{"id":9453,"date":"2012-02-09T07:37:14","date_gmt":"2012-02-09T07:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9453"},"modified":"2012-02-09T07:37:14","modified_gmt":"2012-02-09T07:37:14","slug":"israel-e-ira-compartilham-a-ambiguidade-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/direitos-humanos\/israel-e-ira-compartilham-a-ambiguidade-nuclear\/","title":{"rendered":"Israel e Ir&atilde; compartilham a ambiguidade nuclear"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00c3\u00a9m, Israel, 09\/02\/2012 &ndash; Israel atacar&aacute; o Ir&atilde;? A pergunta domina a agenda internacional enquanto o grande projeto de um Oriente M&eacute;dio livre de armas at&ocirc;micas est&aacute; relegado ao ut&oacute;pico &quot;dia seguinte&quot;\u009d \u00c3\u00a0quele em que for encontrada uma solu&ccedil;&atilde;o para o programa nuclear da rep&uacute;blica isl&acirc;mica. <!--more--> Embora pare&ccedil;a estranho, a sociedade israelense n&atilde;o tem uma opini&atilde;o clara a respeito e depende &quot;dos que sabem mais&quot;\u009d. E &quot;os que sabem mais&quot;\u009d, como o ministro da Defesa, Ehud Barak, dizem: &quot;Se as san&ccedil;&otilde;es n&atilde;o detiverem o programa nuclear do Ir&atilde;, ser&aacute; necess&aacute;rio considerar uma a&ccedil;&atilde;o militar. Quem diz &quot;\u02dcmais tarde&quot;\u2122, pode perceber que &eacute; muito tarde&quot;\u009d, alertou na semana passada.<\/p>\n<p>A preocupa&ccedil;&atilde;o de muitos analistas, inclusive israelenses, &eacute; que um ataque de Israel n&atilde;o s&oacute; desate uma guerra terr\u00c3\u00advel como apenas sirva para atrasar em um par de anos o programa nuclear iraniano. &quot;San&ccedil;&otilde;es severas e uma frente diplom&aacute;tica unida s&atilde;o a melhor forma de arruinar o programa nuclear iraniano&quot;\u009d, afirmou no dia 3 um editorial do jornal norte-americano The New York Times.<\/p>\n<p>Por outro lado, funcion&aacute;rios israelenses da defesa afirmam que se a quest&atilde;o nuclear do Ir&atilde; n&atilde;o for abordada frontalmente &quot;\u201c seja financeira ou economicamente &quot;\u201c a regi&atilde;o afundar&aacute; em um caos de prolifera&ccedil;&atilde;o at&ocirc;mica que poderia envolver outros Estados. Estes s&atilde;o os par&acirc;metros do debate: ou para um ataque (com ou sem aprova&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos) ou para san&ccedil;&otilde;es. Entretanto, h&aacute; alternativas: uma zona livre de armas nucleares poderia ser uma estrat&eacute;gia para neutralizar o programa at&ocirc;mico do Ir&atilde;.<\/p>\n<p>Os governos israelenses condicionam a concretiza&ccedil;&atilde;o dessa zona para uma situa&ccedil;&atilde;o de paz com todos os vizinhos do Estado judeu. Isto &eacute; praticamente imposs\u00c3\u00advel, devido ao car&aacute;ter atual do regime iraniano. E na frente &aacute;rabe n&atilde;o h&aacute; nenhum avan&ccedil;o para a paz. De todo modo, ativistas da sociedade civil depositam esperan&ccedil;as na reuni&atilde;o de acompanhamento que acontecer&aacute; este ano na Finl&acirc;ndia, ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia de Avalia&ccedil;&atilde;o do Tratado sobre N&atilde;o Prolifera&ccedil;&atilde;o das Armas Nucleares, que aconteceu em 2010.<\/p>\n<p>Nessa reuni&atilde;o ser&aacute; discutido um acordo para transformar o Oriente M&eacute;dio em uma zona livre de armas nucleares e de qualquer outro armamento de destrui&ccedil;&atilde;o em massa. O pa\u00c3\u00ads anfitri&atilde;o foi aceito por todos os governos, inclusive Ir&atilde; e Israel. &quot;A maioria dos israelenses nem sabe que seu pa\u00c3\u00ads est&aacute; disposto a contemplar a ideia de uma zona livre de armas nucleares&quot;\u009d, disse Hillel Schenker, coeditor do Palestine-Israel Journal, com sede em Jerusal&eacute;m e dirigido por especialistas dos dois pa\u00c3\u00adses.<\/p>\n<p>Em outubro, o ex-porta-voz do cap\u00c3\u00adtulo israelense da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de M&eacute;dicos para a Preven&ccedil;&atilde;o da Guerra Nuclear coordenou uma reuni&atilde;o entre ativistas israelenses e iranianos. Realizada em Londres sob o patroc\u00c3\u00adnio de uma iniciativa da sociedade civil para criar uma Confer&ecirc;ncia sobre Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o no Oriente M&eacute;dio, a reuni&atilde;o facilitou o desenvolvimento de &aacute;reas de m&uacute;tuo entendimento entre os dois povos.