{"id":9424,"date":"2012-02-02T07:55:41","date_gmt":"2012-02-02T07:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9424"},"modified":"2012-02-02T07:55:41","modified_gmt":"2012-02-02T07:55:41","slug":"oportunidade-para-a-amarica-latina-com-doena%c2%a7as-esquecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/oportunidade-para-a-amarica-latina-com-doena%c2%a7as-esquecidas\/","title":{"rendered":"Oportunidade para a Am\u00c3\u00a9rica Latina com doen&ccedil;as esquecidas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 02\/02\/2012 &ndash; O surgimento de economias emergentes na Am&eacute;rica Latina &eacute; uma oportunidade para melhorar as estrat&eacute;gias de combate a doen&ccedil;as esquecidas e ampliar sua contribui&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0 luta mundial contra elas, afirmou o diretor regional da Iniciativa Medicamentos para Enfermidades Esquecidas (DNDi), Eric Stobbaerts. <!--more--> &quot;Nossa regi&atilde;o passa por uma plena muta&ccedil;&atilde;o em termos econ&ocirc;micos e sociais&quot;\u009d, destacou Stobbaerts ao citar os avan&ccedil;os nesse aspecto no Brasil, Chile, M&eacute;xico, na Argentina e Col&ocirc;mbia. Essa mudan&ccedil;a positiva deveria ser aproveitada para &quot;redefinir a maneira como essas doen&ccedil;as foram abordadas no passado&quot;\u009d, v&aacute;rias delas end&ecirc;micas na regi&atilde;o, como o mal de Chagas e a leishmaniose visceral, afirmou \u00c3\u00a0 IPS na sede da DNDi no Brasil.<\/p>\n<p>Trata-se de males desatendidos pelos grandes laborat&oacute;rios internacionais por serem consideradas &quot;doen&ccedil;as de pa\u00c3\u00adses pobres&quot;\u009d, sem maior retorno lucrativo no desenvolvimento de rem&eacute;dios para combat&ecirc;-las. O surgimento dessas economias emergentes no cen&aacute;rio mundial &quot;significa mais recursos dispon\u00c3\u00adveis para o desenvolvimento, a produ&ccedil;&atilde;o industrial e a inova&ccedil;&atilde;o no combate a doen&ccedil;as tropicais esquecidas&quot;\u009d, disse Stobbaerts.<\/p>\n<p>O especialista conversou com a IPS ap&oacute;s o encontro &quot;Unidos para combater as enfermidades tropicais esquecidas&quot;\u009d, realizado em Londres no dia 30 e organizado em apoio ao &quot;Mapa do caminho 2020 para as doen&ccedil;as tropicais esquecidas&quot;\u009d, com o qual a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) pretende erradicar dez delas nesta d&eacute;cada.<\/p>\n<p>A DNDi comemorou em um comunicado, ao final do encontro na capital brit&acirc;nica, os avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados em n\u00c3\u00advel mundial. Mas, exortou no sentido de se acabar com as lacunas em pesquisa e desenvolvimento para melhorar as ferramentas de diagn&oacute;stico e criar novos medicamentos antes de terminar esta d&eacute;cada.<\/p>\n<p>A iniciativa &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos que desde 2003 trabalha no desenvolvimento de medicamentos e tratamentos para as doen&ccedil;as esquecidas. Foca-se especialmente em enfermidades com alta taxa de mortalidade: a tripanosomiasis africana (doen&ccedil;a do sono), infec&ccedil;&otilde;es por vermes e aids infantil, al&eacute;m do Mal de Chagas e da leishmaniose visceral.<\/p>\n<p>Stobbaerts destacou que a Am&eacute;rica Latina &eacute; tradicionalmente uma regi&atilde;o com altos n\u00c3\u00adveis end&ecirc;micos e um grande dep&oacute;sito de doen&ccedil;as desatendidas, para as quais existe &quot;&oacute;timo conhecimento t&eacute;cnico e cient\u00c3\u00adfico&quot;\u009d. Acrescentou que, &quot;no entanto, as necessidades continuam sendo grandes diante da variedade de doen&ccedil;as esquecidas devido \u00c3\u00a0s leis de mercado, e grande n&uacute;mero de pacientes continua sem tratamento&quot;\u009d.<\/p>\n<p>A DNDi tem entre seus s&oacute;cios na Am&eacute;rica Latina a Funda&ccedil;&atilde;o Fiocruz, e laborat&oacute;rios p&uacute;blicos como Farmanguinhos e Lafepe, no Brasil. Entre seus s&oacute;cios fora da regi&atilde;o se destacam o Instituto Pasteur, da Fran&ccedil;a, e a organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras. Estas sociedades permitem acordos com o setor privado e institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas para desenvolver atualmente projetos no Brasil, na Argentina, Bol\u00c3\u00advia e Col&ocirc;mbia.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, foi poss\u00c3\u00advel desenvolver em n\u00c3\u00advel mundial seis tratamentos para a mal&aacute;ria, a doen&ccedil;a do sono ou a leishmaniose. Desde a Am&eacute;rica Latina se contribuiu com um rem&eacute;dio infantil contra o Mal de Chagas, o benznidazol pedi&aacute;trico (http:\/\/envolverde.com.br\/noticias\/brasil-desenvolve-medicamento-contra-mal-de-chagas\/).