{"id":9356,"date":"2012-01-10T14:54:11","date_gmt":"2012-01-10T14:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9356"},"modified":"2012-01-10T14:54:11","modified_gmt":"2012-01-10T14:54:11","slug":"palestina-por-tras-das-oliveiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/direitos-humanos\/palestina-por-tras-das-oliveiras\/","title":{"rendered":"PALESTINA: Por tr\u00e1s das oliveiras"},"content":{"rendered":"<p>Gaza, Palestina, 10\/01\/2012 &ndash; \u201cEm tempos dif\u00edceis sobrevivemos gra\u00e7as ao \u00f3leo de oliva. Durante a \u00faltima guerra, muitos que n\u00e3o podiam abandonar suas casas tinham apenas este produto e p\u00e3o para se manter por longos per\u00edodos\u201d, disse Ahmed Sourani, do Comit\u00ea Palestino de Al\u00edvio Agr\u00edcola. <!--more--> Inclusive durante a primeira Intifada (levante palestino contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense), as oliveiras e seu \u00f3leo foram vitais.<\/p>\n<p>\u201cPermitiram a sobreviv\u00eancia de muitos milhares de fam\u00edlias palestinas bastante pobres. Quando o ex\u00e9rcito israelense nos imp\u00f5e toques de recolher, \u00e9 nossa principal fonte de alimento. A maioria dos estudantes leva como lanche para a escola sandu\u00edche de az\u2019atar (serpol, uma variedade de tomilho) e de \u00f3leo de oliva\u201d, contou Sourani. Esta fonte de alimento foi o alvo de Israel durante anos. Em novembro de 2008, a organiza\u00e7\u00e3o internacional Oxfam informou que, desde 2000, haviam sido destru\u00eddas 112 mil oliveiras na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>\u201cSegundo as autoridades israelenses, a zona de exclus\u00e3o que pro\u00edbe os palestinos de estarem em sua terra, fica a 300 metros da fronteira da Linha Verde entre Gaza e Israel. Na realidade, se estende muito mais al\u00e9m de 600 metros, incluindo 30% das terras agr\u00edcolas de Gaza\u201d, denunciou Sourani. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) cita \u00e1reas de at\u00e9 dois quil\u00f4metros dentro das fronteiras de Gaza que ficaram inacess\u00edveis devido \u00e0 pol\u00edtica de balas, bombardeios e invas\u00f5es de Israel.<\/p>\n<p>Segundo o Comit\u00ea Palestino de Al\u00edvio Agr\u00edcola, mais de 42% dos 175 quil\u00f4metros quadrados de terra cultiv\u00e1vel da Faixa de Gaza foram destru\u00eddos durante as invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es israelenses. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade informa que, s\u00f3 a \u00faltima guerra de Israel contra Gaza, destruiu at\u00e9 60% da ind\u00fastria agr\u00edcola. Apesar da campanha sistem\u00e1tica de destrui\u00e7\u00e3o de oliveiras, Sourani informou que \u201calgumas \u00e1reas de Gaza ainda t\u00eam algumas que s\u00e3o centen\u00e1rias\u201d. Isto ocorre principalmente nos bairros de Zaytoun, Sheyjayee e Tuffah. De todo modo, estas \u00e1rvores antigas s\u00e3o em quantidade \u00ednfima, e a m\u00e9dia de idade das oliveiras \u00e9 de aproximadamente cinco anos, explicou Sourani.<\/p>\n<p>Como as terras ar\u00e1veis de Gaza est\u00e3o cada vez mais desertas, o Minist\u00e9rio da Agricultura da Faixa de Gaza planeja uma resist\u00eancia n\u00e3o violenta \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o deste setor por parte de Israel. Ahmad Fatayar, funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio, disse que, com o passar dos anos, inclusive durante e depois da ocupa\u00e7\u00e3o da Faixa, pol\u00edticas e incentivos econ\u00f4micos influenciados pelo Estado judeu foram criados para obrigar os agricultores palestinos a deixar de cultivar \u00e1rvores em suas terras, para passar a trabalhar em estufas ou como oper\u00e1rios em Israel.