{"id":9367,"date":"2012-01-12T16:10:41","date_gmt":"2012-01-12T16:10:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9367"},"modified":"2012-01-12T16:10:41","modified_gmt":"2012-01-12T16:10:41","slug":"brasil-os-problemas-de-crescimento-de-um-pais-em-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/america-latina\/brasil-os-problemas-de-crescimento-de-um-pais-em-construcao\/","title":{"rendered":"BRASIL: Os problemas de crescimento de um pa\u00eds em constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 12\/01\/2012 &ndash; O Brasil vive o auge das grandes obras de infraestrutura: s\u00e3o gerados milh\u00f5es de empregos e os investimentos estrangeiros superaram os US$ 60 bilh\u00f5es em 2011. <!--more--> Mas esse impulso n\u00e3o basta para manter o crescimento econ\u00f4mico, que as \u00faltimas proje\u00e7\u00f5es situam abaixo de 3%.<\/p>\n<p>A estagna\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, que s\u00f3 cresceu 0,4% entre janeiro e novembro do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), \u00e9 um dos principais fatores para que o produto interno bruto (PIB) aumente para cerca de um ter\u00e7o do ritmo da Argentina e metade do ritmo do Peru.<\/p>\n<p>Os indicadores industriais contrastam com o dinamismo que mostra a constru\u00e7\u00e3o civil. Os edif\u00edcios proliferam por todo o pa\u00eds e ainda assim o pre\u00e7o dos im\u00f3veis duplicou \u2013 em alguns casos triplicou \u2013 nos tr\u00eas \u00faltimos anos, especialmente na cidade do Rio de Janeiro e em Recife, capital de Pernambuco, alimentando mais a f\u00faria construtora e os temores de uma \u201cbolha\u201d imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>O programa Minha Casa, Minha vida, lan\u00e7ado pelo governo federal em 2009, estimula com facilidades de cr\u00e9dito a constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas milh\u00f5es de moradias populares at\u00e9 2014, em uma tentativa de reduzir o d\u00e9ficit habitacional que, no ano passado, o Minist\u00e9rio das Cidades estimava em 5,5 milh\u00f5es de unidades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os brasileiros parecem ter descoberto agora a urg\u00eancia de desenvolver uma verdadeira infraestrutura log\u00edstica e energ\u00e9tica. O pa\u00eds aparece em plena constru\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o previstas 12.265 obras em diferentes partes do pa\u00eds com meta de conclus\u00e3o para 2016, que consumir\u00e3o cerca de R$ 1,5 trilh\u00e3o em investimentos, segundo estudo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em meio a tantas obras, falta melhor planejamento para os projetos log\u00edsticos, com v\u00e1rios de viabilidade incerta \u2013 como uma ferrovia cujo destino ainda est\u00e1 indefinido \u2013, outros sem cargas suficientes para cobrir seus custos e hidrovias com obst\u00e1culos n\u00e3o resolvidos, de acordo com questionamento de Renato Pavan, engenheiro especialista em log\u00edstica.<\/p>\n<p>O Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), que o governo federal adotou para agilizar investimentos priorit\u00e1rios, n\u00e3o destina recursos a projetos fundamentais, como as hidrovias amaz\u00f4nicas, afirmou Pavan, s\u00f3cio da consultoria Macrolog\u00edstica, que pesquisa as melhores alternativas log\u00edsticas para a economia brasileira.<\/p>\n<p>Contudo, a prolifera\u00e7\u00e3o de projetos em execu\u00e7\u00e3o permite ao Brasil mitigar os efeitos da crise econ\u00f4mica do mundo industrializado e manter o crescimento do PIB, ainda que moderado, com baixo desemprego. No per\u00edodo de janeiro a novembro de 2011, foram criados mais de 2,3 milh\u00f5es de empregos, apesar da estagna\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Entre as novas prioridades, definidas pela crescente exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e min\u00e9rios, os portos ganharam nova import\u00e2ncia. Os antigos terminais fluviais e mar\u00edtimos est\u00e3o sendo ampliados e melhorados, como ocorre no caso de Santos, o maior porto da Am\u00e9rica Latina, que duplicar\u00e1 sua capacidade a partir de 2013.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o constru\u00eddos portos de norte a sul do Brasil. S\u00f3 a empresa LLX, propriedade de um pr\u00f3spero grupo de minera\u00e7\u00e3o e energia, est\u00e1 encarregada de construir dois \u201csuperportos\u201d pr\u00f3ximos ao Rio de Janeiro, um para exportar minerais e outro para tamb\u00e9m contar com um complexo de ind\u00fastrias sider\u00fargicas, mec\u00e2nicas, petroleiras e energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Outros dois projetos, tamb\u00e9m planejados como complexos portu\u00e1rios e industriais, j\u00e1 s\u00e3o uma realidade na regi\u00e3o Nordeste, considerando as futuras grandes refinarias que a Petrobras constr\u00f3i na regi\u00e3o, como catalisadores principais da atra\u00e7\u00e3o de outras empresas. Suape, perto de Recife, \u00e9 hoje um formigueiro de 80 mil trabalhadores, a maioria dedicada a levantar a refinaria, tr\u00eas unidades petroqu\u00edmicas e outras f\u00e1bricas, mas tamb\u00e9m h\u00e1 