{"id":9411,"date":"2012-02-01T06:47:17","date_gmt":"2012-02-01T06:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9411"},"modified":"2012-02-01T06:47:17","modified_gmt":"2012-02-01T06:47:17","slug":"mundial-de-2014-a-elitizaa%c2%a7ao-do-futebol-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/mundial-de-2014-a-elitizaa%c2%a7ao-do-futebol-no-brasil\/","title":{"rendered":"Mundial de 2014, a elitiza&ccedil;&atilde;o do futebol no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/02\/2012 &ndash; A pouca transpar&ecirc;ncia nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 levanta d&uacute;vidas no Brasil sobre o legado social desse torneio e cr\u00c3\u00adticas sobre uma &quot;elitiza&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d do esporte mais democr&aacute;tico e popular do pa\u00c3\u00ads.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9411\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9411\" class=\"size-medium wp-image-9411\" title=\"O secret&aacute;rio-geral da Fifa, J&eacute;r&ocirc;me Valcke, ao centro, durante um de seus encontros no Rio de Janeiro. - Fifa\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1.jpg\" alt=\"O secret&aacute;rio-geral da Fifa, J&eacute;r&ocirc;me Valcke, ao centro, durante um de seus encontros no Rio de Janeiro. - Fifa\" width=\"200\" height=\"108\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9411\" class=\"wp-caption-text\">O secret&aacute;rio-geral da Fifa, J&eacute;r&ocirc;me Valcke, ao centro, durante um de seus encontros no Rio de Janeiro. - Fifa<\/p><\/div>  Os constantes aumentos nos or&ccedil;amentos, pautados inicialmente para as obras de mobilidade urbana e de constru&ccedil;&atilde;o e remodela&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dios nas 12 cidades que ser&atilde;o sede do Mundial, alimentam a percep&ccedil;&atilde;o negativa.<\/p>\n<p>A previs&atilde;o &eacute; que a Copa do Mundo dar&aacute; grande visibilidade ao Brasil e atrair&aacute; numerosos investimentos. As proje&ccedil;&otilde;es indicam que dever&atilde;o visitar o pa\u00c3\u00ads, durante as seis semanas de jogos, cerca de 3,4 milh&otilde;es de turistas, representando a entrada de aproximadamente US$ 5,3 bilh&otilde;es. O governo afirma que o Mundial aumentar&aacute; o produto interno bruto em US$ 103 bilh&otilde;es no per\u00c3\u00adodo 2010-2019, o que se traduzir&aacute; em um aumento anual superior a 0,4%.<\/p>\n<p>&quot;A Copa &eacute; para os brasileiros?&quot;\u009d, perguntou \u00c3\u00a0 IPS o pesquisador Christopher Gaffney, do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, que faz um acompanhamento do desenvolvimento dos grandes projetos urbanos no pa\u00c3\u00ads. &quot;&Eacute; uma Copa para os interesses da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, para as grandes constru&ccedil;&otilde;es civis. Deixar&aacute; de legado est&aacute;dios bonitos, mas significar&aacute; a elitiza&ccedil;&atilde;o do futebol&quot;\u009d, respondeu este pesquisador de origem norte-americana.<\/p>\n<p>O pre&ccedil;o do ingresso poder&aacute; ficar entre US$ 120 e US$ 150, imposs\u00c3\u00advel de ser comprado pelo brasileiro m&eacute;dio, afirmou este ge&oacute;grafo, que monitora especialmente os preparativos da Copa do Mundo desde que o Brasil foi escolhido como sede, em 2007. &quot;Ser&aacute; uma elitiza&ccedil;&atilde;o do futebol, que &eacute; o esporte mais popular e democr&aacute;tico do pa\u00c3\u00ads e que ser&aacute; cada vez mais caro&quot;\u009d, advertiu.