{"id":9438,"date":"2012-02-07T06:15:48","date_gmt":"2012-02-07T06:15:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9438"},"modified":"2012-02-07T06:15:48","modified_gmt":"2012-02-07T06:15:48","slug":"destaques-semear-nuvens-solua%c2%a7ao-incerta-para-a-seca-mexicana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/destaques-semear-nuvens-solua%c2%a7ao-incerta-para-a-seca-mexicana\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Semear nuvens, solu&ccedil;&atilde;o incerta para a seca mexicana"},"content":{"rendered":"<p>CIDADE DO M\u00c3\u2030XICO, M\u00c3\u00a9xico, 07\/02\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O est\u00c3\u00admulo artificial da chuva &eacute; um antigo sonho humano. Os cientistas n&atilde;o chegam a um acordo sobre sua efetividade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9438\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/563_sequia_Mauricio_RamosIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9438\" class=\"size-medium wp-image-9438\" title=\"O M&eacute;xico sofre sua pior seca em sete d&eacute;cadas. - Mauricio Ramos\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/563_sequia_Mauricio_RamosIPS.jpg\" alt=\"O M&eacute;xico sofre sua pior seca em sete d&eacute;cadas. - Mauricio Ramos\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9438\" class=\"wp-caption-text\">O M&eacute;xico sofre sua pior seca em sete d&eacute;cadas. - Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>  Enquanto uma forte seca a&ccedil;oita metade do territ&oacute;rio mexicano, a t&eacute;cnica de semear nuvens aparece como op&ccedil;&atilde;o para provocar chuva, embora n&atilde;o esteja regulamentada neste pa\u00c3\u00ads. Esta tecnologia &eacute; fonte de pol&ecirc;mica. H&aacute; quem defenda seus benef\u00c3\u00adcios, e seus cr\u00c3\u00adticos argumentam que n&atilde;o apresenta resultados concretos e n&atilde;o &eacute; estudado o efeito no ar, na &aacute;gua e no solo dos produtos qu\u00c3\u00admicos utilizados.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o est&aacute; provada a metodologia. O investimento que se faz n&atilde;o apresenta nenhum resultado demonstrando que provoca mais chuva&quot;\u009d, disse ao Terram&eacute;rica a acad&ecirc;mica Graciela Binimelis, do Centro de Ci&ecirc;ncias da Atmosfera da Universidade Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico. Doutora em ci&ecirc;ncias atmosf&eacute;ricas pela Universidade de Washington, Graciela estuda a f\u00c3\u00adsica das nuvens h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>A t&eacute;cnica consiste em localizar um tipo de nuvem e bombarde&aacute;-la com iodeto de prata a partir de um avi&atilde;o, ou do solo, por meio de geradores ou foguetes, para que a &aacute;gua cristalize e se transforme em flocos de neve que aumentam at&eacute; atingirem o peso necess&aacute;rio para que se precipitem em forma de chuva. Uma exposi&ccedil;&atilde;o intensa ou cont\u00c3\u00adnua ao iodeto de prata pode causar danos residuais em humanos e outros mam\u00c3\u00adferos, mas n&atilde;o sequelas cr&ocirc;nicas.<\/p>\n<p>A t&eacute;cnica de semear nuvens &eacute; usada na faixa fronteiri&ccedil;a do sul dos Estados Unidos com o M&eacute;xico, na Argentina, no Chile, na Espanha e na China, esta a na&ccedil;&atilde;o que mais a utiliza. &quot;Se for usada ininterruptamente, com os apoios log\u00c3\u00adsticos necess&aacute;rios, o pessoal especializado e as aeronaves adaptadas antes da temporada de chuva, os resultados ser&atilde;o positivos&quot;\u009d, afirmou ao Terram&eacute;rica o capit&atilde;o de avia&ccedil;&atilde;o Gustavo Dietz, que pilotou avi&otilde;es dedicados a essas opera&ccedil;&otilde;es em Estados do norte mexicano.<\/p>\n<p>&quot;As nuvens semeadas de forma correta duram mais e t&ecirc;m maior cobertura a&eacute;rea&quot;\u009d, explicou ao Terram&eacute;rica o especialista Gary Walker, da empresa Just Clouds, com sede no Estado do Texas, dedicada a esta t&eacute;cnica e \u00c3\u00a0 pesquisa atmosf&eacute;rica. A t&eacute;cnica n&atilde;o &eacute; considerada parte da geoengenharia, um conceito que define qualquer esfor&ccedil;o humano em grande escala para adaptar os sistemas planet&aacute;rios \u00c3\u00a0 mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>Por isso, est&aacute; livre da suspens&atilde;o que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) determinou em 2010 para os experimentos de geoengenharia, por seu potencial perigo