{"id":9402,"date":"2012-01-30T13:34:02","date_gmt":"2012-01-30T13:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9402"},"modified":"2012-01-30T13:34:02","modified_gmt":"2012-01-30T13:34:02","slug":"ambiente-porto-rico-a-energia-limpa-tambam-divide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/ambiente\/ambiente-porto-rico-a-energia-limpa-tambam-divide\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-PORTO RICO: A energia limpa tamb\u00c3\u00a9m divide"},"content":{"rendered":"<p>SAN JUAN, 30\/01\/2012 &ndash; O governo de Porto Rico busca reduzir as crescentes tarifas dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e ao mesmo tempo se volta para fontes de energia mais limpas. Por&eacute;m, enfrenta a oposi&ccedil;&atilde;o popular a dois grandes projetos, mesmo com um deles empregando recursos 100% renov&aacute;veis. As obje&ccedil;&otilde;es aos planos &quot;\u201c um gasoduto e um sistema de energia e&oacute;lica &quot;\u201c se referem principalmente \u00c3\u00a0s suas localiza&ccedil;&otilde;es, revelando os complexos interesses em jogo na hora de implantar mudan&ccedil;as na rede el&eacute;trica da ilha. <!--more--> O gasoduto partiria da costa sul, se dirigiria ao norte atrav&eacute;s da cordilheira central e da ecologicamente delicada zona c&aacute;rsica, e depois a leste para a &aacute;rea metropolitana de San Juan, densamente povoada. O gasoduto &eacute; chamado de &quot;via verde&quot;\u009d pela estatal Autoridade de Energia El&eacute;trica (AEE), e de &quot;tubo da morte&quot;\u009d por seus cr\u00c3\u00adticos. A AEE tem o monop&oacute;lio da gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica nesta ilha do Caribe, mas desde a d&eacute;cada de 1990 compra energia de instala&ccedil;&otilde;es privadas.<\/p>\n<p>O governo argumenta que o gasoduto reduzir&aacute; as tarifas, que dispararam nos &uacute;ltimos anos, bem como a depend&ecirc;ncia de combust\u00c3\u00adveis f&oacute;sseis mais contaminantes. A maior parte da energia p&uacute;blica &eacute; produzida por instala&ccedil;&otilde;es termoel&eacute;tricas, que usam combust\u00c3\u00adveis \u00c3\u00a0 base de petr&oacute;leo altamente contaminantes, como o Bunker C ou o &quot;destilado #2&quot;\u009d. O &quot;g&aacute;s natural &eacute; o combust\u00c3\u00advel f&oacute;ssil mais limpo que existe&quot;\u009d, destaca a AEE, acrescentando que gera 64% menos contaminantes atmosf&eacute;ricos do que o petr&oacute;leo, al&eacute;m de ser mais econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Citando dados da Administra&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o de Energia dos Estados Unidos, a AEE informou que o g&aacute;s natural continuaria sendo mais barato do que o petr&oacute;leo e que os fornecimentos mundiais seriam suficientes nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. Contudo, o governo n&atilde;o far&aacute; mais do que mudar de um combust\u00c3\u00advel perigoso e n&atilde;o renov&aacute;vel por outro, alertou o professor Arturo Massol Deya, da Universidade de Porto Rico, um dos mais francos oponentes ao projeto.<\/p>\n<p>&quot;Como ilha, estamos no beco sem sa\u00c3\u00adda da depend&ecirc;ncia do petr&oacute;leo, e o governo est&aacute; mudando isso pelo beco sem sa\u00c3\u00adda do g&aacute;s natural, quando temos em abund&acirc;ncia sol, vento e recursos h\u00c3\u00addricos com os quais gerar a energia que necessitamos&quot;\u009d, defendeu Deya \u00c3\u00a0 IPS. O professor &eacute; porta-voz da Casa Povo, organiza&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria na localidade montanhosa de Adjuntas, que seria atravessada pelo gasoduto de sul a norte.<\/p>\n<p>&quot;Temos obje&ccedil;&otilde;es fortes e bem fundamentadas relativas ao impacto ambiental, bem como \u00c3\u00a0 seguran&ccedil;a diante dos inevit&aacute;veis desafios naturais, como &aacute;reas fortemente inclinadas, &aacute;reas propensas a inunda&ccedil;&atilde;o, fortes precipita&ccedil;&otilde;es, falhas geol&oacute;gicas e muito mais&quot;\u009d, explicou Deya. &quot;E, al&eacute;m disso, o que se economiza mudando de um combust\u00c3\u00advel para outro equivale a apenas 1% por quilowatt\/hora&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Casa Povo e outros grupos contr&aacute;rios ao projeto realizam um grande esfor&ccedil;o para deixar claro que n&atilde;o necessariamente se op&otilde;em ao g&aacute;s natural. Acreditam que &eacute; poss\u00c3\u00advel fazer um transi&ccedil;&atilde;o da energia termoel&eacute;trica para o g&aacute;s natural sem construir um gasoduto ao longo da ilha, que come&ccedil;aria na EcoEl&eacute;ctrica, um gerador de g&aacute;s natural na costa Sul que fornece cerca de 13% da eletricidade da ilha.