<\/p>\n<p>Depois que os tratores israelenses arrasaram essas terras, para os palestinos ficou dif\u00edcil, quando n\u00e3o imposs\u00edvel, cultivar suas oliveiras. \u201cCriamos um bosque para cultivar um milh\u00e3o de oliveiras em toda a Faixa de Gaza, particularmente na zona de exclus\u00e3o, que foi amplamente destru\u00edda\u201d, disse Fatayar. Ele tamb\u00e9m listou in\u00fameros benef\u00edcios e usos das oliveiras. \u201cPodem ser cultivadas na rua, nos p\u00e1tios das escolas e em frente das casas, e suportam per\u00edodos muito longos de seca e \u00e1gua salgada, podem ser armazenadas durante longos per\u00edodos e usadas em v\u00e1rias ind\u00fastrias, como de alimentos, farmac\u00eautica, forragem, carv\u00e3o e compostagem (adubo org\u00e2nico)\u201d, detalhou Fatayar. Para uma fam\u00edlia palestina m\u00e9dia, de oito membros, \u201cduas ou tr\u00eas oliveiras bastam para fornecer o aceite e as azeitonas necess\u00e1rias para o consumo anual\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Sourani, al\u00e9m de seus aspectos nutritivos e econ\u00f4micos pr\u00e1ticos, as oliveiras s\u00e3o importantes por muitos outros motivos. \u201cOs palestinos tamb\u00e9m as consideram um s\u00edmbolo da terra, da independ\u00eancia, da paz e da dignidade\u201d, ressaltou. \u201cUsamos o azeite de oliva para tudo, inclusive para o cabelo. Quando estamos doentes, esfregamos o corpo com ele. Tamb\u00e9m \u00e9 usado com cosm\u00e9tico: o empregamos para fazer \u2018khol\u2019, uma vers\u00e3o n\u00e3o t\u00f3xica do delineador de olhos. As folhas das oliveiras s\u00e3o medicinais e podem ser utilizadas na ind\u00fastria farmac\u00eautica, e tamb\u00e9m para fazer ch\u00e1 para tratar diabetes e dor de est\u00f4mago\u201d, explicou Sourani.<\/p>\n<p>Para satisfazer as necessidades da desproporcionada quantidade de palestinos que vive na Faixa de Gaza (1,6 milh\u00e3o em 365 quil\u00f4metros quadrados), boa parte da demanda de azeitonas e azeite de Gaza era atendida por agricultores da ocupada Cisjord\u00e2nia. Um informe de 2010 da Oxfam afirma que \u201co bloqueio israelense imposto \u00e0 Faixa de Gaza afetou consideravelmente a importa\u00e7\u00e3o de azeitonas e de \u00f3leo de oliva da Cisjord\u00e2nia\u201d.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aponta um aumento nas importa\u00e7\u00f5es de \u201cazeite cujo pre\u00e7o baixou porque chegou a data de seu vencimento. Agora, obtemos somente uma pequena quantidade da Cisjord\u00e2nia. O restante vem da S\u00edria, L\u00edbano, Egito e Espanha. Por\u00e9m, continuamos preferindo o azeite de oliva da Palestina: o Surri, que data da era romana\u201d, esclareceu Sourani.<\/p>\n<p>O plano de autossufici\u00eancia do Minist\u00e9rio da Agricultura tamb\u00e9m inclui o cultivo de tamareiras. Como as oliveiras, as tamareiras s\u00e3o de especial import\u00e2ncia hist\u00f3rica, nutricional, econ\u00f4mica e cultural para os palestinos. \u201cS\u00e3o uma importante fonte de nutri\u00e7\u00e3o, muito produtivas e n\u00e3o custa muito cultiv\u00e1-las\u201d, afirmou Fatayar. O funcion\u00e1rio observou que \u201cas tamareiras podem ser cultivadas em apenas um ou dois metros quadrados. Uma s\u00f3 destas palmeiras pode produzir at\u00e9 200 quilos de t\u00e2maras.<\/p>\n<p>\u201cEm cerca de sete anos, uma planta jovem gera uma palmeira com frutos e outras dez mudas, que sete anos depois dar\u00e3o dez palmeiras produtivas e cem mudas mais\u201d, ressaltou Fatayar. Segundo estimativas do Minist\u00e9rio, at\u00e9 2020 haver\u00e1 cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de \u00e1rvores jovens, muitas das quais dar\u00e3o seus frutos. Os benef\u00edcios de uma tamareira incluem alimentos (mela\u00e7os, doces e \u00f3leo), produtos t\u00eaxteis (mobili\u00e1rio e vestimenta) e agr\u00edcolas (forragem para os animais) e papel. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gaza, Palestina, 10\/01\/2012 &ndash; \u201cEm tempos dif\u00edceis sobrevivemos gra\u00e7as ao \u00f3leo de oliva. 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