{"id":9325,"date":"2012-01-03T15:53:06","date_gmt":"2012-01-03T15:53:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9325"},"modified":"2012-01-03T15:53:06","modified_gmt":"2012-01-03T15:53:06","slug":"brasil-milagre-de-uma-economia-que-avanca-com-os-pes-atados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/america-latina\/brasil-milagre-de-uma-economia-que-avanca-com-os-pes-atados\/","title":{"rendered":"BRASIL: Milagre de uma economia que avan\u00e7a com os p\u00e9s atados"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro Brasil, 03\/01\/2012 &ndash; A economia do Brasil cresceu em 2011 menos da metade dos 7,5% conseguidos no ano anterior. Mas esses resultados seriam um milagre em outro pa\u00eds com as condi\u00e7\u00f5es que freiam as atividades produtivas brasileiras e prejudicam sua competitividade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9325\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9325\" class=\"size-medium wp-image-9325\" title=\"Complexo industrial nordestino de Suape, no Estado de Pernambuco, em constante amplia\u00e7\u00e3o. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1-300x225.jpg\" alt=\"Complexo industrial nordestino de Suape, no Estado de Pernambuco, em constante amplia\u00e7\u00e3o. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9325\" class=\"wp-caption-text\">Complexo industrial nordestino de Suape, no Estado de Pernambuco, em constante amplia\u00e7\u00e3o. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A taxa b\u00e1sica de juros de 11% \u00e9 a maior do mundo em termos reais, e a carga tribut\u00e1ria chega a 35% do produto interno bruto, muito superior ao restante da Am\u00e9rica Latina e mais pr\u00f3xima da de Estados europeus, mas sem oferecer um bem-estar social semelhante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a enorme burocracia contribui para travar neg\u00f3cios, e os custos tamb\u00e9m aumentam pela prec\u00e1ria infraestrutura de transporte e pelo elevado pre\u00e7o da energia, contrariando o discurso oficial de valores m\u00f3dicos no sistema el\u00e9trico, no qual predomina a fonte hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>Para agravar as dificuldades na competi\u00e7\u00e3o internacional, o real foi a moeda nacional mais valorizada frente ao d\u00f3lar norte-americano nos \u00faltimos anos. Assim, caem as exporta\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios segmentos industriais e aumentam as importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dirigentes empresariais alertam para um processo de \u201cdesindustrializa\u00e7\u00e3o precoce\u201d, devido ao desequil\u00edbrio cambi\u00e1rio que tende   a acentuar-se agora que o Brasiconverte em exportador de petr\u00f3leo, gra\u00e7as a abundantes reservas em \u00e1guas profundas do Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Luis Aubert Neto, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), disse que, em 2005, 60% das m\u00e1quinas vendidas no mercado dom\u00e9stico eram nacionais, e que agora apenas 40% o s\u00e3o. As exporta\u00e7\u00f5es do setor ca\u00edram 27,7% entre 2008 e 2010, enquanto as importa\u00e7\u00f5es aumentaram 14%.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em curso uma \u201cguerra cambial\u201d, dizia h\u00e1 pouco mais de um ano o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Alguns pa\u00edses desvalorizam suas moedas para ganhar competitividade, um assunto que deveria ser tratado na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), sugeriu Mantega.<\/p>\n<p>Diante das press\u00f5es empresariais e da evid\u00eancia de que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras se concentram cada dia mais em produtos prim\u00e1rios, agr\u00edcolas e minerais, o governo vem adotando medidas protecionistas, como a exig\u00eancia de 65% de componentes nacionais em ve\u00edculos automotores que desejarem obter benef\u00edcios tribut\u00e1rios.<\/p>\n<p>Apesar de todas as desvantagens, o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que atraem mais investimentos estrangeiros e acaba de ser reconhecido como a sexta maior economia do mundo pelo brit\u00e2nico Centre for Economics and Business Research (CEBR), superando a Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Celebrado como uma das grandes pot\u00eancias emergentes agrupadas no Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), o pa\u00eds se destaca, na verdade, por seu indicador de PIB, cujo crescimento teve m\u00e9dia de 4% ao ano entre 2003 e 2010, per\u00edodo da presid\u00eancia de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Trata-se de um \u00edndice pr\u00f3ximo da m\u00e9dia mundial, e superado por v\u00e1rios pa\u00edses sul-americanos. Contudo, pelo tamanho do mercado interno que sua popula\u00e7\u00e3o de 192 milh\u00f5es de habitantes proporciona, e pelo n\u00edvel de desenvolvimento j\u00e1 alcan\u00e7ado, o Brasil justifica o interesse de investidores, economistas e inst\u00e2ncias de poder internacional.