para a biodiversidade. H&aacute; dois campos de pesquisas em geoengenharia: o controle da radia&ccedil;&atilde;o solar e a absor&ccedil;&atilde;o do di&oacute;xido de carbono da atmosfera, para reduzir a concentra&ccedil;&atilde;o deste g&aacute;s causador do efeito estufa. &quot;H&aacute; pelo menos 25 raz&otilde;es pelas quais a geoengenharia pode ser uma m&aacute; ideia&quot;\u009d, afirmou ao Terram&eacute;rica o professor Alan Robock, do Departamento de Ci&ecirc;ncias Ambientais da Rutgers University (Estados Unidos). Por exemplo, &quot;as perturba&ccedil;&otilde;es dos ventos de mon&ccedil;&atilde;o no ver&atilde;o asi&aacute;tico e africano, a redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos de milh&otilde;es de pessoas, esgotamento do oz&ocirc;nio, redu&ccedil;&atilde;o da energia solar e r&aacute;pido aquecimento global&quot;\u009d, detalhou Alan.<\/p>\n<p>Segundo este especialista, a perspectiva da &quot;geoengenharia poderia reduzir a tend&ecirc;ncia atual para a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases-estufa, e tamb&eacute;m h&aacute; preocupa&ccedil;&otilde;es sobre o controle comercial ou militar&quot;\u009d dessas tecnologias. O M&eacute;xico &quot;\u201c onde operam pelo menos nove empresas que prestam servi&ccedil;o de semear nuvens, especialmente no norte do pa\u00c3\u00ads &quot;\u201c sofre sua pior seca em 70 anos, com metade de seu territ&oacute;rio afetada pela falta de chuvas, que amea&ccedil;a a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e o emprego agr\u00c3\u00adcola. Entre 1996 e 1999, um per\u00c3\u00adodo sem chuvas no Estado de Coahuila levou ao experimento com o Programa para o Aumento da Chuva em Coahuila, patrocinado pelo governo estadual, pela sider&uacute;rgica Altos Fornos do M&eacute;xico e pelo norte-americano Centro Nacional de Pesquisas Atmosf&eacute;ricas (NCAR). O experimento acompanhou 94 casos, 51 de nuvens naturais e 43 semeadas, submetidas a uma mistura de s&oacute;dio e cloreto de magn&eacute;sio e de c&aacute;lcio, que atraiu e absorveu o vapor de &aacute;gua circundante para criar mais rapidamente gotas grandes e suficientemente pesadas para que ca\u00c3\u00adssem em forma de chuva.<\/p>\n<p>&quot;As an&aacute;lises preliminares sugerem que a semeadura teve efeito positivo sobre a quantidade de chuva produzida pelas tempestades&quot;\u009d, afirma a pesquisa &quot;Avalia&ccedil;&atilde;o estat\u00c3\u00adstica de um experimento de semeadura de nuvens em Coahuila, M&eacute;xico&quot;\u009d. O estudo, publicado em 2001 no boletim da American Meteorological Society (dos Estados Unidos), esteve a cargo de tr&ecirc;s cientistas da NCAR e foi administrado pela Corpora&ccedil;&atilde;o Universit&aacute;ria para a Pesquisa Atmosf&eacute;rica, que re&uacute;ne mais de 65 universidades. A &aacute;rea de chuva foi mais extensa e a precipita&ccedil;&atilde;o das nuvens semeadas durou mais e foi maior &quot;\u201c em alguns casos, o dobro &quot;\u201c do que as nuvens n&atilde;o bombardeadas com produtos qu\u00c3\u00admicos, afirma o estudo. Uma vez superada a seca, o programa foi cancelado.<\/p>\n<p>Em 2003, um artigo do consultor norte-americano Bernard Silverman, tamb&eacute;m publicado pelo boletim da American Meteorological Society, concluiu que, at&eacute; ent&atilde;o, experimentos no M&eacute;xico, \u00c3\u008dndia, Tail&acirc;ndia e \u00c3\u0081frica do Sul n&atilde;o haviam proporcionado &quot;as evid&ecirc;ncias estat\u00c3\u00adsticas nem f\u00c3\u00adsicas necess&aacute;rias para demonstrar que a semeadura higrosc&oacute;pica de nuvens convectivas aumenta as precipita&ccedil;&otilde;es&quot;\u009d.<\/p>\n<p>As an&aacute;lises n&atilde;o cuidaram dos efeitos da chuva assim produzida no solo. Os experimentos devem durar pelo menos cinco anos para apresentarem resultados v&aacute;lidos, segundo os especialistas. &quot;N&atilde;o s&atilde;o conhecidos impactos positivos ou negativos sobre o meio ambiente. O que se viu ao longo de d&eacute;cadas &eacute; que existe uma mudan&ccedil;a em como chove, para chuvas mais intensas e mais curtas, mas a quantidade de chuva que cai n&atilde;o mudou tanto&quot;\u009d, segundo Graciela.<\/p>\n<p>* O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIDADE DO M\u00c3\u2030XICO, M\u00c3\u00a9xico, 07\/02\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O est\u00c3\u00admulo artificial da chuva &eacute; um antigo sonho humano. 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