto maior for a &aacute;rea de floresta incendiada e apagada, mais altos s&atilde;o seus honor&aacute;rios, explicou. A Guarda Civil &#8211; pol&iacute;cia militarizada &#8211; informou que desde janeiro deteve 277 pessoas acusadas de causar inc&ecirc;ndios florestais. Uma delas, preso em meados deste m&ecirc;s na comunidade aut&ocirc;noma de Andaluzia, &eacute; um guarda-florestal encarregado de prevenir inc&ecirc;ndios. A Guarda Civil informou que ele &eacute; acusado de provocar um inc&ecirc;ndio, mas nada disse sobre os motivos que o levaram a isso.<\/p>\n<p> No in&iacute;cio de julho, foram detidos quatro membros de uma brigada antiinc&ecirc;ndios na Gal&iacute;cia, noroeste da Espanha, tamb&eacute;m acusados de terem iniciado fogos de foco de maneira intencional nessa regi&atilde;o. Isso &eacute; informa&ccedil;&atilde;o que preocupa, embora n&atilde;o tenham sido registrados casos com o ocorrido em 1994, quando houve pessoas que identificaram um pequeno avi&atilde;o, &quot;Icona 73&quot;, jogando coquetel Molotov sobre florestas em uma &aacute;rea de Castilla-La Mancha, no centro da pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Do come&ccedil;o do ano at&eacute; este m&ecirc;s, a superf&iacute;cie florestal queimada aumentou 30% em rela&ccedil;&atilde;o a igual per&iacute;odo de 1994, com perdas acima de cem milh&otilde;es de euros (US$ 130 milh&otilde;es), segundo c&aacute;lculos do Col&eacute;gio de Engenheiros de Montes, mas somando as conseq&uuml;&ecirc;ncias diretas e indiretas esse n&uacute;mero quadruplica, como aconteceu no ano passado.<\/p>\n<p> Um relat&oacute;rio preparado pelo Sistema Europeu de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Inc&ecirc;ndios Florestais e publicado este m&ecirc;s pelo Centro Conjunto de Pesquisa da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia (o &oacute;rg&atilde;o executivo da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia), indica que 9,3% do territ&oacute;rio espanhol foram arrasados pelas chamas desde 1980. O mesmo documento indica que neste mesmo per&iacute;odo foram queimados 12 milh&otilde;es de hectares nos cinco pa&iacute;ses mediterr&acirc;neos da UE (Espanha, Portugal, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e Gr&eacute;cia), dos quais 4,7 milh&otilde;es na Espanha e 2,7 milh&otilde;es em Portugal. Estes dois pa&iacute;ses somam mais da metade do total, e neste ano sofrem inc&ecirc;ndios ainda maiores, que no caso de Portugal levou o governo a pedir ajuda internacional para domin&aacute;-los.<\/p>\n<p> S&oacute; no ver&atilde;o atual no hemisf&eacute;rio norte, os inc&ecirc;ndios destru&iacute;ram na Espanha cerca de cem mil hectares de florestas, 140 mil em Portugal e 150 mil na Fran&ccedil;a, segundo dados divulgados no come&ccedil;o deste m&ecirc;s. Por&eacute;m, os sinistros continuam. Somando-se os hectares queimados na Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e Gr&eacute;cia n&atilde;o se iguala &agrave; &aacute;rea queimada na pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, fato que elimina o fator clim&aacute;tico como causa dos inc&ecirc;ndios, j&aacute; que os cinco pa&iacute;ses possuem climas semelhantes. Uma das causas de inc&ecirc;ndios &eacute; a crescente emigra&ccedil;&atilde;o do campo para a cidade, o que deixa grandes &aacute;reas desprotegidas. A queda das explora&ccedil;&otilde;es de ovelhas, por exemplo, faz com que os montes de grama que antes serviam de alimento para esses animais e as cabras sequem e seja presa f&aacute;cil das chamas e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia das &aacute;rvores debaixo das quais crescem.<\/p>\n<p> Diante deste quadro, dois fatos preocupam mais os ecologistas e, em certo grau, as autoridades: os inc&ecirc;ndios intencionais e a fragilidade das medidas preventivas adotadas pelos organismos p&uacute;blicos. Somente na Gal&iacute;cia foram mais de 180 inc&ecirc;ndios florestais intencionais no final de semana de 20 e 21 deste m&ecirc;s, segundo a porta-voz do governo regional, Teresa Varela. A funcion&aacute;ria informou tamb&eacute;m que, uma vez apagadas, outros inc&ecirc;ndios, pr&oacute;ximos desses locais, foram registrados. No s&aacute;bado, 20, foi preso um bombeiro na popula&ccedil;&atilde;o galega de Xinzo de Limia, segundo Varela. Sobre a fraca preven&ccedil;&atilde;o oficial, um dos fundadores do Comit&ecirc; de Defesa do Monte Gallego, Xos&eacute; Santos, destaca que quase todo o dinheiro enviado pela Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para defender as florestas &eacute; usado para apagar inc&ecirc;ndios, em lugar de ser aplicado em preven&ccedil;&atilde;o, entre outras coisas, contratando o corte do mato.<\/p>\n<p> Humberto Cruz, diretor do Instituto de Estudos e Coopera&ccedil;&atilde;o para a Bacia do Mediterr&acirc;neo e ex-diretor-geral do Instituto de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza, da Espanha, reflete sobre essa imprevis&atilde;o em um artigo publicado no jornal El Pais. Ap&oacute;s apontar v&aacute;rios casos e reconhecer a promessa governamental de adotar medidas preventivas, Cruz termina dizendo que Deus permita que as medidas sejam tomadas, para n&atilde;o se ter de esperar por outra cat&aacute;strofe, como a que deixou 11 mortos em julho, em Guadalajara; para que sejam reiteradas as promessas feitas por todos os governos anteriores. Porque, destacou Cruz, mais do que atender caso a caso, &eacute; preciso concentrar os esfor&ccedil;os em estabelecer e implementar uma s&oacute;lida estrat&eacute;gia preventiva. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 24\/08\/2005 &ndash; Queimar florestas, prolongar os inc&ecirc;ndios ou n&atilde;o tomar medidas para evit&aacute;-los &eacute; uma fonte de renda na Espanha que beneficia quem tem contratos para apag&aacute;-los, segundo den&uacute;ncias de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas. Este problema, que se soma aos inc&ecirc;ndios provocados na &aacute;rea para se construir edif&iacute;cios ou comercializar a madeira de &aacute;rvores nobres protegidas por leis ambientais, leva o respons&aacute;vel da campanha de florestas do cap&iacute;tulo espanhol da organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace, Miguel Angel Soto, a afirmar que &quot;existe uma economia do fogo&quot;. Essa economia consiste em &quot;provocar inc&ecirc;ndios para assegurar os contratos de extin&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;ximo ano ou prolongar os atuais, o que &eacute; uma pr&aacute;tica antiga e longamente documentada&quot;, explica o ecologista. Os inc&ecirc;ndios costumam se propagar quando est&atilde;o sendo apagados, sem que os t&eacute;cnicos demonstrem ser imposs&iacute;vel limitar sua extens&atilde;o, afirmam especialistas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/ambiente-a-perversa-economia-do-fogo-na-espanha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":205,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/205"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/932\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}