<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es, como o Nordeste e o Estado de Rond\u00f4nia, na Amaz\u00f4nia, \u00e9 quase uma piada falar em desindustrializa\u00e7\u00e3o. A realidade ali mostra o contr\u00e1rio: uma acelerada industrializa\u00e7\u00e3o, embora \u00e0 moda antiga, movida pelo petr\u00f3leo e pela metalurgia, em lugar da eletr\u00f4nica ou das novas tecnologias.<\/p>\n<p>No empobrecido e \u00e1rido Nordeste, a instala\u00e7\u00e3o de refinarias de petr\u00f3leo, sider\u00fargicas e estaleiros \u2013 em estreita vincula\u00e7\u00e3o com portos projetados como complexos industriais e log\u00edsticos \u2013 impulsiona um crescimento econ\u00f4mico acima da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>A infraestrutura insuficiente tira competitividade, mas tamb\u00e9m funciona como fator de dinamismo, especialmente na constru\u00e7\u00e3o. S\u00e3o constru\u00eddos, ampliados ou reformados portos, estradas, ferrovias e pontes em todas as regi\u00f5es do Brasil, que se somam a programas de moradia com facilidade de financiamento.<\/p>\n<p>Tantas obras colocam em destaque a falta de m\u00e3o de obra qualificada, e h\u00e1 consenso de que a deficiente educa\u00e7\u00e3o constitui uma trava adicional ao desenvolvimento e \u00e0 competitividade. O Brasil sempre est\u00e1 entre os \u00faltimos, especialmente em matem\u00e1tica, 65 pa\u00edses contemplados no Programa Internacional para a Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos (Pisa, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Em resposta a essa necessidade, os governos federal e estaduais multiplicam unidades de ensino t\u00e9cnico, e as empresas est\u00e3o capacitando por conta pr\u00f3pria trabalhadores locais para realizar grandes obras. A hidrel\u00e9trica Santo Antonio, no Rio Madeira, na Amaz\u00f4nia, \u00e9 constru\u00edda com mais de 80% de m\u00e3o de obra local, segundo o cons\u00f3rcio respons\u00e1vel. E a central de Belo Monte, apenas iniciada no Rio Xingu, tamb\u00e9m anuncia que dois ter\u00e7os de seus trabalhadores s\u00e3o da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAgora sim o ensino avan\u00e7a, porque h\u00e1 demanda\u201d, disse Fernando Freire, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o com sede no Recife, capital de Pernambuco, Estado do Nordeste que vive o processo mais acelerado de industrializa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>No entanto, os economistas destacam outro calcanhar de Aquiles brasileiro, a sua escassez de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Embora a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tenha crescido ultimamente, refletida em artigos acad\u00eamicos publicados, quanto a patentes o pa\u00eds ainda est\u00e1 muito abaixo de outros com desenvolvimento semelhante.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos aspectos a se destacar quando se trata de falar das inconsist\u00eancias da economia brasileira, especialmente em alguns setores afetados pela competi\u00e7\u00e3o de produtos chineses. Por\u00e9m, o certo \u00e9 que o Brasil vive uma situa\u00e7\u00e3o de pleno emprego.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego caiu para 5,2% em novembro, menor \u00edndice desde 2002, quando adotada a atual metodologia. Todos os indicadores apontam para uma redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e cessaram as migra\u00e7\u00f5es a partir de regi\u00f5es mais pobres, como o Nordeste, para centros mais desenvolvidos, como S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A economia cresce apesar dos fatores que funcionam como travas, e os efeitos sociais e pol\u00edticos s\u00e3o fortemente sentidos, embora a expans\u00e3o do PIB n\u00e3o seja t\u00e3o brilhante quanto a da China e de alguns vizinhos sul-americanos, como o Peru, onde Alan Garc\u00eda deixou este ano a Presid\u00eancia com sua popularidade em baixa, apesar do crescimento do PIB.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, no Brasil \u00e9 elevad\u00edssima a popularidade da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. \u00c9 como a jabuticaba, fruta que s\u00f3 existe neste pa\u00eds e que os brasileiros costumam usar como exemplo de suas singularidades. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro Brasil, 03\/01\/2012 &ndash; A economia do Brasil cresceu em 2011 menos da metade dos 7,5% conseguidos no ano anterior. 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