muitos empregados nas mais de cem empresas j\u00e1 instaladas ali, como um grande estaleiro e o maior moinho de trigo da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das refinarias de Suape e Pec\u00e9m, o outro porto industrial, o Nordeste contar\u00e1 com uma terceira, no Estado do Maranh\u00e3o, que quando estiver em funcionamento ser\u00e1 a maior do pa\u00eds, com capacidade para refinar 600 mil barris di\u00e1rios de gasolina e outros combust\u00edveis. Os investimentos da Petrobras, estimados em US$ 224,7 bilh\u00f5es at\u00e9 2015, permitem recuperar a ind\u00fastria naval brasileira e impulsionar a infraestrutura portu\u00e1ria e mar\u00edtima, j\u00e1 que sua prioridade \u00e9 explorar o petr\u00f3leo descoberto a partir de 2006 na camada pr\u00e9-sal do Atl\u00e2ntico, a 250 quil\u00f4metros da costa brasileira.<\/p>\n<p>A energia el\u00e9trica \u00e9 outro fator que sustenta o auge da constru\u00e7\u00e3o no Brasil. O governo reiniciou o aproveitamento dos grandes rios da Amaz\u00f4nia, apesar da oposi\u00e7\u00e3o de ambientalistas, enquanto a energia e\u00f3lica ganhava um forte impulso no ano passado, gra\u00e7as ao barateamento dos equipamentos para esse fim. Al\u00e9m disso, nessa regi\u00e3o continua a constru\u00e7\u00e3o das centrais termoel\u00e9tricas que utilizam g\u00e1s natural ou derivados de petr\u00f3leo, e tamb\u00e9m foram reiniciados os trabalhos para terminar a terceira central nuclear do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds em constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 impulsionado pela instala\u00e7\u00e3o de novas vias f\u00e9rreas e novos oleodutos, pela amplia\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de estradas, aeroportos e outros meios de transporte e por reformas urbanas exigidas para poder organizar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016 no Rio de Janeiro. A isso se soma a expans\u00e3o da atividade agropecu\u00e1ria e do setor de servi\u00e7os para garantir o crescimento econ\u00f4mico do Brasil.<\/p>\n<p>Tudo que foi citado acima compensa parcialmente o fraco desempenho dos \u00faltimos tempos da ind\u00fastria manufatureira, afetada pela crise global com epicentro nos Estados Unidos e na Europa. A produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira caiu 7,4% em 2009, arrastada pela queda financeira dos Estados Unidos, para se recuperar em 2010 com crescimento que chegou a 10,5%, antes de cair novamente no ano passado.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o, ou a estagna\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses industrializados, reduziu a demanda por bens manufaturados, com seu consequente barateamento, o que intensificou a competi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria desses pa\u00edses com a brasileira, j\u00e1 sob impacto da valoriza\u00e7\u00e3o do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar. Assim, agravou-se a \u201cdesindustrializa\u00e7\u00e3o precoce\u201d do Brasil identificada por muitos economistas e empres\u00e1rios como consequ\u00eancia do real fortalecimento das elevadas exporta\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e a entrada de capital estrangeiro.<\/p>\n<p>No ano passado, o Brasil obteve super\u00e1vit comercial de US$ 29,79 bilh\u00f5es, gra\u00e7as \u00e0 agricultura e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, que cobriram com juros o d\u00e9ficit industrial que, de janeiro a novembro, era de US$ 43,68 bilh\u00f5es. Este descompasso em detrimento da ind\u00fastria \u00e9 mais acentuado no com\u00e9rcio com a China, com as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras praticamente limitadas a min\u00e9rio de ferro e soja, contra importa\u00e7\u00f5es de bens com maior valor agregado, como eletr\u00f4nicos e equipamentos industriais.<\/p>\n<p>A desvantagem dessa rela\u00e7\u00e3o desigual n\u00e3o se concentra nos chamados termos de interc\u00e2mbio, j\u00e1 que ultimamente aumentaram os pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, devido, principalmente, \u00e0 forte demanda por parte da China, e baixaram os de bens industrializados, tamb\u00e9m em raz\u00e3o do gigante asi\u00e1tico, por causa de suas exporta\u00e7\u00f5es a pre\u00e7o baixo.<\/p>\n<p>O problema desta disparidade de crescimento no Brasil \u00e9 que a ind\u00fastria manufatureira favorece mais o desenvolvimento econ\u00f4mico e social ao oferecer empregos de qualidade, com maior remunera\u00e7\u00e3o e estabilidade, enquanto a constru\u00e7\u00e3o, um setor que ocupa muita m\u00e3o de obra, oferece apenas empregos tempor\u00e1rios e paga bem menos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 12\/01\/2012 &ndash; O Brasil vive o auge das grandes obras de infraestrutura: s\u00e3o gerados milh\u00f5es de empregos e os investimentos estrangeiros superaram os US$ 60 bilh\u00f5es em 2011. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/america-latina\/brasil-os-problemas-de-crescimento-de-um-pais-em-construcao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-9367","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}