<\/p>\n<p>Gaffney criticou o fato de essa elitiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; se expressar &quot;na constru&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dios fara&ocirc;nicos, multimilion&aacute;rios, que s&atilde;o a express&atilde;o de uma proposta para tornar o futebol elitista&quot;\u009d. Para este especialista, o pr&oacute;prio termo &quot;legado&quot;\u009d, no qual as autoridades insistem para falar do saldo social positivo do Mundial, &eacute; um erro. &quot;Quando se recebe uma heran&ccedil;a n&atilde;o se deve pagar para t&ecirc;-la, no Brasil, teremos de pagar para sustent&aacute;-la, ent&atilde;o, na realidade &eacute; uma d\u00c3\u00advida&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Gaffney, a Fifa quer que o brasileiro pague caro para ir aos est&aacute;dios, al&eacute;m do investimento sem precedentes que acontece para que aconte&ccedil;a a Copa do Mundo. &quot;O brasileiro est&aacute; pagando uma quantia multimilion&aacute;ria. Esta &eacute; a Copa mais cara da hist&oacute;ria e a Fifa quer que a sociedade pague ingressos muito caros para ver os jogos&quot;\u009d, criticou.<\/p>\n<p>Do total de 12 est&aacute;dios que ser&atilde;o constru\u00c3\u00addos ou remodelados, nove o ser&atilde;o com dinheiro p&uacute;blico. Em 2010, os c&aacute;lculos oficiais estimavam que o investimento necess&aacute;rio para isto seria de US$ 3 bilh&otilde;es, enquanto atualmente o valor aumentou para US$ 4 bilh&otilde;es. &quot;Em 2007, o ent&atilde;o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que n&atilde;o seria gasto um centavo de dinheiro p&uacute;blico para os est&aacute;dios. Contudo, o investimento privado n&atilde;o apareceu. Na verdade, um est&aacute;dio n&atilde;o d&aacute; lucro e &eacute; preciso mant&ecirc;-lo&quot;\u009d, esclareceu Gaffney.<\/p>\n<p>A maior fatia ser&aacute; destinada \u00c3\u00a0 remodela&ccedil;&atilde;o do est&aacute;dio do Maracan&atilde;, no Rio de Janeiro, cujo or&ccedil;amento atual aumentou at&eacute; US$ 530 milh&otilde;es. Nestas obras j&aacute; foram gastos outros US$ 180 milh&otilde;es, para melhorar suas instala&ccedil;&otilde;es para a realiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Nos pr&oacute;ximos quatro anos, o Brasil tamb&eacute;m ser&aacute; sede de outros dois megaeventos esportivos: Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es, em 2013, e Jogos Ol\u00c3\u00admpicos, em 2016, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O problema, segundo Gaffney, &eacute; &quot;que tipo de est&aacute;dio teremos&quot;\u009d. Para um est&aacute;dio com tecnologia vanguardista e pain&eacute;is fotovoltaicos produzidos por empresas europeias, &quot;a conta final ser&aacute; insustent&aacute;vel&quot;\u009d, porque ser&aacute; preciso importar a tecnologia e a m&atilde;o de obra para instala&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o, alertou. O custo anual da manuten&ccedil;&atilde;o posterior seria de 10% do seu valor, por isso que &quot;durante dez anos pagaremos por um novo est&aacute;dio&quot;\u009d, assegurou.<\/p>\n<p>Em cada um dos est&aacute;dios acontecer&atilde;o de quatro a sete partidas. No caso da cidade de Cuiab&aacute;, no Mato Grosso, ser&atilde;o quatro jogos, o que se traduz em um investimento de US$ 370 milh&otilde;es para oito horas de Mundial, que depois ficar&atilde;o subutilizados. Al&eacute;m disso, h&aacute; custos sociais que podem transformar a Copa do Mundo na &quot;Copa da Exclus&atilde;o&quot;\u009d, porque as obras para sua realiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; causaram grande quantidade de despejo e expropria&ccedil;&otilde;es em assentamentos onde vivem fam\u00c3\u00adlias pobres, as favelas, para estabelecer as linhas de &ocirc;nibus de tr&acirc;nsito r&aacute;pido.<\/p>\n<p>Nas proximidades do Maracan&atilde;, por exemplo, j&aacute; foram desalojadas 400 fam\u00c3\u00adlias na Favela do Metr&ocirc; para constru&ccedil;&atilde;o de um estacionamento. As fam\u00c3\u00adlias foram enviadas para uma distante regi&atilde;o do sub&uacute;rbio, com a qual n&atilde;o t&ecirc;m nenhuma liga&ccedil;&atilde;o. Gaffney tamb&eacute;m calcula que, somente na cidade do Rio de Janeiro, cerca de 30 mil fam\u00c3\u00adlias ser&atilde;o retiradas das &aacute;reas onde vivem. Tamb&eacute;m se somam a isto den&uacute;ncias de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, como a explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores que participam da constru&ccedil;&atilde;o dos est&aacute;dios e de outras obras.