<\/p>\n<p>A EcoEl&eacute;ctrica, que iniciou suas opera&ccedil;&otilde;es em 2000, est&aacute; a apenas dois quil&ocirc;metros da Costa Sul, complexo termoel&eacute;trico da AEE que produz 30% da eletricidade de Porto Rico. &quot;Passar a Costa Sul para o uso de g&aacute;s natural n&atilde;o exigiria grandes modifica&ccedil;&otilde;es&quot;\u009d, afirmou \u00c3\u00a0 IPS o ge&oacute;grafo Alexis Dragoni. &quot;Seria preciso apenas a substitui&ccedil;&atilde;o dos queimadores da instala&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d. Dragoni &eacute; membro da equipe t&eacute;cnica da Casa Povo.<\/p>\n<p>A reconvers&atilde;o da Costa Sul permitira \u00c3\u00a0 AEE empregar g&aacute;s para gerar n&atilde;o menos do que 43% de sua eletricidade, sem necessidade de construir o gasoduto. J&aacute; h&aacute; instalado um gasoduto a partir da EcoEl&eacute;ctrica para fornecer g&aacute;s ao complexo Costa Sul, mas seu segmento final, de aproximadamente 50 metros, ainda n&atilde;o foi conclu\u00c3\u00addo. A chamada &quot;via verde&quot;\u009d ser&aacute; montada pela espanhola G&aacute;s Natural Fenosa, que comprou a EcoEl&eacute;ctrica da pol&ecirc;mica Enron, que tem sede nos Estados Unidos, em 2003.<\/p>\n<p>Os l\u00c3\u00adderes da Casa Povo s&atilde;o fortes defensores da energia solar. Todas as instala&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o em Adjuntas funcionam com paineis fotovoltaicos desde 1999. As fontes renov&aacute;veis respondem por uma pequena fra&ccedil;&atilde;o da energia de Porto Rico, que depende em sua maior parte dos recursos h\u00c3\u00addricos, e 21 represas geram 1,8% da eletricidade da ilha.<\/p>\n<p>Outro projeto tamb&eacute;m criticado e o de energia e&oacute;lica Santa Isabel, neste caso por produtores rurais, comunidades e grupos ambientalistas que criaram a Frente de Resist&ecirc;ncia Agr\u00c3\u00adcola (FRA). Esta entidade trabalha para proteger a terra cultiv&aacute;vel de amea&ccedil;as como a explora&ccedil;&atilde;o urbana e o projeto e&oacute;lico, que implicaria a constru&ccedil;&atilde;o de 44 a 65 moinhos de vento pela Pattern Energy Corportion, com sede nos Estados Unidos, no cora&ccedil;&atilde;o das f&eacute;rteis plan\u00c3\u00adcies do sul de Porto Rico.<\/p>\n<p>Espera-se que os moinhos gerem 75 megawatts, que a Pattern afirma serem capazes de fornecer energia el&eacute;trica a 25 mil resid&ecirc;ncias. A constru&ccedil;&atilde;o do projeto e&oacute;lico come&ccedil;ou em novembro. &quot;J&aacute; come&ccedil;aram a compactar o solo com m&aacute;quinas pesadas. J&aacute; destru\u00c3\u00adram o sistema de irriga&ccedil;&atilde;o por gotejamento e prejudicaram a camada superior do solo, que demora s&eacute;culos para se formar. As melhores terras agr\u00c3\u00adcolas escapam das m&atilde;os&quot;\u009d, advertiu Karla Acosta, do FRA.<\/p>\n<p>Segundo Warys Zayas, porta-voz dessa organiza&ccedil;&atilde;o e estudante da Universidade de Porto Rico, &quot;o projeto ter&aacute; impacto em uma &aacute;rea entre 3.500 e 3.700 cordas (aproximadamente 1.400 hectares), incluindo n&atilde;o s&oacute; as bases dos moinhos de vento, que j&aacute; ocupam 21 cordas, mas tamb&eacute;m um raio de 1,6 quil&ocirc;metro de cada uma&quot;\u009d, explicou.<\/p>\n<p>O FRA cita dados do Censo Agr\u00c3\u00adcola dos Estados Unidos, indicando que Porto Rico j&aacute; perdeu 19% de sua terra cultiv&aacute;vel entre 2002 e 2007. Tamb&eacute;m apresenta estudos sobre seguran&ccedil;a alimentar elaborados por Myrna Covas, professora da Universidade de Porto Rico, dizendo que a agricultura local produz n&atilde;o mais do que 15% dos alimentos consumidos pelos porto-riquenhos, sendo o restante importado.