{"id":9337,"date":"2012-01-05T14:27:25","date_gmt":"2012-01-05T14:27:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9337"},"modified":"2012-01-05T14:27:25","modified_gmt":"2012-01-05T14:27:25","slug":"mulheres-afeganistao-do-casamento-a-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/direitos-humanos\/mulheres-afeganistao-do-casamento-a-prostituicao\/","title":{"rendered":"MULHERES-AFEGANIST\u00c3O: Do casamento \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Mazar-e Sharif, Afeganist\u00e3o, 05\/01\/2012 &ndash; Soma era uma adolescente comum desta cidade do norte do Afeganist\u00e3o quando seu av\u00f4 acertou seu casamento com um homem que ela n\u00e3o conhecia <!--more--> Criada em um lar sem pai, Soma pensava que o casamento era sua \u00fanica op\u00e7\u00e3o. Foi levada pelo seu sogro para Cabul, onde esperava come\u00e7ar uma nova vida. Ao chegar, conheceu seu marido: um menino de oito anos, e inteirou-se de seu triste destino: teria que se prostituir.<\/p>\n<p>Todas as noites seu sogro organizava festas nas quais, por US$ 200 os homens visitantes podiam comer carne, beber \u00e1lcool e ver Soma e suas duas cunhadas dan\u00e7arem. Depois, as jovens eram obrigadas a se deitarem com at\u00e9 quatro homens em uma s\u00f3 noite. Soma disse que regularmente seu sogro lhe tirava sangue para colocar sobre os len\u00e7\u00f3is como \u201cprova\u201d para seus clientes de que a mo\u00e7a era virgem. Depois de dois anos, um cliente ficou com pena dela e a ajudou a fugir. Ela denunciou o ocorrido na pol\u00edcia antes de ser enviada ao Minist\u00e9rio de Assuntos das Mulheres.<\/p>\n<p>Entretanto, sua seguran\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 garantida. Regressou com seu av\u00f4 para Mazar-e Sharif, mas o homem que a escravizou em Cabul conseguiu n\u00e3o ser preso. \u201cSe compararmos o tr\u00e1fico sexual no Afeganist\u00e3o com o que ocorre em outros pa\u00edses, definitivamente h\u00e1 algumas diferen\u00e7as\u201d, disse Nigina Mamadjonova, administradora de programas da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es, que acompanha casos como o de Soma.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, as ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas s\u00e3o as principais na\u00e7\u00f5es emissoras de tr\u00e1fico sexual. N\u00e3o posso dizer que o fen\u00f4meno n\u00e3o ocorra aqui, e, de fato, \u00e0s vezes acontece, mas \u00e9 de outra forma. \u00c9 geralmente interno, e n\u00e3o t\u00e3o organizado como em outros pa\u00edses. Aqui vemos muitos casamentos for\u00e7ados e precoces\u201d, explicou Mamadjonova.<\/p>\n<p>\u201cAs fam\u00edlias vendem suas mulheres e estas trabalham como prostitutas. A raz\u00e3o pela qual n\u00e3o vemos muitos casos \u00e9 pela natureza de nossa cultura. Essas mulheres n\u00e3o t\u00eam op\u00e7\u00f5es, pois muitas vezes as fam\u00edlias n\u00e3o as aceitam de volta por vergonha. E n\u00e3o podem se aproximar dos trabalhadores sociais ou de organiza\u00e7\u00f5es para pedir ajuda porque podem ser assassinadas\u201d por seus pr\u00f3prios familiares, acrescentou Mamadjonova.<\/p>\n<p>As d\u00e9cadas de viol\u00eancia no Afeganist\u00e3o causaram o deslocamento de milh\u00f5es de pessoas, pobreza cr\u00f4nica e uma crescente vulnerabilidade das mulheres e meninas e dos meninos, vendidos em casamentos for\u00e7ados antes de completarem a idade m\u00ednimia exigida por lei, de 16 anos, e obrigados a trabalhar ou se prostituir. Uma pesquisa da Comiss\u00e3o Independente de Direitos Humanos do Afeganist\u00e3o concluiu que mais de 60% do tr\u00e1fico de mulheres, meninas e meninos neste pa\u00eds \u00e9 interno. Desse total, 45% s\u00e3o meninas e 38% mulheres.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 a maior motiva\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico interno, seguida da prostitui\u00e7\u00e3o. Em 2009, foi aprovada a Lei para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres, que entre outras coisas condena os casamentos for\u00e7ados. Em julho deste ano adotou-se a Lei para o Combate do Sequestro e do Tr\u00e1fico Humano. Entretanto, ativistas pelos direitos humanos acusam o governo de incapacidade para implementar as leis de forma eficiente. As mulheres s\u00e3o, em geral, vistas como criminosas pelo sistema judicial e enviadas \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor ser um governo fraco e corrupto, \u00e9 dif\u00edcil impedir o tr\u00e1fico humano, sexual e infantil, e o sistema judicial n\u00e3o est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o a isto. Diz que \u00e9 mais um problema familiar do que de justi\u00e7a\u201d, disse Hamid Safwat, administrador regional do Centro de Coopera\u00e7\u00e3o para o Afeganist\u00e3o em Mazar-e Sharif.<\/p>\n<p>Esta organiza\u00e7\u00e3o acaba de proteger uma menina de 12 anos que foi sequestrada no famoso santu\u00e1rio de Hazra Ali, conhecido popularmente como \u201ca mesquita azul\u201d, e esteve retida por oito meses por homens que ela descreveu como funcion\u00e1rios do governo. Foi violada repetidamente at\u00e9 conseguir fugir e se esconder em um abrigo durante dois anos, pois temia ser assassinada por envergonhar a fam\u00edlia. Agora est\u00e1 casada e tem um filho, e teria restabelecido rela\u00e7\u00f5es com seus pais.<\/p>\n<p>O Centro de Apoio \u00e0s Mulheres e \u00e0 Juventude re\u00fane nomes de policiais e de supostas prostitutas e oferece ajuda e assessoria por telefone. \u201cAlguns dos maridos as obrigam a ganhar dinheiro se prostituindo\u201d, disse a diretora do Centro, Nilofar Sayar, explicando que a pobreza \u00e9 o principal fator do problema e que muitas se prostituem para alimentar os filhos. \u201cFizemos um estudo sobre seus contextos e vimos que, em geral, o pai e a m\u00e3e estavam divorciados ou um havia morrido\u201d, contou Sayar.<\/p>\n<p>Ela recordou o caso de uma adolescente. \u201cSeu marido a obrigava a praticar sexo ilegal quando se casou aos 15 ou 16 anos. O marido levava desconhecidos para casa e ela era obrigada a se deitar com eles\u201d, contou. \u201cEnt\u00e3o, acabou colocando fogo em si mesma aos 18 anos para evitar isso. Agora, aos 25, tem o rosto, as m\u00e3os e o pesco\u00e7o queimados. Ainda vive com seu marido porque tem quatro filhos\u201d, disse Sayar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mazar-e Sharif, Afeganist\u00e3o, 05\/01\/2012 &ndash; Soma era uma adolescente comum desta cidade do norte do Afeganist\u00e3o quando seu av\u00f4 acertou seu casamento com um homem que ela n\u00e3o conhecia <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/direitos-humanos\/mulheres-afeganistao-do-casamento-a-prostituicao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":779,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-9337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/779"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}