<\/p>\n<p>Contudo, esse encontro foi uma exce&ccedil;&atilde;o. O debate p&uacute;blico est&aacute; limitado em grande parte pela press&atilde;o das autoridades. Quando o ex-chefe do Mosad (servi&ccedil;o secreto israelense), Meir Dagan, questionou o argumento pela solu&ccedil;&atilde;o militar dos dirigentes de seu pa\u00c3\u00ads, Barak atacou sua franqueza qualificando-a de &quot;conduta grave&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Apesar de os israelenses costumarem ser abertos ao debate, tendem a considerar que a quest&atilde;o nuclear &eacute; um tabu, ou tema muito complexo para expressar discrep&acirc;ncias. A maioria aceita que s&oacute; os altos chefes pol\u00c3\u00adticos e militares exer&ccedil;am esse direito, e a portas fechadas. A aus&ecirc;ncia de debate tamb&eacute;m se deve a que, desde a cria&ccedil;&atilde;o de seu pr&oacute;prio programa nuclear no fim dos anos 1950, Israel mantenha uma pol\u00c3\u00adtica de &quot;ambiguidade&quot;\u009d: a postura oficial &eacute; que &quot;n&atilde;o ser&aacute; o primeiro pa\u00c3\u00ads a introduzir armas nucleares na regi&atilde;o&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Israel nunca assinou o tratado de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear. O Ir&atilde; sim. Mas ambos rejeitam e se abst&ecirc;m de vincular seus respectivos desenvolvimentos nucleares. O manto de segredo que cobre os programas israelenses permite aos seus cidad&atilde;os sentir que participam da defesa de seu pa\u00c3\u00ads sem terem que lidar com a quest&atilde;o nuclear.<\/p>\n<p>&quot;Se refletimos como sociedade sobre o armamento nuclear, o fazemos sobre o iraniano, que, de fato, ainda n&atilde;o existe&quot;\u009d, destacou a pacifista Sharon Dolev, da campanha pelo desarmamento do Greenpeace no Mediterr&acirc;neo. &quot;Como o corcunda que n&atilde;o v&ecirc; sua pr&oacute;pria corcunda, n&oacute;s n&atilde;o vemos nossas pr&oacute;prias armas&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Essa ambiguidade faz com que a comunidade internacional continue ignorando a Dimona, suposto centro nevr&aacute;lgico do programa nuclear israelense no sul de seu territ&oacute;rio, para se preocupar somente com Natanz, no centro-oeste do Ir&atilde;, considerada sede do desenvolvimento nuclear buscado por Teer&atilde;. O Ir&atilde; tamb&eacute;m &eacute; amb\u00c3\u00adguo. Embora a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA) tenha informado, em novembro, que esse Estado realizava atividades relacionadas ao desenvolvimento de armas nucleares, n&atilde;o h&aacute; nenhuma prova de que realmente tenha decidido fabricar uma bomba.<\/p>\n<p>Os funcion&aacute;rios israelenses elogiam a &quot;ambiguidade&quot;\u009d, pois potencializa a seguran&ccedil;a do Estado judeu quase tanto como as armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa. Presumindo que tal pol\u00c3\u00adtica &eacute; necess&aacute;ria, ativistas pela desmilitariza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;em um debate que respeite os limites de n&atilde;o expor a capacidade nuclear de Israel, e alegam que fortaleceria o car&aacute;ter democr&aacute;tico de sua sociedade. &quot;&Eacute; poss\u00c3\u00advel, e inclusive obrigat&oacute;rio, debater com seriedade a necessidade das armas nucleares, os perigos que representam para a regi&atilde;o e o mundo, e as possibilidades de desarmamento&quot;\u009d, defendeu Dolev.<\/p>\n<p>Os que buscam abolir a &quot;opacidade nuclear&quot;\u009d de Israel acreditam que chamar as coisas por seu nome pode fazer com que a regi&atilde;o se abra gradualmente para o controle de armas, se uma zona livre de armamento at&ocirc;mico n&atilde;o for poss\u00c3\u00advel. &quot;Por&eacute;m, se fracassar a preven&ccedil;&atilde;o (da capacidade nuclear iraniana), ser&aacute; improv&aacute;vel os israelenses verem o controle de armas como uma solu&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, previu Avner Cohen, autor do controvertido Israel e a bomba, de 1998. Com mais raz&atilde;o, pois durante a Guerra Fria o cen&aacute;rio dos di&aacute;logos sobre controle de armamentos foi a exist&ecirc;ncia declarada de armas nucleares.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, entre os israelenses h&aacute; quase consenso de que a ambiguidade &eacute; um caso de for&ccedil;a maior e o fator de dissuas&atilde;o mais efetivo para o que se v&ecirc; como &quot;perigo existencial&quot;\u009d, constitu\u00c3\u00addo pelo Ir&atilde;. Esta vincula&ccedil;&atilde;o entre armamento de destrui&ccedil;&atilde;o em massa e hostilidade extrema tem preced&ecirc;ncia sobre qualquer outra considera&ccedil;&atilde;o, reconhecem os pacifistas.<\/p>\n<p>Diante da suposi&ccedil;&atilde;o de que o Ir&atilde; fabrique a bomba, &quot;n&atilde;o sabemos qual Estado nuclear se desarmar&aacute; primeiro, mas sabemos qual ser&aacute; o &uacute;ltimo: Israel&quot;\u009d, advertiu Cohen. Muitos ativistas concluem que provavelmente j&aacute; seja tarde para que os israelenses conven&ccedil;am seus governantes de que sair do bunker da ambiguidade &eacute; a melhor forma de desativar a bomba de tempo iraniana, que j&aacute; est&aacute; perigosamente acesa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00c3\u00a9m, Israel, 09\/02\/2012 &ndash; Israel atacar&aacute; o Ir&atilde;? 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