<\/p>\n<p>&quot;O apoio pol\u00c3\u00adtico em todas as fases da pesquisa e do desenvolvimento foi fundamental para esses &ecirc;xitos&quot;\u009d, recordou Stobbaerts. &quot;Mas, sabemos que n&atilde;o s&atilde;o suficientes os esfor&ccedil;os em termos de desenvolvimento farmac&ecirc;utico&quot;\u009d, disse o especialista. &quot;As regulamenta&ccedil;&otilde;es e a distribui&ccedil;&atilde;o, bem como os sistemas de sa&uacute;de, s&atilde;o essenciais para o sucesso da inova&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o in&uacute;meras as barreiras que podem fazer com que um novo medicamento fique na prateleira&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Stobbaerts citou como exemplo o que ocorre na Am&eacute;rica Latina com o mal de Chagas, ou tripanosomiasis americana, por suas vincula&ccedil;&otilde;es com a doen&ccedil;a do sono. As pessoas portadoras ou infectadas da regi&atilde;o com o parasita tripanosoma cruzi, muitas sem saber disso, passam de oito milh&otilde;es. A doen&ccedil;a afeta especialmente Brasil, Argentina, Bol\u00c3\u00advia, M&eacute;xico e Paraguai, e as mortes registradas relacionadas com esse mal s&atilde;o cerca de 12 mil ao ano, embora se considere que, na realidade, sejam muitas mais, porque &quot;existe um sub-registro evidente&quot;\u009d, segundo o diretor da DNDi.<\/p>\n<p>A falta de ferramentas adequadas para diagnosticar o m&atilde;o de Chagas &eacute; outro problema. &quot;H&aacute; urg&ecirc;ncia em contar com um exame para o diagn&oacute;stico que permita de maneira confi&aacute;vel um tratamento de sucesso&quot;\u009d, afirmou. &quot;Sem isso, se continua tratando sem ter a perspectiva da situa&ccedil;&atilde;o parasit&aacute;ria do paciente no longo prazo. Isso exige intenso acompanhamento m&eacute;dico e um custo para os servi&ccedil;os de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;ria e secundaria&quot;\u009d, acrescentou Stobbaerts.<\/p>\n<p>&quot;O desafio &eacute; conseguir ferramentas que sejam aplic&aacute;veis no terreno, muitas vezes em lugares remotos e isolados. Ou seja, que sejam f&aacute;ceis na utiliza&ccedil;&atilde;o e no manejo para o pessoal da sa&uacute;de no local. E, tamb&eacute;m, que sejam de tecnologia barata, devido aos limitados or&ccedil;amentos de sa&uacute;de p&uacute;blica&quot;\u009d, ressaltou o especialista.<\/p>\n<p>No encontro de Londres a DNDi mencionou entre outros aspectos-chave no combate das doen&ccedil;as esquecidas os da promo&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o, o interc&acirc;mbio aberto dos conhecimentos e da pesquisa, e a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas para o desenvolvimento de medicamentos.<\/p>\n<p>Nesse sentido &quot;\u201c afirmou-se &quot;\u201c nesta regi&atilde;o &quot;se trabalha desde a sociedade civil at&eacute; as &aacute;reas mais avan&ccedil;adas da ci&ecirc;ncia no sentido de demandar posi&ccedil;&otilde;es abertas com solu&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas dos grandes pa\u00c3\u00adses da Am&eacute;rica Latina nos f&oacute;runs internacionais, com a Assembleia Mundial da Sa&uacute;de ou o G-20&quot;\u009d (maiores pa\u00c3\u00adses industrializados e emergentes). Para Stobbaerts, existe &quot;um caminho na regi&atilde;o que traz esperan&ccedil;a&quot;\u009d.<\/p>\n<p>&quot;As universidades se mobilizam, abrindo bibliotecas e laborat&oacute;rios a iniciativas sem fins lucrativos, o setor farmac&ecirc;utico privado parece mais interessado em quest&otilde;es de responsabilidade social e corre um vento de filantropia privada que poderia se interessar mais em quest&otilde;es de sa&uacute;de&quot;\u009d, acrescentou o especialista.<\/p>\n<p>Para a DNDi as plataformas regionais para a pesquisa clinica de doen&ccedil;as espec\u00c3\u00adficas, que aglutinam pesquisadores, m&eacute;dicos, reguladores, controladores nacionais e, idealmente, os pr&oacute;prios afetados, &quot;s&atilde;o vitais para garantir que trabalhamos com base nas necessidades dos pacientes&quot;\u009d. Nesse contexto, citou a Plataforma de Pesquisa Clinica no Mal de Chagas, que desde 2009 re&uacute;ne um grande n&uacute;mero de associados na Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>A DDNi tamb&eacute;m disse que &eacute; chave garantir a participa&ccedil;&atilde;o e a lideran&ccedil;a dos pa\u00c3\u00adses end&ecirc;micos para responder aos pacientes e conseguir um financiamento sustent&aacute;vel e diversificado para ampliar o desenvolvimento e a pesquisa. &quot;Aqui o interesse de nossa regi&atilde;o &eacute; duplo: por estar liderando em n\u00c3\u00advel global, proporcionando novas ideias, al&eacute;m de resolver emerg&ecirc;ncias de sa&uacute;de que se sofre localmente. &Eacute; um trabalho cotidiano para alimentar a reflex&atilde;o e romper os modelos de que pouco se pode fazer&quot;\u009d, concluiu Stobbaerts. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 02\/02\/2012 &ndash; O surgimento de economias emergentes na Am&eacute;rica Latina &eacute; uma oportunidade para melhorar as estrat&eacute;gias de combate a doen&ccedil;as esquecidas e ampliar sua contribui&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0 luta mundial contra elas, afirmou o diretor regional da Iniciativa Medicamentos para Enfermidades Esquecidas (DNDi), Eric Stobbaerts. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/oportunidade-para-a-amarica-latina-com-doena%c2%a7as-esquecidas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,7],"tags":[],"class_list":["post-9424","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9424\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}