<\/p>\n<p>Isso desembocou em greves e paralisa&ccedil;&otilde;es das obras, como ocorreu no Maracan&atilde; e no Mineir&atilde;o. Os motivos foram baixos sal&aacute;rios, m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e hor&aacute;rios abusivos, devido a cronogramas mal administrados. &quot;Com a press&atilde;o para acabar as obras, o que desaparece primeiro s&atilde;o os direitos dos trabalhadores&quot;\u009d, denunciou Gaffney. O secret&aacute;rio-geral da Fifa, J&eacute;r&ocirc;me Valcke, visitou o Brasil em janeiro para verificar como est&atilde;o os preparativos. Vistoriou obras em Bras\u00c3\u00adlia, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife. &quot;A Copa do Mundo custa o que o pa\u00c3\u00ads pode pagar e quer investir. A Fifa n&atilde;o pede nada al&eacute;m do que o pa\u00c3\u00ads se prop&ocirc;s a fazer&quot;\u009d, disse Valcke.<\/p>\n<p>Nesse sentido, ressaltou que foi o governo brasileiro que decidiu utilizar 12 sedes para o Mundial, &quot;em cidades que carecem de infraestrutura, sistema de telecomunica&ccedil;&atilde;o, hospedagem e transporte&quot;\u009d, ponderou Valcke. &quot;Por isto, &eacute; preciso fazer um grande volume de investimentos. N&atilde;o somos uma organiza&ccedil;&atilde;o privada, n&atilde;o existimos para lucrar, do dinheiro arrecadado, 80% retornam ao mundo do futebol&quot;\u009d, acrescentou durante sua escala no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Valcke se mostrou preocupado porque persistem &quot;desencontros e disc&oacute;rdias&quot;\u009d para a aprova&ccedil;&atilde;o da Lei Geral da Copa, que tramita no Congresso e dever&aacute; ser aprovada em mar&ccedil;o. A lei estabelece os compromissos assumidos pelo governo com a Fifa para poder realizar o Mundial, na qual se incluem aspectos pol&ecirc;micos com venda de &aacute;lcool nos est&aacute;dios, al&eacute;m dos habituais de infraestrutura, mobilidade urbana e hospedagem. &quot;Fomos muito flex\u00c3\u00adveis nas negocia&ccedil;&otilde;es. Estamos em 2012 e &eacute; preciso finalizar as discuss&otilde;es. Desde 2007 vimos alertando que o tempo era curto&quot;\u009d, ressaltou Valcke.<\/p>\n<p>Quanto aos ingressos, ser&atilde;o tr&ecirc;s milh&otilde;es para a Copa do Mundo, mas apenas um milh&atilde;o estar&aacute; \u00c3\u00a0 venda para o p&uacute;blico brasileiro e visitantes. Os outros dois milh&otilde;es ficam nas m&atilde;os das delega&ccedil;&otilde;es nacionais e da Fifa, explicou Valcke. Desde o Mundial de 2010, na \u00c3\u0081frica do Sul, a Fifa criou a Categoria Quatro, com entradas mais baratas, exclusivas para os torcedores do pa\u00c3\u00ads anfitri&atilde;o. Ser&atilde;o cerca de 300 mil ao custo aproximado de US$ 25. Os maiores de 60 anos tamb&eacute;m ter&atilde;o direito \u00c3\u00a0 meia-entrada. Ap&oacute;s negociar com o governo, a Fifa tamb&eacute;m aceitou colocar cem mil ingressos \u00c3\u00a0 disposi&ccedil;&atilde;o de grupos especiais, como ind\u00c3\u00adgenas e integrantes do programa Bolsa Fam\u00c3\u00adlia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/02\/2012 &ndash; A pouca transpar&ecirc;ncia nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 levanta d&uacute;vidas no Brasil sobre o legado social desse torneio e cr\u00c3\u00adticas sobre uma &quot;elitiza&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d do esporte mais democr&aacute;tico e popular do pa\u00c3\u00ads. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/mundial-de-2014-a-elitizaa%c2%a7ao-do-futebol-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-9411","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9411"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9411\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}