<\/p>\n<p>Defensores da seguran&ccedil;a alimentar est&atilde;o alarmados com esses dados, considerando que com cerca de 350 habitantes por quil&ocirc;metro quadrado, Porto Rico &eacute; uma das &aacute;reas mais densamente povoadas do mundo. Sua popula&ccedil;&atilde;o praticamente duplicou nos &uacute;ltimos 40 anos, acrescentou \u00c3\u00a0 IPS o ambientalista Juan Rosario, da organiza&ccedil;&atilde;o Miss&atilde;o Industrial.<\/p>\n<p>Santa Isabel tem parte das principais terras agr\u00c3\u00adcolas do pa\u00c3\u00ads e uma produ&ccedil;&atilde;o de US$ 30 milh&otilde;es ao ano, incluindo tomate, piment&atilde;o, mel&atilde;o, manga e cebola. Esta produ&ccedil;&atilde;o conta com cerca de tr&ecirc;s mil postos de trabalho na regi&atilde;o, segundo o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Agricultores, Ram&oacute;n Gonz&aacute;lez. &quot;N&atilde;o podemos destruir as poucas terras que nos alimentam&quot;\u009d, alertou, por sua vez, Mar\u00c3\u00ada Viggiano, porta-voz do FRA. &quot;Sugerimos que os moinhos de vento sejam instalados em terras que j&aacute; foram industrializadas e n&atilde;o t&ecirc;m valor agr\u00c3\u00adcola&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quanto \u00c3\u00a0s fontes alternativas de energia, n&atilde;o h&aacute; consenso entre especialistas locais e ativistas sobre o que poderia funcionar. O FRA n&atilde;o se op&otilde;e \u00c3\u00a0 energia e&oacute;lica, desde que os projetos n&atilde;o estejam localizados em terras cultiv&aacute;veis. Outros grupos preferem outras op&ccedil;&otilde;es. &quot;Nos opomos \u00c3\u00a0 energia e&oacute;lica. O vento &eacute; um fonte de energia intermitente e imprevis\u00c3\u00advel&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 IPS o ativista Jos&eacute; Francisco S&aacute;ez Cintr&oacute;n. &quot;Apoiamos outras op&ccedil;&otilde;es, como a energia solar, a hidrel&eacute;trica, a maremotriz e a t&eacute;rmica oce&acirc;nica&quot;\u009d, detalhou.<\/p>\n<p>S&aacute;ez &eacute; porta-voz da Coaliz&atilde;o Pr&oacute;-Floresta Seca, grupo que trabalha para a prote&ccedil;&atilde;o da reserva florestal de Gu&aacute;nica, no sudoeste da ilha. A organiza&ccedil;&atilde;o se op&otilde;e ao projeto de energia e&oacute;lica pela sua proximidade com a floresta. &quot;No entanto, o que &eacute; mais importante &eacute; educar sobre o consumo de energia. As energias renov&aacute;veis podem acabar sendo nada mais que um complemento das fontes de combust\u00c3\u00advel f&oacute;ssil&quot;\u2122, sugeriu.<\/p>\n<p>&quot;Implantando pol\u00c3\u00adticas para economizar energia podemos conseguir seis ou dez vezes a economia de custos da energia renov&aacute;vel&quot;\u009d, apontou Luis Silvestre, da Sociedade Ornitol&oacute;gica de Porto Rico. &quot;Necessitam muito menos investimento e n&atilde;o derivam em uma d\u00c3\u00advida. As energias renov&aacute;veis n&atilde;o podem reduzir as tarifas p&uacute;blicas. Isto pode ser obtido com melhoria operacional nas empresas p&uacute;blicas, bem como em modifica&ccedil;&otilde;es na atual rede&quot;\u009d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo &eacute; parte de uma s&eacute;rie apoiada pela Rede de Conhecimento sobre Clima e Desenvolvimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SAN JUAN, 30\/01\/2012 &ndash; O governo de Porto Rico busca reduzir as crescentes tarifas dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e ao mesmo tempo se volta para fontes de energia mais limpas. Por&eacute;m, enfrenta a oposi&ccedil;&atilde;o popular a dois grandes projetos, mesmo com um deles empregando recursos 100% renov&aacute;veis. As obje&ccedil;&otilde;es aos planos &quot;\u201c um gasoduto e um sistema de energia e&oacute;lica &quot;\u201c se referem principalmente \u00c3\u00a0s suas localiza&ccedil;&otilde;es, revelando os complexos interesses em jogo na hora de implantar mudan&ccedil;as na rede el&eacute;trica da ilha. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/01\/ambiente\/ambiente-porto-rico-a-energia-limpa-tambam-divide\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1854,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[15],"class_list":["post-9402","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","tag-caribe"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1854"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9402\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}